As personagens élficas aqui reconhecidas não me pertencem, mas sim a J.R.R Tolkien, mas a originalidade da história e algumas personagens pertencem somente a mim...


Antes de mais, gostaria a agradecer a umas maravilhosas pessoas que me têm apoiado desde o início desta fanfic, que me têm animado com as suas maravilhosas e valorosas reviews.

SadieSil; Nimrodel Lorellin; Stephanie Telcontar Skywalker (Eärendil Princesa de Cristal); Gibby a Hobbit; Ann-Krol e Todos aqueles que acompanhem "Valinor, a Terra Esquecida" desde a sua publicação.

Aproveito também para agradecer a Todos os membros da Tolkien Group e a SadieSil por ter me convidado para participar no Grupo.

Obrigado A Todos


IX

– Sónia... Por favor! Abre a porta – suplicava Nhatas batendo na porta trancada, não suportava o silêncio de Elros e agora Sónia mantinha também esse silêncio – Sónia... Por favor! Deixa-me entrar... já passa do Meio dia... Sónia... Por favor!

Sónia fechara-se no quarto desde o dia anterior e ainda não saíra do quarto, Nhatas sabia que algo se passava e na noite anterior pediu incansavelmente para que a sua amiga abrisse a porta que as separava, mas Sónia limitava-se a chorar não fazendo caso das palavras preocupadas de Nhatas, e na manhã seguinte a jovem elfa madrugou e pediu mais uma vez, tão infatigavelmente como na noite anterior, que Sónia abrisse a porta e falasse com ela, mas Sónia não abria a porta e nem respondia às súplicas de Nhatas.

– Menina Nhatas? – disse Lëan aproximando-se do quarto com uma grossa toalha nos braços – Passasse algo? – Nhatas olhou a criada com preocupação no olhar.

– A Sónia recusasse a abrir a porta. – respondeu Nhatas – Ela fechou-se ali dentro e... e...

– Não se preocupe Menina. – a criada de cabelos loiros escuros tirou uma chave dentro de um pequeno bolso do seu avental de cintura branco, colocou na fechadura da porta, rodou-a até dar um clique e a porta abriu-se devagar. Nhatas entrou de rompante e parou vendo Sónia encolhida na trave da varanda olhando para o vazio, Nhatas aproximou-se da mortal e olhou-a, Sónia tinha o olhar triste, porém... ódio era visível no seu olhar. Nhatas chegou-se perto de Sónia fazendo com que esta a olhasse direitamente nos olhos e esboçando um pequeno sorriso desanimado.

– Olá Nhatas. Olá Lëan. – disse Sónia olhando para as donzelas élficas, voltou-se e sentou-se na cama.

– Eu estava preocupada contigo. – disse Nhatas colocando-se em frente – Porque não respondes-te? Estava morta de aflição... – Sónia olhou-a, mas não falou – O que se passa?

– Nada... – Sónia deixou cair de lado na cama, desviando o olhar para o cabeceiro.

– Nada? E esperas que eu acredite nisso?

– Nem por isso...

– Sónia... – Nhatas agachou-se ao lado da cama – Não me faças isso. Por favor não... Eu já não suporto o horrível e doloroso silêncio do meu irmão, por favor não me faças suportar o teu também... – Sónia olhou-a com pena, mas depressa enterrou o seu rosto na almofada para esconder as suas lágrimas.

– Deixa-me só... – disse Sónia com a voz trémula e abafada pela almofada.

– Sónia... Por favor...

– DEIXA-ME SÓ – gritou Sónia sobressaltando Nhatas que se colocou em pé num pulo. Lëan, que também observava a mortal, olhou-a de olhos arregalados e inquietos – VOCÊS AS DUAS... FORA.

Lëan agarrou o braço de Nhatas que não se mexia do lugar e puxou-a gentilmente para fora do quarto, fechando em seguida a porta, curvou-se diante a jovem elfa e foi embora pelo o corredor. Nhatas ainda olhava a porta sobressaltada pelo o grito de Sónia, era tão estranho aquele grito, tão estranho que Nhatas não podia acreditar que a sua amiga tivesse gritado com ela só por ter tentado ajudar. Já não aguentava tanta dor no mesmo coração, já não aguentava os Silêncios que habitavam naquela casa, já não aguentava nada que lhe fizesse sofrer. Voltou as costas ao quarto da amargurada mortal e seguiu pelos os corredores até ao quarto de Elros, ninguém se encontrava nesse curto e gelado corredor, não desde que Elros se fechara. Nhatas encostou a sua testa na porta fria e soluçou deixando que finas lágrimas escorressem pelo seu rosto amargurado.

