Capítulo 1
Noite

- A noite está agitada.

Suspirou ao ouvir a afirmação de Seiren. As copas das árvores estavam em constante movimento, devido ao vento forte que soprava de norte, e a lua escondia-se, tímida, atrás das nuvens negras que cobriam o céu. Mas a rapariga tinha razão. Havia algo mais naquela noite, algo que a tornava mais negra que o habitual, mais fria, mais assustadora. Passou uma mão alva pelos cabelos escuros e encarou a vampira.

- Sim - confirmou, voltando a olhar pela janela. - Alguma coisa está prestes a mudar.

- Terá a ver com a rapariga que encontraram? - perguntou Seiren, em voz baixa.

- Possivelmente - confessou o puro-sangue, sem tirar os olhos das nuvens negras. - O cheiro do sangue dela ainda paira no ar.

- A agitação que isso provocou ainda pode ser sentida, mas está a acalmar - informou a rapariga.

- Está a acalmar? - repetiu Kaname, olhando novamente para a sua guarda-costas. - A fragrância natural daquela rapariga não vos chama a atenção, Seiren?

- Ah... não - negou ela, baixando levemente o olhar. - Não parece ser nada de especial para nenhum de nós. Haverá motivo para-

- Kaname - chamou Ichijou, interrompendo Seiren e entrando na sala escura.

- O que foi, Takuma? - indagou Kuran, virando o rosto sereno para o loiro.

- Já estão todos calmos - disse, simplesmente, aproximando-se do outro homem. - O cheiro do sangue já desapareceu e nada mais os incomoda.

- De certeza? - questionou Kaname, fazendo um gesto para que Seiren saísse.

- Sim - confirmou Ichijou, vendo a vampira sair do cómodo e olhando para o amigo. - Há alguma coisa de errado, Kaname?

O moreno não respondeu. Levou uma mão à boca, voltando a olhar pela janela, pensativo. Ichijou ficou a mirá-lo, esperando uma fala do líder.

- Não, nada - disse, por fim. - Podes ir para a aula, Takuma.

- Certo. Com licença - pediu antes de sair da sala, deixando o Kuran sozinho.

Kaname suspirou mais uma vez. Era estranho que mais ninguém sentisse aquela fragrância e que a própria noite se revelasse tão agitada como estava. Aquela rapariga ia trazer uma mudança, disso ele estava certo. Mas até que ponto essa mudança seria positiva e, especialmente, até que ponto essa mudança o poderia afectar?

X X X

Não queria abrir os olhos. Não queria ter de ceder à luminosidade que lhe acariciava as pálpebras, forçando-a a acordar daquele sono sem sonhos que estava a ter, momentos antes. Manteve-se de olhos fechados, desejando que o sono voltasse e aquela terrível dor de cabeça desaparecesse. À sua volta, conseguia distinguir uma voz baixa e fina, quase sussurrada, e outra mais grave e não tão preocupada como a primeira aparentava estar. Porém, não conhecia nenhuma das duas.

Abriu os olhos subitamente, arregalando-os, sentando-se onde quer que estava deitava, olhando em volta e descobrindo um local completamente desconhecido. Onde raios estava ela e, especialmente, como tinha ali ido parar?

- Ah! Ela acordou! - exclamou um homem sorridente, encarando-a com os olhos curiosos a brilharem por detrás dos óculos. - Boa noite! Eu sou Cross Kaien, director desta Academia, e esta é a minha filha, Yuuki! - apontou para a menina logo atrás dele, sem nunca deixar de olhá-la - Como te sentes?

Olhou para ele, incerta. Aquele homem era estranho, aquele lugar era estranho e a forma como a outra rapariga a olhava ainda mais estranha era. Engoliu em seco, passando uma mão pelo peito e outra pelos longos cabelos rubros.

- Bem - murmurou num fio de voz, sem saber exactamente o que fazia ali.

