Aqui está o cap 4. Espero que gostem...


Edward POV

Ela não me odiava. Era impossível, os olhos dela demonstravam sofrimento quando me disse essas palavras. Aproximei-me dela, encostando as nossas testas. E olhei profundamente nos olhos dela. Não sei porque a beijei, foi um instinto. Contudo, posso afirmar com toda a sinceridade, que não estava arrependido. Sentia-me atraído por ela. Ao abraça-la e ao olhar para o dourado dos seus olhos pousei, novamente, com suavidade, os meus lábios nos dela. A minha visão ficou preta, senti-me como se estivesse desmaiado. Quando voltei a abrir os olhos vi duas pessoas num baile. Ao aproximar-me vi o meu reflexo mas com olhos verdes a beijar uma dama com ternura e amor. Ao olhar melhor para a rapariga vi que era a Bella, no entanto, esta era humana e eu também. Com confusão voltei ao quarto, deparando-me com o olhar agora âmbar dela…

Bella POV

Ele aproximou-se de mim e encostando as nossas testas beijou-me com suavidade. O seu toque parecia seda e eu sabia que por muito que lutasse contra o facto de não o desejar, não conseguia ir contra os meus próprios instintos. Subitamente o seu corpo paralisou-se e o seu rosto transformou-se em pedra. Os seus olhos pareciam não ver nada, a sua alma parecia não estar cá. Senti o medo a moldar-se a mim como uma capa e abanei-o.

- Edward, Edward… Que se passa? – nada, nenhuma reacção – Por favor diz algo!

Continuei assim por algum tempo até que ele voltou assim. Ao olhar para mim parecia assustado e surpreso. – Que se passou?

Olhou-me confuso até perceber porque é que eu lhe perguntei isso. – Nada. Não te preocupes.

O facto de ele não confiar em mim para me dizer o que se passou magou-me um pouco, mas decidi não insistir. Já sabia que ele não me ia dizer nada. Após estes anos continuava a ser um casmurro. Quando me apercebi ele ainda continuava com a testa encostada à minha e com as suas mãos na minha cintura.

- Larga-me – rosnei-lhe com um tom ameaçador

- Até à bem pouco tempo estavas a apreciar – disse-me com um sorrisinho malicioso – Lamento informar-te, mas é bom que te habitues à ideia de que não te tenciono largar nunca mais. Se é que me entendes…

- Quem é que tu pensas que és!?

- O teu futuro namorado.

Por esta eu não esperava. Se pudesse corar neste momento todo o meu sangue estaria concentrado nas minhas bochechas. O descaramento dele! Não é que eu não me importasse de voltar a ser o que antigamente fomos, aliás era tudo o que eu mais queria. Mas, eu não podia. Primeiro tinha medo que os seus sentimentos por mim fossem um reflexo do nosso antigo amor, e não os seus verdadeiros sentimentos actuais. E em segundo eu não poderia pô-lo em risco. Não conseguiria arriscar que ele fosse morto e perdê-lo uma segunda vez.

Comecei a ouvir uns passos no corredor a dirigirem-se a este quarto. – Posso entrar?

- Podes Alice – respondi ao mesmo tempo que me tentava soltar dele, sem efeito.

- Ah, desculpem não queria incomodar – respondeu ela na sua vozinha de fada – Edward reunião de família. Vai lá para baixo enquanto eu ponho uma roupa decente na Bella. Já lá vamos ter.

- Roupa decente? – Foi então que olhei para o meu estado. As minhas calças e camisola estavam todas rasgadas e sujas de terra. O seu cheiro era tão detestável que afastaria qualquer vampiro da minha beira, menos Edward como era claro. Senti as suas mãos a abandonarem o meu corpo enquanto que ele, graciosamente, saia da cama indo lá para baixo.

- Agora, vamos tratar de ti – não gostei da maneira como a Alice disse estas palavras. Nos seus olhos havia um brilho tão intenso que assustava. Estava-me a parecer que neste momento eu era uma Barbie – Segue-me

Ao conduzir-me pelos corredores pude observar que eles tinham uma casa enorme e linda. Estava muito bem decorada, repleta de artefactos antigos. Finalmente, chegamos a uma porta que devia ser o quarto de Alice e Jasper. Ao entrar fiquei maravilhada. Era enorme com uma cama de dossel no meio, uma estante cheia de livros e Cd's encostada a um canto e um sofá voltado para uma parede feita de vidro que dava para uma paisagem linda.

- Bem, toma umas toalhas e agora vai tomar um banho – disse Alice conduzindo-me para uma casa de banho.

Deixei a água quente relaxar os meus músculos tensos. Fechei os olhos, sentindo o calor a aquecer a minha pele fria. Ao passar os dedos pelo meu ventre senti uma cicatriz, a ferida tinha fechado no entanto, iria ficar a marca. O ódio cresceu dentro de mim, quando voltasse a pôr os olhos naqueles lobos nojentos eles não iriam sobreviver.

Quando sai do banheiro vi uma roupa para mim em cima da cama. – Só podes estar louca! – disse bem alto ouvindo uns risos lá embaixo. Ela tinha-me deixado um vestido azul marinho muito provocante e umas sandálias com uns saltos mortais. Não tinha mais nada para vestir por isso, tinha que me sujeitar. Vesti-me rapidamente olhando de seguida para o espelho. Nada má pensei. O vestido acentuava-me as curvas: tinha um decote em V que mostrava um pouco dos meus seios; a sua fita branca apertava num laço na cintura fazendo o resto do tecido cair até um pouco acima dos meus joelhos. Os sapatos faziam as minhas pernas elegantes. Por último, pus uma fita branca que a Alice me tinha deixado. Como resultado final parecia uma boneca.

