Geeeenteeeeeeeeeee! Olha o segundo capítulo aí!!!!!!!!!!

Divirtam-se

CAPITULO III

No primeiro segundo, Rin percebeu que havia cometido um grave erro.

Prometera a si mesma que simplesmente esperaria Sesshomaru adormecer e, então, iria embora, mas assim que sentiu o calor do corpo forte contra o seu, foi como se cada célula sua tivesse sido anestesiada e os músculos, perdido a habilidade de se contrair.

Sempre que a razão lhe enviava ordem para partir, pois Sesshomaru não tinha consciência de sua presença, nem como notar se ela fosse embora, seu corpo recusava-se a sair do lugar. Estava tomada por uma lassidão que não tinha nada a ver com a preocupação de perturbar o homem a seu lado.

Só mais um minuto, convenceu-se, aproveitando o hálito quente dele junto ao pescoço, o roçar do cabelo sedoso em seu rosto. Mantinha um braço ao redor dos ombros dele, ciente da potência de músculos sob a pele perfeita. Assim, evitava enviar a mão numa expedição exploratória mais detalhada, incentivada pelo contato entre as pernas de ambos.

Só mais um minuto, era só o que queria. Um minuto para ficar assim, absorvendo o cheiro másculo do corpo de Sesshomaru, ouvindo sua respiração tranqüila, sentindo o tórax subir e descer ritmado. Aquilo poderia ser tudo o que teria dele, tudo o que conheceria sobre o prazer físico de estar próxima de seu grande amor. Provavel­mente, seria sua única chance de abraçá-lo e as lem­branças que guardaria daquela noite teriam que bastar para o resto de sua vida.

Só mais um minuto...

Sem perceber, adormeceu. Então, em algum momen­to da madrugada, agitou-se, despertando para a noção de alguma restrição a seus movimentos. Instintiva­mente, enrijeceu-se e tentou desvencilhar-se, paralisando-se ao contatar um braço musculoso impedindo-lhe os movimentos.

- Não — disse Sesshoumaru, junto a seu ouvido, o tom sonolento. — Fique onde está.

Era o braço dele que a mantinha imobilizada.

- Mas... — Ela sentiu a garganta seca, a voz saiu fraca e entrecortada.

- Shh.

Rin sentiu um arrepio, ficou agitada e emitiu um grito de choque quando um movimento aleatório fez com que suas pernas entrassem em contato íntimo com as dele. Então, Sesshomaru pressionou os lábios contra os seus suavemente, acariciando-os e despertando nela todas as sensações possíveis, deixando-a anestesiada com a intensidade da resposta corpórea.

- Isto é bom... é mesmo muito bom.

Sob a fraca iluminação, Rin viu que Sesshomaru mal mantinha os olhos abertos e ficou desanimada ao iden­tificar o tom sonhador e grogue da voz. Talvez ele não estivesse desperto, talvez sonhasse que ela era outra pessoa... e só havia uma possibilidade.

Não tinha a mínima idéia do resultado da situação em que se encontrava, mas uma coisa era certa: não se permitiria confundir com a noiva que Sesshomaru amara e perdera. Isso seria despedaçar seu coração.

- Sesshomaru...

Ela interrompeu o protesto já fraco quando ele acariciou-a através da camisola, dando especial atenção aos seios e aos quadris.

- Você não era assim antes — comentou ele, sonolento.

- É porque nunca estivemos assim antes.

- Que bobagem — murmurou Seshomaru. — Tolice... e desperdício.

- Sessh... — tentou Rin, novamente.

- Nós deveríamos, sabe... — Com os lábios colados nos dela, as palavras saíam macias. Devíamos ter feito isso há muito tempo. Desperdiçamos muito tempo, você e eu.

Rin não conseguia controlar as reações. Oferecia o corpo como uma flor oferecia-se ao sol. Ao mover-se contra ele, sentiu a ereção contra o próprio ventre, excitando-se.

Estava enfraquecendo... não, não enfraquecendo... na verdade, nunca tivera força para resistir a Sesshomaru. Por isso, mantivera-se distante dele fisicamente... por­que sabia, desde o início, que o desejo sexual substi­tuíra a admiração infantil que tivera pelo herói quando menina. Os sentimentos agora eram mais complexos e perigosos, havia a consciência de que, se ele um dia a tocasse, seria da forma com que estava fazendo na­quele momento.

- Tem certeza?

- Nunca estive mais certo... — A voz dele saía rouca. — Desperdiçamos muito tempo no passado, mas agora...

Ele passou os lábios ao longo de seu pescoço, no rosto, capturou-lhe a boca novamente, ao mesmo tempo em que introduzia a mão por baixo da camisola e acariciava-lhe o seio de maneira insolente. Rin contorceu-se de prazer.

- Você era uma menininha... mas agora é toda mulher.

Rin reteve a respiração e arqueou o corpo ofe­recendo mais os seios ao toque masculino. A carícia alimentava o resto do corpo, aumentando o ritmo car­díaco, fazendo a temperatura subir.

- O tipo de mulher que qualquer homem gostaria de... — Sesshomaru entremeava as palavras com pequenas mordidas que faziam o corpo dela estremecer. — E aqui está você... comigo...

- Sessh...

