Capítulo 2
Demónio
- Yuuki... Yuuki!
- Quê?! - exclamou Cross, abrindo os olhos repentinamente e encarando a amiga.
- A aula já terminou - informou Sayori, sorrindo levemente para a menina.
- Adormeci outra vez! - concluiu Yuuki, bufando levemente e levantando-se. - Zero apareceu na aula?
- Não - respondeu a outra menina, saindo da sala com a amiga ao lado.
- Ele não aparece nas aulas há cinco dias - lembrou Yuuki, seguindo pelo corredor. - Não sei o que se passa, ele cumpre o seu dever de monitor, mas anda desaparecido de dia...
- Já lhe perguntaste o motivo dele não estar aqui? - sugeriu Wakaba.
- Ele não me responde - disse a morena, mordendo a unha do polegar. - E eu preocupo-me, como sempre. Mas não deve ser nada! - sorriu - Afinal, o Zero é mesmo assim, cheio de mistérios!
Mas eram esses mesmos mistérios que preocupavam Yuuki. O que poderia ter acontecido para o seu amigo não ir às aulas? Seria por o seu estado de vampirismo estar a agravar-se? Ou seria outro qualquer motivo que ele, mais uma vez, não lhe iria contar para não a deixar mais preocupada? Suspirou... Zero era sempre uma incógnita.
O refeitório estava relativamente cheio. As vozes dos estudantes elevavam-se e o burburinho alto enchia o ar. Yuuki e Sayori pegaram nas respectivas refeições e sentaram-se numa mesa com mais elementos da turma de ambas. Conversavam e riam enquanto almoçavam, mas Cross estava sempre atenta a qualquer indício de Zero. Ela estava realmente preocupada.
- Yori-chan, por acaso não sabes da Saito-san? - perguntou Cross, lembram-se repentinamente que não havia visto a nova colega em toda a manhã.
- Ela foi à aula da manhã, Yuuki - contou a amiga. - Tu é que estavas a dormir e não a viste.
- Ah, pois, tens razão - comentou com um leve sorriso forçado.
- E agora ela está ali - informou Sayori, indicando uma mesa afastada da delas. - Com o Kiryu-san.
- Zero? - interrogou Yuuki, virando-se repentinamente para ver a mesa que a amiga apontara, sentindo, de imediato, um peso no estômago. - Ichiru?! Porque a Saito está com o irmão do Zero?
- Mas tu andas cega, Yuuki? - perguntou Sayori, passando a mão na frente dos olhos da amiga. - Eles têm estado juntos em todas as aulas e passavam a vida a conversar fora delas. São os dois novos no colégio, logo, é normal que tenham ficado amigos.
Não, Yuuki não achava aquilo normal. Saito havia sido atacada por um vampiro e Ichiru sabia o segredo da Night Class, não poderia ser um coincidência que o Kiryu se aproximasse da menina, ou poderia? Mais uma vez, ela sentia a falta de Zero naquele momento. De certo que o amigo lhe diria que aquela era uma preocupação inútil e que Ichiru poderia muito bem ser amigo de qualquer pessoa. Ou então dir-lhe-ia que ela tinha razão, que aquilo era estranho e iria fazer algo, falar com o irmão ou coisa parecida, mas ele, definitivamente, não ficaria quieto a um canto, tal como ela estava a fazer naquele preciso momento.
Mas que poderia ela fazer? Falar com Ichiru e perguntar-lhe as intensões dele para com Saito? Seria ridículo! Falar com Saito e assustá-la em relação a um possível amigo, o único que ela havia feito na academia até àquele momento? Aquilo ainda soava mais ridículo. Suspirou e sacudiu a cabeça. Ela não tinha o direito de se meter na vida de ninguém e não poderia repreender Saito por falar com Ichiru. A ruiva não sabia de nada e o Kiryu poderia, simplesmente, ter encontrado uma amiga.
- Yuuki – chamou Sayori, observando a amiga.
- Sim?
- Estamos atrasadas para a aula – informou. – Estavas completamente distraída.
- Oh, desculpa, Yori-chan! – pediu a menina, levantando-se. – Eu estou preocupada co-
- Eu sei – murmurou Wakaba, sorrindo. – Estás preocupada com o Kiryu-kun. Vais ver que não é nada de especial, Yuuki, ele está bem.
- Eu gostava de ter essa certeza – sussurrou Cross, seguindo para a aula da tarde, sem conseguir tirar da cabeça a preocupação com Zero.
X X X
Era todos os dias o mesmo, sempre as mesmas pessoas, sempre os mesmos gritos histéricos e sempre o desprezo da maioria dos estudantes da Night Class. Seria possível que aquelas raparigas não sabiam desistir? Olhou em frente, vendo a outra monitora a correr de um lado para o outro, tentando evitar que as alunas da Day Class saíssem de onde estavam. Yuuki tentava conter as raparigas, quase que implorando mentalmente para que elas ficassem quietas e ela pudesse falar, por um minuto que fosse, com Zero. Mas ele nem sequer a encarava directamente.
Os portões abriram-se, tal como todas as noites, e os estudantes da Night Class saíram por eles, sendo recebidos com mais gritos histérios, elogios, presentes quase nunca entregues e uma absurda dose de fascinação. Os alunos passavam em grupo, seguindo uns atrás dos outros, fazendo as meninas da Day Class delirarem por completo. Por entre todo aquele bando de vampiros, lá estava ele, Kuran, sempre com a sua postura perfeita e o olhar calmo, sempre irritante nos seus passos ligeiros. E Yuuki, como todos os dias, desviando o olhar por míseros segundos para olhá-lo, para ver o vampiro que se fingia de bom e que ela tanto venerava.
