Lição número um: Como ficar em pé no gelo sem se matar ou Como confiar em você

De longe parecia um monte de formigas em cima de um açucareiro. Meus olhos arregalados mostrava o meu pavor. Não, eu não iria entrar naquele rinque de patinação.

-Mas que diabos uma pessoa em sã consciência faz em um rinque de patinação as dez da manha? – perguntei mostrando meu medo e meu espanto.

-Não há pessoas em sã consciência nesse local – Edward falou rindo enquanto caminhávamos até meu triste destino – Nós somos a prova disso, quero dizer... – ele ficou sem graça – Eu pelo menos.

-Eu não tenho culpa – falei sorrindo ao vê-lo envergonhado – Você me obrigou a vir aqui!

-Eu tive essa idéia antes de saber pelo seu "Amor pelo chão" – ele brincou.

-Não devia ter te contado – falei suspirando.

-Nem foi pelo que você me contou, mas sim pelo que eu vi – ele falou me lembrando da cena do escorregão.

Nós chegamos ao rinque e eu sentia meu coração bater forte. A ultima vez que eu havia patinado eu fiquei em coma durante dois dias.

-Parece nervosa – ele falou enquanto calçava os patins.

-É que eu não gosto muito desse tipo de coisa – falei olhando para o patins – Eu já sou um desastre andando, imagine patinando?

-Não se preocupe – ele falou se colocando de pé com rapidez – Eu vou segurar você.

-Se você prometer – falei quase implorando.

-Claro que eu prometo – ele falou entusiasmado – Agora ponha o patins!

Coloquei os patins, mas ainda tremia, não conseguindo amarrar eu vi Edward se agachando a minha frente, ele amarrou meus patins e levantou a cabeça sorridente, eu devia estar com a expressão mais engraçada do mundo. Ele era como aqueles rapazes de filmes e livros: Perfeito.

-Vo-vo-cê é um anjo? – Droga! Eu havia dito isso em voz alta.

-Anjo? – ele começou a rir e me levantou me segurando – Não é uma boa descrição para um cara como eu.

-Arcanjo então? – já que havia dito alto, que tirasse minhas duvidas.

-Não – ele ria envergonhado.

-É que ainda te vejo como alguém impossível, alguém que apareceu do nada, me ajudando e sendo tão gentil e cavalheiro – eu não contive meu sorriso – Isso não é muito comum, para ser sincera eu nunca vi nada assim.

-Eu já passei por coisas demais Bella, acho que aprendi todo o tipo de lição – ele abaixou a cabeça com um sorriso triste, me senti culpada de certa forma.

-Acho que não seria delicado nem "sensato" perguntar algo há você, afinal eu não lhe contei nada sobre mim – eu me senti um pouco... Aliviada com isso, eu não devia mais nada ele agora... Quer dizer: Por dever satisfações não, mas salvar a vida sim.

-Eu não me importo – ele começou a tentar andar para o rinque, mas eu estava travada – Terá que confiar em mim, de novo.

-Confio em você! Por estar na situação em que estou, é porque confiei até em quem não devia – falei ainda com medo – Só não confio em mim.

-Quero te pedir uma coisa – ele falou serio olhando para mim – Olhe nos meus olhos. – eu fixei meus lhos nos dele – Eu não vim aqui para apenas patinar, eu vim aqui para fazer um teste.

-Teste? – perguntei curiosa.

-Não é um teste ruim, é um teste de confiança, tanto em mim, como o principal, em você – ele sorriu.

-Acho que preciso ser salva novamente – falei baixo abaixando a cabeça novamente. Ele segurou meu rosto e me fez fita-lo.

-Olhe para mim – ele sorria, um sorriso confortante - Você precisa ser salva. Quem pode te salvar? Só você! Quem está ao seu lado para ajudar a te salvar, não importa quanto tempo isso leve? Confie nessas pessoas, mas confie principalmente em você!