Rin não sabia nem se pronunciara direito o nome. Só sabia que afundava cada vez mais nas ca­madas de sensações, no mar do desejo... mas, ainda assim, tinhaque saber.

- Sessh...

- Hush, Rin — apaziguou ele, com voz suave, e ela sentiu uma onda de alegria invadir o corpo ao ouvir o próprio nome.

Ele sabia. Sesshomaru pronunciara seu nome para que ela não tivesse dúvida de que ele sabia exatamente quem ela era. Não precisou de mais argumentos para convencer-se de que ele estava fazendo amor com ela, Rin, e não com Kagura.

Sabia e, mais importante que isso, Sesshomaru sabia tam­bém. A noção trouxe uma sensação de felicidade que só a ação física poderia expressar.

Assim, agindo por instinto, pois não tinha experiên­cia na qual se basear, buscou Sesshomaru, passou a mão pelos cabelos macios de sua nuca e puxou-lhe a cabeça para que seus lábios se encontrassem.

A explosão de desejo foi instantânea. Rin teve que entreabrir os lábios para a língua exigente e aper­tou o corpo contra o dele, deliciando-se ante a rigidez dos músculos, a aspereza da barba por fazer. Suspirou contra os lábios de Sesshomaru, satisfeita.

Era como se uma tempestade elétrica se formasse, mudando a atmosfera com descargas potentes, dispa­rando raios para cada ponto em que Sesshomaru colocava a mão, em que pousava os lábios. Sentia-se entorpe­cida, incapaz de raciocinar. Só sabia que ali era onde sempre desejara estar e nem acreditava que estava acontecendo de verdade.

- Não seja tímida, Rin — incentivou Sesshomaru, junto a seu ouvido, com voz rouca. — Relaxe, querida... toque em mim.

Rin sentiu como se lhe oferecessem a chave que a libertaria das correntes que a mantinham presa à terra. Tudo o que sempre quisera era ter a liberdade de tocá-lo, acariciá-lo, beijá-lo e, agora que a conquis­tara, não sabia o quanto significava. Sentia-se leve, flutuando para um céu dourado onde o calor do sol lhe aquecia o corpo, livrando-a de toda a cautela, toda a contenção.

- Assim?

Ela deslizou a mão nas costas de Sesshomaru e sentiu os músculos. Percorreu o corpo a esmo, as coxas, as ná­degas... Sorriu secretamente quando ele quase delirou de prazer ao toque.

- Sim, desse jeito... Oh, sim! Mais... Oh, sim, Rin!

Ele a segurou pelos ombros e posicionou-a por baixo de seu corpo, ofegante. Ela sentiu um leve temor, mas só por um segundo. Quando ele a beijou novamente, sussurrando seu nome contra os lábios, toda a tensão se dissipou. Aquele era Sesshomaru... o homem que amava havia tanto tempo. E aquiloera o que sempre quisera... e sempre iria querer.

Contudo, por mais que quisesse, persistia uma dor aguda que a fazia retrair os músculos involuntaria­mente contra a força da invasão. A tensão e o leve gemido que não pôde conter fez com que ele a fitasse, à procura de alguma indicação.

- Rin — murmurou ele, inseguro. — Rin...

- Não! — exclamou ela, receosa de que ele poderia parar, reconhecendo sua inexperiência. Talvez ele de­sistisse... — Não pare — implorou.

- Mas Rin...

- Eu disse: não pare!

Socorrida pelo instinto, Rin conseguiu relaxar os músculos e acomodar-se sob o corpo másculo, desajeitadamente a princípio, mas então, de forma mais sensual, mais confiante, como se um ritmo intuitivo e interior assumisse o controle.

- Rin...

Ele pronunciara o nome com num grito trêmulo e abafado. Rin beijou-o e acariciou-o na altura dos quadris e, então, mais abaixo...

- Rin... doçura... não... não posso...

Sesshomaru parecia desesperado e esse apelo foi como um estímulo para ela, o qual, combinado à sensação dos lábios dele em seu mamilo, levou-a a um mundo de prazer que nunca visitara antes. Nunca sentira-se tão livre, tão segura... tão viva. Cada movimento ocorria de forma espontânea, cada carícia era um extremo pra­zer e, em algum lugar à frente, devia haver algo como uma luz no fim do túnel...

Buscava... buscava o fim... quando, de repente, antes do que previra, e bem antes de estar emocionalmente preparada, sentiu como se o mundo tivesse explodido com uma chuva de estrelas. No instante seguinte, Sesshomaru emitiu um gemido breve, enrijeceu o corpo comple­tamente e investiu-se com força contra ela, os braços envolvendo-a como aço, até que, devagar, começou a relaxar, a respiração ofegante e irregular.

Ao voltar à realidade, devagar e dolorosamente, Rin só estava ciente da dor após a glória da junção dos corpos.

Estava acabado. Aquele momento de prazer era tudo o que conheceria do amor de Sesshomaru. Não... não do amor dele, pois para ele aquilo fora apenas um meio de man­ter a escuridão e a solidão afastados por um breve período. Para ela, no entanto, fora a magia de entregar-se ao homem que possuía seu coração havia tantos anos e que, agora, cedo demais, estava acabada. Apesar disso, não conseguiu suprimir o leve suspiro de lamen­tação, com lágrimas nos olhos.