- E como te chamas? - perguntou o homem, mantendo o mesmo sorriso.

Sentiu um leve aperto no peito. Fora indelicada em não se apresentar. Deveria ter dito o seu nome logo após o tal director ter dito o dele e o da filha. Maldita dor de cabeça e maldita confusão em que estava a sua mente.

- Saito - respondeu, ainda em voz baixa, sentindo a garganta ligeiramente arranhada. - Saito Akane. O que aconteceu?

- Nós esperávamos que fosses tu a dizer-nos isso - confessou Kaien. - Encontrámos-te desmaiada à porta da Academia.

Desmaiada... porque estaria ela desmaiada? O que tinha acontecido? Akane fez um esforço para se lembrar do que acontecera, mas apenas uma nuvem negra lhe surgia na mente. Levou as mãos à cabeça, tentando lembrar-se do que se havia passado, mas nada de nada aparecia. Levantou o olhar, encarando os olhos claros do homem à sua frente.

- Onde estou? - indagou, ainda com a voz frágil.

- Na Academia Cross - respondeu a outra rapariga, levantando-se da cadeira onde se encontrava e aproximando-se dela. - Nós achamos que-

- Eu vinha para aqui - interrompeu Akane, subitamente, olhando agora Yuuki. - Eu recebi uma carta em casa a dizer que tinha sido aceite na Academia e estava a vir para cá!

- E não sabes como desmaiaste? - questionou novamente Cross. - Não te lembras de nada?

Ela fez uma pequena pausa e colocou a mão sobre os lábios. Realmente não se lembrava de nada. Tinha recebido a carta em casa e saíra para ir até à Academia. Tinha feito a viagem durante toda a manhã e parte da tarde e apenas se lembrava de que estava a correr na rua, para se abrigar da chuva repentina. De resto era um espaço em branco na sua mente.

- Não - repetiu ela, encolhendo os ombros e sorrindo levemente. - Lembro-me de estar a correr, para fugir da chuva, e mais nada - fez uma pequena pausa, sentindo-se desconfortável com os olhares do director e da rapariga sobre si. - Mas eu sinto-me bem, não deve ter sido nada de mais.

- Mesmo assim, ficaria mais descansado se fosse até à enfermaria amanhã - afirmou o homem, caminhando até à sua secretária e começando a mexer em algumas pastas. - Saito Akane, não é?

- Sim - confirmou ela, levantando-se do sofá onde se encontrava deitada e ajeitando a blusa banca. Estranhou... aquela não parecia ser a sua blusa.

- Aqui está a tua ficha - comentou Kaien, sorrindo ainda mais e abanando uma pasta com várias folhas na mão. - Saito Akane, dezasseis anos, óptima aluna, estás aqui com bolsa de estudo.

Akane acenou com a cabeça. Tinha feito dois exames para entrar naquela Academia, ambos extremamente complicados e nos quais ela apostava não ter acertado dois terços das perguntas. Não sabia como lhe havia sido atribuída a bolsa, mas não pensaria duas vezes em a aceitar.

- Muito bem, Yuuki - chamou Kaien, olhando para a filha. - Mostra a Saito-san onde é o seu dormitório, por favor, e entrega-lhe um horário. Ela ficará na mesma turma que tu.

- Sim, director! - confirmou Yuuki, fazendo uma pequena vénia e saindo do escritório, sendo seguida por Akane.

Já no corredor, Saito olhava em volta, observando as paredes escurecidas pela noite e prestando atenção ao caminho que seguia. Sentia frio, um frio interior, como se aquele lugar lhe desse arrepios constantes, como se tudo aquilo lhe desse um medo estranho. Ela apenas trazia uma bolsa consigo e dois livros, não pudera trazer o resto, teria de ir às compras no dia seguinte. Percebeu que a outra rapariga caminhava demasiado rápido. Tentou apressar o passo, mas quase tinha de correr para a acompanhar.

