Capítulo quatro
Vou me casar
Fazia duas semanas que Snape voltara da França com Renata. Ele já até soubera que a poção funcionara excepcionalmente bem e tinha passado a ajudar Renata a correr atrás da legalização e do registro da poção. Mas ele estava frio com ela. Motivos? Tinha alguns. Principalmente a conversa que ouvira entre Renata e a avó, sem querer, pouco antes de saírem.
"- E como vai Patrícia?
- Muito bem, graças a Deus. Aliás, bem até demais. Acho que ela está tendo um caso com o filho de um logista de Hogsmeade. Não me surpreenderia se daqui há uns dois anos tivéssemos um casamento na família.
Pelo silêncio, ele imaginou que a mulher mais velha sorra. Pensou em entrar naquele instante, mas retomaram a conversa.
- ... jurei que você seria a primeira. Não menosprezando Patrícia, mas você sempre foi mais bonita, mais trabalhadora. Quanto mais vai demorar para se declarar pra ele?
Snape franzira o cenho. Ele?
- Ele quem, vovó? Da onde está tirando tudo isso?
- Ora, minha querida, estou falando desse rapaz que veio para cá com você! Não negue, sou uma velha, mas sou inteligente. Além disso, conheço dois apaixonados quando os vejo.
- A senhora está dizendo que eu...
- Apaixonada? Claro! Vai me dizer que ainda não havia percebido?
Snape esperara inquieto pela negação dela. Aquilo era um absurdo, óbvio.
- Eu... Eu não... Eu na verdade não sei explicar o que sinto... Estou confusa..."
Os olhos de Snape se apertaram tanto que ele quase não enxergou mais nada. Desistiu de ouvir e saira de lá, voltando ao quarto. Era verdade? Será que ela achava mesmo que estava apaixonada por ele? Que bobagem, como podia...? E será que estava interpretando mal as intenções dele? O jantar, o colar e a rosa? Mas aquilo não significava nada! Quer dizer, ele não fez com outra intenção, não é? Fizera apenas em consideração pela amizade, amizade que nutrira por ela e pelas palavras de Dumbledore... Dumbledore! Se fosse verdade, aquilo seria culpa dele! Era bom que achasse uma solução para esse novo problema, então, ele lavaria suas mãos...
Agora, outra vez ao presente, sentado atrás de sua escrivaninha enquanto aquela chuva pesada caía do lado de fora da janela, Snape rodava uma folha enrolada de pergaminha nas mãos, amarrada com uma ridícula fita verde, repassando o igualmente plano ridículo de Alvo na cabeça. Pedira-lhe uma solução para desiludir R... A srta. Van Der Pol dessa sua paixonite por ele; afinal, a culpa era totalmente do diretor - e este, depois de muito relutar e tentar fazê-lo mudar de idéia, sugeriu - com grande pesar - a única coisa que ele poderia fazer para desiludí-la sem tratá-la al, porque como Snape insistira em lembrar, os dois tinham uma amizade agradável que permaneceria assim que R... A srta. Van Der Pol percebersse que estivera confundindo os próprios sentimentos.
E tudo voltaria ao normal. Ela ficaria decepcionada, mas se recuperaria em pouquíssimo tempo.
Ele sabia que podia se aproveitar da situação. Quando uma moça tão bonita e interessante como ela poderia realmente acreditar que estava apaixonada por ele? Mas não, além de cortar uma amizade que lhe estava fazendo bem, acabaria se machucando quando ela declarasse que estava enganada e cometera um erro por ficar com ele. Melhor acabar com isso de uma vez.
Esperou. Assistindo o sol ir desaparecendo lentamente, dando lugar a um céu escuro com poucas estrelas. O pergaminho ainda era rodado na sua mão quando bateram na porta.
Rapidamente, ele o pô sobre a escrivaninha, tirou algo da gaveta e o pôs no dedo, antes de murmurar um "entre".
Renata entrou, sorridente.
- Boa noite, Severus.
- Você está excepcionalmente feliz - ele observou assim que ela se sentou. - Aconteceu alguma coisa?
- Uma boa notícia - disse animada. - Recebi uma resposta do ministério, finalmente a poção foi legalizada, Severus! Agora posso espalhar a fórmula para todos os hospitais e casas de recuperaçao! Não é maravilhoso, Severus?!