– Elros, meu irmão. – as palavras quase não saíam da boca de Nhatas – Nem imaginas o quanto preciso dos teus braços... sinto-me tão só, tão perdida... – fez uma breve pausa – Envolveste em silêncio e deixaste-me só... Todos sofrem da tua desgraça, mas eu sofro mais... Eu amo-te tanto. – fez mais uma pausa – Antes tinha Sónia, mas agora não tenho ninguém... Ela também deixou-me só. Nem mesmo Thünir faz com que a minha dor acalme. Óh Elros... Elros... – Nhatas começou a chorar desconsoladamente

– –

Elladan abriu os olhos num ápice, estava deitado e mirou o tecto ao ouvir o nome da pessoa que tanto amargurava o coração e de repente sentiu-se preocupado com Sónia, porquê que Nhatas havia dito que Sónia havia deixado só? Sentou-se na cama e esfregou os olhos, a dor no coração aumentara e afligia-lhe o espírito, queria tanto que tal dor fosse embora, mas não ia, só lhe aumentava cada dia que passava. O choro de Nhatas chegou-lhe aos ouvidos e Elros olhou para a porta, tinha mesmo que sair daquela prisão que ele próprio criara, tinha que ir ver se Sónia estava bem, ver o que se passava, mas o choro da irmã era tão triste que Elros sentiu-se horrível por ter magoado a irmã e todos aqueles que amava.

– –

Nhatas continuava a chorar com a testa encostada na porta, quando de repente a porta abriu-se e Elros apareceu à porta, estava mais magro e mais pálido, parecendo que tivera alguma doença, o elfo de cabelos negros olhou Nhatas preocupado. Nhatas sorriu ao ver o irmão que depressa a acolheu nos braços.

– Nhatas, minha irmã... – disse Elros enquanto que a abraçava – Perdoa-me por tudo, eu... eu não pensei que te faria sofrer assim tanto... perdoa-me. Eu não mereço a tua preocupação, eu não mereço as tuas lágrimas. – fez uma pausa – Eu não mereço ser teu irmão.

– Elros... estou... estou tão feliz por ver-te – Nhatas afastou-se um pouco dos braços de Elros e olhou-o directamente nos olhos – Tu mereces as minhas lágrimas mais que ninguém... meu irmão, meu amado irmão.

Elros sorriu ao ver a sua irmã feliz, como é que ele a poderia ter feito sofrer daquela maneira? Passou a mão carinhosamente pelo o rosto de Nhatas, a dor que habitava nos seus corações e nos seus espíritos de ambos havia desaparecido por breves e maravilhosos momentos, um agradável calor cresceu em ambos e ambos se abraçaram uma vez mais.

– Anda... – disse Elros docemente voltando para o quarto, desta vez puxando carinhosamente Nhatas para fazer-lhe companhia.

O quarto encontrava-se escuro com as cortinas fechadas, havia alguma desordem no quarto, como algum pó na mobília pouco utilizada, alguma roupa espalhada pelo o quarto e na cama só havia um cobertor e os lençóis encontravam-se no chão ao lado da cama. Elros fez sinal para que a sua irmã se sentasse numa cadeira empoeirada enquanto que este abria as cortinas, deixando que uma imensa luz invadisse o seu quarto e iluminasse cada canto de cada pedaço do compartimento.

– Os dias de chuvas pararam... – disse Elros inspirando o belo ar fresco que se fazia sentir – Nem me lembrava do cheiro da terra depois de uns dias de chuva. Como pode me esquecer deste tão doce aroma? – voltou-se para a irmã, estava mais feliz, mas ainda continuava triste. – E o nosso pai?

– Tal como eu, tal como todos aqueles que te amem... ele tem o coração pesado. – disse Nhatas com um olhar triste – Ele sente-se culpado de alguma maneira... ele... ele pensa que seguiste a escuridão e o silêncio por causa dele. – Elros sentou-se desconsolado na cama, abaixou o rosto e cerrou os olhos. A culpa não era de ninguém, somente do seu egoísmo e estupidez.