- Cross-san - chamou ela, parando e apoiando as mãos nos joelhos. - Podes ir um pouco mais devagar, por favor.

- Desculpa, Saito-san - pediu Yuuki, passando uma mão pelos cabelos e sorrindo levemente. - É que está no horário da Night Class e é proibido andar por aqui a esta hora.

- Night Class? - repetiu Saito, respirando fundo para recuperar o fôlego. - A turma dos estudantes especiais?

- Sim. Eles estão a ter aula aqui - informou apontando para uma porta de uma sala que se encontrava fechada.

- Eles têm uma aura gelada - murmurou Akane, abraçando o corpo ao encarar a porta da sala, sentindo um arrepio desagradável correr-lhe as costas, ignorando o olhar que Yuuki lhe lançou. - Porque é proibido andar aqui?

- É só durante a noite - explicou Cross, voltando a seguir o caminho com Saito logo atrás. - Os estudantes da Night Class não gostam de ser constantemente incomodados pelos outros alunos. E quase todos os da Day Class são loucos por eles. Parecem fans quando vêem os seus artistas favoritos.

- Eles são assim tão bonitos? - perguntou a nova aluna, sorrindo levemente. - Devem ser, eu não acredito que alguém desespere a esse ponto por pessoas que não sejam realmente bonitas.

- Sim, eles são - confirmou Yuuki, gargalhando levemente. - Mas, por favor, não faças como a maioria que tenta desesperadamente falar com eles nas trocas dos turnos. Elas já me dão demasiado trabalho.

- És tu sozinha que coordena a troca de turnos? - indagou Saito, olhando para a menina.

- Não. Zero é monitor, tal como eu, e também está encarregue disso - contou a Cross, parando em frente à porta de um quarto. - Bem, é aqui que vais ficar. O dormitório está vazio porque ainda não foi seleccionada a vencedora da outra bolsa de estudo - informou, estendendo-lhe uma folha. - Tens aqui as informações da Academia e o respectivo horário da nossa turma. Tem uma boa noite, Saito-san.

- Obrigada - agradeceu ela, recebendo a folha com as informações e abrindo a porta do quarto. - Até amanhã, Cross-san.

Entrou no cómodo e fechou a porta, olhando em volta e suspirando. Que raio de maneira de chegar à Academia. O que lhe teria acontecido para desmaiar do nada? Deixou a sua bolsa sobre uma cadeira, sentando-se na cama mais perto da janela e retirando os sapatos sem salto. Sentia o corpo cansado e dorido. Levantou-se a abriu a porta do roupeiro, vendo lá um uniforme da academia. Poderia usá-lo no dia seguinte, mas teria de comprar mais. Voltou a sentar-se na cama e olhou pela janela. A noite escura tomava conta da rua e, subitamente, um arrepio gelado correu-lhe o corpo e ela percebeu algo que nunca imaginou ser possível. Akane estava com medo naquele momento. Um medo inconsciente, um medo interior, um medo inexplicável.

Levantou as pernas para cima da cama e abraçou-as junto ao corpo, apoiando a testa nos joelhos, fechando os olhos com força e forçando-se para nada ouvir. Havia algo, alguma coisa escondida na noite daquele lugar, escondida no escuro, oculta pelas trevas. Qualquer coisa que tornava a noite extremamente assustadora e que a fazia, mais que nunca, desejar o nascer do sol.

Akane estava com medo, um medo que ela nunca antes havia sentido. Medo da noite e de tudo o que ela lhe escondia.

X X X

Yuuki regressou ao escritório do director logo após deixar Saito no dormitório. Bateu à porta e entrou, vendo que Zero já se encontrava lá dentro, de mãos nos bolsos e de semblante pesado, tal como era normal nele. Por outro lado, Kaien parecia estar a divagar sobre algo que nada interessava ao rapaz. Entrou e fechou a porta, colocando-se ao lado de Zero e encarando o director.