Snape sorriu, acenando positivamente com a cabeça. Sentia-se orgulhoso por ela.
- Devo dar-lhe os parabéns. Sei o quanto trabalhou para chegar até aí, você merece esse reconhecimento.
- Eu mereço? - Sorridente, Renata pegou sua mão entre as suas. Ultimamente ela vivia arrumando um jeito de tocá-lo de alguma forma. - Se não fosse por sua ajuda e a sua assinatura como Mestre de poções alegando que era uma receita eficaz eu não teria conseguido! Obrigada, Severus...
Antes que Snape pudesse mesmo dizer alguma coisa, ela pareceu sentir algo em sua mão e a olhou. Ele aguardou, sabendo o que ela estava olhando e se preparando para entrar com sua farça.
- Isso é...? - Calou-se, afastando as mãos lentamente e olhando interrogativa para Snape.
- Aparentemente também tenho uma boa notícia - ele murmurou baixinho, analisando as reações no rosto dela.
Ela não piscou, não franziu o cenho, não falou, não moveu um músculo. Apenas continuou encarando-o.
- É muito bom que tenha vindo aqui hoje - ele continuou, pegando o pergaminho enrolado de cima da mesa e lhe oferecendo. - Será a primeira a saber da novidade.
- No... vidade? - gaguejou, sem coragem de abrir o pergaminho.
Snape hesitou antes de dizer:
- Vou me casar.
A cor sumiu do rosto de Renata numa velocidade incrível. O pergaminho que ela segurava escorregou de sua mão.
- C-casar? Mas... Eu nem sabia que você... Quero dizer, eu nunca soube... - Ela sacudiu a cabeça, visivelmente confusa. - Porque nunca me contou que tinha uma... - Aparentemente a palavra "noiva" era demias para que ela conseguisse proferí-la. - Alguém?
- Você nunca me perguntou.
Renata desviou os olhos, fingindo interesse na folha de pergaminho, mas era claramente visível a forma que suas mãos tremiam.
- Quem é? - ela perguntou baixinho.
- Uma conhecida da família - ele inventou depressa. Estava começando a se preocupar com o estado dela. - Você está bem?
Antes que pudesse se conter, Renata soltou uma pergunta que o pegou desprevinido.
- Você a ama?
- Eu não sei se esse tipo de pergunta...
- Você a ama? - Ela repetiu, o olhando nos olhos agora.
Snape suspirou, sem querer mentir, mas só isso a faria abrir os olhos e se desiludir.
- Sim.
Um brilho se apagou nos olhos azuis e Snape achou que eles já não eram tão belos daquelo jeito.
Ela se levantou calmamente, como se nada demais houvesse acontecido ali. Sorriu, mas esse sorriso não alcançou os olhos.
- Parabéns. Desejo felicidades... aos dois. Infelizmente eu tenho coisas a resolver agora, senhor. Com licença.
Ele não pôde fazer nada. Ele não fez nada. A não ser olhá-la sair, o convite de seu casamente simulado na mão. Foi impressão sa ou ouviu um soluço quando a porta se fechou?
Enterrou a cabeça nas mãos, angustiado. Seja qual fosse a reação que ele esperava, não era aquela.
Só que se fosse apenas uma ilusão - era uma ilusão - ela logo esqueceria, elenão tinha dúvidas. Não era o tipo de pessoa capaz de conquistar um coração como o dela. Ela logo o esqueceria.
Tentando deixar de lado esse sentimento Lufano auto-depreciativo, foi tomar um banho e se preparar para o jantar, cuja ausência de Renata e o olhar acusador do diretor mexeu com ele mais do que deveria.
Ele não comeu. Tampouco se concentrou no trabalho do primeiro ano. Passou toda a sua noite se menosprezando e jungando-se um idiota. As nove horas, porém, o dever o chamava e ele foi obrigado a patrulhar os corredores, encontrando Filch logo de cara com o portão que dava para os jardins aberto.
- Feche isto - rosnou chegando perto. - Se quer observar a chuva vá até uma janela ou tranque-se lá fora. Não vê que está molhando os corredores?
Apesar do desagrado de ter sido chamado a atenção, Filch tinha um estranho sorriso de triuno no rosto.
