As personagens élficas aqui reconhecidas não me pertencem, mas sim a J.R.R Tolkien, mas a originalidade da história e algumas personagens pertencem somente a mim...

&& - O mesmo Tempo, mas em Espaço diferente.

HEIN! Três actualizações em quê? Duas semanas? Recorde... RsRsRs...

Bem... quero aproveitar para AGRADECER às talentosas autoras Sadie, Nim e Giby que têm seguido a minha fic e sem falhar uma review. Muito Obrigado!


XIII –

Quatro meses já haviam passado desde do dia em que Elros recebera por fim o amor de Sónia, aliás, cada dia que passava, o amor de ambos aumentara curando certas dores, infelizmente o coração de Elladan ainda não havia curado devidamente, tal como o de Sónia que amava imenso Elros, mas o calor que sentia por Elladan nunca havia se esfriado.

O rumor de tal estranho amor e a história de como Elros havia heroicamente vencido Carauko, fizeram-se espalhar por toda as Terras Imortais, chegando mesmo até aos ouvidos das pequenas aldeias mais remotas, e Canções foram feitas e cantadas por muitos em todas as cerimónias que se deram desde esses quatro meses.

Durante os primeiros dias, Sónia preferiu que o amor que sentia não fosse presenciado por alguns, escondendo qualquer pormenor ou sentimento de olhos mais curiosos, mas Elros preferia o contrário, não se importava que olhos e ouvidos alheios estivessem atentos aos dois amantes, Elros simplesmente queria ser feliz ao pé da mulher que mais amava, beijando-a em pleno jardim ou outro lugar qualquer, sempre com devido respeito, abraçar Sónia na hora das refeições e cantar alguma melodia para a sua amada depois de um jantar animado. Passado essas semanas, Sónia finalmente aceitou o seu amor à vista de todos, causando em alguns um certo desconforto ou uma dúvida incompreensível, era óbvio que em Valinor os Elfos nunca deveriam enamorar com Homens. Mas tal amor não trazia só felicidade para todos na Casa, Elladan, era feliz, mas não conseguia ficar presente no mesmo lugar onde os dois amantes estavam, era doloroso para o gémeo mais velho que ainda amava Sónia como na primeira noite.

A noite já começava a nascer, engolindo os últimos raios de sol e embalando os pássaros que paravam de cantar, dando lugar para os bichos da noite. Sónia encontrava-se no quarto de Nhatas com o pequeno cão branco a dormir no tapete, estas falavam de imensas coisas, principalmente no breve casamento de Nhatas e Thünir.

– Vai ser lindo Sónia. – repetia Nhatas felicíssima – Vai ser maravilhoso.

– Eu sei Nhatas – disse Sónia penteando o cabelo da sua amiga élfica – Já mo dizes-te umas vinte vezes.

– Eu estou tão feliz. Não imaginas a minha felicidade. O meu pai foi tão bondoso e compreensível com Thünir. Como eu os amo aos dois.

– Bondoso! Compreensível! Elladan! Isso foi depois ou antes do sermão de meio dia que deu ao teu noivo?

– Oh Sónia, és tão má. Meu pai é o melhor de todas as Terras. Ele sabe que eu amo imenso Thünir e Thünir a mim, meu pai nunca faria nada para me magoar e fará tudo para que eu seja feliz.

Sónia sorriu amavelmente para Nhatas, estar ali trazia-lhe felicidade, mas ao falar de Elladan, Sónia lembrou-se o quanto o amou e as noite que passaram juntos, mas ele a magoara, nunca mais confiaria o seu coração ao elfo que destroçou-lhe o coração daquela maneira.

– –

Três dias haviam se passado, o Sol ainda não tinha nascido e os últimos preparativos para a viagem já haviam começado, o casamento iria ser na Floresta Nova, reino de Legolas Greenleaf. Thünir já havia partido já à alguns dia para dar as boas novas à sua família e indo organizando os preparativos para a chagada e o casamento da sua amada.

Sónia tomava banho completamente sonolenta, teimou imenso para não ir ao casamento, detestava tudo o que era evento social, principalmente casamentos e que tivesse que acordar antes do Sol.

– Mas eu não quero ir. – resmungou Sónia, Lëan colocava um vestido escuro para a viagem de Sónia.

– Mas Menina certamente não quer perder o casamento da Mn. Nhatas.

– E porquê não fazem o casamento aqui?

– Porque é costume dos elfos o casamento ser na Casa do noivo, salvo as rara vezes que o elfo casa na Casa da noiva.

Geez! Que cena maricas.

