Desculpem ter demorado tanto tempo mas, fui de férias. :P Aqui está o cap 5


Os meus ouvidos não conseguiam ouvir mas devido ao barulho alguém tinha avisado a policia e eles estavam quase a entrar. Eu com medo que fossem mais deles só me consegui mexer até ao nosso esconderijo secreto, naquela altura a maioria das casas tinha um. Lá permaneci por três dias em silêncio. Ainda não sei como o consegui. O veneno percorria as minhas veias queimando-as, parecia que estava a ser queimada viva mas sem o reconforto da morte. Contudo, permaneci em silêncio até ao último bater de coração. Ao acordar como vampira e ao sair para a sala vi que ainda não tinham retirado os corpos. Vi a minha mãe, o meu pai e os meus dois irmãos pequeninos mortos. Nunca me irei esquecer desta visão e foi nesse momento que eu jurei vingança e decidi que nunca iria matar um ser humano. Descobri quem eram os vampiros, pertenciam à família dos Volturi, e jurei que os haveria de matar. É por isso que estou aqui, agora…

À minha volta estava um silêncio de morte. Ah é verdade. Toda a gente nesta sala estava morta. As suas caras fixavam a minha, as suas respirações estavam retidas e os seus olhares demonstravam pena. Odiava isso, odiava que tivessem pena de mim.

- Porque é que eles escolheram logo a tua casa? A tua família? – perguntou Carlisle, despertando os outros dos seus estados de paralisia

- Não sei, não consegui descobrir – disse entre dentes – Mas vou saber…

Recordava-me tão bem dessa cena como se fosse hoje. Era uma memória vivida e tal como muitas outras, impossível de esquecer:

Encarava pela última vez John Volturi, o meu pior inimigo. Esta visão dava-me nojo. Os seus olhos vermelhos lembravam-me da chacina que ele cometeu contra a minha família. O seu sorriso provocava-me. E a minha mão a um centímetro de o degolar estava parada no ar.

- Porquê eles? Porquê?

- Não sei se não será mais interessante deixar-te na dúvida. – riu-se e olhou-me bem nos olhos, fazendo-me estremecer de ódio. Queria matá-lo da pior forma possível e esse desejo fazia-me sentir um monstro… - A verdade irá dilacerar o teu gélido coraçãozinho. Mas e a dúvida?... Ficará presente na tua mente, remoendo o teu pensamento em todas as horas e segundos. Só conseguirás pensar nisso.

- Tens duas opções Johny...- disse com um sorriso sedutor. Aproximei-me dos seus lábios deixando-o atordoado. Com a minha respiração a bater-lhe levemente na face. – Dizes-me o que sucedeu e em troca ofereço-te uma morte rápida e indolor. Senão irei retirar-te todas as partes do teu corpo muito lentamente e só por último é que te arranco a cabeça. Tradução? Irás sofrer muito.

- Tenta boneca! – ele não sabia com quem se meteu. Ferrei-lhe o lábio com toda a força, tirando um pedaço. Olhou-me com choque, mas nada do que ele dissesse nesse momento me faria parar. Nem que fosse aquilo que eu queria ouvir. Cumpri a minha promessa, como sempre. Com a ajuda das minhas mãos, dentes e força arranquei todos os seus membros com uma deliciosa lentidão. Todos os dedos, pés e mãos, braços e pernas. Ao mesmo tempo atirava estes pedaços de carne para uma fogueira. Quando já não havia nada mais que pudesse aproveitar fiz com que a sua cabeça se desprendesse do resto do corpo. O ódio realmente podia mudar uma pessoa. Nunca na vida me imaginei a torturar alguém.