– A culpa não é de ninguém... Eu pensei que se me afastasse de todos, eu poderia afastar a minha dor.

– Tua dor! – repetiu Nhatas triste, depois sorriu e levantou-se olhando o seu irmão – A Sónia tem razão... Nós, os elfos, somos piores que os mortos quando estamos tristes... os mortos chegam a ser mais felizes que nós.

– Mas os mortos não sentem dor nem amargura. Não podem ficar tristes, pois eles não sentem... Eu invejo-os. – Elros desviou a cara para o chão. Nhatas colocou as mãos à boca chocada, depois abraçou o seu irmão e chorou.

– Não meu irmão. Não os invejes... Nunca digas tais palavras... – olhou para os olhos do seu irmão – Mas que dor é essa que sofres? Que dor é essa que pretende levar o meu irmão? Eu não deixo, eu não quero... – voltou a encostar a cabeça no peito do seu irmão – Por favor! Só tenho a ti, ao pai e ao Thünir... Se me deixas... eu ficarei só. Eu não quero ficar só... nem mesmo o meu amado e comprometido Thünir me apaziguaria a minha dor... – Elros cerrou os olhos com força forçando as lágrimas a não escorrem pelo o rosto. Não faria a sua irmã sofrer mais... nunca mais. Sorriu e afastou Nhatas do seu peito.

– Eu nunca te deixaria... Nem por todos os males de Valinor... – passou a mão na cabeça da sua amada irmã – E eu nunca deixaria Thünir ficar contigo... ele ainda não tem o meu consentimento. – Nhatas esboçou o seu mais belo sorriso e abraçou mais uma vez o irmão.

– Obrigado meu irmão... Obrigado.

– Não tens que agradecer. – Elros levantou-se e olhou para os lados – Não me vale ficar por aqui, este quarto não é digno de alguém... Preciso urgentemente de um banho quente e de roupas lavadas.

– És um porco... – brincou Nhatas deixando Elros soltar uma breve gargalhada.

– Um rico e belo banho, roupas limpas e um prato farto... é tudo o que desejo agora. – Nhatas correu até à porta do quarto, voltou-se para o irmão e sorriu, havia se esquecido dos seus problemas, das suas aflições, havia se esquecido de Sónia, mas isso agora não importava, o seu irmão havia voltado e isso sim era tudo para ela.

– Chamarei todos os criados da casa, mandarei preparar um banquete de mil reis só para ti... – disse Nhatas sorridente antes de sair do quarto, deixando Elros mais uma vez só.

Elros deixou a sua irmã sair para se sentar na cama e enterrar o seu rosto nas mãos, estava agoniado por ter feito todos aqueles que amava sofrer, por ter feito a sua irmã e seu pai sofrer, sentia-se miserável por não ter pensado nos corações daqueles que tanto amava, mas a dor que abrangia o seu coração fez com que esquecesse do que era ser amado pelas pessoas que o amava. Queria tanto que a dor desaparecesse que tornou-se vil e cruel para aqueles que lhe queriam todo o bem de Arda, mas a dor... era tão insuportável. Aquela dor de amar alguém que não o amava na forma de afeição profunda, pois Elros era amado, mas não o quanto desejava.

Elros suspirou e olhou para a varanda, o dia estava realmente lindo, mas isso não o alegrava, olhou em volta devagar, o quarto estava mesmo numa bagunça e sujo, e ele... vendo-se ao espelho pela primeira vez em dias, viu-se num traste e por instantes teve vergonha e raiva de si próprio, mas esses sentimentos pouco duraram, pois uma figura de cabelos negros apareceu de rompante à porta, era Elladan e sorria como se tivesse visto um anjo, realmente era um anjo, era o seu anjo.

– Elros... meu amado filho – Elladan apressou-se a abraçar o seu filho – Pensava que tinha te perdido.

– Perdoe-me meu pai. – disse Elros afastando-se e desviando o seu olhar triste e envergonhado – Tenho sido um verdadeiro imbecil. Perdoe-me...

– Não fales assim... Não quero ver-te falar assim... Tu não és imbecil.

– Sou mais que isso... Fiz o pai e a Nhatas sofrer pelo o meu egoísmo. Eu não mereço tamanho calor. Eu...