– Desculpe Menina?

– Nada. Nada. – disfarçou Sónia – Estou resmungando, nada mais. Eu gosto de resmungar.

Lëan olhou a mortal desconfiada e ajudou-a a sair da banheira, a enxugar-se e a vestir-se, pois Sónia estava mais adormecida que acordada, pediu para que se apressasse, a restante companhia já estava à espera, só faltava a mortal.

Sónia finalmente saiu do quarto e dirigiu-se, o mais vagarosamente possível, até à entrada, onde todos já a esperavam. Na companhia ia Elladan e Elhorir, Elros, Friêr, Culion, Nhatas e mais três soldados, com ordens para montar a tenda onde Nhatas e Sónia iriam descansar, defender a forte e defensiva companhia e guardar os presentes.

Elrond falava com os seus dois filhos e Culion que esperavam pacientemente pela Sónia. Elrond não iria com eles, gostava imenso ver a sua neta casar com alguém da família de Legolas, a quem tinha muito apreço, mas desde que instalara-se no Vale, nunca viajou, excepto as vezes que viajava para ver com a sua esposa Celebrían.

Finalmente Sónia apareceu no cima da escadaria e desceu, muito devagar, e chegou-se perto de Elros, que a abraçou cheio de saudades desde do dia anterior, depois voltou-se para Nhatas que montava o seu cavalo branco.

– Espero bem que o teu casamento seja mesmo perfeito para compensar o meu sono perdido. – disse Sónia amuada e cheia de sono, Nhatas sorriu divertida e os elfos mais próximos riram-se alegres.

Elros abraçou Sónia por detrás e beijou-lhe na bochecha com muito carinho, por momentos Elladan olhou para o seu filho e Sónia, esquecendo-se da sua conversa com o pai, suspirou triste e olhou o seu pai que também o olhava. Trocaram olhares de apoio e carinho, e depois de uma breve despedida, montaram os seus cavalos e seguiram viagem. O Mestre elfo subiu a escadaria e seguiu a companhia com os seus olhos cinzentos até que estes desapareceram na imensidão da Floresta.

– –

A caminhada ia lenta e agradável, o Sol já estava no alto do Céu, aquecendo as criaturas de Arda, uma doce e fresca brisa fazia-se sentir no ar, fazendo os ramos das árvores balançarem suavemente. Haviam seguido uma estrada larga que levava-os directamente e sem obstáculos até à Floresta Nova, a quinze dias do Vale.

Viajavam alegres e os elfos cantavam, uma vez Elladan, outra vez Elhorir, ou todos juntamente. Sónia era a única que não cantava, pois não sabia músicas de Valinor, e se sabia, não sabia cantar, então era sempre acompanhada por Elros e por Nhatas, que não a deixavam descansar, fazendo-a contar histórias da actual Terra Média, claro que não acreditavam em tudo o que Sónia contava, afinal, quem iria acreditar em carruagens de ferro que se moviam sozinhas!

O Sol começava a descer pelo o horizonte, desaparecendo por entre os ramos das árvores. A companhia parou para armar a tenda dourada e vermelha para que a elfa e a mulher descansassem à vontade, e armar acampamento para os elfos que procuravam lenha para a fogueira.

Pouco depois a fogueira já ardia fortemente, mesmo a tempo para cozinhar o jantar e iluminar a escuridão que já se abatera na Floresta. Enquanto que os elfos cozinhavam e conversavam alegremente entre si, Nhatas e Sónia estavam na tenda também a falar, Nhatas sempre a falar do seu casamento.

– Eu quero ter no mínimo dois filhos. Um elfinho e uma elfinha. Se nascer gémeos ainda melhor. – Sónia revirou os olhos aborrecida, já ouvira a mesma histórias vezes sem conta. Nhatas voltou-se pensativa para Sónia e sorriu maliciosamente enquanto se sentava junto da sua amiga. – E tu! Quantos filhos queres ter com Elros? – Sónia engasgou-se e olhou Nhatas completamente embaraçada.

– Filhos? Eu? Elros? – respondeu Sónia – Eu sou muito nova para ter filhos. E quem disse que vou ter filhos com Elros?

– Não és nova para ter filhos. E claro que vai ser com Elros.

– Pelas minhas contas desde que cá cheguei, eu tenho dezoito anos, e isso é nova.

– Dezoito? – disse Nhatas surpreendida – Tu tens dezoito anos?

– Sim... Porquê?

– Tens dezoito anos?

– Ficas-te surda de repente ou quê? Já disse que tenho dezoito anos.

