Capítulo quatro
Presente de aniversário
O sol mal havia nascido e Snape já estava de pé, adequadamente vestido, com um pergaminho nas mãos.
Todos os problemas do dia anterior já haviam sido resolvidos, assim como exigira. Agora era um outro problema que o atormentava. A voz de Alvo Dumbledore repetindo várias vezes em sua cabeça, o aborrecendo.
Era nessas horas que ele o odiava. Com todas as suas forças... O velho tinha que estar certo sempre? Caralho!
Ficou sentado por um longo tempo em sua cama, tentando armar um plano e aproveitando que ainda era cedo.
Só havia tido uma idéia que julgava ridículo, quando ouviu barulho vindo da cozinha. Esperou alguns minutos e se levantou, chegando no cômodo ao lado a tempo de ver Renata, ainda vestido com o robe, os cabelos presos num rabo de cavalo no alto da cabeça, inclinada sobre algo que ele julgava ser o pote de chocolate.
Silencioso como o bom espião que era, Snape se aproximou o suficiente para sentir o perfume que exalava dos cabelos loiros e sussurrou:
- Vai acabar ficando gorda.
Renata pulou, assustada, virando-se de frente para Snape, um pedaço de chocolate ainda seguro numa mão e o pote aberto na outra.
Sorriu, radiante.
- Estava pensando em levarr esse pote com a gente. Acha que eles vão sentirr falta?
- Eu acho... - começou ele, arrancando o objeto da mão dela e o guardando no lugar, sobr um protesto indignado. - Que é cedo demais para você ficar se empanturrando de doces. Não é nada saudável.
Sorrindo como uma garotinha, Renata levou o pedaço que havia na sua mão até a boca, fazendo Snape sorrir mesmo involuntariamente.
- Você só pode estar brincando, nunca tive um cafe da manhã tão saudável quanto este!
Snape girou os olhos.
- E porr falarr em cade da manhã, é horra de tomarr cafe!
- Café - corrigiu Snape. - Espero que não seja...
- Chocolate quante! - falou ela animada, metendo uma caneca fumegante em suas mãos. - Vamos lá, experimente ao menos!
Com uma expressão estranha, Snape levou a caneca aos lábios e sorveu um gole curto, franzindo o cenho ao sentir o gosto excessivamente doce.
Renata não aguentou e riu.
- Acho que não, né?
- Definitivamente - ele afirmou, lhe devolvendo a caneca.
- Ótimo, sobra mais para mim. Ainda bem que eu fiz um café prreto, não? Aqui. Agora sente-se qu eu vou servir as torradas.
- Você não precisa...
- Cozinharr? Não se preocupe, pelo menos isso você deve assumir que os frranceses fazem melhor do que ninguém, não? Sente-se.
Incrivelmente, ele obedeceu.
- Prefiro comida italiana - rosnou baixinho, ou ela ouviu e fingiu que não ouviu, ou relamente estava ocupada demais com as torradas para entender.
Quarenta minutos depois, ambos caminhavam pelas ruas de Paris. Snape anormalmente quieto e Renta reflexiva. Quase não conversaram até chegarem em frente a um grande portão vermelho, protegendo uma casa de dois andares com um jardim imenso na frente.
- É aqui... Minha casa.
Snape apenas fez um gesto com a cabeça. Percebendo a hesitação e o nervosismo dela, pôs a mão de leve em seu ombro, dando-lhe apoio.
Foi uma mulher idosa que os recebeu, abraçando a Renata com um profundo carinho. Ela falava inglês, fato que Snape estranhou e percebendo isso, Renata lhe explicou:
- Ela e mamãe são inglesas, assim como o pai de Patrícia, minha irmã. Eles se conheceram depois que meus pais se divorciaram. Mas depois eles se entenderam novamente e vieram morar aqui. - Ele hesitou antes de continuar. - Mamãe era uma bruxa extraordinária, mas ficou... assim quando meu pai morreu, ainda jovem. Eu larguei a escola depois que o casa piorou muito, precisava trabalhar para pagar os remédios e a internação, minha irmã já estudava em Hogwarts e morava com o pai dela, como era de sua escolha, então eu estava sozinha. Ela só fala Frrancês agorra... - Renata sorriu, admirada com a expressão interessada de Snape. - É uma história bem tumultuosa.
- Pelo menos não é entediante.
A avó de Renata, que Snape descobriu chamar-se "Zeza" reapareceu neste instante.
- Sua mãe está no quarto, querida. Está contente com sua visita. Podem entrar!
Era surpreendente a semelhança entre as duas. A Sra. Van Der Pol possuía os mesmos caixos clareados de Renata e a irmã, e a mesma beleza, um pouco desgastada pelos anos. Tratou Snape muito bem e parecia uma pessoa completamente saudável. Claro que isso mudava os planos, eles nunca poderiam entregar uma põção como essa a uma pessoa normal, mas Snape não se importava, valia a pena, tendo em vista a saúde equilibrada da mulher, aliás, apesar de só entendendo aquilo que Renata se preocupava em traduzir, ele até que estava achando a visista agradável.
Almoçaram uma comida especial em comemoração ao aniversário de Renata e depois Snape as deixou a sós, já que Zeza lhe apresentara uma vasta biblioteca com verdadeiras pérolas nas coleções das obras.
Quando suas costas começaram a doer pelo tempo sentado, Snape marcou uma página e se levantou. Intencionado em planejar algo mais sólido sobre as malditas palavras de Dumbledore, disse a Renata que a deixaria por um momento com a família enquanto dava uma volta para conhecer melhor a cidade. Hesitou, pouco antes de sair.
- Renata... Acha que sua mãe tem algum plano pra você hoje a noite?
