As personagens élficas aqui reconhecidas não me pertencem, mas sim a J.R.R Tolkien, mas a originalidade da história e algumas personagens pertencem somente a mim... e talvez à minha amiga que me ajudou, indirectamente, nos nomes das personagens.
&& - Significa que o mesmo Tempo, mas em Espaço diferente.
Desculpem se estiver confuso e se algumas frases não estarem correctas, é que tenho um impressão que não li tudo... Sorrie!
– XI –
– A manhã chegou bela meu pai. – disse Nhatas mirando o sol que nascia por detrás das árvores – Infelizmente não alegra os nossos corações.
Elladan olhou Nhatas com carinho, levantou-se da cadeira, chegou-se perto da sua amada filha e abraçou-a, tentando dar-lhe calor e acalmando-lhe o coração.
– Mas porquê que ele quer desistir? – chorou Nhatas, já fizera aquela pergunta tantas vezes, mas a resposta era sempre a mesma.
– Porque ele não quer sofrer.
– Mas sofre de quê? – perguntou Nhatas afastando-se dos braços do pai – Não compreendo. Eu... não... entendo porquê. – sentou-se na cama esperando que o pai lhe dissesse alguma coisa, mas Elladan simplesmente suspirou e dirigiu-se à varanda vendo o sol nascer vigorosamente.
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Lëan entrou no quarto de Sónia devagar, estranhou de a porta estar simplesmente encostada, mas não se importou, até fora bom a porta estar encostada, pois Lëan carregava roupa limpa.
– Menina Sónia, já é de manhã. – Lëan olhou para a cama com mais atenção, Sónia não estava lá, aliás, a cama estava arrumada, dirigiu-se até o quarto onde se banhava – Menina Sónia? – mas não estava lá. – Estranho. O sol mal nasceu e a Menina Sónia já saiu do quarto! Potchi. – chamou Lëan, mas nem mesmo o maroto do cão estava lá.
Lëan olhou o quarto em volta, de repente sentiu-se um pouco preocupada, mas não havia com que se preocupar, ela deveria estar algures na Mansão, ou no jardim a brincar com o cão.
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Sónia abriu os olhos, ainda sentia a cabeça um pouco dormente e um gosto horrível na boca, olhou em volta e viu que estava dentro de uma gruta, ou algo parecido, mas era uma gruta estranha, pois a porta da gruta era feita de água, uma gruta por detrás de uma catarata.
– Onde é que eu estou? – perguntou Sónia levantando-se, mas voltou a sentar-se, pois ainda sentia o seu corpo um pouco dormente.
– É melhor não te levantares... o efeito só vai passar daqui algumas horas. – Sónia olhou na direcção de onde vinha a voz, num dos cantos mais afastados estava alguém sentado coberto com um manto negro a limpar uma longa espada.
– Mas... O que... Como... Quem és tu?
– O meu nome não te interessa.
– Eu quero saber quem és tu. Onde estou. E... porquê é que tenho um gosto horrível na boca?
– Quem eu sou e onde tu estás não é a maior das tuas preocupações. E o gosto horrível é devido à erva soporífica com que te fiz dormir. – Sónia semicerrou os olhos furiosa, aquele tipo enervou-lhe bastante.
– Ouve lá, mas quem é que pensas quem és? – Sónia levantou-se, mas não saiu de onde estava, aquela erva era realmente forte.
A estranha criatura levantou-se rapidamente e com a sua agilidade deitou Sónia ao chão, agarrando-lhe o rosto e puxando-a bem perto do seu rosto, ficando bem perto. Sónia pode ver que aquele ser era um elfo, até era bem bonito, de longos cabelos vermelhos muito escuros e com olhos verdes, mas aquele olhar metia arrepios à Sónia, ele tinha olhos de louco, cheios de raiva e de ódio.
– Tal como eu disse... Quem eu sou não é a maior das tuas preocupações. – o elfo sorriu malignamente e bem devagar lambeu o rosto de Sónia, deixando-a assustada.