– Oh! Isso é mesmo muito nova. – Sónia olhou um pouco amuada para a sua amiga, claro que dezoito anos era muito, mas mesmo muito pouco tempo para um elfo, mas Sónia era feliz com a sua idade. – Mas isso não importa. – levantou-se e deu um giro de alegria – Eu vou casar com Thünir. – Sónia suspirou descontente, outra vez a mesma história.

– Fico feliz por ti. Mas podes calar-te um pouco com isso do casamento?

– Oh! Está bem. – Nhatas sentou-se e braços cruzados decepcionada. Gostava tanto falar sobre o seu amor com Thünir.

Sónia baixou os olhos um pouco triste, mas já estava farta de ouvir Nhatas a falar sobre casamentos e filhos e afins. Sentou-se ao pé de Nhatas e abraçou-a gentilmente e encostou a cabeça no ombro da amiga.

– –

Os quinze dias passaram rápido e rapidamente chegaram à Floresta Nova. Ao entrarem no Reino de Legolas, parecia que as árvores abanavam os seus ramos para saudá-los, fazendo que as folhas verdes das enormes árvores brilhassem ao pouco Sol que fazia nesse dia. Sónia estava maravilhada com a magnífica visão daquele lugar, nunca vira árvores tão belas e vivas, grandes já tinha visto na Floresta de Leste. Cheirou o ar doce das árvores que deitavam um aroma divinal, olhou em seu redor de olhos brilhantes, mirou todo o que havia para vislumbrar, até as pedras e o musgo radiante que crescia nelas.

Finalmente chegaram até um gigantesco portão de ouro, tal portão era muito belo e bem ornamentado com folhas e flores típicas da Floresta em prata e verde. Depois de Atravessarem o portão, foram recebidos por três soldados elfos que trajavam roupas verdes e douradas, um deles pediu que lhes dessem os materiais da tenda e que os elfos recém-chegados seguissem até à entrada do palácio. Os soldados da companhia ficaram atrás com os guardas que os receberam, guardando as prendas e o material da tenda. Os restantes membros seguiram a trote até o palácio. Passaram por casas feitas de pedra e madeira branca, protegidas pelos os grossos ramos de árvores que parecia tocarem nas nuvens, alguns elfos vieram até às portas ou pararam de fazer as suas tarefas para ver a companhia passar, aqueles que aperceberam-se da presença da mortal, que se encontrava no centro do grupo, mostravam-se perplexos e cochichavam entre si, Sónia suspirou e colocou o capuz para que mais ninguém lhe apontasse enquanto não chegavam ao palácio.

Por entre as árvores puderam ver enfim o palácio, rodeado por árvores mais pequenas e igualmente protegidas pelos os ramos das grandes árvores, o palácio era de três cores, pois fora construída por pedras que Gimli encontrou numas grutas muito a Norte, quase no fim de Valinor, essas pedras eram brancas com indícios de tons verdes e dourados, como se algum Mestre tivesse passado um pincel nas pedras. Sónia prendeu o ar ao ver tal lindo palácio.

– Alegro-me ver que já chegaram, meus amigos. – disse uma gentil voz ao chegarem à entrada do palácio, era Rei Legolas que descia as escadas rapidamente – Como foi a viagem?

– Muito boa. – respondeu Elhorir antes de abraçar o seu amigo louro – Alegro-me por vê-lo, Sua Majestade.

–Elhorir, já o avisei para não me chamar de Majestade. Eu sou Legolas, sempre fui e sempre o serei.

UAU! Que liiiiindo buraco. – Sónia ainda mirava o palácio e não notou no Rei que já abraçava todos, especialmente Friêr e Culion. Então o Rei olhou para a mortal com um sorriso e chegou-se perto dela colocando uma mão no ombro, mas Sónia somente o olhou, disse um Olá e voltou a olhar o palácio fascinada.

– Vejo que a Menina gostou da minha humilde casa. – Legolas fez com que Sónia o olhasse e esta corou levemente.

– Desculpe Majestade. É que ao seu palácio é tão belo.

– Muitos já o disseram, lamento que o meu povo não pense assim.

– Porquê? Quer dizer... eu ficaria muito orgulhosa do palácio do Meu Rei. – Legolas olhou Sónia com um sorriso grato pelas palavras da mortal

– Este palácio foi construído pelo o meu bom amigo Gimli. Infelizmente ele já partiu. Mas... apesar de ser um bom amigo, ele era um anão, que muitos elfos não estimam. Portanto o meu povo não vê com bons olhos um palácio construído por um anão. – fez uma breve pausa olhando o palácio para depois olhar para os recém chegados com um sorriso na cara – Por favor! Não fiquemos à entrada. Vocês devem de descansar para o banquete de logo à noite. Aí haverá muita música e histórias para contar. Vamos.