-Eu acho que só tenho você pra me ajudar agora - falei com a voz meio tremula. O que eu estava fazendo? Não importa, ele era a minha única saída para sair desse buraco em qual estava.

-Então vou te ajudar – ele ainda sorria – Mas... Eu não vou fazer isso sozinho, e vou lhe ensinar a confiar em você!

-É? Como? – eu não falei irônica, longe de mim fazer piadas com algo assim.

-Dê tempo ao tempo não importa quanto tempo leve, enquanto eu tiver condições para isso, te ajudarei – ele sorriu e puxou a minha mão para o rinque, mas eu não me mexi – Eu confio em você! – ele falou em um tom amável.

Eu me entreguei a ele, e ele me conduziu para a pista, eu sentia minhas mãos suarem. Eu estava em cima do gelo, lutando para ficar em pé e sobreviver ao tal "teste".

Era algo realmente incrível, do jeito que ele fazia para que eu não me sentisse com medo. Eu sorri ao conseguir dar um passo. Ele me encorajou segurando uma das minhas mãos, eu dei mais um passo com patins. Eu estava finalmente no gelo me sentindo até que bem.

-Não é difícil – ele falou me encorajando – Vamos Bella, mas alguns passos.

Eu dei mais alguns passos e senti meus pés deslizarem por debaixo do gelo, gostei daquilo. Ele estava de frente pra mim agora, dando passos com o patins para trás enquanto segurava as minhas duas mãos agora.

Aos poucos fui pegando o jeito e meus pés deslizavam com mais facilidade, não como ele que patinava de costas, mas estava melhor do que no começo. Sorri quando consegui finalmente dar um passo bonito e ele olhou pra mim com um certo orgulho.

-Agora vou soltar uma das mãos – ele disse segurando uma mão e indo para o meu lado – Devagar Bella! – ele falou me alertando.

Varias pessoas estavam ali, mas estava tão divertido e fácil que parecia não haver ninguém.

Devagar eu fui pegando coragem e pegando impulso para patinar, com todo apoio dele e sua mão segurando a minha eu consegui. Finalmente estava patinando e sorrindo divertida.

-Eu consegui! – falei animada.

-Claro que conseguiu – ele falou com seu sorriso belo – Sabe por quê?

-Por quê? – perguntei ainda sorrindo.

-Porque você é a Isabella Swan e você PODE! – ele segurou a minha mão com mais força – Mais uma vez?

-Sim – falei segurando forte também.

E lá fomos nós novamente. E eu por incrível que pareça não cai nenhuma vez, estava realmente orgulhosa de mim, e orgulhosa de saber que Edward era uma boa pessoa e que mesmo eu não "devendo" uma amizade a ele, isso iria acontecer, se ele quisesse.

A manha passou rápido, e eu consegui sair intacta. Fiquei mais feliz por isso do que ter aprendido a patinar. Edward era um bom professor, sabia exatamente como inspirar confiança.

-Que tal agora irmos almoçar? – ele perguntou quando finalmente estávamos tirando os patins.

-É uma boa idéia – falei sorridente – Mas dessa vez, eu pago, ok?

-Não estavam pensando em um almoço pago – ele sorriu de lado – Minha mãe, ou melhor, minha tia quer conhecê-la.

-Você falou do que aconteceu pra ela? – perguntei um pouco áspera.

-Não! – ele falou de uma vez – Claro que não, eu só contei que conheci uma pessoa nova. E ela gosta muito de conhecer meus... Conhecidos? – ele havia se lembrado da questão da amizade.

-Edward eu fico feliz se você me considerar sua amiga – ele respirou aliviado.

-Que bom – ele sorriu novamente – Sobre aquela história de...

-Esqueça ele, ok?

-Com certeza – ele ainda sorria, nunca vi alguém para sorrir como ele – Ela gosta de conhecer meus novos amigos, quando conheci meus amigos Jacob e Jasper ela fez eu leva-los assim que contei.

-Ela deve ser uma pessoa muito boa – falei pensando numa mulher gordinha, com cheiro de biscoitos que aperta a todos pela bochecha.