- Saito-san já está no dormitório - informou Yuuki, encarando o pai adoptivo.

- Óptimo - afirmou Kaien, batendo com os dedos sobre a mesa. - Peço-te que mantenhas um olho nessa rapariga, Yuuki. O mesmo para ti, Zero. Ela não deve andar sozinha.

- O que lhe aconteceu, afinal? - indagou Zero, ainda com o rosto sério, olhando para o director.

- Ela foi atacada por alguém - contou Cross, fechando os olhos levemente. - Encontrámo-la coberta de sangue e completamente inconsciente. Yuuki trocou a blusa dela e trouxemo-la para aqui, de modo a que ela não pudesse desconfiar de nada no caso de não se recordar do que acontecera.

- E quem foi o responsável? - perguntou o rapaz.

- Não sabemos - respondeu Yuuki, olhando de lado para o amigo. - Já falámos com Kaname-sama para que ele nos ajude a descobrir o culpado do ataque, mas ainda não temos qualquer suspeita.

- Descartámos a hipótese de ter sido um Level E pelo facto dela ter sido deixada viva - continuou o director, fitando o rosto de Zero. - Por isso preciso que vocês a mantenham debaixo de olho. Quem a atacou pode muito bem tentar finalizar o trabalho.

- Entendido! - exclamou Yuuki, virando-se para sair do cómodo.

Zero ainda ficou a encarar Kaien por mais uns momentos, mas logo seguiu a amiga para fora do escritório. Bufou ao fechar a porta e revirou os olhos em seguida.

- O que se passa? - quis saber a morena, seguindo pelos corredores ao lado do amigo.

- Eu não gosto de fazer de babysitter de ninguém - resmungou Kiryu, irritado. - Muito menos quando envolve vampiros e uma miúda que tem um cheiro exótico.

- Exótico? - repetiu Yuuki, parando no meio do corredor e segurando o braço de Zero. - Como assim, exótico?

- Parece que os vampiros ainda não repararam, pois estão todos calmos - contou Zero, olhando em volta sem encarar a menina. - Mas ela tem uma fragrância diferente do habitual.

- Achas que foi por isso que a atacaram? - indagou Yuuki, apertando mais a mão em volta do braço de Zero.

- É possível - sussurrou o rapaz, olhando atentamente para uma sombra escondida e franzindo as sobrancelhas.

- O que foi? - perguntou ela, olhando para o mesmo local que chamara a atenção do amigo.

- Nada - respondeu, simplesmente, recomeçando a andar. - Vamos. Temos o nosso trabalho a fazer.

- Sim - consentiu ela, seguindo Zero, sem perceber o par de olhos claros que os fixava, escondido numa sombra.

X X X

Abriu os olhos, sentindo que alguma coisa estava errada. Aqueles não eram os seus lençóis, aquela não era a sua cama e, definitivamente, aquele não era o seu quarto. Lembrou-se, subitamente, de onde estava e sentou-se repentinamente na cama. Olhou em volta, procurando um relógio, não encontrando nada e tendo de se debruçar na cama, esticando o braço para fora, na direcção da cadeira onde deixara as suas roupas, para retirar o relógio de pulso do bolso e perceber, finalmente, que estava atrasada.

Saltou da cama e correu para o quarto-de-banho. Teria de tomar um duche rápido e não poderia secar os cabelos vermelhos se queria chegar a horas à primeira aula. Voltou ao cómodo enrolada numa toalha, vestindo o uniforme e enxugando os longos cabelos em seguida. Vestiu as meias negras, calçou os sapatos sem salto da mesma cor, pegou nos livros e saiu a correr do quarto. Não teve tempo de fazer o laço do uniforme, nem sequer de passar no refeitório para o café da manhã. Comeria qualquer coisa depois da primeira aula.