- Acho que não - disse a jovem, desconfiada. - Porquê?
Ele tinha 28 anos. Se gaguejasse como desconfiava que faria podia se internar.
- Poderia ir jantar comigo?
Ela o olhou, corada. Discretamente, ele cruzou os dedos.
- Claro.
Esforçando-se para não mostrar sua satisfação, Snape saiu.
Pronto, Alvo - pensava - vou levá-la para jantar e não deixar que o aniversário passe em branco. Basta pra você, não?
Ele descobriu que não assim que passaou em frente a uma vitrine, logo após este pensamento. Parou, como um bobo que não teria mais nada pra fazer e ficou ali, olhando, sem saber que decisão tomar.
- Ah, Alvo... Maldito seja! - Bufou, antes de dar um passo para a frente e entrar no estabelecimento.
- Está linda - Snape disse, forçadamente, ao encará-la naquele vestido azul. Engraçado como era o destino...
- Obrrigada. Minha mãe disse que combina com meus olhos - Ela gracejou.
- Por isso... - murmurou Snape.
- O que disse?
- Disse que estou com fome. Vamos indo?
Ele estendeu o braço num convite, sorrindo, Renata aceitou. Ela lhe indicou um restaurante ali perto, mas ele apenas negou, alegando que já havia feito reservas num outro lugar.
Esse "outro lugar", entretanto, era bem mais do que as palavras "outro lugar" indicariam.
- Chegamos - anunciou Snape.
O queixo dela caiu.
- Como... Esse é um dos melhores restaurrantes da região! Eu nunca nem entrrei aí!
Snape sorriu, profundamente satisfeito.
- Ótimo. Então estreiará comigo. Vamos entrar?
- Severus, não sei se estou vestida adequadamente...
- Bobagem - devolveu ele, notando o uso do se primeiro nome. - Você está linda. Vamos?
Ficar na compania de Renata num momento que elea estava admirada com algo era o mesmo que estar com uma criança pequena. Não que Snape estivesse acostumado com crianças desse tipo, longe disso, mas ele suspeitava que fosse assim, e se fosse, ele poderia repensar a idéia de ter ou não filhos.
O melhor foi o choque dela ao saber que os donos eram bruxoas e a espectativa nos olhos azuis quando foram levados à uma área onde trouxas não tinham acesso, totalmente ao ao livre, com uma vista encantada para um falso mar.
Snape engoliu em seco. Mordeu os lábios. Respirou fundo:
- F-Feliz aniversário - Ah, não! Gaguejara! Que estúpido! - Vamos comer - apressou-se a acrescentar, antes que ela lhe respondesse.
A comida, porém, apesar de deliciosa, não desceu muito bem no estômago frio de snape, com a sensação de que parecia um adolescente Lufa-Lufa, adiando o presente principal que ele lhe providenciara para calar sua consciência na voz de Alvo.
Quando terminaram a refeição, Snape deixou-se convencer ao pedido de Renata para que dessem um passeio, afinal, ele precisava mesmo de um pouco mais de tempo.
Só depois de uns poucos minutos, a ouvindo contar mais sobre a história dos pais, foi que ele a fez parar e se voltar de frente para ele. Pigarreou.
- Tenho uma coisa pra você - disse simplesmente, retirando uma caixa aveludada do bolso.
Renata bonquiabriu-se, a expressão séria.
- Severus, você não precisava...
- Claro que não - ele respondeu automático, abrindo a caixa escutando a exclamação admirada. - Achei que me lembravam seus olhos.
Ela piscou, sem saber se admirava-se mais com com a jóia ou com a atitude dele.
- É... maravilhosa - disse baixinho, sem saber nem a quê estava se referindo.
- Também acho - ele murmurou, a olhando nos olhos, também não parecendo estar se referindo à jóia. - Vire-se para que eu a coloque em você.
Ela obedeceu e ele tirou a gargantilha prata com os três diamantes azuis de dentro da caixa e o fechou ao redor do pescoço macio. Quando ela se virou outra vez, ele prendeu a respiração. Eles eram, definitivamente, do exato tom daqueles olhos. Então ela se aproximou e fez algo que o constrangeu profundamente: deu-lhe um beijo no rosto.
- Obrigada. Mesmo.
Snape sorriu do jeito que estava acostumado.
- Vejo que está aprendendo a falar direito. Já não era sem tempo.
Ela riu.
- Devo ter cansado das suas correções. É bem intimidador, sabia?
- Eu me esforço - Ergueu o canto dos lábios. - Amanhã sairemos logo de manhã, então é melhor irmos para casa, está muito tarde.
- Certo.
Assim que eles começaram a andar um garotinho com uma cesta de rosas coloridas surgiu na frente dos dois.
- Une rose pour votre femane, monsieur?¹
Snape olhou dele para as rosas e delas para o sorrisinho de Renata. Tirou umas moedas Francesas do bolso e o colocou na mão do garoto, retirando uma rosa branca e a entregando para Renata.
- Me nego a entregar-lhe algo que seja vermelho - ele sussurrou qunado a criança se afastou. - Já me basta a decoração daquele hotel.
Ela sorriu, disposta a provocá-lo.
- A intenção Grifinórria é a que conta.
Snape fechou a cara.
- Melhor ficar calada - rosnou emburrado. - Se não quiser acordar com o cabelo verde amanhã.
*¹ A tradução que eu queria era: Uma rosa para sua garota, senhor?. Mas eu não gostei da palavra em Fracês... Então, fica "Uma rosa para sua mulher, senhor?".
O crédito para o tradutor online, porque como já sabem, eu não entendo patavinas de francês.... haiuhaiuahuia.