– LARGA-ME SEU... – Sónia jogou aquela criatura para longe dela com as poucas forças que tinha, o elfo estancou mesmo à sua frente sem deixar morrer aquele sorriso que lhe causava arrepios.
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Lëan ainda não havia se sossegado, já havia procurado Sónia nos jardins, nos estábulos, na sala de refeições, nos corredores, já havia procurado até na cozinha e estava a ficar sem lugares para procurar.
"A Menina deve estar com a Menina Nhatas, mas não quero perturbá-la, principalmente hoje", pensou Lëan dirigindo-se até à biblioteca, um dos lugares que ela ainda não procurara "Só espero que a Menina esteja na biblioteca. Não deixo de estar preocupada".
Chegou perto da porta da biblioteca e ouviu vozes lá dentro, só reconhecia a voz de Friêr, mas as outras não reconhecia, mas isso não a importava, somente desejava que Sónia estivesse lá dentro.
Bateu à porta e logo foi autorizada a entrar, abriu a porta e viu que as restantes vozes pertenciam a Culion e Erestor, cujo pedido do seu amigo Elrond, havia regressado á Casa de Elrond havia algum tempo, e parecia que havia regressado a tempo, mas o que Lëan temia acontecera, Sónia não estava presente na biblioteca.
– Perdoem-me Meus Senhores por interrompê-los. – disse Lëan respeitosamente.
– Não há nada que perdoar Lëan. – disse Friêr que sempre tratava Lëan com carinho – Diz-me minha amiga, o que te traz aqui hoje?
– Os Senhores viram a Menina Sónia hoje? – os presentes olharam a criada com alguma surpresa.
– Não. – respondeu Friêr. Erestor e Culion também não a tinham visto. Lëan suspirou lentamente, ficando ainda mais preocupada.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntou Culion, mas Lëan simplesmente desviou o rosto visivelmente preocupada.
– Temo que a Menina Sónia tenha desaparecido.
Os três elfos levantaram-se muito surpreendidos, nunca imaginariam tal coisa, Erestor aproximou-se de Lëan fazendo que ela olhasse nos seus olhos.
– Dizes que Sónia desapareceu?
– Si-Sim Meu Senhor. Eu fui ao quarto da Menina hoje de manhã, mas ela não estava lá e a cama está intacta. Então procurei nos jardins, na Sala de Refeições, na cozinha, nos corredores, nos estábulos. Perguntei a todos a quem encontrei, mas nada. Ninguém a viu, ninguém sabe onde ela está.
– Oh Meu Eru! Mas como é que uma mortal desaparece? – Erestor afastou-se – É impossível. Ela deve estar com o Mestre Elrond...
– Não está. – disse Culion – Estive com Mestre Elrond, e ela não estava com ele. Nem com Elladan, Elhorir ou no quarto de Elros. Ao menos eu não a vi.
– Pode estar com a Menina Nhatas.
– Elladan conseguiu acalmá-la, ela está a descansar. Sónia não estava com eles.
– E então como é que Sónia desapareceu? – Erestor olhou Culion um pouco enraivecido.
– Eu não sei, mas todo o cuidado é pouco. – Culion abriu a porta e chamou um guarda, pouco depois um guarda da casa, com o seu uniforme azul claro e dourado, com uma lança branca e prateada, apareceu à porta, curvando-se em benção dos seus Senhores. – Soldado, por favor disponibiliza mais dois guardas e procurem Sónia, a Mortal de Valinor pelo o Vale, assim que terminarem, voltem aqui para o relatório. Agora vai.
– Sim Senhor. – o guarda saiu de imediato levando consigo as ordens do Senhor, iria cumpri-las a todo o custo.
– Agora esperaremos.
– Eu ainda digo que isso é inútil meu caro Culion. – disse Erestor aproximando-se de Culion – Ainda digo que Sónia está sã e salva algures na Mansão.