- Tem aluno fora da cama! Tem aluno lá fora!
Snape fez um muxoxo.
- Não seja tolo. Nem um Grifinório seria tolo o bastante para sair nessa chuva! Feche esses portões!
- Eu vi! Juro que vi! Tem aluno lá fora!
Imaciente, Snape tirou o celho do caminho e forçou a vista para enxergar lá fora. Antes que desistisse, um vulto pareceu se mexer perto do lago. Snape achou, por um momento, que conhecia aquele perfil, antes que ele desaparecesse do nada.
Decorando o ponto onde isso acontecera, Snape dispensou um contrriado Filch, fechou melhor o casaco e deixou a varinha preparada, saindo depressa e enfrentando a chuva.
Em instantes estava enxarcado, tentando ver alguma coisa embaixo da água que escorria abundante em seu rosto.
- Lumus!
A iluminação curta não foi muito útil, não lhe mostrando mais do que alguns passos adiante. Isso foi o que o impediu de ver o corpo estirado na graga naquela área antes de estar apenas alguns metros dele.
Reconheceu na mesma hora.
- Renata?
Toda aquela angústia das horas anteriores pareceu cair com peso em seu estômago agora. Por Deus, ela estava desmaiada, sem nenhuma cor no rosto! O que ela estaria fazendo ali fora?
- Renata...
Sem perder tempo, Snape a pegou no colo e caminhou de volta ao castelo, passando por Filch que olhava surpreso para os dois.
- Feche a porta e limpe essa bagunça - falou sem parar de andar. - Eu cuido dela.
Ignorou a respota murmurada e abriu a porta com o pé quando chegou aos seus aposentos. Deitou-a no sofá e murmurou um feitiço para se secar rapidamente, sem rempo de se preocupar consigo mesmo. Já colocou água para esquentar, arrancou a capa molhada da garota e se preocupou em secar apenas as roupas dela com feitiços pois uma mudança de temperatura deveria ser gradativa para não causar um dano maio. Cobriu-a com seu edredom e acendeu a lareira.
- Enervate.
Assim que Renata abriu os olhos uma mão ergueu sua cabeça e outra levou um copo fumegante até seus lábios.
- Beba.
A visão estava turva. Tudo rodava. Ela só tinha consciência de algo quente e amargo descendo por sua garganta. Tentou empurrar para longe quando seu estômago ameaçou reagir.
- Não querro...
- Você precisa. Tome mais um pouco.
Dois goles a mais e o líquido já ingerido ameaçou voltar outra vez. Empurrou de novo.
- Meu estômago...
- Você não jantou. Comeu alguma coisa depois do almoço?
Renata apenas gemeu.
- Frio...
- Segure a coberta. - Ele ordenou antes de pegá-la outra vez no colo e colocá-la na poltrona mais perto da lareira. Examinou a temperatura da fronte dela.
- A febre está baixando, mas deveria ter tomado toda a poção... - esitou, ouvindo-a tossir, olhos fechados. - O que estava fazendo lá fora, Renata?
Ela abriu os olhos apenas por um momento, fechando-os logo em seguida, calada.
- Estômago - reclamou de novo.
Segundos depois foi obrigada a reabri-los quando algo foi empurrado até sua mão.
- Que isso? - perguntou, sentindo o cheiro de cebola e observando a fumaça que saía da tigela de louça.
- Beba. É uma sopa, você ficou sem comer então é por isso que seu estômago está doendo.
- Eu não...
- Beba - O tom do mestre de poções não aceitava recusas, então ela tomou um gole. Gostou, então tomou outro.
Assim que a tigela quase se esvaziara, seu estômago não mais lhe incomodava e ela já se sentia melhor. Olhou para Snape pela primeira vez desde que começara a beber o líquido espesso e o encontrou observando-a. Sentiu os olhos marejarem na mesma hora.
- Renata... - Ele reparou. Claro que reparou.
Ela não conseguia mais desfarçar. Não conseguia mais manter o controle... Ela não conseguia mais segurar as lágrimas.
- Renata - Snape chamou outra vez, num tom quase desesperado.
- P-porque você não me c-contou? - Ela choramingou. - Você tinha que ter me contado!
- Porque? - Ele perguntou suavemente, afastando as mãos que ela pusera no rosto.