- Oh, Rin... desculpe-me. — Pierce captara o som, para seu desânimo.

- Não. — Ela pousou os dedos nos lábios dele. — Sessh... por favor!

Rin não queria que ele dissesse nada, não queria recriminações, não queria análises.

- Não era assim que eu queria que acontecesse — resmungou ele.

Além da raiva, ela identificava o cansaço na voz dele. O estresse do dia, a viagem, o efeito do vinho impunham-se novamente, embora ele tentasse manter o controle.

- Eu sei.

Mais uma vez, o instinto ajudou-a e ela passou a mão pelos cabelos dele, acariciando-o, sentindo a po­tência do corpo esvair-se devagar, como a maré che­gando à praia.

- Eu sei... mas não se preocupe. Não é importante.

O que realmente importava era que, embora por um breve momento, ele a quisera, e a mais ninguém, e, sabendo daquilo, como dizer que o que acontecera estava errado, como lamentar-se?

A seu lado, Sesshomaru suspirava profundamente. Per­dera a batalha para o cansaço. Sorriu tímida e triste­mente. Ele a quisera, mas não o bastante. O suficiente para aquela noite, talvez, mas não para a vida de com­promisso com que ela sonhava.

- Da próxima vez...

As palavras eram apenas um suspiro, dificilmente audíveis, um pedido de perdão de Sesshomaru.

Da próxima vez... repetiu Rin, em pensamento, a dor finalmente explodindo em lágrimas. Da próxima vez... mas não haveria nenhuma próxima vez, sabia.

Sesshomaru voltara-se para ela num momento de depres­são, desequilibrado ante a solidão após a perda da mulher com quem ia se casar, e mais nada. Aquela noite significara apenas isso. Ele a quisera como com­panhia terna, que afastaria a escuridão por algum tem­po, que ajudaria a aliviar a dor no coração e preencheria o espaço deixado por Kagura, mas, ao menos, soubera quem ela era e, por um momento, a desejara.

Mas não havia futuro naquilo. Sob a fria luz do dia, ele entenderia que cometera um engano e, provavel­mente, iria se sentir mal com isso. Ficaria tão zangado consigo mesmo que talvez nem saberia como encará-la.

Bem, ela o pouparia disso. Tinha de poupá-lo,convenceu-se, forçando-se a estancar as lágrimas. Se não o fizesse, então muito provavelmente o perderia de forma mais efetiva do que antes. Além disso, se pou­passe Sesshomaru do desconforto, pouparia a si mesma. En­tão, pela manhã...

Pela manhã. Entendeu as palavras e a realidade tomou conta. Notando a claridade na janela, entendeu que a manhã não estava distante, ao passo que ela sentia-se bastante despreparada para enfrentá-la. Lá no fundo, sabia o que precisava ser feito, sabia que não tinha escolha, mesmo que o coração ferido já pro­testasse pelas seqüelas que adviriam de sua atitude.

- Adeus, meu amor.

Pronunciara as palavras mentalmente, sem sequer sussurrá-las, por medo de despertar Sesshomaru. Não ar­riscou nem um último beijo, por mais que tivesse von­tade. Movendo-se devagar, com muito cuidado, desvencilhou-se dele, segurou-lhe a cabeça e pousou-a sua­vemente sobre o travesseiro.

Apesar de todo o cuidado, ele entreabriu as pálpe­bras quando seu rosto tocou a fronha fria.

- Rin? — murmurou, vagamente.

Rin estacou, em pânico. O coração parecia ter subido à garganta.

- Está tudo bem.

Não sabia de onde tirara as palavras que ameaça­vam fazê-la engasgar, mas, ao mesmo tempo, davam-lhe forças para parecer confiante e tranqüila.

- Está tudo bem. Volte a dormir.

A forma com que ele a obedeceu, relaxando novamente ao ouvir sua voz, despedaçou-lhe o coração, pois demonstrava uma vulnerabilidade inesperada.

Chegou a estender a mão para afastar-lhe uma me­cha do rosto, mas deteve-se ao perceber o que estava fazendo. Imediatamente, afastou-se, temendo que ele acordasse, pois não saberia como reagir.

Enquanto aguardava, prendendo a respiração, obser­vou o semblante forte e másculo de Sesshomaru, desejando imprimir a imagem na memória. A noite especial que haviam partilhado estava acabada. Mesmo dormindo, ele afastava-se dela. As lembranças que tinha deveriam durar para o resto de sua vida, convenceu-se, e reco­nheceu, relutante, que deveria retirar-se, por segurança.

Só ao chegar ao próprio quarto, pôde verificar as horas e receber o impacto da realidade. Era muito mais tarde do que imaginara. Atrapalhada com os acontecimentos, não programara o despertador e, em conseqüência, teria que se apressar para chegar ao trabalho na hora.

A pressa fez com que todos os outros pensamentos, se esvaíssem de sua mente, de modo que somente na­quele momento, já à porta, com a chave na mão, parou para considerar o que poderia acontecer quando Sesshomaru acordasse.