– Não fales assim. – interrompeu Elladan, este estava feliz por ver o seu filho, e não queria que tais palavras frias omitissem o belo momento de ver o seu filho – Alegro-me ao ver-te... Eu tive medo... medo de perder-te...

– E perder-me-ias se Nhatas não tivesse aberto o meu coração duro. – Elladan olhou o seu filho e agradeceu aos Céus por não terem desistido de Elros – Perdoas-me? Por tudo de mal que eu fiz? Perdoas-me pela nossa discussão...

– Não me lembres! Prefiro acreditar que nada aconteceu. Só quero ver-te recuperado... Anda. Vem para o meu quarto. Tens lá um banho quente e roupas lavadas à tua espera... Este lugar não o local ideal para isso.

Elros hesitou em seguir o pai e manteve quieto no mesmo lugar olhando o pai que já seguia porta fora, este voltou-se e olhou para Elros que ainda o olhava de olhos tristes.

– O pai... o pai não vai perdoar-me! – as palavras prenderam-lhe na garganta e Elladan olhou-o, esboçou um leve e doce sorriso. Aquele menino nunca iria mudar. Aproximou-se de Elros e colocou as mãos nos ombros do seu filho e olhou-o directamente para os olhos.

– Tu ainda não percebes-te? Eu amo-te... Eu já havia te perdoado mesmo antes de o pedires. Agora vamos... Estás num traste e todos querem ver-te. – fez uma pausa – E que ninguém te aborreça com perguntas sobre a tua desgraça... eu mesmo me encarregarei que ninguém te aborreça, nem mesmo eu... nem mesmo o teu avô Elrond. – esboçou um leve sorriso e conduziu Elros docemente para fora do aposento que tanto havia trazido dor naquela casa.

– –

O banquete seria no final do dia e duraria maior parte da noite. Todos os criados e cozinheiros da casa estavam concentrados nos seus trabalhos para proporcionar um belo banquete ao jovem Elros, limparam e arrumaram o enorme salão branco de banquetes, colocaram belos adornos feitos de flores e plantas aromáticas para que o salão não perdesse a alegria. Todos na Casa de Elrond iriam comparecer ao banquete em honra de Elros, queriam sentir novamente Elros nos seus corações e não perderiam o banquete por nada em Valinor.

Nhatas estava mais feliz que nunca e sorria, dançava e cantava pelos os corredores, estava desejosa que o pôr-do-sol chegasse depressa, para depressa sentir a alegria que a Casa adquiria cada hora que passava, todas as suas aflições e dor desapareceram por completo, por outras palavras, estava bem da vida, até que ao dançar no corredor chocou com Lëan que carregava uma bandeja com alguma comida, Nhatas desculpou-se logo de seguida e sorriu para a criada de cabelos claros.

– A Menina devia ter um pouco mais de cuidado. – disse Lëan divertida – Hoje é dia de festa e estão todos atarefados.

– Eu sei... – disse Nhatas dando um giro sobre si mesma – Não é óptimo? Elros voltou a juntar-se a nós e estão todos felizes... Quem me dera sentir este calor todos os dias para sempre.

– Para sempre é muito tempo Menina. – Nhatas olhou Lëan com um pequeno sorriso e olhou para bandeja com comida quase intocável.

– Quem é que não comeu? Esta alegria toda até abre o apetite.

– A alegria não chegou ao quarto de Sónia, Menina. – de repente Nhatas parou de sorrir, tinha se esquecido da sua amiga.

Despediu-se de Lëan e seguiu até ao quarto de Sónia, parou à frente da porta e hesitou em entrar, olhou a porta durante alguns momentos, respirou fundo para ganhar alguma coragem e entrou. Sónia estava sentada na cadeira de vime branco na varanda com o Potchi deitado aos seus pés a roer alguma coisa, a triste mortal olhava atenta o céu e examinava cada nuvem que passava, sentiu Nhatas a aproximar-se devagar e olhou a jovem elfa que tinha parado perto da cama.

– Desculpa por ter gritado. – disse Sónia subitamente, depois voltou a olhar para os céus – Já viste? As nuvens aqui são tão bonitas. – Nhatas aproximou-se e olhou Sónia, ela estava triste e tinha os olhos com vestígios de lágrimas.