Rei Legolas guiou os seus convidados pelo o palácio até a um espaçoso corredor em beco na Ala Oeste no palácio, nesse corredor havia imensos quartos para os seus convidados e tal como o restante palácio, o corredor era branco com leves tons de verde e dourado, era decorado com tapeçarias de vários símbolos nas paredes e duas estátuas representando um cervo e outro uma elfa, ambas no meio do corredor, de frente para a outra, encostados à parede. Nesse corredor iriam ficar os convidados, excepto Friêr e Culion que seguiram para os seus próprios quartos.

–Aqui estão os quartos dignos de vocês. – disse Legolas mostrando o corredor – Tal como das outras vezes, vocês escolhem o quarto que mais vos convém.

– EU FICO COM DO FUNDO. – falou Sónia energicamente e correu até o último quarto, o do fundo – Obrigado Sua Majestade. Vejo-o no banquete – abriu a porta e enfiou-se lá dentro.

– Não me lembro dos mortais serem tão energéticos. – disse Legolas surpreendido, ainda olhando para o quarto que Sónia escolhera.

– Hoje levantamo-nos muito cedo. – disse Elhorir – Certamente ela já se deitou a dormir.

Os dois amigos começaram a rir enquanto que os restantes esboçaram um sorriso e avançaram para os seus quartos.

Sónia dormia, havia dormido desde que chegara, e não notou que um vulto debruçava-se sobre ela para poder ver a mortal melhor. Os olhos de Sónia tremeram com a sensação que alguém estava mirando-lhe, Sónia abriu os olhos devagar e bocejou fortemente, ainda tinha um pouco de sono, depois olhou para o lado e viu uma elfa com os olhos azuis cor do céu e longos cabelos loiros a sorrir-lhe muito. Sónia continuou olhando a elfa que não lhe tirava os olhos de cima, sempre sorrindo, Sónia sorriu também, mas sem nenhum aviso, a elfa abraçou-a com muita força caindo as duas na cama.

– Ilquentë! Aqui estás tu. – disse uma outra elfa de cabelos negros chegando à porta – Tu nunca me dás descanso. – a elfa loira sorriu e apontou para Sónia alegre – Perdoe minha filha. Ela está excitada ao ver uma mortal. Influências das histórias do Rei.

– Oh! Não faz mal... – Sónia levantou-se da cama e sorriu gentilmente para ambas as elfas.

– Eu sou Lissëwen e esta é a minha filha mais nova Ilquentë Não Fala.

– Ilquentë!

– Sim. Infelizmente a minha filha não pode falar. Cresceu assim.

– Oh! Eu lamento.

– Nós também. – Lissëwen chegou perto da sua filha e abraçou-a – Mas estamos muito gratos ao ter uma filha tão linda e doce como Ilquentë.

Ilquentë olhou Sónia com um pequeno sorriso, agarrou a mão de Sónia e fez uma ligeira vénia com a cabeça, depois saiu do quarto sempre com um sorriso nos lábios. Sónia também sorriu ligeiramente, ficou com pena da pobre elfa, não poder falar era algo triste, tal como perder a visão ou outros sentidos que fazem imensa falta. Lissëwen colocou a mão no ombro de Sónia fazendo-a olhar para ela.

– Perdoe a minha filha ter interrompido o seu descanso.

– Não faz mal. Afinal... – Sónia espreguiçou-se – Eu já ia levantar-me. Estou louca por um banho. – Lissëwen sorriu.

– Então pedirei aos criados que prepare um banho. Adeus Menina Sónia. – a elfa de cabelos negros saiu do quarto, mas sem antes de receber uma pequena vénia de Sónia.

Pobre criatura. Não poder falar é muito aborrecido.

– –

O salão onde iria ocorrer o banquete era um salão pequeno, mas muito acolhedor. As paredes eram iguais de todo o palácio, havia poucas decorações, somente as largas e compridas mesas, levemente decoradas com toalhas brancas bordadas em verde e em dourado.

O banquete ainda não havia começado, mas como bom anfitrião, Rei Legolas e sua mulher Lissëwen já se encontravam no salão para receber os convidados, pouco depois chegou Elladan e Elhorir com Friêr e os restantes membros da família real. Ilquentë apressou-se a abraçar seu pai que recebeu-a com muito carinho.