Deveria sentir-se grata pelo fato de não precisar enca­rá-lo, não ver o desconforto dele, o arrependimento que inevitavelmente leria em seu olhar, mas, da mesma forma, não queria que ele achasse que elanão podia encará-lo. Afinal de contas, eles provavelmente se encontrariam al­gum dia e seria melhor preparar o terreno, permitir a ambos algum tipo de comportamento civilizado.

Levou apenas alguns segundos para escrever um bilhete e mais um momento para decidir onde o colo­caria, para que Sesshomaru o encontrasse. Optou pela mesa da cozinha... ele com certeza iria querer uma xícara de café antes de partir. Leu o bilhete mais uma vez e, então, de repente inspirada, pegou a caneta e es­creveu uma observação final.

- Adeus, Sesshomaru — sussurrou, e beijou o nome, es­crito nas costas do papel dobrado. Agora, podia fugir.

Apressou-se para pegar o ônibus e não teve tempo para refletir mais. Não teve chance nem de dar uma olhada para a casa e para a janela além da qual Sesshomaru dormia, pois logo dobraram a esquina. Melhor assim, convenceu-se. Afinal de contas, não havia futuro na­quele relacionamento.

- A passagem, por favor. — O motorista, com o nariz avermelhado devido ao frio, olhava-a sério.

- Oh, desculpe-me...

Rin pegou na bolsa a quantia necessária e perce­beu o quanto estava sendo tola pensando daquele jeito.

Nunca houvera nenhum relacionamentopara que se imaginasse algum futuro. Fora apenas uma noite de aventura, com ela no papel da substituta. Pelo me­nos, saindo daquela forma, poupava seu grande amor do embaraço de ouvir tal explicação.

Não teria sido capaz de lidar com aquilo, de enfrentar o distanciamento no olhar dele, bem como suas tentativas de enquadrar a situação de forma a não magoá-la, por cortesia e mais nada. Seria mais do que poderia su­portar, após a intimidade que haviam partilhado.

Ou, melhor, a proximidade que ela sentira. Para Sesshomaru, tudo não passara de satisfação a uma necessidade física, uma maneira de afastar a escuridão por um breve período. E doía-lhe ainda mais pensar que aquela curta visita ao paraíso era tudo o que jamais teria na compa­nhia dele. Entretanto, sabia também que, que por mais breve, doce e amargo que tivesse sido o interlúdio, fora uma experiência da qual jamais se esqueceria.

- Ouviu a última sobre o nosso Sesshomaru?

- A última?!

Rin captara o comentário da amiga apenas va­gamente, a atenção voltada para uma pilha de papéis acumulados numa caixa de papelão. Só desejava que as pinturas das crianças sobrevivessem ao manuseio descuidado. Ou isso, ou seriam arruinadas pelas con­dições do tempo lá fora. Mas, então, o impacto da de­claração de Sango atingiu-a.

- Que última? Está falando de Sesshomaru Taisho?

Esforçava-se para controlar a voz, mas, vendo que se traía, desejou que a amiga atribuísse sua reação estranha ao desconforto de lidar com a massa de de­senhos. Com certeza, o vilarejo ainda não sabia da notícia do rompimento do noivado de Sesshomaru.

- Quem mais? Quantos Sesshomarus você conhece?

Só um e era o bastante, pensou Rin, silenciosa­mente. Apenas o som daquele nome já fazia com que seu ritmo cardíaco aumentasse, ao mesmo tempo que ruborizava e adotava uma respiração ofegante e irre­gular. De algum modo, ao longo do dia, conseguira concentrar-se nas aulas, mas sempre pensando na casa, em Sesshomaru, imaginando o que ele estaria fazendo, se ele já acordara e como se sentira ao ver que ela não estava lá...

- Então, o que aconteceu?

- Chris esteve na mansão nas férias e ouviu tudo sobre a festa que os Taisho deram em Londres para celebrar o noivado... baile até o amanhecer e champa­nhe circulando como água. Aparentemente, o nome da sortuda é...

- Kagura — encerrou Rin, sem encarar a ami­ga, para que ela não identificasse o desgosto que obs­curecia seus olhos castanhos.

Apressada, pegou a capa bege pendurada junto à porta e vestiu-a, lutando contra a dor e a vontade de partilhar seus sentimentos com alguém, de confiar na amiga esperando que ela não espalhasse a história aos quatro ventos.

- Claro, esqueci-me de que sua relação com a fa­mília a coloca a par de tudo...

- Hum.

Rin fingiu estar alisando o cabelo comprido para formar um coque junto à nuca, usando o tempo para recuperar a compostura, pois, na realidade, sentia-se distante, o reflexo do rosto apenas uma mancha no espelho diante de si.

Era engraçado, refletiu, como os habitantes de Ellerby mantinham-se possessivos ante tudo o que se relacionava aos Taisho. "Nosso Sesshomaru", dissera Sango, como se fossem parentes. Não espantava Sesshomaru ter comentado que às vezes sentia-se como num aquário, cada movimento seu observado.

- Não adianta ficar arrumando tanto o cabelo! — aborreceu-se Sango. — Nessa chuva, vai ficar parecendo uma gatinha ensopada assim que botar o pé fora. — Voltou a sonhar: — Então, como ela é? Estou morta de curiosidade... Maravilhosa, suponho. A futura Sra. Sesshomaru Taisho não pode ser nada senão a melhor.

