Onde o tudo começa
Eu estava assustada, não posso mentir, afinal estava num carro de entranho, mas pra quem estava prestes a se suicidar mesmo que ele me matasse depois, não iria fazer muita diferença.
-Onde você mora? – ele perguntou me tirando dos meus pensamentos.
-Acho melhor você perguntar: Onde você morava? – falei – Eu era filha do chefe Swan, morava com ele.
-Conheci ele – Edward falou baixo – Sinto muito pelo seu pai, era um policial honesto, raro nessa cidade.
-Já faz três meses – acho que uma lagrima involuntária escorreu do meu rosto – Por isso, basicamente pode me deixar em qualquer lugar.
-Claro que não! – ele falou como se o que eu pedisse fosse absurdo – Você veio de alguns lugar, não veio? Então vou te levar do lugar de onde você veio. Você é de Forks, certo?
-Sim – respondi ainda me sentido mal.
-Estranho, nunca te vi em Forks – ele falou olhando pra mim – Desculpe, acho que eu falo demais.
-É – balancei a cabeça afirmando – Fala bastante, mas acho que nesse caso é bom que você fale ao invés de querer que eu explique algo.
-Mas eu preciso saber onde vou deixar você – eu ia responder o mesmo de antes, mas ele notou – Algum lugar que eu saiba que você estará segura.
Eu não respondi, havíamos chegado a Forks, eu nem sabia que havia andando tanto, olhei para os meus pés e notei que meus sapatos estavam sujos de lama, e o carro dele estava impecavelmente limpo. Senti vergonha e me encolhi no banco, ele notou e me olhou de uma diferente, não como sentisse pena de mim, mas que queria me ajudar.
-Você quer comer algo antes de voltar para casa? – ele perguntou parando o carro em um restaurante que eu não conhecia.
-Quanto mais tempo ficar longe de lá melhor – falei tirando o cinto de segurança que ele me obrigara a usar, estava saindo do carro quando notei que ele já estava do lado do passageiro abrindo a porta para mim, me surpreendi.
-Mas em troca quero saber onde você mora – ele falou sorrindo, um sorriso tão bondoso e lindo que eu não pude deixar de sorrir, ele alargou o sorriso ainda mais, o que me fez corar.
-Ok – falei colocando o cabelo para trás.
Nós entramos no restaurante e eu não conhecia ninguém, enquanto ele acenava para no mínimo três pessoas por minuto, a garçonete apareceu sorridente oferecendo uma mesa, e "se oferecendo" para ele, o que era normal, afinal ele era muito bonito.
Nos acomodamos numa mesa perto da janela, eu não conseguia fita-lo, a vergonha do que havia acontecido mais cedo era algo que realmente não iria passar tão cedo.
-O que vocês vão querer? – perguntou a garçonete com um sorriso que me dava raiva.
-Pra mim um Hambúrguer completo com batatas – ele pediu entregando o cardápio para a garçonete sorridente.
-E para você?- ela perguntou com um sorriso um tanto quanto forçado, aquilo me deu vontade de rir, mas me agüentei.
-O mesmo – entreguei o cardápio e ela se retirou.
-Agora que estamos aqui, preciso saber onde você mora, Isabella – ele parecia gostar do som do meu nome.
-Bella – o corrigi – Já que já estamos aqui... – suspirei – Eu vim pra cá a três meses, dois dias antes do meu pai falecer, eu estou na casa dele.
-Está sozinha?
-Sim – senti um aperto no peito com essas palavras – Literalmente sozinha.
-Bella e sua mãe? – isso não fazia parte do acordo, mas acho que era o mínimo que eu devia a ele.
-Ela morreu também, por isso vim para cá – senti mais um aperto e me contive para não derramar as lagrimas que há meses eu derramava.
-Bella deixe-me ajuda-la – ele segurou uma das minhas mãos que estavam sobre a mesa, senti um arrepio – Eu também perdi meus pais, a cerca de nove anos, e fui adotado pelos meus tios, Esme e Carlisle Cullen. Eu sei EXATAMENTE o que você está passando.
-Não é apenas isso – falei sentindo tudo misturado, por que eu não me joguei?
-Não vou fazer mais perguntas – ele falou ainda segurando minha mão, eu olhei para ela e para ele, e ele soltou – Me perdoe, eu só queria...
-Tudo bem – falei sorrindo – Acho que você é o único que está tentando realmente me ajudar.