- A-achei que você era m-meu amig-go!
Snape se agachou a frente a jovem e a fez encará-lo.
- Não é isso - disse. - Sei que não é isso. Porque não me diz a verdade?
Os olhos azuis o encaravam marejados. Snape viu uma lágrima solitária escorrer até os lábios vermelhos e ali pousar. Tão tentador... Ergueu o polegar e a recolheu, um solavanco repentino no estômago.
Ela agiu por impulso. Não queria esperar mais. Não podia esperar! Ele se casaria, mas naquela noite seria dela, nem que tivesse que levar a sério o seu plano e desaparecer para deixá-lo feliz. Nesta noite, ao menos nesta, ninguém impediria que ficassem juntos... Aproximou-se e tomou os lábios finos nos seus. Os olhos apertados, esperando o momento que seria repelida. Para sua surpresa ao invés de um empurrão, uma mão de dedos compridos e suaves apareceu na sua nuca, amassando seus caixos. E a boca grudada na sua se empurrou em direção à ela, correspondendo!
Um som, como o de um contentamento, de uma esperança vibrou na garganta dela. Ela o abraçou pelos ombros, sentindo que cada parte do seu corpo parecia precisar estar em contato com o dele. Snape correspondeu parecendo sentir a mesma necessidade, tirando apressado o cobertor que estava em seu caminho para enlaçar sua cintura e trazê-la tão perto que ela ficou sentada beiradinha da poltrona. Sincronizadas, as cabeças se inclinaram e as bocas se entreabriram, dando passagem para duas novas participantes naquele gesto de paixão. E nenhum dos dois esperava que fosse tão magnífico aquele contato. Não parecia que era a primeira vez que estávam juntos, mas algo viciante que tiveram suas vidas inteiras aprendendo para chegar a perfeição que era aquele momento. Parecia que suas bocas já se conheciam há muito e soubessem exatamente o que lhe entorpeciam, exavaziava suas mentes e acendiam seus corpos.
- Re-Renata... - Snape desgrudou os lábios, arfante. Havia naqueles olhos um brilho que Renata nunca pensara em ver, ao menos nunca imaginara que pudesse ser tão abrasador. E ainda, surpreendentemente, talvez pela falta de ar, ou talvez por algum sentimento oculto, ele parecia corado. - Renata, eu preciso te dizer...
- Psiu! - Renata o calou, dando-lhe um novo beijo. - Não diga nada... Ao menos... Não agora...
Ela inclinou os joelhos, ficando agora frente a frente, os dois ajoelhados tão juntos quanto a posição lhe permitia.
Os lábios se separaram mais uma vez. As pálpebras se abriram e os olhares se cruzaram no ar. Fogos de artíficio poderiam acordar Hogsmeade inteira se eles não tivessem explodindo apenas naqueles dois corações. Tudo o que precisava ser dito fora transmitido ali. Apenas naquele dualismo comprovado com aquelas pupilas dilatadas pela entrega. Com aquela cumplicidae e o reconhecimento das diferenças.
Talvez ainda houvessem dúvidas. Talvez ainda houvesse mágoas... Mas poderia ser chamado de vida o medo de arriscar? O medo de tomar chuva e se molhar?
As dúvidas, os receios, todos foram deixados para trás quando os lábios voltaram a se juntar. Como uma confirmação de que eles estavam cientes das consequências e de que, na verdade, eles não estavam nem aí pra elas.
Era difícil desgrudar os lábios, mas respirar era um mal que naquele momento não podia ser evitado. Sem fôlego outra vez, Renata afastou o rosto, abraçando-o mais forte para compensar, embora Snape não parecesse satisfeito pois mergulhou o rosto em seu pescoço, sentindo o perfume de seus cabelos e não resistindo, passou a beijar e mordiscar cada pedaço de pele descoberta.
- Renata... - mumrurou, em delírio.
Ela suspirou profundamente, enroscando seus dedos nos cabelos negros tão macios ao toque.
- Estou aqui, Severus. - Respondeu. - Pra você.