Apesar da minha vingança estar terminada, não deixei de sentir a tristeza por perder todos o que amei e que me amavam. Ainda sentia pesar. Ainda estava envolta em solidão. Só nesse momento é que me apercebi que nada do que fizera, poderia realmente mudar alguma coisa. Tornei-me um monstro como ele, o homem que ordenou a morte do meu mundo, o meu criador…

- Os Volturi andam atrás de ti? – perguntou Jasper com preocupação, interrompendo as minhas memórias. Já sabia que me fariam aquela pergunta e depois de os conhecer já tinha tomado uma decisão

- Sim. – murmurei – Matei um deles afinal de contas. Na altura em que me mudei para aqui não sabia que vocês existiam, nem que viviam aqui. Foi uma surpresa devo acrescentar. Nunca encontrei pessoas iguais a mim. Eu sei que se permanecer vou formar uma ligação a esta família. Aliás já fiz laços com alguns. – olhei para Edward e Alice – Por isso, não se preocupem, eu irei embora ainda hoje…

- O quê? Estás a raciocinar bem!?

- Edward… Eu não vos quero pôr em perigo. Os Volturi são muito poderosos e se me descobrirem também vos irão atacar. Se vos acontecesse alguma coisa... nunca na vida conseguiria viver com esse peso na consciência. – respondi, chocada pela sua reacção

- Bella, tu não vais a lado nenhum. – a sua cara parecia estar convencida disso

- Já fiz a minha decisão!

- Eu posso ter que te prender nem que seja por um século, mas tu não vais fugir. Eu vou-te proteger, nós vamos-te proteger.

- Tu não compreendes a gravidade da situação… - comecei a falar mas, Alice interrompeu-me

- O meu irmão tem razão, agora és uma de nós. Fazes parte da família. Nunca na vida abandonaria a minha melhor amiga…

Olhei em redor, em busca de alguém que me apoiasse. Mas todos os rostos me sorriam, todos apoiavam Edward e Alice.

- Vais ter que aturar o Emmet por mais uns tempos – disse Jasper

- Eiiiii! Agora fiquei ofendido. Que fiz eu? – todos se riram. Eu iria amar demais esta família. Era a primeira vez que não me sentia uma criança perdida. Parecia que as brumas foram derrotadas pela luz. Eu era uma pessoa sem esperança e neste momento recuperei-a. Por isso, é que não podia ficar. Não os podia por em risco. Não suportaria perder outra vez as pessoas mais importantes para mim. Edward estava a olhar para mim…

- Nem tentes. – foram as únicas palavras que disse. Pensava que ele não conseguia ler os meus pensamentos. Será que o escudo… hum… não. Continuava a proteger-me. Eu sempre fui demasiado transparente para ele…

- Obrigada a todos – disse timidamente. Mais tarde pensaria num plano para me escapar

Continuamos mais umas horas na conversa e na brincadeira. Fiquei a conhecê-los um pouco melhor. Apesar de terem personalidades completamente opostas uns dos outros, completavam-se. As fraquezas de uns eram apoiadas pelos pontos fortes de outros, e vice-versa. Desejei, inconscientemente, um dia conseguir integrar-me naquela família.

- Bella, vens comigo ao meu quarto? – perguntou-me Alice. Levantou-se sem esperar pela minha resposta dirigindo-nos para o seu quarto.

Mal fechou a porta atrás de mim, começou a bombardear-me com perguntas.

- O que é que aconteceu naquele quarto?

- Na…Nada – se eu tivesse sangue, a minha cara seria um forno naquele momento.

- Oh, achas que sou cega?! Tu e o Ed estavam com as testas encostadas uma na outra e ele estava a agarrar-te de uma forma intima. Lamento informar-te, mas sou uma pessoa que vê bem. Demasiado bem, aliás.

- Hum… eu e ele beijamo-nos. Oh Alice, foi um impulso idiota. Está tudo a acontecer demasiado rápido, mas não consegui resistir… - a cara dela irradiava felicidade, não percebi porquê…

- Parece que o Edward finalmente vai ser feliz… Mas mudando de assunto já sabes o que vais levar ao Baile de Primavera?

