N/A ; O Sirius está vivo na fic. ^^ e Harry Potter não é meu!

Capítulo 3 – Decisões e medos

"- Se você fizer isso, o destino da humanidade estará perdido. Você precisa manter isto em segredo, Ronald. Se você se importa com seu futuro e o futuro das pessoas que você ama, você irá se encontrar comigo daqui à 15 dias no deserto."

As palavras da jovem garota ecoavam na cabeça de Rony como sinos do meio-dia; - Futuro da humanidade em minhas mãos? De novo?! O que a Hermione faria? O que o Harry faria? Não, não pode ser. Aquela garota está ficando louca – eram alguns dos pensamentos que iam e chegavam até sua cabeça constantemente. Molly estava preocupada. O ruivo não descia para jantar a 4 dias. Ele sempre alegava que nada havia acontecido. Já havia se acostumado à ter aurores em casa. Percy sempre chegava tagarelando sobre um assunto qualquer, enquanto o caçula simplesmente agia como se trabalhasse em uma loja de logros, quase como se quisesse manter o aspecto adolescente da época de Hogwarts e sua segunda família: Harry e Hermione. Contudo, depois dessa última missão, Percy ficara um dia sob poções de recuperação e Ronald em um estado ligeiro de depressão. Molly sentia que algo estava errado com seu filho, mas sabia que ele era tão turrão quanto qualquer Weasley e só contaria para ela se ele quisesse. Ainda doía o jeito dele, mas procurava respeitá-lo afinal, já era um homem, do qual se orgulhava.

- Por que está assim, cara? – perguntou Percy ao entrar no quarto.

- Assim como?

- Assim.... é.... assim, oras! – sorri.

- Do que você está falando? – Rony, pela primeira vez em quatro dias, lhe abre um grande sorriso.

- Você sabe muito bem, Roniquinho. O que houve de errado com você? É ainda por causa daqueles monstros, que encontramos? Não precisa se preocupar! A Gi disse que você os derrotou para salvar minha vida enquanto estava inconsciente! Você foi demais.

- Eu ter salvo sua vida? Pelo que me lembre foi você que salvou a minha! – nesse momento, um flash percorreu sua mente - Será mesmo que aquela garota alterou sua memória? – pensou o ruivo.

- É verdade... Não sei porque ainda me preocupo com isso. Obrigado Percy! Acho que irei tomar um grande café da manhã!

- É assim que se fala! Avise a mamãe que tenho que resolver algumas coisinhas e passar no Gringotes.

- Póóóóó deixar – disse alegremente o garoto batendo a porta do quarto. Será mesmo que Rony estava feliz? Agora, a mente do ruivo variava em dois pensamentos : - O fato dessa garota chegar a ponto de alterar a memória de seu salvador me incomoda. Tudo isso é realmente sério? Por quê eu deveria acreditar em uma garota desconhecida. Desconhecida e com um poder mental impressionante, diga-se de passagem. Mas existem pessoas aos lotes querendo envolver os sobreviventes da guerra contra Voldemort em algum tipo de conflitos por nos achar invencíveis moralmente! – Era o que seu lado racional de sua mente pregoava.– Mas, e se for verdade? Eu não posso permitir mais uma guerra no mundo bruxo e se nós cairmos, o trouxa não terá a menor oportunidade! Eles tentariam atacar com suas armas de fogo, mas só de pensar na maldade que aqueles olhos destilavam, ninguém que ver aqueles olhos será capaz de fazer qualquer coisa. Eu não pude! Droga! Quer goste ou não, tenho que investigar isso. Por Hermione e por todos! Se tudo isso for realmente sério, devo cumprir o meu dever.

Os conflitos que Rony tinha em seus pensamentos vinham como facadas. Ele não conseguia chegar em um ponto-chave. Em um início, para poder chegar no fim que tanto queria: evitar uma guerra. O garoto até pensara em sair mundo afora, tentando fugir de seu suposto objetivo. As palavras de Percy o atordoaram muito, de forma que, seus conflitos gerassem uma grande depressão. Se antes a família Weasley reclamava do caçula não aparecer para o jantar, agora todos estavam muito instigados.

- Ei, Roniquinho?! Você está aí? – perguntou sua irmã. Ela só havia visto o irmão submergir em tal estado durante o luto por Harry e Hermione; não que ela estivesse muito melhor que ele, ma entre ela e o moreno tiveram seus momentos especiais, que ela guardaria como preciosos tesouros. Não sabia, contudo, que ele e sua melhor amiga tiveram momentos preciosos, como os dela e Harry.

