Capítulo – 06. Verdades e Mentiras Parte 1
De todas as reações que Giovanna acreditaria que Ronald Weasley tivesse, a última coisa que ela esperava era um ataque de risos. Contudo, ele estava mais ali no chão, rindo até acabar o ar, como mostrava sua face vermelha. Já faziam 5 minutos e ele não dava mostras de cansaço.
- Devo acreditar que você não leva fé, certo? – perguntou a garota, com a testa franzida.
- Hahahaha... essa foi muito... hahaha... boa... Faz tempo... que eu não rio assim... – tentou falar o jovem, entrecortado por tentativas de tomar algo de ar. após mais uns minutos, ele finalmente conseguiu se acalmar – Agora, que tal falar sério? – perguntou descontraído.
- Eu já disse... e você ouviu o que eu disse. Sua amiga, Hermione tem a alma de uma das criadoras dos Círios. Elas se fundiram para criar a mulher que voce conheceu como Hermione Jane Granger.
- Tá... Ok... Suponhamos que eu acredite nisso, quais são as provas que a Hermione que eu conheci era uma farsa? – falou, com soberba.
- No meu tempo, a cientista tinha a habilidade de se comunicar com pequenos e médios animais. Tais como sapos, gatos e pequenos roedores. Isso não lhe traz algo à mente?
- "Meu tempo"? você veio do passado então?
- Teremos muito tempo para isso. Responda à questão?
- Trevor, o sapo de Neville tinha desaparecido... foi assim que nos conhecemos...
- E o sapo apareceu quando?
- No barco... sempre nos perguntamos como ele tinha ido parar lá... ah... Nãoooooo... seria irreal demais! – desconversou o ruivo, tentando tirar a atenção do caso.
- No passado, ela tinha um Puma de estimação. Qual o animal de estimação dela?
- Um gato... amarelo e gordo. Agora que você falou... espera! Acabo de descobrir o ponto falho da sua pegadinha: Se ela tem comunicação por quê ela não encontrou Perebas? – disse com sorna.
- Ele era um animago. Seu cérebro não funcionava como o de um animal comum. Por isso ela não poderia se comunicar com ele. Mas se comunicou com o gato e, por isso, afirmou categoricamente que ele não comeu seu animal de estimação.
- Ela falou com você? Quando?
- Estivemos em contato durante as férias. Na verdade, ela me mandava algumas corujas sobre o seu desenvolvimento, durante o ano letivo.
- Essa eu quero ver! Você está se complicando com essa piada cada vez mais. Eu conheço a caligrafia dela.
Sem responder à provocação, a jovem vai até seu quarto e pega uma caixa de madeira contendo diversos pergaminhos. Oferece a caixa para o homem que, pega um aleatoriamente e o abre.
"Giovanna,
Ainda não me acostumei totalmente em te chamar assim, mas o convívio com a cultura inglesa está me ajudando bastante. Não sente saudades de Gie Oha Van Atus? É. Definitivamente, nos tempos modernos nunca iriam se adaptar. Vamos então direto ao ponto:
Aproveitando a distração causada pelo Torneio Tribruxo estou avaliando o escolhido. Contudo, pergunto-me: Será mesmo que ele é quem achamos que ele é? Não me entenda mal, confio em seu julgamento; é só que ele... como posso dizer...parece meio imaturo.
Quando não estamos brigando, e acredite, isso toma muito tempo, ele é um garoto bom e até certo ponto nobre. Mas por mais que sejam meus esforços, ele definitivamente não parece corresponder às expectativas. A prova em contrário, que me alenta a seguir, é aquele pequeno segundo onde tudo parece perdido e Rony faz algo tão genial quanto absolutamente enervante, mas que se prova o necessário para seguirmos em frente.
Como nota pessoal, começo a notar que minha preocupação por ele vai além do esperado. Não sei se algo meu ou deste corpo, mas é algo que devo ficar atenta.
Mandarei o novo relatório em breve.
Hermione"
Incontestável. Ele conhecia aqueles traços bem demais. A letra poderia até ser forjada, mas os traços de hesitação em algumas palavras eram características da mulher que amou com loucura até então. A mesma mulher que acabara de descobrir, estava usando-o. Sem pestanejar, Rony amassa o pergaminho e diz:
- Vou sair.
Ela sabia que o confronto seria doloroso, mas Giovanna nunca imaginou que a voz dele soaria tão fria quanto uma lápide.
A única imagem que o ruivo conseguiu ver ao abrir os olhos, os fez fechar rapidamente. O sol estava escaldante.
Início do Flashback
Rony estava perdido em seus pensamentos. Não acreditava que tudo aquilo poderia estar acontecendo. Nem mesmo sabia para onde aparatou, mas ao olhar mais um pouco para o lugar, viu que o mesmo era conhecido: a imagem de sua ultima visão antes de desmaiar no deserto e ser salvo pela loira.
Andando com passos largos em direção à uma rocha, o jovem atinge-a com uma seqüência de socos. A cada soco, as duvidas e as penas que o atormentavam eram deixadas para trás. Sem perceber o tempo passar, o auto flagelo só acabou quando suas mãos estavam banhadas pelo sangue. Possivelmente com vários ossos quebrados.
- Eu te amei, maldita!!! Como pode fazer isso comigo?!
Após expressar toda a dor e perda, ele estava cansado demais para prosseguir e encostado na rocha, adormeceu.
Fim do Flashback
Eram aproximadamente 8h00 da manhã e o sol já despertara o jovem na totalidade. Mantendo os olhos fechados, ele aparatou de volta para a casa de Giovanna. O barulho característico da aparatação, assustou a garota.