- Sra. Sesshomaru Taisho. — As palavras pareciam um tapa e Rin franziu o cenho. — Sra. Sesshomaru Taisho...

Quase dez anos antes, sob influência da paixão ado­lescente, escrevera o nome inúmeras vezes no caderno, dentro de corações, com flechas. Como muitas meninas antes dela, permitira-se sonhar que um dia se tornaria a princesa do amado. Mas isso antes que a mãe, com severidade, e finalmente o próprio Sesshomaru, a desiludissem.

Com esforço, Rin voltou à realidade, e lançou um sorriso sem significado para Sango.

- Eu não sei. Mas, como disse, ela tem que ser maravilhosa... as mulheres de Sesshomaru sempre são... com aquele estilo que só combina com nomes famosos... o tipo de coisa que nós, meras professoras de jardim-de-infância, nunca poderemos aspirar.

Olhou novamente para a imagem refletida no espe­lho, sabendo que o ciúme transparecia sob a camada de autocontrole. Suas formas eram bastante comuns se comparadas às da lista de beldades loiras, nobres e elegantes com quem Sesshomaru já se divertira. Os olhos e cabelos escuros, em conjunto com os lábios carnudos, levavam as pessoas a imaginar a possibilidade de al­gum ancestral exótico em seu sangue, mas na verdade a história de sua família não era mais interessante do que a de Sango, cuja mãe, como a sua, viera do Japãp à procura de trabalho e estabelecera-se na área.

- Vai ser uma castelã perfeita — concluiu Sango. — Tem dinheiro próprio, uma formação irrepreensível e todas as relações certas.

"Mas ela rompeu o noivado." Rin mordeu o lábio com força para aplacar a vontade de revelar a novi­dade. Prometera a Sesshomaru que não diria nada.

Além disso, o fato não alterava as observações de Sango. Kagura tinhatodas as qualidades para se tornar a esposa do homem reconhecido localmente como o senhor do castelo, ao passo que ela...

Ela o quê? Na noite anterior, Sesshomaru chamara-a de amiga, mas agora, analisando os eventos à luz fria do dia, imaginava se mesmo aquilo fora sincero. Amigos comportavam-se como eles haviam se comportado?

De fato, estava bastante despreparada para lidar com a questão.

De repente, a lembrança de seu décimo oitavo ani­versário voltou-lhe à mente. Animada pelos efeitos da primeira bebida, que Sesshomaru providenciara para a oca­sião, tentara contar-lhe como se sentia, os sentimentos que guardava no coração a ponto de não ser mais capaz de retê-los.

Pierce simplesmente rira.

- Não, você não sente, Rin — dissera ele em tom indulgente, como se lidasse com uma criança não muito inteligente. — Você só pensa que gosta. E jovem demais para saber sobre esses assuntos.

Se ele a tivesse esbofeteado, não a teria chocado ou magoado mais.

- Não sou tão jovem assim! — protestara ela, os olhos quase negros de dor. — Tenho dezoito anos... o bastante para saber sobre o que você está falando!

A mudança na expressão dele foi chocante. Ele es­treitou o olhar, enrijeceu os músculos do maxilar e expressou muita raiva.

- E o quê, precisamente, seria?

A pergunta foi feita em tom frio. Rin, chocada, emudeceu e simplesmente balançou a cabeça, incapaz de responder.

Sesshomaru estendeu a mão e segurou-a pelo braço com força.

- Diga-me! — insistiu, o tom áspero e perigoso. — Eu quero saber.

- Não preciso dizer! — rebateu Rin. — Afinal de contas, todo mundo sabe o que um homem como você quer de uma garota como eu!

A última sílaba deu início a um silêncio tão grande que ela quase sentiu dor física com a situação, en­quanto aguardava a reação de Sesshomaru. Quando ele finalmente respondeu, foi com outra risada, mas desta vez o tom não era de divertimento.

- Isso é sua mãe falando... Estou ouvindo a assi­natura dela em cada frase. Você está apenas repetindo os clichês dela.

- Não são chichês... ela tem experiência...

- Oh, elatem experiência, eu lhe garanto. Mas só porque algum outro patrão tirou proveito dela, usou-a, abandonou-a quando engravidou, porque algum outro homem demonstrou ser um rato, você me pintou com as mesmas cores.

O copo de vidro quebrou sob a pressão dos dedos dele. Deixando os cacos sobre a mesa, ele se levantou afastando bruscamente a cadeira.

- Mas, acredite em mim, garotinha, o destino la­mentável que sua mãe está tão convicta que pode vir a acontecer está muito longe da realidade. Para co­meçar, andar com moças como você me levaria a um casamento prematuro... uma perspectiva que não vejo com prazer em absoluto... e também...

Detendo-se à soleira da porta, ele voltou-se e olhou-a de maneira impassível.

- Acho que deve aproveitar o tempo para se per­guntar se, caso essa "coisa" que supostamente quero de você seja verdade, por que nunca me aproximei mais de você desde que a conheço? Por que nunca fiz isso?

Antes que Rin se desse conta do que acontecia, ele se aproximou de novo e segurou-a pelos ombros, obrigando-a a levantar-se. Bem junto a seu corpo, com o olhar brilhante e selvagem, beijou-a de forma tão violenta que ela gemeu. Ele a manteve assim pelo tem­po que quis, até que, de repente, soltou-a, empurrando-a contra a parede.