- Desculpe, Gin... espera... o quê você está fazendo no meu quarto? – perguntou, levemente desapontado com sua falta de privacidade.

- Você está na sala! Merlin, o que está havendo com você? Estava lhe chamando há dois minutos e você nada! Em que mundo você está nesses dias?

- Eu... é complicado... eu não sei o que pensar... – sussurrou o mais velho – Argh... às vezes eu gostaria de estar em outro lugar ou mesmo trocar de lugar com Harry ou Mione... – parou ao sentir um tapa em sua face. Olhou espantado para o rosto de sua irmã, que derramava algumas lágrimas.

- Não escolha... o caminho fácil! Não sei o que você está passando, mas não pense que você tem o direito de nos preocupar dessa maneira! Você acha que eu não queria Harry ou Mione vivos aqui conosco?! Mas e se o preço da vida deles fosse a sua, como você acha que eles se sentiriam?! Como acha que todos nos sentiríamos? Cresça um pouco Ronald. Cresça e encare o que quer que tenha acontecido com você! É difícil, eu sei, mas você precisa levar sua vida adiante! – gritou, enquanto as lagrimas mornas rolavam em sua face. Estava aterrorizada de ouvir seu irmão falar sobre isso com tamanha falta de emoção. Isso não era saudável.

- Desculpe, Gina... eu tenho que ficar sozinho e pensar um pouco.

- Escuta... se você não quer contar o problema que lhe aflige, não podemos ajudá-lo - choramingou.

- Não é que eu não quero... é....complicado... eu não sei se eu posso....

- Então não fale! – esbravejou – Mas tome uma decisão, pelo amor de Merlin.

- Gina... se você pudesse voltar no tempo e matar a criança que se tornaria Voldemort... você o faria? – perguntou tímido, enquanto se dirigia para a porta da sala.

- Claro! Sem pestanejar! Mas por quê você está perguntando isso?

- Não se preocupe. É só uma coisa que eu estava pensando. Vou dar uma volta.

Gina se encaminhou para a cozinha, onde Molly estava sentada. Sentando-se ao lado da mulher, apenas soltou um suspiro de frustração.

- O quê acha, mamãe?

- Cabeça dura, turrão, preocupado. Definitivamente é um Weasley. Mas ainda assim essa última pergunta está me preocupando. Temo que ele resolva sair pelo mundo se metendo em problemas para esquecer Hermione. Por hora, só podemos esperar

Assim que saiu da Toca, Rony resolveu aparatar em Londres; no beco de costume. Como não era de se surpreender em um dia londrino, as nuvens carregadas decidiram que o fim da tarde era o momento ideal para deixar cair sua carga, como fez décadas antes, os aviões de Hitler. Para o jovem, porém, aquilo parecia uma obsessão divina com sua infelicidade. Envolto em uma capa de chuva, Rony estava à poucos segundos de estar oficialmente empapado. Andando sem rumo, apenas sentindo as gotas baterem em seu rosto, enquanto lembrava dos momentos que passara em Hogwarts, acompanhado de um moreno e uma castanha, sempre inseparáveis, exceto claro, quando suas brigas os faziam perceber o quanto era unido a ela, e a natureza real de seus sentimentos que a vergonha e a timidez teimava em esconder.

De repente, os contornos da vizinhança lhe pareceram familiares. Eram prédios normais, de um conjunto habitacional qualquer da zona norte de Londres. O único diferencial dessa vizinhança era a proximidade com a entrada do cemitério próximo. Odiava isso. fazia mais de um ano que não pisava ali. E não queria fazê-lo, pois ainda doía demais. Segundo Penélope Pomfrey, Rony ainda era vítima da síndrome do sobrevivente. Podia ser verdade, mas ele queria que a explicação fosse ao inferno. Nunca deixaria de doer; ver seus melhores amigos e a mulher que você ama morrendo diante de seus olhos é uma coisa que ninguém deveria passar.

Apesar de não querer entrar, parece que suas pernas tinham outros planos. Atravessando os túmulos trouxas com aflição até o mausoléu, que marcava a entrada do cemitério bruxo. Como era idéia comum reverenciar seus mortos, a entrada do cemitério dos heróis de guerra era justamente em um mausoléu trouxa. Assim, aqueles bruxos de família trouxa também poderiam ser reverenciados por seus familiares. Os pais de Hermione foram enterrados ali, como um último desejo da jovem. Passando pelo túmulo deles com decisão, até que andou para os dois próximos à direita: Hermione Jane Granger e Harry Thiago Potter.