– Tal como o meu irmão disse... – falou Friêr, depois de pedir que Lëan se sentasse com ele no sofá – Todo o cuidado é pouco. – depois voltou para Lëan – Conta-me outra vez o que se passou.
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Sónia continuava sentada na cama de panos e de folhas secas, muito confortáveis e aromáticas, que o seu raptor havia feito. Estava assustada, sendo constantemente vigiada pelo o elfo malvado que voltara ao seu canto escuro, limpando e afiando as suas adagas e setas, o seu sorriso suspeitoso e maligno não havia morrido, aliás, parecia tornar-se cada vez mais negro.
Sónia olhou o tecto escuro sem cor, olhou em volta, parando o seu olhar para um enorme cão de cor escura, o cão era feroz e negro, tal como o dono, e devorava um osso arrancando-lhe toda a carne que lá existia, ao seu pé estava Potchi, o cãozinho branco que lhe fizera companhia e que de certa forma lhe atraiçoara.
– Potchi... – chamou Sónia. Potchi levantou a cabeça olhando a humana, mas depois desviou a cabeça não fazendo caso. Sónia entristeceu e suspirou, queria estar no seu quarto quente e confortável, e não naquele lugar húmido e frio. De repente sentiu fome, não comera nada desde que acordara e já havia passado muito tempo, mas tinha pavor de pedir alguma coisa àquele ser. Voltou a olhar para o elfo, este havia parado de afiar uma seta, deixando-se fixar atentamente para a mortal. – E para onde estás a olhar? – falou Sónia furiosa, era preciso ter lata aquela criatura fixar os olhos nela.
– Hein? Vê lá se tens respeito. – respondeu o elfo aproximando o seu rosto mais da luz, deixando Sónia ver o seu olhar zangado e louco. Sónia estremeceu, realmente tal olhar metia medo a qualquer um. Suspirou, desejava tanto que Elladan ali estivesse com ela, aquele idiota. Desejava que Elros ali estivesse. Desejava que Nhatas, que Friêr, que Lëan, todos ali estivessem. Desejava voltar para a Mansão. Mais um vez suspirou e encolheu-se, de repente sentiu uma coisa a cair-lhe ao seu pé, quando olhou viu que era uma batata assada. – Come! – ordenou o elfo examinando uma seta – Tu não me vales de nada se morreres de fome.
Sónia olhou a batata ao seu lado e segurou-a, ainda estava morna, não queria comê-la por ter sido tocada pelo o elfo, mas Sónia estava com fome, e certamente não queria morrer, pelo o menos não ali com aquele elfo. Tirou a casca fina da batata e comeu-a, até estava boa, por ter sido cozinhada por aquele... elfo. Acabou de comer sentindo o seu estômago mais quente e satisfeito, esboçou um pequeno sorriso e quando olhou para o canto escuro onde supostamente estaria o elfo, ele não estava lá, aliás, o elfo estava mesmo à sua frente, agachado, apoiando-se nos seus calcanhares, e olhando Sónia sem expressão no rosto. Sónia afastou-se um pouco, mas o elfo não a parava de mirá-la, assustando-a.
– Que queres? – perguntou Sónia trémula, mas o elfo continuou a olhá-la mais atentamente, mexendo somente os olhos.
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A porta da biblioteca abriu-se, os três elfos voltaram as suas cabeças para a porta, era dois guardas com um outro elfo de cabelos escuros, um batedor da floresta, este entrara de cabeça baixa sem se atrever a olhar os seus Senhores nos olhos, enquanto que os guardas entraram firmes e robustos. Já havia passado quatro horas desde que os guardas começaram as buscas, mas não haviam encontrado nada, somente um elfo que vira alguma coisa na noite anterior.
– Então Sónia não se encontra em lado nenhum? – confirmou mais uma vez Culion.
– Não Senhor. – respondeu um dos guardas.
– Eu continuo a dizer que Sónia está algures na Mansão. – falou Erestor, olhando Culion.
– Procuraram na Mansão? – continuou Culion.