-Ela é sim, tanto que Jasper agora é praticamente da família, é namorado da minha "irmã" Alice, e a irmã de Jasper, Rosalie, é namorada do meu "irmão" Emmett – ele contava com tanto entusiasmo que contagiava.

-Sua família deve ter uma história fascinante – falei finalmente dando o ultimo laço do meu tênis.

-Tem uma história fascinante sim, mas não é totalmente... Como posso dizer? Louvável – ele lembrando de algo.

-Nenhuma é "louvável" Edward – falei levantando.

-Bom... É verdade – ele também se levantou – Vamos?

-Vamos, mas vou logo avisando não me responsabilizo por vermelhidões e muito menos por besteiras ditas, eu nunca sei o que falar – ele riu.

-Eu que me preocupo com o que vão falar – ele falou meio... Apreensivo.

Nós seguimos para o carro e ele voltou a dirigir. Ontem ele estava dirigindo mais devagar, mas hoje estava dirigindo feito louco. Ele corria muito.

-Podemos dar sorte – ele falou e eu não entendi, ele percebeu – Jacob, meu amigo, praticamente meu irmão, ele vive em casa, pode ser que conheça ele, é um cara realmente muito legal! Tem irmãos Bella?

-Não

-Bom... Eu tenho três... Quero dizer... biologicamente eu tenho apenas uma irmã Reneesme Cullen, mas ela não mora conosco, ela mora com a minha avó em Seattle.

-Uma irmã – sorri – Quantos anos?

-Ela é minha gêmea – ele disse sorrindo – Ela é mais "espevitada" e eu sou o calmo.

-Opostos – falei entendendo.

-Exato!

-E você quantos anos tem? Assim poderei saber qual é a idade dela – ele notou que não tinha respondido a minha pergunta.

-Ah claro! Tenho 17. E você Bella?

-17 também

-Por que não se matriculou na escola daqui?

-Eu sou Phoenix, mas depois que a minha mãe morreu vim para cá, só que depois quem morreu foi meu pai. Eu não tive tempo nem forçar para nada.

-Posso lhe fazer uma pergunta?

-Acho justo.

-Você estava naquele precipício por causa disso?

-Sim e não – pensei em como explicar logo, não doía tanto como antes falar daquilo, mas eu queria alguém para contar – Eu vou lhe contar Edward, tudo, mas eu pediria pra você parar o carro.

Edward parou em uma das praças da cidade, nós descemos e sentamos em um dos bancos debaixo de uma arvore, onde a neve não iria molhar nossas calças.

-Agora se quiser contar – ele falou sentando e eu em seguida.

-Lá vamos nós – falei suspirando – Meus pais eram divorciados, depois de um tempo solteira minha mãe resolveu casar-se novamente, eu achei uma ótima idéia, Phil era uma cara muito legal, no começo, depois se tornou o pior pesadelo para minha mãe e para mim também. Tinha dias que ele chegava bêbado em casa e batia nela. Finalmente quando sua canalhice chegou ao limites. Eu sai com algumas amigas para comprarmos algo para comer, pois minha mãe tinha trabalhado muito e não havia feito nada, eu cheguei em casa e ouvi gritos, pedi para minha amigas irem embora e entrei em casa, minha mãe havia pedido o divorcio, ela dizia que Charlie nunca havia tratado ela daquela maneira e não deixaria ele fazer o que bem entendesse com ela. Eu olhava da porta assustada, foi quando ele levantou a mão para bater nela novamente e eu entrei na frente, levei o tapa em seu lugar, mas enquanto estava caída vi minha mãe partir para cima dele e ele pegou sua garganta e a sufocou enquanto eu gritava para ele parar, mas ele não parou. Corri até a cozinha e liguei para a policia. Quando voltei à sala minha mãe estava morta no chão e o desgraçado tentando reaviva-la. Eu gritava e chorava, a policia chegou e eu não via mais nada, acordei no hospital no dia que iriam enterrar minha mãe.