- Ronald... oh meu deus... suas mãos!
- Prepare-se. Seguiremos para o Kilimanjaro em 1 hora.
Algo naquela atitude estava aturdindo e assustando a garota. Não era necessário um gênio para descobrir o que estava incomodando o ruivo. Mas a reação dele ia contra tudo o que Hermione tinha relatado sobre ele. Ao invés de uma explosão emocional, sua face não demonstrava nenhuma expressão. Como se nunca houvesse sentido nada.
- Não podemos seguir com suas mãos destroçadas.
- Elas saram.
- Estou falando sério. Vamos precisar de pelo menos meio dia para dar um jeito em sua mão.
- E agora? O próximo passo de meu treinamento será em teste escrito? – pese a piada, ele ainda não demonstrava qualquer emoção; o que fez com que a piada tornar-se sem graça.
- Você agora irá adquirir conhecimento.
- Não preciso de meus punhos para isso.
- Você não conhece o método de ensino dos moradores da montanha.
Saindo dali, andou em direção a um bar localizado a beira do aglomerado de água do Oásis. Sentou em uma varanda onde lhe proporcionava uma linda paisagem da fonte de vida do lugar. Apenas ficou apreciando até que uma voz similar lhe percorreu os ouvidos:
- Suas mãos... Não parecem nada boas. Aceita? – diz Andrew Battlefield, mais conhecido como Tigre do Deserto, oferecendo uma dose do famoso uísque MacCutcheon – Algo que queira comentar?
Aceitando o copo que lhe foi oferecido, o jovem finalmente pôde perceber que suas mãos não estavam bem. Mas não estavam tão ruins a ponto de desperdiçar uma boa dose de uísque.
- Uh... Vejo que tem experiência com bebidas fortes, meu jovem. O mais interessante deste uísque é que a marca recebeu este nome depois do Almirante Anderson MacCutcheon, da Marinha Real, se aposentar com mais medalhas que qualquer outro. Esta simples dose que você está olhando agora, é a melhor do estoque do Almirante e um gole desta bebida, vale o dobro de seu salário na academia de Aurores.
- Espera um minuto. Você sabe no que eu trabalho? Quem é você?
- Você está mal, meu amigo. Deixamos isso para outra hora. Agora desfrute deste momento, porque você terá muito trabalho pela frente. – diz o moreno saindo da mesa e fazendo um sinal para a garçonete.
- Venha. Vamos cuidar dessas mãos. – sussurrou no ouvido do ruivo uma linda garota castanha, o conduzindo pelo braço.
- Uou... Por essa eu realmente não esperava – dizia Rony soltando todo seu peso de cima da garota que conheceu no bar. Nunca passara pela sua cabeça quando saiu do lugar que terminaria a noite assim – Você é incrível. Posso saber seu nome?
- Camila – responde sorrindo, encostando seus lábios para um carinhoso beijo.
- Um lindo nome. E voalá! Uma ótima médibruxa. Mãos novinha em folha! – retornou o sorriso – Mas, ele já sabia não é? Digo. O Tigre já sabia que isso iria acontecer.
- Hahahahaha. Disso eu não sei. Mas ele me disse que você parecia meio tristinho.
Agora sim. O que era apenas um sorriso, tornou-se uma gargalhada no meio de cócegas.
- Quem é ele afinal? Todos o olham com um respeito honrável.
- Ele é como se fosse o pai do Oásis. O que ele fez por nós, não tem retorno. Somos muito gratos por ele e daríamos a vida pela dele.
- Eu não acredito em você! – disse Giovanna quando o ruivo passou pela porta. Independente de seu destino imposto, tanto a convivência com ele quanto as cartas trocadas por ela e Hermione, terminaram causando um efeito afetivo em relação a ele. A loira procurou-o por metade da tarde, até que se cansou e decidiu esperar em uma não menos tensa atmosfera.
- Qual o problema? – perguntou calmamente e, mesmo sem qualquer menção era possível ver que a raiva do ruivo tinha ficado para trás momentaneamente. Para alguém conhecedora da natureza humana como Giovanna, só uma forma de ocorrer tamanha mudança era possível.
- Eu aqui me descabelando de preocupação enquanto você estava belo e formoso nos braços de uma mulher!!! Belo exemplo de responsabilidade com o seu destino!!!
-Você queria minhas mãos curadas. Elas estão curadas... e antes que eu me esqueça o primeiro a gritar é quem perde a cabeça.
- Não me diga o que fazer!
-Por que não? Você me disse o que fazer até agora e eu não estou reclamando. Mesmo quando você vem até mim e arranca o meu o coração, eu ainda não reclamei. Que tal você parar de bancar a misteriosa superprotetora e nos concentrarmos na missão?
- Então você não nega? – diz em tom baixo a jovem. Por mais vontade que tivesse de gritar novamente, a utilização pelo baixo tom por ele logrou envergonhá-la.
- Não tenho porque negar. Minha vida pessoal é exclusiva minha.
- Certo. Partiremos amanhã ao amanhecer.
Caros leitores, aqui está mais um cap.
A fic voltou à tona! Agora saindo cap. quinzenais. Agradecimentos especiais ao Fan Surfer, e mal se eu me aproveito de você cara! hahahahahhaha ! Abraço!
Respostas dos Reviews:
Lanni Lu - É uma pena que você só acompanhe o shipper Harry e Gina. Sua opinião me ajudou bastante. =D
Hinata Weasley - Wow! Você voltou a ler e pelo jeito não perdeu o interesse depois de tanto tempo parado! Aprecio muito isso! Aqui vai mais um capitulo
em homenagem a você! Um grande beijo!
Grande abraço,
Thierry Harry