- Isso é algum tipo de praga de vocês?! – gritou – Ah, claro! Vamos dar uma oportunidade de Rony deixar o complexo de sexto filho para trás e vamos dar a ele mais uma aventura mortal, com o mundo pesando em seus ombros para ele cumprir sozinho! Como se eu não fosse capaz de fazê-lo! Pois prestem atenção: esse complexo é o menor de meus problemas. Eu tenho mais com que me preocupar com isso! eu nem deveria estar aqui! Vocês me deixaram sozinho! Para enfrentar tudo isso! Para isso lutamos? Para vocês não poderem aproveitar nada disso?! NÃO É JUSTO! É imoral e errado vocês estarem deitados aí e eu sofrendo com a possibilidade de uma nova guerra! Porque vocês dois, entre tantas pessoas, tinham que cair... quando estávamos tão perto! – suas lágrimas rolavam pela sua face, misturando-se com os pingos da chuva. Ao terminar seu desabafo, colapsou diante de seus amigos – Sinto falta de vocês. Isso dói. Dói muito – sussurrou.

- Todos nós sentimos, Rony – disse um homem, aproximando-se do jovem. Diferente do jovem, o homem estava relativamente seco. Seco, porque terminara de aparatar a alguns segundos, pegando apenas a frase final do ruivo e, também, porque portava um guarda-chuva.

- Sirius – saiu do seu transe, o jovem Weasley – como me encontrou aqui?

- Encontrar você aqui? Rony... você se lembra que dia é hoje? É 31 de julho! Não haveria outro lugar para estar – disse o velho Almofadinhas, com um ramalhete de lírios. – feliz aniversário, Harry!

o jovem acompanhou aquilo com um sentimento de vergonha interna. Jamais conseguira entrar no cemitério depois do enterro dos dois. Com o tempo, desistira de tentar e aprendera a levar todos os sentimentos para baixo do tapete. Construíra uma máscara artificial de jovialidade e despreocupação, justamente para que as pessoas à sua volta não comentassem nada a seu respeito. Era mais fácil, mas não menos doloroso.

- Faz anos que não vejo você aqui – comentou Black.

- Faz anos que não apareço. Para ser preciso, há dois anos que eu não consigo entrar aqui. Mas meus pés tinham outros planos para hoje.

- Entendo... seus pés são mais inteligentes que sua cabeça – sorriu triste – eles não queriam que você se esquecesse deles.

- E acha que eu não sei?! – exclamou irritado – Acha que eu me sinto orgulhoso de ter feito o que eu fiz. Não! Mas isso é, em parte o quê as pessoas esperam de mim, de nós! Esperam que tenhamos gelo nas veias e que fiquemos tão sólidos quanto um pilar, para que eles construam suas novas e felizes vidas, agora que o mal definitivo foi eliminado. Isso não é nada do que eu quero. Quero poder chorar a morte deles, gritar a morte deles... mas não tive esse direito... e agora... eu nem ao menos sei como fazê-lo.

Sírius não falou nada. Apenas acompanhou com pesar, a saída do jovem Weasley do cemitério. Ironicamente, ele agora sentia na pele a fama de sobrevivente que Harry teve que aturar em seu retorno à comunidade mágica, aos 11 anos. Olhando para os túmulos ao seu lado, disse:

- Eu sei que ele vai se encontrar, algum dia e nós, seus amigos, estaremos aqui para ele. Só espero que, um dia, ele possa se perdoar por sobreviver àquela guerra. Ele daria a vida por vocês, como eu e mais metade da Ordem. Mas duvido que sobre espaço, para pensar assim, com tamanho pesar. Não concorda, Harry? – sorriu, triste – Nos vemos o mês que vem. Até logo, Harry, Hermione.


Saindo do cemitério, Rony parecia um homem mudado. Gritar pela morte de seu melhor amigo e da mulher de sua vida tinha-lhe tirado um peso de seu peito. Aceitava agora o que tinha que fazer. O que tinha que fazer pelo bem da humanidade.


Aqui está mais um capítulo! Desculpem a demora,porém foi muito dificil faze-lo! Contei com a grande ajuda do Fan Surfer e agradeço muito!

Queria agradecer a Layla Black por mais reviews! e por favor gente. Os seus reviews são minha inspiração! quando não recebo acho que ninguém tá gostando.

Obrigado,

Thierry Harry