Dessa vez o beijo veio com um dose extra de volúpia, os corações tão acelerados que já sentiam seu sangue fervendo. Mãoes grandes e fortes invadiram o tecido de proteção de costas suaves, cintura e curvas delicadas, desnudando de um forma paciente e ao mesmo tempo, sedenta. Exigente. Enquanto isso duas mãos ágeis e leves se entertiam tirando botões negros de suas casas. Ela sorriu no beijo, divertida, quando sua busca descobriu um novo tecido por baixo do primeiro.
- Quanta roupa você usa? - sussurrou.
Ele deixou de tocá-la por um instante para ajudar com a missão, muito menos paciente. Deixou o tecido deslizar pelos ombros e voltou a abraçá-la, sentindo agora as mãos curiosas descobrindo cada célula de sua pela despida, beijos suaves em seu pescoço, nos ombros...
- Minha vez - ela sussurrou de novo. Snape parecia ter perdido a fala há muito tempo.
Ela desabotoou o uniforme. Ele a ajudou. Observou-a por apenas um instante antes de inclinar-se outra vez e e beijar a pele macia do pescoço, suas mãos voando até o fecho do sutiã e não hesitando em abri-lo. Agora sim, observou-a de ve rdade, os olhos cobertos por luxúria, queimando a pele de Renata. Ele engoliu em seco. Ela sorriu, o encorajando, os dedos suaves acariciando os cabelos negros.
Ele então a tocou suavemente, como se fosse algo muito raro e valioso, com reverência. Apenas isso foi o bastante para fazê-la suspirar sonoramente, os lábios abertos atraindo a atenção de Severus, que a beijou suavemente, sugando o lábio inferior e mordiscando o canto da boca. Assim que sentiu as mãos que o acariciavam descendo até achar o cinto de sua calça ele não perdeu mais tempo; tomou a boca viciante entre as suas para um novo beijo fervoroso, abraçando-a como se nunca mais fosse vê-la, como se aquele arrepio perigoso que os percorria com o contato das pelas nuas fosse o oxigênio que era necessário para viverem. Já sem controle sobre seus próprios gestos gentis ele esticou os braços e suas mãos entraram por baixo da saia do uniforme, firmes, exigentes. Ouviu um barulho no chão e desconfiou que o seu cinto fora parar em algum lugar fora do carpete felpudo onde estava. Hesitou apenas por um instante quando encontrou o elástico por baixo do tecido, mas a sensação de ter o fecho de sua calça sendo aberto apressou sua intenção.
Ele a deitou de lado, suave como um namorado apaixonado. Ele despiu o resto de suas roupas, apressado, como um amantes ensadecido.
Toda a paciência se transformara novamente naquele desespero inicial. Não apenas queriam, mas precisavam daquela união. Muito mais do que os desejos dos corpos pedia, muito mais do que apenas a consumação de um sentimento há muito compartilhado. Ele precisavam porque necessitavam estar completos, porque necessitavam juntar as almas feridas e transformar aquele encontro poderoso o duficiente para preencher aquele vazio que ambos haviam sentido.
Ele murmurou o nome dela quando se pôs sobre ela. Ela respondeu com um murmúrio fancês que ele não entendeu, mas a perna que levantara-se para enlaçar a sua e a mão tão suave que pressionava suas costas traduziu todo o sentido.
E aconteceu. Eles já não eram dois, mas apenas um. Um só corpo. Um só coração e uma única alma. Era apaixonados que nada conseguiam fazer ou pensar a não ser em como aquele ato era pleno e incomparável. Moviam-se juntos, sincronizados, inarticulando sons, o corpo exigindo cada vez mais, o coração aquecido parecendo de repente completo.
Era quase alucinante a maneira com que se pertenciam, com a qual se entregavam... Os últimos movimentos foram quase enlouquecidos, até que os dois, ambos se entregassem a um alívio inexplicável. Prazer que os deixou de repente zonzos, fracos como se toda a energia houvesse sido retirada de seus corpos.
E juntos.
E foi o seu nome. O seu nome que Renata ouviu sendo roucamente pronunciado naquele momento. Não o de outra. Não o da tal noiva. E isso a satisfez tanto quanto o orgasmo que acabara de ter
- Je t'aime.
Snape se moveu, lentamente. Olhou-a por um instante e deu-lhe um beijo suave, que a Renata dizia tudo que ela precisava sentir. Ele rodou de costas ao seu lado, as roupas como travesseiros.
Tão exaustos, satisfeitos e completos, adormeceram.