– Sim Senhor. Foi o primeiro lugar onde procuramos. Nenhum dos criados a viram.
– E onde achas que uma humana iria? – perguntou Erestor indo até à janela.
– E você Senhor diz que viu alguma coisa ontem? – perguntou Culion ao batedor.
– Si-Sim Meu Senhor. Ontem coube a mim fazer o turno na floresta à tarde. Quando estava a voltar para casa pareceu-me ter ouvido um cão a ladrar e depois vi uma donzela a entrar na floresta, mas estava longe e não consegui ver quem era.
Culion encostou-se no cadeirão, pensado cuidadosamente o que o batedor lhe havia dito. Olhou cada guarda, olhou Erestor que olhava pela janela, envolto nos seus pensamentos, olhou o seu irmão que remexia os dedos, visivelmente preocupado. Culion suspirou, mas não tinha outra solução senão informar Mestre Elrond, não queria incomodar Mestre Elrond, não com que estava a passar, mas tinha que fazê-lo se quisesse encontrar Sónia. Levantou-se de repente surpreendendo os presentes, olhou Erestor e este esboçou um pequeno sorriso murcho.
– Eu informarei Mestre Elrond. – disse por fim enquanto que recebia um aceno de cabeça de Culion, agradecendo-o.
Erestor saiu da biblioteca um pouco descontente, detestava dar más novas ao seu Mestre, e amigo, Elrond, mas não havia outra solução, Mestre Elrond tinha que saber. E se já era para afligir o seu amigo de longa data, seria melhor que fosse ele próprio a lidar com o amigo, principalmente numa altura em que a Casa de Elrond estava em baixo. Como Elrond amava Elros, a primeira alegria que teve depois de Celebrían se recusar a voltar a viver com Elrond e os seu filhos, mesmo já tendo passado tantos anos, as feridas cravadas no espírito de Celebrían ainda não haviam sarado.
Erestor chegou à porta do quarto de Elros, Elrond não saíra do pé dele desde que adoecera e parecia que não iria sair do pé do neto por mais algum tempo. Erestor inspirou fortemente para tomar alguma coragem e bateu à porta, logo de seguida entrou no quarto bem iluminado de Elros, encontrando Elrond sentado numa cadeira ao lado da cama. Elrond esboçou um pequeno sorriso, contente por ver o seu amigo.
– Erestor, meu bom amigo. – disse Elrond levantando-se e aproximando-se de Erestor .
– Meu Mestre. – Erestor curvou-se respeitosamente.
– Tu não nunca mudas. Já disse que não precisas de ter curvar. – Erestor sorriu.
– Mas gosto de contradize-lo.
– Erestor.
– O Menino Elros está bem?
– Continua na mesma. – suspirou, olhando Elros deitado na cama, este estava muito pálido, sem cor nos lábios e os olhos encontravam-se fechados sem sinal de abrir – Mas... ele vai piorar.
– Mestre Elrond... Eu... Lamento meu amigo. Sei o quanto amas Elros. Pena que ele ainda seja jovem.
– E nós não podemos fazer nada. Ele terá que se curar sozinho.
– E Elladan? Como é que ele está?
– Neste momento ele está a descansar, bem que precisa. Mas ele não está bem, nada bem.
Ficaram ambos a olhar Elros com tristeza, tanta palidez fazia arrepios a Erestor, que à incontáveis anos não via um elfo a desfalecer, e não se lembrava o quanto era triste ver um elfo em tal estado, principalmente de um elfo de quem amava.
– O que o traz aqui Erestor? – Elrond perguntou subitamente – Tenho a impressão que veio aqui não só para ver Elros, não é verdade meu amigo?
– É verdade. Vim informar-vos que, infelizmente, parece que a Menina Sónia... – fez pequena uma pausa enquanto tomava coragem – Desapareceu.
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– Pára de olhar para mim! – disse Sónia furiosa para o seu raptor – Estás aí a olhar para mim à séculos. – o elfo não cedeu e esboçou um pequeno e curioso sorriso.