A garçonete apareceu e trouxe os nossos lanches, ela sorriu mais uma vez para ele e eu fitei meus sapatos que ainda estavam sujos.
-Não vou deixar você ficar na sua casa sozinha – ele falou de uma vez assim que a garçonete falou.
-Edward eu agradeço muito o que está fazendo, mas eu não creio que você possa me ajudar mais.
-Bella eu sei como é ficar sozinho assim...
-Não – falei meio nervosa – Não sabe!
-Eu não sei quais são seus problemas, mais TODOS tem solução, e nem sempre sozinho se acha a solução, eu quero te ajudar.
-Eu não quero dever nada a você, muito menos uma amizade – eu falei sinceramente, naquele momento eu só queria ser deixada em paz.
-Não quero forçar uma amizade nem nada assim, só quero ajudar – ele também parecia sincero – Somente isso.
-Ok Edward, vou aceitar sua ajuda – eu comi uma batata e o olhei – Como pretende fazer isso?
-Primeiro quero seu telefone, para que nós nos comuniquemos.
-Uma caneta – pedi, e ele retirou do bolso.
Escrevi meu telefone em um guardanapo, alem do telefone escrevi uma pequena mensagem, eu dobrei e entreguei.
-Só abra quando estiver em casa – falei quando ele estava desdobrando o papel.
-Tudo bem – ele falou colocando no bolso onde havia tirado a caneta.
Nós comemos nossos lanches e conversamos, ele sempre havia morado em Forks. Ele conhecia bem meu pai, já o tio ou pai adotivo dele era medico, no único hospital de Forks. Ele falou bastante de si, falou dos irmãos: Alice e Emmett, também do namorado e namorada de ambos e como eles eram felizes. Aquele conversa realmente só me mostrava o quanto eu estava infeliz, sentido que a minha vida não tinha significado algum.
Ao terminamos ele me deixou na frente da casa do meu pai, ele abriu a porta do carro novamente pra mim, o que eu realmente não entendia como existia um rapaz assim, e me acompanhou até a porta.
-Amanha as nove em ponto estarei aqui, te esperando – ele falou com sua voz suave, uma voz perfeita pra entoar uma canção, em minha opinião.
-Obrigada – falei baixinho, com a cabeça baixa – Acho que estaria morta agora, você realmente me salvou.
-Você não queria aquilo – ele levantou minha cabeça e eu mirei seus belos olhos verdes, pareciam verdadeiros calmantes – Estava nervosa e sem saber o que fazer, isso acontece. Não se culpe nem se envergonhe, eu vou ajudá-la... Não financeiramente ou materialmente, mas emocionalmente.
-Acho que é o ideal – falei sorrindo, não poderia deixar de sorrir com aquela pessoa que acabara de me salvar, não só de não me jogar, mas também de não desistir.
-Então as nove – ele me deu um beijo na bochecha e foi para o seu carro, ele deu a partida e em poucos minutos se foi na escuridão que já chegava a Forks.
Eu entrei em casa sentindo um pouco de frio, tranquei a porta e subi as escadas, ia em direção ao meu quarto quando vi a porta aberta do quarto do meu pai, eu andei até lá, abri e senti o seu perfume que eu tanto reclamava, mas agora parecia bom. Em cima da cama estava sua farda de forma como se alguém fosse vesti-la no outro dia, caminhei até ela e deslizei meus dedos sobre o uniforme. Sorri ao lembrar da ultima vez que havia o visto usando. Uma lagrima teimosa, insistiu em cair, sequei rapidamente, sai do quarto fechando a porta, não queria mais ter essas lembranças, não enquanto elas ainda me faziam mal.
Entrei no meu quarto já tirando a minha blusa, ela estava gelada por causa do frio que fazia lá fora, joguei em algum canto e fui para o banheiro, depois do que havia acontecido hoje, a única coisa que me ajudaria era um banho.
O banho foi longo, mas também a cura ideal para o peso que eu sentia, coloquei um pijama qualquer e fui para o meu quarto, deitei na cama e me cobri com o velho edredom azulado. Olhei ao lado e vi o telefone, sabia que ele não iria tocar, não mais.
Aconcheguei-me na cama, o senti meus olhos ficarem pesados, a luz fraca da lua que passava pela fresta da cortina dava o que eu precisava para dormir, aos poucos fui fechando meus olhos, quando perdi o sentido.
Acordei com um som de campainha, puxei mais o cobertor, mas a campainha insistiu. Lembrei então do que havia acontecido no dia anterior, e da visita que esperava.