- Se sua mãe estivesse certa, istoteria acontecido há muitos anos... isto e muito mais! — declarou ele, num tom que era muito mais assustador do que se ele tivesse gritado.

Enquanto Rin ainda buscava recuperar o fôlego, o coração cheio de dor, ele se foi, afastando-se a passos largos pela escuridão e pela chuva sem olhar para trás. O som da porta se fechando indicava que ele jamais voltaria.

- Rin? — Sango estava preocupada com a distração da amiga.

A voz trouxe Rin de volta ao presente. A lem­brança da dor fez com que começasse a comentar o assunto de forma irrefletida.

- Bem, só espero que qualquer mulher que seja tola o suficiente para dizer sim ao nosso Sesshomaru saiba o que está levando. Quero dizer, ele é um cara mara­vilhoso, o nosso senhor do castelo, mas, como perspec­tiva de casamento... Afinal, ele já está com... trinta e três anos agora e nunca deu sinal de que pretendia se estabelecer. Cansamos de ouvir histórias sobre, sua
incrível vida sexual, conhecemos a lista de mulheres que ele já trouxe à mansão...

O bom senso dizia-lhe que já dissera o bastante, demais, na verdade, mas a dor fazia com que conti­nuasse, e as palavras ásperas saindo aos borbotões:

- Duvido de que ele saiba o que a palavra fidelidade significa. E não se pode dizer que Sesshomaru Taisho é o tipo que fica com uma mulher de cada vez, certo? Duvido de que ele suporte essa limitação. Quero dizer, só de pensar em todas as outras garotas no mundo, ansiosas
para cair em sua cama ao mínimo sinal, ou sorriso, e...

De repente, percebeu que a reação de Sango não era de simples interesse ou divertimento.

- O que foi? — perguntou e franziu o cenho en­quanto tentava interpretar a mensagem que a amiga tentava telegrafar com os olhos arregalados e com mo­vimentos expressivos de sobrancelhas.

- Já entendi — opinou Sango, fingindo descontração.

- Vamos mudar de assunto.

- Não, continuem — pediu uma voz familiar, por trás de Rin. — Estou achando essa análise do meu caráter muito interessante.

Sesshomaru!

Rin nem precisou olhar para saber exatamente quem estava falando. Conhecia cada timbre daquela voz, cada sílaba rouca, cada nuance, e um segundo antes de voltar-se sentiu que ruborizava. Seguiu-se um aumento de temperatura quando se encararam. O olhar dourado parecia divertido, irônico.

- Por favor, continue — convidou ele, num tom perigosamente suave. — Tenho certeza de que não disse tudo o que queria. Deve haver muitos outros aspectos de minha personalidade que você pode tra­balhar para me demolir de vez... Por que parar e co­mentar apenas a minha vida amorosa?

- Sesshomaru...

Foi só o que |Rin conseguiu dizer. Estava muda de choque e seu cérebro recusava-se a raciocinar.

- De... de onde você apareceu? — indagou, final­mente, imaginando diversas hipóteses tais como ele aparecendo do nada, materializando-se numa nuvem de fumaça, como num passe de mágica.

- Deixei o carro no estacionamento e vim pela en­trada principal — explicou Sesshomaru, inocente.

Rin sentiu um frio arrepio na espinha ante a resposta pedante, uma indicação mais clara de seu estado de espírito do que a ironia no tom de voz.

- De lá, segui para a sala dos professores, orientado pelas vozes. E espantoso como se ouvem até sussurros pelos corredores silenciosos, ainda mais em prédios velhos como este.

O que levava direto ao ponto, refletiu Rin, mise­ravelmente. Quanto de seu desabafo tolo ele ouvira? E, após a noite anterior, o que se passava na cabeça dele?

- Devia... aparecer quando as crianças estão por aqui. — Rin tentou rir, na esperança não de agra­dá-lo, mas de voltar-lhe a atenção para algum assunto menos perigoso. — É ensurdecedor, não é, Sango?

Olhou para a amiga buscando ajuda. Sango ficou ainda mais confusa, pois já sentia um clima que não conse­guia entender.

- Não vai me apresentar a sua amiga? — impôs-se Sesshomaru.

- Claro.

A percepção de que Sesshomaru pegara-a naquela mano­bra fez Rin sentir-se envergonhada. Fez um gesto exagerado para apresentar Sango.

- Esta é Sango Tayjia... ela é a diretora daqui — explicou, rapidamente. — E, claro, você conhece o , pelo menos de vista, não é, Sango? Ele...minha mãe trabalhou na mansão.

Esperava, assim, aplacar a curiosidade da amiga. Não imaginava por que Sesshomaru aparecera na escola da­quele jeito. Na verdade, estava surpresa por ele saber onde ela trabalhava. Se não fosse cuidadosa, a visita inesperada criaria o tipo de comentários que tentara evitar com tanto empenho.

- Prazer em conhecê-la, Sra. Tayjia.