– –
A noite rompeu escura e fria, as estrelas brilharam fortemente no céu sem lua, apesar do negrume, os soldados não pararam as buscas que se mantinham desde manhã cedo, não havia sinal de Sónia, não havia um único murmúrio da Mortal.
Ouviu-se passos pesados pelo corredor, aproximavam-se cada vez da grande porta de madeira escura, pararam. No corredor ecoou-se um bater surdo, bater três vezes, depois silêncio novamente. O Chefe dos Guardas da Casa finalmente entrou no escritório escuro, Elrond e Elhorir estavam lá dentro, Elrond mantinha-se no escuro enquanto que o seu filho estava envolto pela luz forte e vermelha da lareira. O Chefe da Guarda deu dois passos e curvou-se respeitosamente aos seus Senhores.
– Já há notícias da Sónia? – perguntou Elrond olhando o seu Chefe da Guarda da Casa no escuro.
– Não meu Senhor. Ainda não há notícias, mas os meus soldados e mais alguns batedores e caçadores estão a ajudar-nos a encontrá-la.
– Muito bem... E na Floresta? Alguma pista?
– Não meu Senhor. Não encontramos rasto do quer que seja. Só encontramos uma pequena passagem forçada na orla da Floresta, penso foi onde a Menina Sónia entrou na Floresta.
– Bem... Obrigado. Manda os Soldados descansarem. – disse Elrond levantando-se.
– Senhor! Os meus soldados são elfos fortes... eles podem procurar durante mais alguns dias sem descansar.
– Não vale a pena ficarem cansados. Manda-os descansar. Prossigam amanhã mal a luz ilumina o Vale.
– Sim meu Senhor. – O Chefe dos Guardas curvou-se e saiu, deixando o pai e o filho sozinhos.
Elrond suspirou e acompanhou Elhorir no calor da lareira, este ainda não tirara os olhos das chamas dançarinas, até que o seu pai o chamou a atenção.
– Mas como é que ela desapareceu? É impossível.
– Eu também não entendo, meu pai. É como se ela tivesse sumido de Arda. Os soldados não a encontram, nem mesmo Culion com os seus batedores de elite.
– Por alguma razão Sónia desapareceu. – Elrond voltou-se para as sombras, sentando-se no seu grande cadeirão – Só espero que Elladan esteja bem... ele não aceitou muito bem as notícias.
– Pois foi... ele ainda deve estar à procura de Sónia na Floresta.
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O quarto iluminado de Elros estava envolto em tristeza. Nhatas, que estava sentada ao lado da cama de Elros, encontrava-se muito triste e era constantemente confortada pelo o seu amado Thünir que não a deixava sozinha.
– Ele vai voltar a sorrir. – disse Thünir acariciando o braço da sua amada – Eu prometo.
– Eu desejo tanto que ele volte a sorrir-me. – Nhatas começou a chorar – Ele... ele prometeu-me que nunca... que nunca me iria magoar. Que nunca... que nunca iria magoar-nos...
– Nhatas... ele não quer...
– Ele mentiu-me. Mentiu a mim e ao meu pai. – Nhatas levantou-se furiosa e gritou com Elros – MENTISTE-NOS... SÓ QUERES NOS MAGOAR. NÓS TE AMAMOS E TU NÃO NOS AMAS. ÉS CRUEL. – fez uma breve pausa – ACORDA... ACORDA ELROS... – Nhatas acalmou-se, deixando que as lágrimas se mantivessem nos seus olhos cerrados – Acorda Elros... Por Favor.
Thünir olhou-a tristemente e suspirou, uma raiva e ódio instalou-se naquele momento no seu coração por ver a sua amada a sofrer e não poder fazer nada, sentiu ódio e raiva de Elros por este fazer sofrer Nhatas.
– Thünir... – disse por fim Nhatas – Porquê? Porque é que todos me deixam? Porquê? – o elfo olhou Nhatas de olhos arregalados.