Terminei de contar com as lagrimas escorrendo sem parar, aquelas cenas passavam como flashs. E eu lembrava daquele assassino a sufocando até a morte.

-Sinto muito – ele me abraçou – Eu não queria... Se eu soubesse não teria perguntando... Juro!

-Não se preocupe – falei me soltando – Eu queria contar a alguém.

-E o que aconteceu com esse tal de Phil?

-Ele foi preso, por homicídio doloso e condenado a prisão perpetua por haver testemunha, eu!

-Se te conforta saber, meus pais não eram exemplos de pessoas – ele falou abaixando a cabeça – Meu pai foi preso duas vezes e minha mãe uma. Meu pai foi condenado à pena de morte na ultima prisão e minha mãe se matou um tempo depois, e como eu disse antes, eu a cerca de nove anos, mas eu fico feliz.

-Fica feliz? – perguntei espantada com a história dele.

-Bella eu nunca fui tão feliz igual sou agora com meus tios amigos, eu e Reneesme sofremos muito, todos da família queria me tirar da minha mãe, mas apesar de tudo que passamos, eu a amava porque ela cuidava de nós mesmo com todas as dificuldades. E eu sei que agora ela e meu pais estão em um lugar melhor.

-Então você acredita em paraíso e tal?

-Não necessariamente, mas seja lá onde eles estiverem estão melhor lá, e eu e minha irmã estamos melhor assim.

-Olhando por esse ângulo – sorri – Minha mãe também está mais tranqüila agora.

Nós voltamos para o carro em silencio, os dois haviam falado e escutado, consciências tranqüilas e um alivio no coração, era isso que eu sentia, e podia ver, que pelo sorriso dele, ele também sentia o mesmo.

-Chegamos – ele falou apontado para uma bela casa, enorme e aberta.

-Uau! – falei admirando a casa com os olhos BEM abertos.

-Minha mãe deve estar furiosa – ele falou fazendo um gesto para que o seguisse.

Quando ele abriu a porta da sala eu tive uma surpresa, a casa era mais linda do que por fora e dentro tinha um verdadeira dama batendo a ponta do pé com ar de impaciência. Toda aquela imagem de senhorita gordinha havia sumido. Ela era alta com cabelos castanhos claros, magra, sorridente, com o rosto mais adorável que eu já havia visto, uma elegância fora do comum, e sua idade, eu chutaria por volta dos 30 anos.

-Muito bonito, não Senhor EDWARD? – ela falou com o típico tom de mãe – Pelo menos me ligasse para avisar que iria demorar, Emmett já estava quase devorando a mim.

-Sinto muito mãe, é que paramos um pouco pra conversar – ele coçou a cabeça nervoso – Essa é Isabella Swan.

-Oh querida! – ela me beijou a bochecha com um estalo – É um prazer, você é realmente linda! Parece uma bonequinha!

-Obrigada – eu corei violentamente – O prazer é meu senhora Cullen!

-Me chame de Esme querida – ela falou sorrindo, ela se virou para Edward – Vamos almoçar?

-Claro – Edward deu passagem para nos duas e seguir atrás de mim enquanto eu seguia a senhora Cullen.

-Ah – ela parou e olhou para Edward novamente – Jacob está aqui! – olhou para mim – Vai adora-lo querida, ele é como meu outro filho.

-Sua tia... Digo mãe – falei com Edward – Tem mesmo o espírito de mãe, não é?

-Você não faz idéia!

n/a: Pessoas eu espero que gostem do capitulo... Agora vocês descobriram a triste história da Bella e do Edward, não dá pra saber quem tem a pior, não é? Mas agora vai começar a parte que todo mundo gosta: COMEEER!!! E principalmente se divertir.... No próximo cap a Bella vai conhecer os Cullens e o Jake... AHHHH... Vocês gostaram da idéia da Nessie ser a gêmea do Edward? Espero que siiim!!! Bom... POR FAVOR REVIEWS!!!

X.O.X.O PEOPLE!