Pierce apertou a mão de Sango. Rin sabia, por experiência, que o toque era quente e firme, mas re­conheceu o sorriso educado que ele usava quando era obrigado a conversar com estranhos ou pessoas pelas quais não tinha interesse em particular. Vira-o usar aquela expressão inúmeras vezes em jantares formais na mansão, ou em comemorações do vilarejo, cumprin­do o calendário social. Dificilmente, as pessoas nota­vam o controle que ele tinha sobre as emoções, mas isso porque poucos já haviam recebido uma atenção genuína e calorosa da parte dele, atenção que ele de­monstrava somente quando queria. Em certa época, ela fora uma das eleitas. Infelizmente, sabia que não compunha mais o rol de privilegiados.

- Aceite os meus cumprimentos pelo noivado — replicou Sango.

Rin sofreu com a observação educada e, apreen­siva, aguardou a reação de Sesshomaru. Não ousou avaliar seu semblante, com medo do que encontraria.

- Obrigado.

Rin ficou chocada com a suavidade da resposta. Como ele podia permanecer tão soberbamente calmo, tão totalmente controlado, enquanto ela era uma pilha de nervos?

Claro, a pergunta relacionada ao noivado, mesmo o rompimento do compromisso, bem como o envolvimen­to rápido com ela, a noite de prazer, não significavam nada para ele.

Assim seria no futuro, reconheceu, sentindo-se va­zia. Independentemente de continuar o relacionamento com ela, Sesshomaru não desejaria torná-lo público, com cer­teza. Sempre teriam que fingir, agir como quase es­tranhos na frente dos outros.

- Oh, perdão — continuou Sango. — Eu já devia ter perguntado por que está aqui. Posso ajudá-lo de algu­ma forma?

- Eu acho que não, a menos que saiba onde Ray Donald está. Nós combinamos um jogo de squash hoje à noite, mas surgiu um problema e vou ter que cancelar.

Rin mordeu o lábio para aplacar o grito de de­sânimo que quase emitiu, esforçando-se para não se descontrolar ante a possibilidade de ter sido ainda mais idiota do que acreditava ser possível.

Saíra da própria casa, da cama de Sesshomaru, naquela manhã, a fim de não embaraçá-lo, nem causar-lhe desconforto emocional. Agora, imaginava sé Sesshomaru teria sentido algo semelhante, em primeiro lugar.

Com certeza não, pois limitara-se a ir à escola, tão friamente quanto possível... para conversar sobre um jogo de squash!

Estivera apenas iludindo-se, então, achando que ele sentiria constrangido ao encará-la? Não estivera ape­nas transferindo seus temores para ele? Não era ver­dade que Sesshomaru, com sua maior experiência nesse as­sunto, estava bastante habituado a agir como se nada tivesse acontecido... o que para ele era mesmo verdade?

E isso levava a considerações mais dolorosas. Talvez as palavras emotivas "preciso segurar a mão de al­guém" houvesse sido ditas com cálculo deliberado do efeito que teriam sobre ela.

- Oh, temo que tenha se desencontrado com ele... Ray foi para casa há cinco minutos.

- Oh, bem, talvez seja melhor telefonar mais tarde. Sesshomaru foi para a porta, mas, de repente, voltou-se, como se tivesse tido uma nova idéia.

- Que tal uma carona para casa, Rin? Afinal, tenho mesmo que pegar a Holme Road a caminho da cidade.

- Geralmente pego ônibus...

O tom casual de Sesshomaru podia enganar Sue, mas Rin tinha experiência em avaliar os humores dele a ponto de adivinhar uma segunda intenção. Devia ter percebido que o caráter assassino que identificara não seria tão facilmente esquecido, e a simples idéia de uma nova investida de Sesshomaru deixou-a apreensiva.

- Com esse tempo?! — questionou ele, insistente. — Estaria ensopada antes de chegar ao ponto!

Algo nos olhos dourados dizia-lhe que ele identificara a tentativa de recusa do convite e estava determinado a não deixá-la escapar.

-E você estava dizendo agora mesmo o quanto seria difícil levar os desenhos para casa sem que se estragassem com a chuva... — observou a amiga Sango, piorando sua situação.

Fechando a pasta enquanto falava, a diretora da escola, não viu a expressão consternada de Rin. Agora, ela não tinha como recusar a carona.

Pierce notou-lhe o desgosto e sorriu com uma mis­tura de triunfo e sarcasmo.

- Seria muito amável de sua parte... se tem certeza de que não será transtorno.

A educação exagerada revelava o que Rin sentia a qualquer um que a conhecesse tão bem quanto Sesshomaru, mas o comentário sarcástico que tentava elaborar não surgiu.

Sesshomaru simplesmente pegou a caixa com desenhos do chão e alojou-o sob um braço.

- Pode deixar que eu levo isto. Boa noite, Sra. Tayjia.

Aquilo eliminou qualquer chance de fuga, refletiu Rin, triste, sabendo que não tinha opção senão acompanhá-lo. Era isso ou ver o trabalho da classe três desaparecer sem deixar vestígios e evidentemente, Sango também pensava dessa forma.

- Um homem que não aceita não como resposta — murmurou Sango, com um sorriso torto. — E melhor você correr atrás dele antes que perceba que você não obedeceu às ordens. Não gostaria de vê-lo realmentezangado.