Corri até o banheiro e escovei meu cabelo e meus dentes, desci mesmo de pijama, Edward já devia ter ido embora de tanto que demorei. Abri a porta, mas lá estava ele com seu sorriso radiante, sorri sem graça.
-Bom dia – ele falou acenando com a mão.
-Bom dia Edward – falei com vergonha – Entre!
Ele educadamente bateu os pés no capacho da porta e entrou, eu segui para a sala e ele me seguiu. Fiz um gesto para que ele sentasse, e ele de uma forma, que não sei descrever muito bem, sentou elegantemente. Edward me lembrava aqueles homens que não existiam mais, aquele tipo de homem perfeito, educado e cavalheiro.
-Acho que nove horas não é uma hora tão boa assim, não? – ele perguntou sorridente.
-Não é isso – respondi rápido – É que ontem foi um dia ruim.
-É, acho que sim – ele se levantou – Quero te levar pra um lugar muito bom, e que normalmente as pessoas se alegram.
-Que lugar? – perguntei curiosa.
-Surpresa – ele deu um meio sorriso adorável.
-Como vou saber que não vai me esquartejar e me jogar no rio? – brinquei.
-Acho que terá que confiar em mim – ele ainda sorria, eu sorri também – Acho bom você se arrumar, algo confortável.
-O que vamos fazer? – tentei mais uma vez
-Você verá!
Subi rapidamente no meu quarto, coloquei uma calça jeans, um tênis, uma blusa simples, uma blusa de moletom preta e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo. Desci as escadas e ele estava no mesmo lugar.
-Eu o conheci ontem, mas não sei porque... – disse indo até ele – Mas eu nunca tive tanta confiança em alguém igual eu estou tendo com você.
-Acho isso bom – ele falou me olhando – Espero estar à altura de sua confiança.
-Ontem você salvou minha vida, mesmo eu querendo que não salvasse – sorri – Acho que já é um bom passo para essa "Altura".
-Que bom – ele falou sorrindo, eu gostava quando ele sorria – Acho bom irmos.
-Ah... Claro – fui acordada dos meus devaneios.
Quando abri a porta e coloquei os pés no hall notei que aquela manha estava muito fria, e não era simplesmente pelo fato de um tempo gelado por causa de ventos, mas sim porque estava tudo coberto de neve. Eu senti um frio absurdo.
-Tenho que trocar de blusa – subi as escadas rapidamente e coloquei uma jaqueta mais grossa, para neve, desci e vi que ele ainda estava sorrindo, mas dessa vez devia ser por outro motivo – O que foi?
-Tão distraída que nem notou a neve?- ele perguntou como se fosse obvio.
-Vá se acostumando – falei fechando a porta e indo até o carro dele – Sou a pessoa mais desastrada e distraída da face da terra, por isso não ache que...
A única coisa que vi foi ele me segurando pelo braço e eu desajeitada segurando seus ombros. Sim, eu havia escorregado no chão coberto por uma casca fina de gelo e o meu "salvador" havia me segurando a tempo para que eu não me esborrachasse no chão.
-Er... Muiii-to obri-ga-d-do - falei me endireitando e corando.
-Sim – ele começou a rir, até a risada dele era perfeita – Você é bem distraída.
-Eu te disse.
Nós entramos no carro e ele começou a dirigir, os dois em silencio por algum tempo, mas isso foi bom, pois me dava tempo de organizar minhas idéias: Eu estava num carro com um rapaz que eu havia conhecido no outro dia. Ele havia me impedido de me jogar de um precipício e havia me levado para comer algo e me contado muito sobre ele, mas claro, tudo poderia ter sido uma grande mentira. Ele estava me levando pra "Sei lá onde" e eu havia concordado. Sim, estava acontecendo exatamente isso, eu nunca faria algo assim há alguns meses atrás, mas pra quem era pra estar morta, qualquer coisa que vier, é lucro, não?
N/A: Gente esse é o primeiro capitulo, espero de coração que vocês tenham gostado. A história da Bella e do Edward vão ser contada aos poucos, por isso não vão achar que tem um BURACO na minha história, certo? O próximo capitulo começa as aulas do Edward de como fazer a Bella enxergar que a vida vale realmente a pena, mesmo que tenhamos problemas.
Espero que tenham gostado. E eu só vou saber de uma maneira: ATRAVEZ DE REVIEWS!!! Por isso por favor, REVIEWWWWWWWS! Brigadinha...
X.O.X.O PEOPLE!