Parou a meio de um corredor vazio e olhou em volta. Ela tinha a certeza que a sala deveria ser por ali... então porque não era? Bufou, irritada por chegar tarde e por estar perdida, e voltou a olhar para a folha com um mapa que Yuuki lhe entregara na dia anterior. Virou-a e voltou a virá-la e não conseguia perceber onde se tinha enganado. Bateu com um pé no chão, indignada, apertando os livros contra o peito e revirando os olhos.

- Parabéns, Akane, conseguiste acordar tarde e perder-te no primeiro dia de aulas! - protestou consigo mesma, batendo com a mão na parede ao lado, revirando mais uma vez os olhos antes de voltar a encarar a folha de papel.

Sentiu passos atrás de si, ainda ao longe, e pensou que seria melhor virar-se e perguntar, a quem quer que fosse, onde ela estava e como poderia ir para a sua aula. Mas algo a fez hesitar, alguma coisa naqueles passos a fizeram parar e não a permitiram virar-se. Sentiu o coração disparar e a respiração a ficar mais acentuada, como se o ar se tornasse, aos poucos, irrespirável. Apertou os livros contra o peito, focado os seus sentidos no som dos passos e na pessoa que se encontrava atrás dela.

Poderia estar apenas a delirar, era o mais certo. Mas algo lhe dizia que aquilo era real, que aquela ilusão estranha era a pura realidade. Fechou os olhos e logo um flash de alguém a aproximar-se dela, caminhando pela chuva, lhe surgiu na mente. Abriu os olhos, arregalando-os. Não apenas pelo facto daquela memória escondida ter surgido subitamente, mas por alguém lhe ter tocado no ombro.

Virou-se bruscamente, como se se tivesse assustado, sentindo por toda a pele um arrepio gelado, fixando os olhos verdes na prata profunda das íris que a encaravam. Deu um passo atrás, receosa, ainda com o arrepio daquele toque sobre o corpo, tentando não parecer tão indefesa quanto estava e, finalmente, olhando com olhos de ver para a pessoa que a encarava.

Cabelos cinza caíam-lhe sobre o rosto, escondendo parte dos olhos profundos e da mesma cor, assim como um sorriso suave esboçava-se sobre os lábios. Ele encara-a curioso, como se soubesse que ela sentira algo estranho em relação a ele. Sorriu. Um sorriso diferente e levemente ladino que a fez baixar um pouco as defesas.

- Perdida? - perguntou ele, a voz grave ecoando pelo corredor.

- Sim - confessou ela, baixando o olhar. - Não consegui encontrar a sala.

- És a aluna nova? - indagou o rapaz, no que ela acenou com a cabeça. - A sala é no corredor ao lado deste. Vou para lá, se quiseres vir...

- Obrigada - agradeceu a ruiva, fazendo uma pequena vénia.

- Como te chamas? - questionou ele, começando a caminhar para o sítio certo.

- Saito Akane - respondeu, em voz baixa, demasiado tímida para o encarar.

- Kiryu Ichiru - apresentou-se ele, parando em frente à sala. - Tem uma boa aula.

- Não vais entrar? - inquiriu ela, olhando-o novamente nos olhos. - Eu pensei que eras da mesma turma...

- Eu devia, mas acabei de me lembrar quem é o professor e não quero problemas hoje - confessou ele, encolhendo os ombros perante a expressão confusa da menina. - Ele não vai com a minha cara.

- Ah, então... - murmurou ela, olhando para a porta fechada. - Eu tenho de entrar, por isso... até logo.

- Até logo, Saito-san - despediu-se Ichiru.

A menina ficou a vê-lo afastar-se em silêncio. Sacudiu a cabeça com força. Estava a ficar paranóica. Ele era apenas um rapaz como qualquer outro, porque havia tido aquela estranha sensação enquanto ele se aproximava? Levou uma mão aos olhos, sentindo uma leve tontura e apoiando-se na parede para evitar cair. Não se encontrava bem e sabia disso. Se calhar deveria mesmo ir à enfermaria, tal como o director lhe dissera para fazer.