- Que baile? – antes dela responder, interrompi – bem não interessa. Eu não vou a bailes…

- Porquê???? – tinha conseguido pôr a Alice indignada

- Porque festas desse género significam danças, e eu não sou muito boa a dançar. Nem mesmo agora que sou vampira. Os passos confundem-me toda e acabo por tropeçar nos meus próprios pés.

- Ok, o baile é só daqui a um mês. Ainda temos tempo para ir ao shopping comprar a tua roupa. – agora quem estava indignada era eu. Será que ninguém nesta casa ligava ao que eu dizia. Às minhas vontades. Parecia que eu era uma criança que não sabia tomar as suas próprias decisões. Vendo a minha cara, Alice pôs um sorrisinho, bastante assustador – Eu sei que tu vais

- Veremos – respondi num tom de desafio

Quando finalmente saí do seu quarto para ir para casa, escutei alguém a tocar no piano. Como se tivesse um caminho de notas musicais à minha frente, dirigi-me até à sala de onde estas vinham. Deparei-me com Edward debruçado sobre o piano, com os olhos fechados. Já o tinha visto tantas vezes assim… Estava com um ar sonhador e ao mesmo tempo concentrado. A melodia fluía pelo ar, atraindo-me para o lugar vazio ao seu lado. Sem resistir comecei também a tocar com fervor, completava a sua música. E assim, como fizéramos tantas vezes no passado, criávamos uma nova melodia. Esta era sempre única, um conjunto de notas misturadas com as nossas emoções do momento. Eu compreendia Edward. O piano era o seu refúgio, tal como o era para mim. Ao tocar podíamos dizer tudo o que sentíamos, descarregar todos os nossos sentimentos, sem necessidade de usar palavras. Era possível comunicar através da música. Ao aproximar a minha mão do meio do teclado choquei com a mão dele. Uma corrente eléctrica intensa percorreu o meu braço e por pouco que não fez palpitar o meu coração. Mais por reflexo do que por vontade, afastei rapidamente a minha mão da dele. Os nossos olhos encontraram-se e perderam-se mais uma vez uns nos outros.

- Desculpa - sussurrou-me – Não sabia que tocavas…

Confirmei que sim com a minha cabeça. O silêncio foi preenchido por uma certa tensão entre nós. Senti-me, novamente, desiludida por ele não se lembrar dos nossos momentos no piano. Éramos os dois amantes da música e as nossas melodias completavam-se sempre…

(N/A: Se puderem ponham a dar a música Woods of Chaos de Rob Costlow)

De modo a romper este clima ele começou a tocar uma música. Desta vez não o acompanhei. Fui apanhada desprevenida pelas notas do teclado que ele pressionava. Estas eram as únicas capazes de fazer a nossa música. A música que nós criamos juntos… Senti os meus olhos a arderem e o meu lábio a tremer. Continuei a ouvir, paralisada no meu lugar tão próximo dele.

Subitamente, depressa demais, ele parou.

- Porque é que paraste? – perguntei mal consegui arranjar forças para falar

- Esta música esteve sempre comigo. A minha única recordação. Mas só sei até aqui. Não sei como se toca a parte seguinte. Por muito que me esforce por lembrar, não recordo… - a sua voz estava triste, angustiada. Sofria só de o ver assim…

Lentamente, virei-me para piano. As minhas mãos tocaram no teclado. Conseguia sentir a maciez do marfim sob os meus dedos. Premi uma tecla, depois outra e assim sucessivamente, dando continuação à nossa música…

Edward POV

Ela conhecia esta música. Como é que era possível? As suas mãos brancas e delicadas moviam-se pelo teclado, pressionando com suavidade. Eu sabia que as notas que se aglomeravam completavam a minha música, a minha única recordação. A recordação que partilhei com ela. Fechei os olhos e embalei-me ao som da melodia, marcando o seu ritmo mentalmente na minha cabeça. Sentia-me parte das notas. Sentia que o meu corpo as reconhecia como parceiras bailando com elas. Quando abri os olhos encontrava-me numa sala. Era mais uma vez o meu reflexo com aqueles olhos verdes intensos. À sua beira encontrava-se a Bella, com uns olhos cor de chocolate.