– Nhatas? O que estás aí a dizer?
– A minha mãe... ela deixou-me. O meu pai não se importa comigo... e agora... o Elros e a Sónia.
– Isso não é verdade Nhatas.. Eu estou aqui e sempre vou estar, não vou deixar-te nem que Morgoth viva outra vez e rompe Valinor com mil exércitos de dragões e balrogs. E o teu pai sempre esteve ao teu lado...
– Mas ele não está aqui agora. – interrompeu Nhatas furiosa – E a minha mãe? E a Sónia? – Thünir olhou ferido para Nhatas e demorou a responder.
– Sabes que a tua mãe teve que partir...
– E SÓNIA?
– Sónia está perdida... ela não partiu, ela vai voltar.
– Prometes? – Nhatas aproximou-se de Thünir, para que este a abraçasse.
– Prometo.
– –
Ramos reviravam-se, folhas eram remexidas e partidas, um pé partiu um ramo fazendo que o silêncio se perdesse na imensidão da Floresta.
– Senhor? – gritou um fiel batedor a Elladan que caminhava mais à frente – Encontrei algo.
Elladan arregalou os olhos com alguma esperança e preocupação. Sónia desapareça. Elladan sentia-se perdido, aflito, com medo, desejou nunca mais sentir tais sentimentos, não desde que Mirïan o deixara.
– Senhor. Aqui... – o guarda apontou para um arbusto de espinhos, Elladan chegou-se perto e agarrou um pedaço de tecido escuro, era do vestido de Sónia. O elfo moreno levantou-se sempre com o tecido na mão e gritou três vezes pelo o nome da mortal, e três vezes o não houve resposta. Olhou em redor, e sem largar o pedaço de tecido, andou pelos arbustos sem se importar com o batedor, andou mais um pouco, mas não encontrou nada para seu desgosto.
– Elladan... Elladan... – gritou uma voz conhecida, Culion aproximou-se do seu amigo de cabelos negros, colocou a mão ao ombro fazendo-o parar – Elladan, vem... Mestre Elrond pediu-me para vir buscar-te, precisas de descansar...
– Mas... mas Sónia? – disse subitamente Elladan... tinha os lhos tão secos, sem brilho.
– Procuraremos amanhã logo que a luz nos abençoe. – Elladan voltou-se para continuar a procurar, mas Culion impediu-o. – Não sejas teimoso. Não nos valerá de nada ficarmos exaustos e não encontrar Sónia... E a tua família precisa de ti. Elros não está bem.
– Mas... não podemos deixar Sónia sozinha.
– E não vamos, mas... Elladan... a tua família é mais importante. – como Culion estava enganado. Sónia era uma parte da sua vida, sem Sónia, sem Mirïan, a sua vida era nada... Sem Elros, Elladan certamente não iria aguentar. Uma pontada de dor fez-se sentir na sua cansada cabeça, como estava cansado!
– Tens razão. Tenho que descansar. – concordou Elladan por fim, seguiu Culion exausto até à mansão, até ao quarto.
Parou sozinho no quarto escuro, não conseguia mexer-se, não conseguia conter-se, finalmente as lágrimas fizeram-se aparecer. Chorava por Mirïan, chorava por Elros, chorava por Nhatas, chorava por Sónia, mas sobretudo chorava por ele próprio, ele estava perdido, não sabia o que fazer, o que dizer... não sabia se voltaria a viver. Deitou-se na cama, olhou o tecto que não passava de uma sombra, de uma treva pronta a tomar-lhe o espírito, não conseguia controlar as lágrimas, subitamente preocupou-se imensamente com Nhatas, com Elros... lembrou-se dos seus filhos quando eram pequeninos, as perguntas dos pequenos, das feridas quando caiam, dos seus primeiros passos, da sua primeira canção, do seu primeiro sorriso.