– E como está a minha filha hoje? – disse Legolas vendo o sorriso de sua filha, esta respondeu com um enorme sorriso antes de ir abraçar Friêr. Legolas não desviou os olhos da sua filha mais nova que carregava um peso. A voz era algo de muito valioso para os elfos, tal como os restantes dons.

Sónia entrou com Nhatas no banquete, olhou em volta e aproximou-se de Legolas e a Rainha que os receberam com sorrisos.

– Boa Noite. – Sónia cumprimentou os soberanos com uma gentil vénia e que foi correspondida por leve aceno de cabeça dos soberanos.

– Ah! Nhatas! – Lissëwen agarrou as mãos da elfa com muito carinho – Eu fico tão feliz por fazeres parte desta família.

– E alegra-me ainda mais que finalmente as nossas duas famílias vão se unir em laços de sangue. – disse Legolas olhando Nhatas com os olhos brilhantes – Vem. Vamos falar com o meu filho Almaron, que certamente ainda não falou contigo hoje.

– E Thünir?

– Thünir? Ele estava com a minha filha Íritaurë. Não te afliges, ele volta em pouco tempo.

Sónia ficou sozinha no salão, pois Lissëwen acompanhara também o Rei e Nhatas, a mortal apreciou todo o salão e reparou que Elros não estava entre os presentes e parou a sua vista em Elladan, ficou a olhá-lo durante algum tempo de olhos tristes e com o coração a resmungar, Elladan ria imenso com Elhorir e com Friêr. Suspirou e desviou a cara, indo sentar-se numa das mesas à espera que Elros chegasse.

Já havia passado algum tempo e somente Thünir e Culion haviam chegado com uma elfa a acompanhá-los, Sónia suspirou mais uma vez e voltou a olhar o salão, estavam todos já a sentarem-se nos seus respectivos lugares, por sorte, Sónia havia se sentado na mesa certa, foi então que Elros entrou com uma bela elfa de cabelos negros de gancho com Elros, mas o jovem elfo parecia estar de mau humor. Sónia olhou-os durante algum tempo até que Elros por fim se libertou da elfa e foi sentar-se ao lado de Sónia.

– Quem era aquela? – perguntou Sónia um pouco ciumenta, Elros sorriu e respondeu amavelmente.

– É Morifindë, filha do Rei Legolas e da Rainha Lissëwen.

– Oh! Estive à tua espera.

– Desculpa minha amada. Eu estive a conversar com Morifindë – Elros falava com algum pesar na voz.

– Aconteceu alguma coisa?

– Não, é só que... – calou-se. Voltou a sorrir e continuou – Eu amo-te. – Sónia olhou Elros preocupada e surpreendida pela resposta de Elros. Elros parecia um pouco distante e de mau humor, apesar de esforçar-se para disfarçar que estava tudo bem.

O banquete decorreu tardio e animado, haviam conversado sobre muitas coisas, e Henlaiqua, esposa de Almaron, cantara uma bela canção sobre uma história antiga, que havia acontecido à muitos séculos atrás, uma canção sobre a criação de Valinor e de toda a Arda. O jantar prolongara-se por muito tempo e somente Sónia é que estava cansada, compreendendo a situação da mortal, Rei Legolas pediu que um dos seus criados que a acompanhasse até aos seus aposentos, mas Elros ofereceu-se para tal cargo. Sónia ainda recusou a oferta, pois não queria privar Elros do divertimento e da bonança do jantar, mas por fim aceitou.

Ao caminharem pelos corredores eles falaram com alegria e felizes por estarem juntos, falavam e riam, mas Elros continuava distante e Sónia parou ao pé de uma enorme janela, podendo ver pequenas luzes das casas que as árvores não tapavam.

– Elros... o que é que tu tens? – disse Sónia gentilmente passando a mão carinhosamente no rosto do elfo.

– Eu não tenho nada.

– Mentes Elros. Pareces distante e aborrecido com algo.

– Sónia... eu... – calou-se ao ouvir passou no corredor, olhou para trás e viu a bela Morifindë.

– Olá! Ainda por aqui. – sorriu Morifindë amavelmente olhando Elros e Sónia. Morifindë tinha uns olhos verdes muito lindos e brilhantes como dois pirilampos – Então é esta a tão falada mortal.

– Olá! Eu chamo-me Sónia.

