Capítulo dois
Planejando uma viajem
No outro sábado, no mesmo horário, Renata estava lá, com o mesmo sorriso e osmesmos cabelos úmidos.
- Esperro terr chegado na hora dessa vez.
- Sim, e isso é muito bom. Entre, tenho uma boa notícia.
- Mesmo? - obedecendo, Renata entroue fechou a porta. Surpreedeu-se ao encontrar vários ingredientes espalhados em um balcão e um caldeirão sobre um fogo improvisado.
- Vejo que está surpresa. Chamei-a aqui justamente para isso. Estive pesquisando e acredito que se trocarmos as sementes de Flower Sleep fresca para cada receita, por uma comum a cada três seu efeito será como o esperado.
- Mas, senhor... Sabe que não se pode misturar uma quantidade maior das ervas do mato domésticas com a raiz de salgueiro nova, do que a quantidade que já existe em uma única receita. Poderíamos explodir metade do castelo!
Snape parecia muito mais empolgado do que Renata já imaginara ver.
- Correto, Renata, mas é por isso mesmo que continuaremos a fazer em caldeirões separados. Reduziremos as sementes ao pó e dividiremos seu conteúdo às três receitas. Claro que dobraremos o período de produção da poção, mas creio que se der certo, valerá a pena.
Renata estava bonquiaberta. O raciocínio era perfeito, não conseguia entender como não pensara nisso antes...
Snape se virou para olhá-la.
- E então? O que acha?
A vontade dela era pular nos braços de Snape. Se funcionasse, muitas pessoas que passavam pelos mesmos problemas que ela com sua mão não precisariam mais se sacrificar para conseguir o dinheiro tão alto, ou assistir a seus familiares e amigos sofrerem com os efeitos perigosíssimos da primeira versão da poção.
Ao ver que os olhos da jovem se enxiam de água, Snape estranhou. Fizera algo de errado? A magoara?
- Algum problema? - perguntou baixinho.
- N-não, eu... estou bem. Vamos trabalhar?
Ele poderia usar a legilimência. Com 28 anos era já um grande mestre de poções, com grande aptidão em magia das trevas e um zero à esquerda para compreender sentimentos femininos. Talvez, pra saber, só pra entender...
Não. Invadiria a privacidade de uma pessoa que merecia possuí-la. Além disso, ela já estava sorrindo de novo... Ao trabalho, então!
Quase um mês se passou nesse ritmo. Todas as noites Renata ia até o escritório de Snape e eles continuavam o preparo da poção, que a essa latura já estava quase pronta.
Nesse dia, ao término de duas longas horas de trabalho, os dois se sentaram para um chá.
- Estamos com um grande progresso. ACredito qu emais unstrês ou quatro dias e ela estará pronta para o uso.
Renata bebericou o chá.
- Imagino que vamos ter que fazer um teste, não?
Snape a olhou de relance, antes de concordar.
- Estive pensando...
- Imagino que sei.
Ela tomou outro gole do chá, enquanto um silêncio constrangedor reinava entre os dois. Snape aguardou calado, já a conhecia o suficiente para ter cereza de que ela usava a cabeça para refletir antes de tomar uma decisão.
- Sábado - começou ela, encarando a xícara. - É meu aniversário. Vovó me enviou uma coruja perguntando se eu não poderia ir até lá e eu já conversei com Dumbledore.
Renata ergueu os olhos e fitou Snape ainda calado.
Sorriu.
- E aí? já foi a Paris antes?
- Mão, mas... Acho que suportaria a experiência...
Renata desfarçou outro sorriso, que morreu no mesmo instante que seu coração acelerou, a surpreendendo.
- Vou conversar com o diretor para ver o que ele acha - disse Snape, sem notar o repentino conflito emocional pelo qual a pobre moça passava. - Mas acho que não haverá problema, não levará mais do que o fim de semana... Pdemos já enviar uma solicitação ao ministério daqui para que estejam providenciando com o ministério da França, então creio que poderíamos estar aparatando na...
- Oui, mosieur... Est cerrto... Sexta feira, non? Est parfait! - Renata se levantou e jogou a pequena mochila no ombro, muito agitada. - Bem... Eu vou... Prreciso... Oh, om Dieu, estou me confundindo com as palavras... Eu vou e... Se tudo der cerrto... Bem, eu volto amanhã, com licença...
Snape se levantou, perplexo com a reação daquela que tornara-se uma amiga, além de aluna. Antes, porém, que chegasse até a porta, chamando por ela, a loira já desaparecera, correndo desajeitada pelos corredores.
Depois de 15 segundos parado feito um bobo ali, um Lufa-Lufa terceiranista passou e o olhou estranho, o que o fez bater a porta, mau humorado.
- Fracesas!
Foi difícil se concentrar em qualquer outra coisa durante aquela dia.