Olhou em volta, devagar, observando com atenção cada canto do corredor. Alguma coisa estava errada, podia senti-lo. Alguma coisa naquela Academia não fazia sentido, mas o quê? Voltou a sacudir a cabeça, levando uma mecha de cabelos rubros para trás da orelha com uma das mãos e bateu levemente à porta.

Primeira aula e já se encontrava atrasada quase vinte minutos... o dia começava bem.

X X X

Chegou ao seu dormitório, no final daquele dia, quando o sol de começava a pôr lentamente. Estava cansada e não se sentia com forças para fazer qualquer coisa que não fosse dormir. O dia tinha sido estranho, tal como todos os primeiros dias de aulas numa escola nova. Toda a gente a olhava, toda a gente fazia comentários sobre ela e toda a gente a deixava desconfortável. Não gostava de ser o centro das atenções, era demasiado tímida para isso.

Suspirou, deixando os livros sobre a secretária e sentando-se na cama, desapertando o casaco do uniforme e retirando-o. Deitou-se para trás, deixando os cabelos rubros espalhados por todo o lençol branco, fechando os olhos por alguns momentos, enquanto pensava no dia que acabara de passar. A primeira aula fora terrível. O professor implicara com ela por ter chegado tarde e estava constantemente a fazer-lhe perguntas e a obrigá-la a falar para toda a turma. Na segunda aula sentara-se ao lado de Yuuki e de Sayori e sentira-se mais confortável, apesar de Yuuki estar o tempo todo a reclamar que o outro monitor - Zero - estava novamente a faltar às aulas.

Conhecera mais duas ou três pessoas durante a hora de almoço, ninguém que ela achasse que poderia se tornar num verdadeiro amigo, mas pessoas simpáticas e calorosas. Claro que todas as raparigas que conheceu, com excepção de Sayori, não paravam de falar nos rapazes da Night Class. Akane poderia apostar que sabia o nome de mais de metade deles apenas de ouvir as meninas a falar.

Na primeira aula depois do almoço, o rapaz que a levara até à sala naquela manhã - Ichiru - havia aparecido e sentara-se ao seu lado. Ela observou-o durante toda a aula, pelo canto do olho, discretamente. Ele era um rapaz normal, perfeitamente normal como todos os outros daquela turma. Então, porque se sentia arrepiar de cada vez que ele a olhava ou que se aproximava mais?

Abriu os olhos e percebeu que estava tudo escuro. A noite havia chegado a uma velocidade assustadora. Sentou-se repentinamente na borda da cama e olhou pela janela, vendo as copas das árvores moverem-se com brusquidão e a lua projectar sombras mórbidas sobre todo o quarto. Arregalou os olhos e sentiu-se tremer enquanto se levantava para fechar fortemente as cortinas. Agarrou o tecido destas com força, mantendo os punhos unidos e a cabeça entre os braços.

Aquilo era estúpido, infantil, impensável e idiota. A noite não tinha nada a esconder, não tinha pesadelos nem assombrações, nunca tivera. A noite estava igual, como qualquer outra anterior, como sempre fora antes de chegar ali... Akane tentava convencer-se disso com todas as suas forças, fracassando redondamente quando uma vozinha fina e demasiado aguda lhe sussurrou na mente: "A noite esconde os demónios que nos trazem ilusões." E ela estava, indiscutivelmente, certa.


N.A.: Prontinhoooooo, atendendo aos pedidos das meninas, aqui está o cap novo ^^
Eu peço desculpa por não ter postado ontem, mas a faculdade mata-me e o curso de treinadores que estou a tirar ainda me mata mais ._______.
Muitoooooo obrigada por todas as reviews ^^ Eu fico muito feliz com elas ;D
Prometo o cap dois para o final da semana o/

Reviews, please, a Jay agradece ^-^

P.S.: EU QUERO A MINHA BETAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA mimimimimimimimimimimimimimimimim T______________________T