Desci as escadas até à sala onde todos me esperavam. Mal entrei todas as conversas pararam. – Olá… - disse nervosa. Era a primeira vez que estava com os "pais" deles.

- Olá minha querida, muito bem vinda. Eu sou a Esme – disse-me uma mulher morena muito bonita levantando-se e olhando-me maternalmente. Depositou dois leves beijos sobre as minhas faces, retornando de seguida para o seu lugar.

- Olá Bella, eu sou o Carlisle – desta vez, quem se dirigiu a mim foi um homem muito bem parecido, com uns olhos sábios. Abraçou-me ao de leve.

-Pra… Prazer – gaguejei – têm uma casa muito bonita e obrigada por me terem ajudado.

- Antes de tudo deixa-me dizer-te Bella… Tu. És. Uma. Brasa. Não admira que Edward esteja apanhadinho por ti. Já agora o que é que vocês estiveram a fazer lá em cima? – disse Emmet. Edward fulminou-o com o olhar e Rosalie agrediu-o.

- Cala-te – responderam os Cullen em coro. Eu desmanchei-me a rir, deixando todos surpresos.

- Bem Emmet, pensa em tudo o que tu farias num quarto sozinho com Rosalie - ele começou a sorrir de modo pervertido – Eu fiz exactamente o contrário! Bem, vamos começar? Podem me falar das vossas histórias?

- Claro querida, senta-te – Carlisle indicou-me um lugar e começou a contar a sua história e a da sua família. Interessei-me especialmente pela parte do Edward - … ele e a sua mãe estavam internados no hospital de Chicago, onde eu trabalhava na altura, com gripe espanhola. Não iriam conseguir sobreviver. De algum modo, a Sra. Mansen reparou que eu era diferente dos outros e pediu-me para salvar o seu filho Edward Mansen. Fiz-lhe a promessa que o salvaria e quando este estava às portas da morte transformei-o. Quando acordou não se lembrava de nada da sua vida humana, eu pouco também sabia…

Fui mesmo injusta para com ele, Alice tinha razão. Agora que já estava tudo esclarecido, não tinha razão para me sentir desapontada.

- E tu Bella? Qual foi a tua origem? Porque é que estás aqui em Forks?

Ao mesmo tempo que contava comecei a recordar como se fosse hoje. Existem pensamentos que por muito que os queremos apagar da nossa mente nunca irão desaparecer. Este era um deles. Foi o pior dia da minha vida, o mais assustador, foi o dia em que me tornei imortal…

As ruas praticamente estavam vazias, tinha chegado uma nova epidemia á cidade. Gripe Espanhola. Devido à guerra não havia dinheiro, nem comida. Apenas poucos se podiam dar a esses luxos, a minha família felizmente era um desses poucos. Era uma época de dor e sofrimento, tudo parecia cinzento e era raro ouvir um riso. Foi num desses dias que eu descobri que a pessoa que eu mais amava tinha morrido. Depois desta notícia avassaladora não fui capaz de ficar na sala com a minha família, por isso fui para o meu quarto onde passei o resto da noite a chorar compulsivamente. Já perto da noite alguém entrou em minha casa pois ouvi a campainha a tocar. Passado alguns momentos comecei a ouvir uns gritos agonizantes, assustada desci as escadas para ver o que se passava. Ao chegar à sala vi um grupo de cinco pessoas maravilhosas. Eram lindas e nesse momento apenas me deslumbrei com a beleza deles. Só mais tarde é que reparei que eles agarravam cada membro da minha família e lhes sugavam a vida. O horror tomou parte de mim e sem pensar deixei escapar um gritinho. Um deles, o chefe, ouviu-me. Olhou para mim com uns olhos negros revoltos de vermelho sangue e com um sorriso aproximou-se de mim. Tentei escapar mas obviamente foi impossível. Senti as suas presas a perfurarem a minha delicada pele. O seu veneno frio a misturar-se com o meu sangue. Quando já estava a desfalecer ele soltou-me e obrigou os outros a irem-se embora. Os meus ouvidos não conseguiam ouvir mas devido ao barulho alguém tinha avisado a policia e eles estavam quase a entrar. Eu com medo que fossem mais deles só me consegui mexer até ao nosso esconderijo secreto, naquela altura a maioria das casas tinha um. Lá permaneci por três dias em silêncio. Ainda não sei como o consegui. O veneno percorria as minhas veias queimando-as, parecia que estava a ser queimada viva mas sem o reconforto da morte. Contudo, permaneci em silêncio até ao último bater de coração. Ao acordar como vampira e ao sair para a sala vi que ainda não tinham retirado os corpos. Vi a minha mãe, o meu pai e os meus dois irmãos pequeninos mortos. Nunca me irei esquecer desta visão e foi nesse momento que eu jurei vingança e decidi que nunca iria matar um ser humano. Descobri quem eram os vampiros, pertenciam à família dos Volturi, e jurei que os haveria de matar. É por isso que estou aqui, agora…


E então que acharam? Gostaram? Deixem mts reviews para eu me animar e postar o outro cap brevemente. ;D

P.s-» Obrigada por todos os reviews, ainda bem que estão a gostar!!

Kiss*