Elladan levantou-se e sentiu uma enorme necessidade de estar com Elros, e não de descansar. Levantou-se, olhou a porta que o prendia, que o mantinha ali, abriu-a e correu os corredores até chegar ao quarto de Elros, até chegar perto do seu filho. O quarto estava vazio, não se encontrava ninguém, somente Elros com um estado penoso a dormir no seu leito. Elladan, seu pai, aproximou-se com um sorriso, lembranças, canções, sorrisos invadiram-lhe a mente, ele não poderia acreditar que a sua criança iria embora.
– Elladan! – Elladan voltou-se, a doce voz que o chamava era de Elhorir, este ao ver o seu gémeo num estado lastimoso, entristeceu e esforçou-se imenso para sorrir, para confortar o seu irmão.
– Elhorir, meu irmão.
– Vim ver como estava Elros. – Elhorir aproximou-se do seu irmão – O pai está no escritório, ele anda triste. Ele talvez vá ter com a nossa mãe se... Elros...
– Sim... Ele que vá. Ele precisa de descansar.
– E tu ainda mais. Elladan... estás num estado horrível. Tens que dormir como os mortais.
– Não consigo, não agora... não assim.
– Mas tens! – fez-se silêncio entre ambos – Elros não vai ceder... ele só está.. confuso.
– Sónia! – gemeu Elladan.
– O quê?
– E Sónia?
– Sónia! Tu bem sabes que ela voltará, provavelmente cheia de fome e quererá comer um cavalo... – Elhorir soltou uma gargalhada, mas Elladan continuou com o seu ar abatido, porém, Elros tremeu os seus olhos fechados ao ouvir o nome de Sónia.
– Ela está perdida. E se alguma coisa lhe aconteceu? – disse Elladan subitamente olhando suplicantemente e cheio de desassossego para o seu irmão – Se ela está ferida? Doente?
– Elladan.. ela está bem...
– Não, não está... eu sinto-o. Elhorir, estou preocupado... eu não aguento. – Elladan sentou-se com as mãos na cabeça – Porquê Elhorir, porquê é que não posso estar com os meus filhos e com Sónia ao mesmo tempo? Eu tenho que encontrá-la, mas não posso deixar os meus filhos sozinhos... eu não...
– ELLADAN... – gritou o irmão, Elladan estava à beira da loucura – Ela está bem! – Elladan olhou-o vazio – Eu vou procurá-la, eu prometo. E prometo que trago Sónia sã e salva.
– Agora?
– Não Elladan... amanhã.
– Mas amanhã...
– Elladan! Amanhã. Agora... vamos descansar. Dormirei contigo hoje.
– Não... Elros... Sónia...
– Elros não vai sair daqui... ele também precisa de descansar.
– E Sónia? – Elhorir olhou o irmão com os olhos cheios de lágrima, apesar de tentar contê-las.
– A Sónia está bem...
– Elhorir.. eu.. eu tenho medo. Eu estou cansado. Sónia... Elros... Eu... não posso. – Elhorir carregou o seu irmão fraco para fora do quarto enquanto que este repetia incisivamente que não podia deixar os seus filhos e não podia deixar Sónia.
Mal a porta do quarto fechou, Elros abriu os olhos cheios de lágrimas, de mágoa e de inquietação, sentimentos que controlou para que o seu pai e tio não os vissem, olhou para a porta e levantou-se a custo, estava adoentado e fraco, mal conseguia manter a cabeça erguida, mas tinha que sair dali, tinha que encontrar Sónia, tinha de a trazer de volta para casa. Levantou-se da cama, olhou em redor, a pouca luz feria-lhe os olhos, a sua cabeça estava leve, porém, cheia de desgosto e de determinação. Vestiu a sua roupa mais escura e esgueirou-se pela janela, caiu ao tocar no chão fofo da erva, levantou-se apesar do seu corpo pedir repouso, e sem que ninguém apercebesse, Elros buscou uma espada de treinos, de metal leve, de pouca resistência, e dirigiu-se para a Floresta negra que lhe havia levado o coração, a sua alma, e não voltaria sem as ter recuperado.