– Porque estás triste? – perguntou Nhatas, Sónia continuou a olhar as nuvens.

– Ouvi que o Elros já saiu do quarto. Que bom... Deves estar contente.

– E estou... mas estaria mais contente se tu me contasses o que se passa. – Sónia olhou para Nhatas com os mesmos olhos tristes, esforçou um sorriso e disse.

– Existe coisas que é melhor guardar para si mesma e melhor ninguém saber.

– Não se essas coisas te magoam. – Nhatas agarrou a mão de Sónia gentilmente – Por favor Sónia... Diz-me.

– Nhatas.. eu não posso. Desculpa. – lágrimas formaram-se nos olhos de Sónia, esta levantou-se e deitou-se na cama escondendo o rosto na almofada.

– Sónia... Perdoe-me por ter-te feito chorar. Eu não queria...

– Não foste tu... Foi eu mesma que me fiz chorar. – fez uma pausa – Eu sou tão idiota... sou mesmo uma idiota.

– Tu não és idiota. – Nhatas sentou-se ao pé da mortal – És minha amiga e não gosto ver-te assim. – fez uma longa pausa enquanto que observava Sónia – Vens ao banquete?

– Não.

– Por favor.

– Não me apetece.

– Vai lá estar o Elros, o Friêr... o Thünir e o Culion ... o meu pai também vai lá estar. – Sónia cerrou os olhos com força e uma dor atingiu-lhe o coração ao Nhatas falar do seu pai, Sónia desejava em cima de tudo deixar tudo o que aconteceu de lado. Odiava Elladan com todas as suas forças, mas ainda o amava apesar da horrível dor que lhe fustigava o coração.

– Não Nhatas... eu prefiro ficar só... prefiro ficar aqui onde a minha infelicidade não chegará a ninguém... – Nhatas levantou-se triste e dirigiu-se à porta, olhou Sónia uma última vez e falou antes de sair.

– Pois a mim já chegou. – e saiu deixando Sónia só.

– –

– Elros... – disse Culion colocando o braço por volta do elfo recém chegado ao banquete em sua honra – Estás pálido... Viste algum fantasma?

– Acabei de te ver. – respondeu Elros divertido e olhou em redor à procura de Sónia, mas não a viu.

– Eu! Um fantasma! – Culion soltou uma gargalhada divertida – Anda cá comer que estás tão magro quanto uma flecha.

– Ele não é só teu. – Friêr aproximou-se de Elros e Culion e abraçou Elros – Bem vindo... – depois Friêr olhou Elros mais cuidadosamente – Meu irmão tem razão... Pareces uma flecha. Senta-te aqui. – Friêr conduziu Elros até uma cadeira vazia entre Nhatas e Elladan. Elros mais uma vez olhou em redor sempre à procura da mortal antes de Elhorir lhe tirar a atenção.

– Meu sobrinho favorito.

– Só tens um. – respondeu Elros olhando o tio com um sorriso, era tão bom voltar a ver tais rostos, embora o rosto que desejava ver não estar presente.

O banquete deu-se início quando Mestre Elrond entrou no salão e deu um abraço ao seu adorado neto, sentou-se na sua cadeira habitual e fez um discurso em honra de Elros, mas tal discurso não durou muito, por infelicidade de Elrond, pois as caras dos presentes tornaram-se aborrecidas e desejavam que o banquete começasse o mais rápido possível, e assim foi.

O banquete estava incrível, estava tudo perfeito, desde aos adornos florais à comida magicamente deliciosa preparada pelos os cozinheiros da Casa. Todos os presentes estavam a divertir-se imenso. Cantavam, contavam histórias e conversavam alegremente uns com os outros, afinal era um momento em que deviam alegrarem-se e não deixar que alguma aflição enchessem os corações, mas nem todos estavam inteiramente felizes, Elros, apesar de sentir alegre por voltado para aqueles que amava, sentia um peso no coração ao não ver Sónia no banquete. Elros espetou o seu garfo num pedaço de um vegetal e suspirou, olhou mais uma vez em volta desinteressando vendo todos a divertirem-se, esboçou um pequeno sorriso e olhou para o prato suspirando outra vez.

– Meu filho... – disse Elladan sorrindo e tocando-lhe no ombro – Tantos suspiros! O que te incomoda?

– Nada meu pai. – respondeu Elros olhando seu pai.