– Eu sou Morifindë, filha de Legolas e Lissëwen. Fico alegre por finalmente poder falar com você sem alguém a interromper. – fez-se uma breve pausa olhando Elros – Ela é muito especial e amorosa Elros. A tua mãe iria ficar muito orgulhosa – Elros entristeceu e fez um insignificante movimento de desagrado com a cabeça. Morifindë voltou a sorrir, enquanto que se afastava dos dois e antes de desaparecer na esquina, a elfa olhou para Elros – Pensa bem no que falamos. Pensa muito bem Elros e pensa rápido, mas que depois não te arrependas com a tua decisão.

Elros desviou o seu rosto para prendê-lo na vastidão da paisagem, os seus olhos já não estavam brilhantes, mas sim tristes e duvidosos. Sónia queria perguntar o que se passava, mas faltava-lhe a coragem para fazê-lo, deixou-se então ficar a olhar para o seu amado. Durante algum tempo ficaram assim, até que Elros voltou a si a olhou Sónia que estava preocupada.

– Morifindë... – disse Sónia por fim, mas sendo interrompida por Elros.

– Morifindë é muito sábia, embora não seja uma Elfa Grandiosa. E eu tenho muito em que pensar. – Elros abraçou Sónia com muito amor e beijou-lhe a testa como se algo os quisesse separar.

– –

Legolas havia descansado até mais tarde que o habitual, tinha ficado a conversar com os seus amigos de longa data até o amanhecer. Legolas ficava sempre feliz quando os gémeos iam visitá-lo, mas ficaria mais feliz se algum dia Elrond viesse visitar a sua terra.

Após tomar um breve pequeno almoço com a sua fila Ilquentë, Legolas seguiu até o seu escritório para tratar umas últimas coisas antes do casamento do seu neto no dia seguinte, para que ninguém fosse incomodá-lo enquanto festejava com os seus entes queridos uma data tão especial. Ao chegar ao corredor do seu escritório, surpreendeu-se ao ouvir gritos vindo do seu próprio escritório, mas surpreendeu-se ainda mais quando familiarizou-se com as vozes.

– Eu não vou dar benção nenhuma. – gritou Elros furioso – Eu não tolero tal coisa.

– E porquê? – respondia Elros não tão furioso.

– Vê se entendes. Eu não quero te magoes.

– E quem disse que irei magoar-me? Por favor pai... Só lhe peço é a benção.

– Eles ainda estão a discutir? – disse uma voz por detrás de Legolas envolta nos gritos dos dois elfos.

– Eles estão ali à muito tempo? – perguntou o elfo loiro olhando para o elfo de cabelos negros, Elhorir.

– Não à muito, mas tempo suficiente para terem chegado a uma conclusão.

– Eu não tolero isso. – continuou Elladan – Eu não vou dar a minha benção. E já sabes porquê.

– O pai já disse a razão, mas... Por favor pai...

– Não. Eu não vou tolerar mais loucuras tuas.

– Loucuras minhas? – explodiu Elros – Loucuras. Acha que isto é uma loucura? Então chamem-me de louco, eu não quero saber...

– TU NÃO VAIS CASAR COM SÓNIA! – berrou Elladan colocando um ponto final na discussão.

A porta do escritório abriu-se e Elros saiu furioso e de punhos cerrados, olhou para o regente e para o tio, parados a olhar Elros com tristeza e pesar, Elros porém não lhes ligou e foi embora pelo o lado oposto para não falar com os dois elfos.

Elhorir suspirou.

– É melhor eu falar com Elladan.

– Eu também vou. – disse Legolas, mas fora impedido pelo o gémeo mais novo.

– Com todo o devido respeito Majestade, é melhor eu tratar deste assunto sozinho. – Elhorir olhou Legolas com tristeza, sabia qual era a razão por Elladan não deixar Elros casar com Sónia.

Legolas sorriu e por fim foi embora, deixando Elhorir dirigir-se sozinho para o escritório. Abriu a porta e entrou, encontrando o seu irmão a olhar pela enorme janela, olhava o vazio furioso e fingiu não notar a presença do irmão que tanto lhe agradava. Elhorir sentou-se num divã que existia no escritório, olhou o irmão tomando uma lufada de ar.

– Isso foi uma discussão e pêras. – disse Elhorir encostando-se ao divã – Admira-me todo o palácio não ter ouvido

– Elros é impossível. – gritou Elladan olhando Elhorir.

– Escusas de gritar comigo. Eu não sou surdo e estou aqui.

– Desculpa irmão, mas... ARGH! Aquele elfo deixou-me louco.

– E porque deverias estar?

– Ele quer casar-se com Sónia...

– E não lhe deste a benção. Eu sei. Eu ouvi. Porque não lhe deste a benção?