- Que nome lhe havemos de dar? – perguntou-me ela numa voz diferente da que eu conhecia

- Que tal Woods of Chaos? (N/A: Madeiras do Caos) – respondeu o meu eu humano

- Porquê? – ela estava intrigada, os seus olhos denunciavam-na

Sorri, eu já sabia a resposta e repeti-a ao mesmo tempo que ele.

- És a madeira que mantêm acesa a chama do meu coração e que cria o caos quando eu estou contigo. Esqueço-me de respirar, os meus músculos ficam fracos, só o meu coração fica mais forte com a força que bate. És sem dúvida o caos da minha vida, o turbilhão de emoções que me prende ao teu olhar. É por isso que Woods of Chaos é o nome indicado para esta música. – ela fitava-me com as lágrimas a escorregarem pela sua face – Ei Bella, não chores. Já sabes que me afliges. Eu sei que fui um bocado "lamechas" demais. Mas, é verdade tudo o que disse. Quando amamos alguém é difícil definir o que sentimos. E eu amo-te mais que o mundo.

- Eu também. – disse abraçando-me

-Tu és a minha vida agora…

Fechei novamente os olhos. E quando os abri ela estava ali, sentada à minha beira, tocando os últimos acordes.

- Como é que sabias o resto da música? – perguntei confuso e assustado. Ela apenas me sorriu. – Como é que sabes tanta coisa acerca de mim?

- Eu… Eu… - inspirou fundo, expirando de seguida – não te posso dizer Edward. Tenho medo de te dizer…

- Diz-me… - olhei os seus lábios e aproximei-me. Sabia que a melhor maneira de a convencer, era cortando-lhe a linha de raciocínio. No entanto, ao fazer isto também não conseguia ser coerente. Nunca o conseguia quando estava demasiado perto dela.

- Desculpa. – disse virando a cara, o que fez com que os nossos lábios raspassem um no outro ao de leve – Ainda não estás preparado e eu ainda não estou seguramente confiante..

Pousei a minha mão na sua face e virei-lhe a cara para mim. Fitei os seus olhos novamente. A sua expressão transmitia calma, mas os seus olhos mostravam receio e medo. Eu tinha que saber o que ela me escondia, sentia uma necessidade enorme de descobrir o que era. Sabia que era imprescindível.

- Por favor – murmurei, implorando.

Pelo brilho nos seus olhos pensei que a tinha persuadido. No entanto estava redondamente enganado. Ela propôs-me um desafio. – Quando tu disseres aquilo que eu preciso de ouvir, eu irei mostrar-te aquilo que tu queres saber.

- Mas como é que eu sei… - ela interrompeu-me

- Quando e se tu disseres a palavra, eu saberei que tu estás preparado. Irás desmentir os meus receios. Acredita que se essa altura chegar, tu saberás o que tens que dizer. – olhava-me com esperança e eu não a queria desiludir – Bem, agora tenho que me ir embora preparar-me para as aulas.

- Antes de ires, aceitas ir num encontro comigo?

- Mas porquê? – estava confusa, eu sorri

- Eu gosto verdadeiramente de ti. Parece-me no entanto que começamos um bocadinho rápido demais. Quero-te conhecer melhor. – quero ter uma desculpa para estar mais tempo contigo, pensei para mim mesmo – Tens de te acostumar à minha presença na tua vida.

- O… Ok – estava aturdida e nervosa, gaguejava sempre que estava nervosa. Virou-se e retomou o seu caminho.

- Bella? – voltou-se novamente. Havia mais uma pergunta que lhe queria fazer – Como se chama a música?

Os seus olhos fecharam-se e as suas mãos formaram punhos. – Woods of Chaos...


Quero mts reviews para postar o próximo cap rapidamente! Vá lá malta isto anda fraquinho lol :P. Espero que gostem e comentem

Obrigada pelos ultimos reviews adorei todos!

Bjinhos