Já Renata, havia realmente entrado em um confronto interior. Parou de correr apenas quando chegou à primeira porta de um banheiro, entrou e se encostou na porta. A verdade era que, de alguma forma, a perspectiva de passar um final de semana com Sanpe, na data de seu aniversário, na cidade conhecida como a mais romântica do mundo, fez com que se sentisse estranha. Pela primeira vez, parou para arefletir sobre aquele sentimento que nutria por ele. Aquela admiração que alimentara desde a primeira aula. A gratidão por sua grande ajuda, e algo... Aquela... Aquela coisa que parecia tê-la ligado a ele desde que o vira no salão pela primeira vez... Por maior que tivesse sido a aproxiamação deles na última semana, estar dentro do castelo, trabalhando em uma poção era uma coisa, agora... Como seria lá fora? Em Paris? com tantas ocupações na cabeça ela ainda tinha que se apaixonar por... Severus Snape?
Respirou fundo, fechou os olhos, contou até dez e os abriu de novo. Estava se comportando como uma adolescente, onde já se viu, sair correndo daquela forma! Amanhã voltaria lá e pediria desculpas pelo seu comportamento, além de ajudá-lo a planejar a viagem. Seja o que fosse que estivesse sentindo, ignoraria e agiria normalmente.
Ajeitou os caixos através do espelho, endireitou a coluna e saiu.
- Tem certeza de que não há nenhum problema, Alvo? - perguntou Snape, assim que o diretor autorizou sua viagem sem muitas perguntas. - Se achar que sim, eu poderia...
- Deixar a jovem na mão? De forma alguma, sei que não vai querer fazer isso, Severus.
Snape não gostou daquele tom.
- O que está tramando? - perguntou no seu tom mais ameaçador que sempre fazia o velho sorrir. Como agora.
- Assim você me ofende, Severus! - Alvo respondeu, numa expressão inocente que não lhe caía bem. - Porque insinua que estou tramando algo?
- Seus olhos estão cintilando. Odeio quando isso acontece, sabe muito bem.
O sorriso do velho aumentou ainda mais.
- Vejo que continua mau humorado, Severus. Achei que com essa nova amizade com Renata...
- A srta. Van Der Pol é minha aluna - rosnou o mais jovem.
- Ora, Severus, ela deve ter uns 20 anos...
- 21.
- Certo. 21 anos. Tem quase sua idade e vocês têm idéias muito parecidas. Não sei porque não podem ser amigos.
- Ela é minha aluna - repetiu Snape, como se isso encerrasse o assunto.
- Severus... - Alvo se inclinou na cadeira, ficando mais próximo dele. - Eu tenho assistido você se fechar a cada dia mais, criando uma armadura ao redor de seu coração. Voldemort se foi, filho, você deveria aproveitar mais a sua vida.
Snape desviou os olhos para a janela, emburrado.
- Você mesmo disse que ele voltará.
- Ah, sim. Realmente acredito que ele não se tenha ido para sempre. Mas agora você está livre. É muito jovem ainda para ficar se isolando do mundo e das pessoas. Sei que você gosta dessa jovem e ela gosta de você, não a deixe escapar por um senso de decência exagerado.
Snape sacudiu a cabeça, como se para expulsar todas aquelas palavras insanas que passaram por seus ouvidos.
- Não sei onde está querendo chegar, Alvo, e acho que também não me interesso.
O diretor encostou outra vez na cadeira e comentou despreocupado, como se estivesse comentando o tempo.
- Ah, você sabe. E se interessa mais do que acha que deveria, mas... Na hora certa você perceberá. Quando irão?
- Na sexta. Primeiro pegaremos nossa licença no ministério e de lá aparataremos até a fornteira do país, onde provavelmente seremos enrolado por um longo tempo.
- Depois ficaram na casa da mãe de Renata até...?
- Domingo de manhã.
- Não é muito. Porque não aproveitam a viagem para conhecer um pouco o país?
- Porue não quero - respondeu Snape, seco. - estou indo por uma força maior. Sabe que odeio França, franceses e tudo que pertence a este lugar.
Dumbledore sorriu e seus olhos cintilaram outra vez.
- Não é bem o que eu sei. Aquela garota com quem você saía no sexto ano não era uma francesa? Nunca entendi porque não deram certo, você parecia gostar tanto dela...
Aparentemente Snape não estava achando aquela conversa agradável.
- Ela voltou para a Frrança - disse amargo. - Com um Grifinório idiota. - uma pausa. - Agora Alvo, eu tenho muitos zeros para dar, tenho que corrigir os trabalhos da Grifinória.
Ele sorriu ao se virar outra vez e ver a reprovação nos olhos do diretor.
- Algum problema?
- Nenhum. Só espero que a srta. Renata não desista tão fácil. Boa noite, Severus.
Com um erguer de sobrancelha e um rodopio das vestes, Snape se dirigiu a porta.
- Ah, Severus?
Ela se virou.
- Sim?
- O aniversário dela será no sábado, não?
- Foi o que ela me disse. Porquê?
- Seja um valheiro, por favor. E não esqueça as boas maneiras de um homem nessas ocasiões.
Dumbledore percebeu a compreenção nos traços de Snape e a descrença em seus olhos. Sorriu, pois adorava provocá-lo.
- Boa noite, Severus.
Praticamente expulso depois de receber um conselho daqueles, Snape não conseguiu deixar de bater a porta ao sair.
Desculpem pelos erros de digitação, não ando com tempo pra revisar... \