– Eu... – fez-se uma breve pausa olhando o vazio da paisagem – Eu não quero perder o meu filho para uma mortal, não como Arwen. Eu amo-o demasiado para perdê-lo.

Elhorir cerrou os olhos calmamente e esboçou um sorriso triste, voltou a abrir os olhos para falar, mas com medo de ferir o irmão.

– E é só essa a única razão? – Elladan olhou o seu gémeo de olho arregalados e dolorosos, fingindo não entender a pergunta – Não finjas que não compreendes-te Elladan.

Elladan desviou o olhar vergonhoso voltando para a janela, balançou a cabeça com muito pesar e o coração começou a doer-lhe. Perder o seu filho não era só o que lamentava...

– Eu... eu não quero que Elros case com Sónia.

– Porquê?

– Porque... porque eu não aguento ver o meu filho com... com a mulher que eu amo. É... é muito doloroso. Eu... Elhorir... eu não sei o que fazer. – lágrimas rolaram pelo rosto de Elladan. O seu coração ardia sempre que via Sónia com o seu filho e muito desejou que este dia não chegasse. O dia em que Elros desposasse Sónia. Elhorir levantou-se do divã e colocou a mão pesarosa no ombro do irmão para consolá-lo.

– Elladan... Dá a benção ao teu filho. Deixe-o casar com a mulher que ele ama. Sê feliz por ele.

– Não consigo. Eu não consigo. Eu não aguento Elhorir.

– Eu sei. Também sinto a tua dor. Mas fá-lo por Mirïan.

– Mirïan!

– Sim... Tu amavas Mirïan, tanto quanto amas Sónia, mas Elros nunca amou alguém como ele ama Sónia. E Sónia ama-o. – uma flecha de dor atravessou o coração de Elladan ao ouvir tais palavras – Por favor meu irmão. Deixe o teu filho ser feliz. Mirïan gostaria que ele fosse feliz.

– Mas... Elhorir...

– Eu sei Elladan. Eu sei que dói muito. – Elhorir abraçou o seu irmão tentando apaziguar a dor do seu gémeo.

&&

Elros encontrara-se com Sónia no quatro após a discussão com Elladan. Elros estava furioso e ainda não tinha dito nada à sua amada, embora esta tivesse perguntado umas vintes vezes o que se passava, mas Elros estava demasiado irado para responder qualquer pergunta que fosse, somente resmungava.

– Elros. – falou Sónia sentada na cama olhando Elros andando de um lado para o outro – Pela vigésima primeira vez, o que se passa contigo?

– O que se passa comigo? – respondeu Elros não parando de andar – O que se passa é que estou zangado.

– A sério! – Sónia revirou os olhos sarcástica – Eu ainda não tinha percebido isso.

– Sónia... CALA-TE. – Sónia calou-se magoada, baixou o rosto de olhos triste e suspirou, fazendo Elros parar arrependido. – Desculpa minha amada – Elros sentou-se ao pé de Sónia – Mas é que... Eu estou fora de mim neste momento. Eu não quis magoar-te.

– Eu sei, mas tu não contas o que se passa! – Elros suspirou.

– É que.. fui falar com o meu pai para... – calou-se desviando o rosto levemente corado.

– Para?

– Para pedir benção para... – voltou a calar-se.

– Para? – Elros ajoelhou-se à frente de Sónia surpreendendo-a e agarrou as suas mãos com o olhar preso nos olhos cor de mel da mortal – Sónia... Queres casar comigo?

Sónia olhou-o boquiaberta, não esperava tal pedido, ou melhor, nunca havia pensado que Elros algum dia ia-lhe pedir em casamento. Não respondeu e continuou a olhá-lo completamente pasmada. O jovem elfo continuava de joelhos à espera da resposta enquanto que o seu coração batia ferozmente.

– Então! – arriscou Elros levantando-se entristecido – Se não queres basta dizeres não.

– Não. – Elros desviou a cara magoado, mas Sónia levantou-se para impedi-lo – Espera. Quis dizer que não por não querer casar contigo.

– O quê?

– O Não... Ah que se lixe. – Sónia beijou o elfo enrolando-o num amoroso abraço. Quando se separaram, Elros olhou Sónia com o sorriso mais lindo que Sónia já vira, mas não foi só, Elros também começou a imitir uma luz suave como se fosse um anjo.

– Quer dizer que casas comigo?

– Eu... – Sónia estava um pouco confusa e com dúvidas quanto ao casar com Elros, mas ao vê-lo tão feliz e angical, Sónia sorriu gentilmente e o seu coração lembrou-lhe o quanto era feliz com o seu querido elfo – Sim... eu quero casar contigo.