Rin não precisava do alerta adicional. Já pegava a bolsa.

- Até amanhã, San. — Levou a alça para o ombro e apressou-se atrás de Sesshomaru, quase correndo para compensar os passos largos dele.

A entrada principal, Rin segurou-o pela manga da camisa quando ele já ia correr para o carro estacionado.

- Sesshomaru... Eu não vou a lugar algum com você.

O olhar dele era de incredulidade, mas o brilho fugaz mostrava que ele entendera as implicações mais subli­minares daquela colocação melhor do que demonstrava pela expressão.

- Você prefere ir para casa de ônibus ao invés de viajar confortavelmente comigo? — O tom, bem como a expressão, questionavam sua sanidade.

- Eu...

O que poderia dizer quando já sentia cada nervo do corpo reagir, evidenciando o erro que seria até pensar em entrar no carro com ele? Vê-lo na sala de profes­sores com Sango junto era uma coisa, mas ficar confinada no espaço exíguo de um carro, tão próximos a ponto de ela poder sentir o cheiro da loção pós-barba, ouvir sua respiração, até sentir o calor emanado pelo corpo musculoso era algo totalmente diferente.

Precisou convencer-se de que a noite anterior fora um momento totalmente desconexo, que não devia... não podia esperar mais nada, e tentou aceitar o fato. O que não antecipara era a total falta de emoção de Sesshomaru. Ele agia como se nada tivesse acontecido e ela não suportava mais essa situação.

- Não seja estúpida, Rin!

O uso do velho apelido quase destruiu-a, rompendo as defesas que ela tentara construir ao redor de si mesma.

- Não é estupidez... Eu sou realista!

Rin ficou perturbada ao ver que a voz não saiu tão controlada quanto planejara. A frase entrecortada revelava o quanto estava abalada. O desespero fez com que externasse sem rodeios o que a preocupava:

- Ambos sabemos como sua família reagiria ao fato de seu precioso herdeiro ser visto com a filha da co­zinheira... uma filha ilegítima — acrescentou, com ên­fase amarga.

- Você está parecendo sua mãe agora — rebateu Sesshomaru, a frieza agindo como um tapa.

- E você está parecendo a sua!

- Ah, é?

A voz anunciava perigo e ela deu um grito de choque ao vê-lo soltar a caixa e tomá-la pelos ombros.

- O que está fazendo? Sesshomaru? — Ela tentou demo­vê-lo de qualquer idéia enquanto ele lhe tateava os braços, a nuca, privando-a da habilidade de falar.

- Não estou sentindo — murmurou ele.

- Sentindo o quê? Do que está falando?

- Não estou sentindo o processador que você deve ter no ombro.

- E se eu tiver, quem o instalou aí?

- Oh, de volta ao velho tema de que só há "uma coisa" na qual ele pode estar interessado, certo?

- Certo! — O tom de Rin equiparava-se ao dele em cinismo. — Exceto que você não está mais atrás disso, está? Já obteve o que queria na noite anterior, portanto, não há mais necessidade de ficar no meu pé.

- Oh, não há? Rin, olhe para mim.

Teimosamente, ela mantinha o rosto virado, o alerta de ser chamada pelo nome completo fazendo ferver seu sangue nas veias.

- Eu disse: olhe para mim, raios!

Ele tomou-lhe o queixo sem delicadeza, forçando-a a encará-lo. A chama fria que ela identificou nos olhos dourados pareceu atingir seu coração diretamente.

- Se está determinada a acabar com isso, Rin, então, não posso detê-la. — Sesshomaru agarrou-a com força. — Mas acho que precisa estar muito certa sobre o que está dizendo.

- Acabar? Não há nada a acabar... você sabe disso, eu sei disso. E não precisa ter dúvida sobre o que estou dizendo. Estou ciente de cada palavra, portanto, é melhor acreditar!

Rin soube que fora bem-sucedida em afastá-lo quan­do a expressão dele mudou. De olhos fechados, ele absor­veu o significado. Conseguira, convenceu-se, miseravel­mente. Perdera Sesshomaru, por bem. Matara o que quer que ele pudesse sentir por ela, pela força da determinação.

- Certo — aceitou Sesshomaru, o termo frio pondo fim ao calor que haviam partilhado brevemente na noite an­terior. — Acho que você deixou sua posição bem clara.

Rin fizera o que planejara, convenceu-se. Sentiu os ombros pesados, cansada, ao ver seu amor caminhar na chuva, sem olhar para trás. Afastara-o de sua vida, separara-se dele para o bem dos dois. Nunca mais veria Sesshomaru Taisho, a não ser da mesma forma que todos no vilarejo o viam, como o senhor do castelo, distante e alheio. E a dor daquela perda seria como uma ferida incurável em seu coração, acompanhando-a para o res­to de sua vida.

Oi povis!! Dois capítulos num dó dia! ÉÉÉEÉ!!!! O próximo só Deus sabe quando... rsrs. Povo, peço desculpa pq no capítulo anterior o nome do nosso herói foi escrito errado todas as vezes. Não sei donde saiu a idéia de que Sesshomaru tinha um U a mais, acho que já li assim em algum lugar, mas deixa pra lá. Please desconsiderem esse erro terrível e aproveitem o resto.

BJUS!!.