– Então... Dói-te alguma coisa? – brincou o pai – Tens algum dói-dói?

– Não pai... não tenho nenhum dói-dói.

– Então porque suspiras?

– Ora pai... – disse Nhatas olhando para os dois elfos divertida – Deixa Elros se divertir um pouco e não o mace. Este é o banquete dele. – Elladan soltou uma gargalhada e bebeu um pouco de vinho. Elros por sua vez olhou sua irmã que desviara a sua cara para Thünir que conversava alegremente com os seus irmãos, e perguntou.

– Onde está Sónia? – Nhatas olhou-o espantada enquanto que Elladan arregalara os olhos, uma dor atravessou-lhe o coração e cerrou os olhos com força, olhou de soslaio para o seu filho com uma cara triste e ouviu atentamente Nhatas responder.

– Sónia está no quarto.

– E não veio ao banquete? Porquê? – continuou Elros.

– Bem... eu não sei, mas ela está triste... e – fez uma pausa desviando o olhar triste para o seu prato – E ela está com ódio de algo ou alguém, notei no olhar.

Elladan desviou o olhar triste e cerrou mais uma vez os olhos com força, Sónia odiava-lhe e isso doía-lhe tanto, desejava que tudo ficasse em branco e desejou nunca ter dançado com ela naquela maravilhosa noite. Abriu os olhos e olhou para Elhorir sem razão alguma, este também o olhava e tinha o semblante triste, sabia o porquê de Elladan estar a sofrer e sentia-se culpado, Telas, amada esposa de Elhorir, foi quem quebrou aqueles olhares gélidos entre os gémeos puxando Elhorir até um grupo de elfos. Elladan também desviou o olhar para os seus filhos e notou preocupação no olhar de Elros que se levantara.

– Onde vais meu irmão? – perguntou Nhatas olhando-o.

– Vou falar com a Sónia.

– Elros... é melhor deixá-la sozinha por agora. – Nhatas agarrou o braço do irmão – Ela quer estar só.

– Mas eu não deixarei – Elros afastou o seu braço gentilmente de Nhatas – Eu preciso de falar com ela.

Elros saiu do salão discretamente e foram poucos os elfos que notaram a sua ausência, pois o banquete estava maravilhoso e nenhum dos elfos queria quebrar a sua alegria, mas Elladan seguiu Elros com o seu olhar com dor, Nhatas olhou seu pai preocupada e perguntou o que se passava, mas Elladan conseguiu disfarçar a sua dor e esboçou um sorriso.

– Nada minha filha. – respondeu Elladan – Vamos comer antes que acabe as sobremesas.

– –

Elros andou pelo os corredores, andava cada vez mais rápido, sentia o seu coração bater mais depressa e ansioso por ver aquela que mais amava, mas por outro lado, sentia a sua coragem a desaparecer. Sónia não o amava e de certeza não iria falar-lhe. Parou... Estava na porta do quarto de Sónia e tudo pareceu-lhe envolver-se em trevas e o silêncio invadiu-lhe os ouvidos, não sabia ao certo a razão, mas ficara com medo. Sónia estava no outro lado da porta, a mulher que havia-lhe causado tanto dor e sofrimento, mas não podia deixar de ficar preocupado. Respirou fundo e ganhou coragem. Não podia deixar Sónia envolver-se no silêncio e na angústia como ele havia ficado durante dias. Não queria que ela sofresse, por muito que Sónia não o amasse. Bateu à porta, nada. Voltou a bater, desta vez ouviu um resmungo e entrou.

Sónia encontrava-se deitada na cama olhando o tecto, para variar, com Potchi deitado ao seu lado, sendo carinhosamente afagado pela sua dona. Potchi fora o primeiro a levantar a cabeça e olhar Elros, depois voltou a deitar a cabeça vendo que não era do seu interesse. Elros aproximou-se da cama e ficou em pé fitando Sónia que tinha o rosto sem expressão, olhando simplesmente o tecto, mas Nhatas tinha razão, Sónia estava triste e o ódio tomava-lhe o olhar. Elros suspirou fazendo Sónia olhar para ele, esta sorriu e sentou-se na cama, o elfo de cabelos negros tremeu e desviou o olhar pronto a falar.


PS: Desculpem os meus fracos agradecimentos.