Elros envolveu-a nos seus braços e enterrou o seu rosto nos cabelos castanhos de Sónia, mas infelizmente a felicidade não durou no coração do elfo, o seu pai não lhe dera o seu consentimento e ainda tinha que pedir a autorização a Friêr, mas de tudo Friêr não era o mais grave das tristezas, mas sim seu pai. Contudo, amava Sónia o suficiente para casar com ou sem consentimento do pai, por outro lado isso significava fugir e não voltar a ver a sua família durante muitos anos.

– Casas comigo mesmo que tenhamos que fugir?

– O QUÊ? – Sónia afastou-se de Elros olhando-o seriamente – O que queres dizer com isso?

– Pedi a benção ao meu pai. – Elros olhou para os olhos furiosos de Sónia – Eu sei que deveria pedir-te primeiro em casamento, mas o desejo de fazer-te feliz numa surpresa foi maior. – Sónia sorriu emocionada – Infelizmente o meu pai não nos dá a benção.

– Não? Porquê?

– O meu pai tem medo de me perder, quando... – Elros apertou os punhos e cerrou os olhos ao recordar-se que Sónia era uma mortal e não estaria ao seu lado eternamente – Lembras-te de ontem com a Senhora Morifindë?

– Sim.

– Pois... ela falou sabiamente de algumas coisas que antes eu evitava pensar. Tu... tu irás partir um dia, é o teu destino e não posso mudá-lo. É por isso que eu quero casar contigo o quanto antes possível. Porque... anos mortais são insignificantes para os elfos e eu... eu quero ficar contigo.

– E o teu pai tem medo que me sigas quando morrer?

– Não... não digas essa palavra, é menos doloroso. – Elros olhou Sónia tristemente – Sim. Meu pai tem medo de perder-me, tal como perdeu a irmã para um mortal.

– Sim... eu sei da história. Elhorir contou-ma.

– Então deves entender que...

– Eu entendo Elros. – Elros sorriu, mas Sónia desviou o olhar pouco brilhante enquanto que se questionava a si própria algo que já lhe assombrava a algum tempo. Elros aproximou-se de Sónia abraçando-a por trás.

– O que se passa?

– Elros? Porque me amas? Porque amas a mim e não a uma elfa que pode ficar contigo para sempre, para não falar que são mais bonitas que eu. Os olhos delas brilham como estrelas e...

– Sónia... – interrompeu Elros fazendo-a olhar para ele – Os olhos das elfas podem brilhar como as estrelas, mas os teus olhos brilham com um brilho especial... pelo o brilho que me enamorei.

– Oh Elros... – Sónia corou embaraçada e dirigiu-se para a varanda – Deves dizer isso a todas.

– A todas? – disse Elros contente aproximando-se da varanda e abraçando Sónia – Eu tenho todas? Mas só quero a ti. Aliás... os teus olhos não brilham assim tanto.

– És cruel.

– Só para ti. – Sónia riu-se sendo beijada longamente por Elros.

Os dois amantes beijavam-se sem notarem que estavam sendo observados por Elladan e Elhorir que passeavam nos jardins debaixo dos quartos dos hóspedes. Elladan desviou o rosto furioso e triste, caminhou mais rápido para não continuar a presenciar o que mais lhe incomodava. Parou perto de um enorme roseiral, com folhas verdes e vistosas, e com muitos botões de rosa vermelha, Elladan sentou-se num banco branco ao pé do roseiral e meteu as mãos no rosto e com os cotovelos apoiados nos joelhos, finas lágrimas escorreram nos seus olhos e não importou que Elhorir se sentasse ao seu pé. O gémeo mais novo olhou o seu gémeo mais velho não se atrevendo a falar, mas tinha que dizer uma coisa, algo que magoaria o irmão, mas que tinha que dizer.

– Viste como teu filho e a Sónia são felizes? Deixe-os ficar juntos.

Elladan levantou a cara e olhou para uma flor branca Memórias de Mirïan, quando eram jovens e felizes, invadiram a sua magoada mente. Eles eram felizes, tal como Sónia e Elros, mas a dor de perder ambos era dolorosa, contudo havia outras dores e desgostos que ele próprio não compreendia e que o assombrava. Ficou quieto sem se mexer ou proferir alguma palavra, olhando a flor e recordando-se dos momentos felizes com Mirïan. Sorriu. Queria que Elros e Sónia fossem felizes, tal como ele fora. Voltou a sorrir. Olhou para o céu por entre os grossos ramos das árvores e agradeceu a Mirïan uma vez mais.