Zero bufou baixinho, irritado. Era todos os dias o mesmo e ele estava, indiscutivelmente, a ficar farto daquilo. Logo que os estudantes da Night Class passaram, Kiryu começou a dirigir-se para o seu quarto. Pretendia tomar banho e mudar de roupa antes do turno da noite começar. Contudo, a meio de um corredor, sentiu a mão de Yuuki sobre o seu braço.
- O que foi? - perguntou, parando de andar e encarando-a.
- O que se passa? - indagou ela, olhando-o docemente. - Porque não tens aparecido nas aulas, Zero?
Ele não respondeu. Apenas lhe lançou aquele olhar que ela sabia que significava que ficaria sem resposta ao que quer que lhe tivesse perguntado. Zero andava estranho.
- Pelo menos - começou, apertando mais a mão no braço dele. - Pelo menos diz-me que está tudo bem. Que não-
- Está tudo bem - repetiu ele, olhando-a nos olhos, sem expressar qualquer tipo de sentimento. - Não tens de te preocupar comigo.
- Mas, Zero-
- Por favor, Yuuki - pediu Kiryu, soltando o braço da mão dela, delicadamente, e voltando a caminhar pelo corredor. - Já te disse que está tudo bem, que não tens de te preocupar. Que eu não quero que te preocupes.
Ficou parada a vê-lo afastar-se. Zero sempre fora frio e impessoal, mas aquele frio que ele lhe transmitiu não era normal nele. Algo estava errado, ela sabia-o, mas que poderia fazer se o amigo não queria ser ajudado? Se ele nem sequer lhe contava o que estava a acontecer? Suspirou e rumou na direcção contrária. Ela tinha uma ronda para fazer.
X X X
Estava parada à porta do seu quarto, ainda com o uniforme da academia vestido, nervosa demais para o conseguir disfarçar e, mesmo assim, olhava para o rapaz à sua frente da forma mais natural que conseguia. Tinha as mãos cerradas em volta de um livro, apertado contra p peito, os olhos baixos fugiam constantemente para o chão e os cabelos rubros escondiam-lhe o rosto. Ichiru apenas a tentava convencer a ir até à biblioteca, mas ela não iria. Não, nunca, ela não deixaria a segurança do seu quarto. Não enquanto fosse noite.
- A biblioteca já está fechada - murmurou ela, sem olhar o rapaz. - Vamos lá amanhã de manhã.
- Saito, por favor, ninguém se importa se a biblioteca está fechada ou não - afirmou Ichiru, afastando uma mecha de cabelo do rosto da menina e obrigando-a a levantar a face, encarando-o. - Vamos até lá, encontramos o livro que precisamos para amanhã e voltamos. É rápido, eu prometo-te!
- É proibido - disse ela, simplesmente, deixando o rosto levantar pela mão suave dele.
- De que tens medo? - questionou ele, percebendo uma sombra sobre as íris verdes de Akane. - O que se passa?
- Nada - mentiu ela, desviando o olhar. - Não é nada, apenas não gosto de quebrar regras.
- Não vais ter de quebrar regras nenhumas, Saito - corrigiu ele, segurando-lhe no braço devagar. - Anda, é já ali.
- Não, Kiryu-kun, eu-
Calou-se, subitamente, arregalando os olhos e apertando com muito mais força o livro entre as mãos. Um arrepio gelado, um medo descontrolado, uma aflição inexplicável corria-lhe o corpo. Algo se aproximava, ela tinha certeza disso, algo diferente, algo assustador. Um demónio, pensou para si mesma. Sentia-o, podia sentir o seu cheiro distinto, a sua presença, a sua aura gelada. Engoliu em seco, tentando desesperadamente não começar a tremer, controlar o sentimento mórbido que tomava conta de si.
- Saito? - chamou Ichiru, apoiando as mãos sobre os ombros da rapariga e encarando-a. - Saito, estás bem?
Ela abanou a cabeça em negação. Não conseguia falar, não tinha voz para isso. Fechou os olhos com força e apertou mais o livro contra o peito. Estava próximo e ela não conseguiria fugir, mesmo que tentasse, estava petrificada. Podia ouvir os passos cada vez mais perto, a intensidade do cheiro, da aura gelada, os arrepios de frio constantes, o medo...
- Saito?!
Como Ichiru não o sentia? Porque não o ouvia? Seria possível que não percebesse o que estava prestes a chegar?
- O que fazes aqui, Ichiru?
O demónio! Era real, não era uma ilusão, não era uma alucinação do seu cérebro, ultimamente, tão perturbado. Pânico. Aflição. Desespero... O seu medo era real, o seu medo tinha fundamento.
- Ah, Zero! - exclamou Ichiru.
Zero? Akane abriu os olhos, fixando-os no rapaz que se encontrava atrás do amigo. E, para seu grande horror, o que viu foi um contraste entre dois opostos que deveriam ser iguais. Sentiu-se horrorizada com o que via. Zero era diferente, Zero era frio, Zero era estranho, Zero era um demónio, uma criatura da noite. E estava ali, à frente dela, fazendo espelho com um igual contraste, aterrorizando-a profundamente.
E medo! Ele transmitia-lhe um medo terrível. Contudo, ela não se mexia, ela não desviava os olhos dos dele, ela parecia profundamente hipnotizada pelas íris prateadas do gémeo oposto de Ichiru.
- O que és tu? - perguntou num fio de voz, sem controlar o que dizia, deixando o seu subconsciente tomar controlo do corpo e da mente.
- Saito-kun, este é o Zero, o meu Onii-san* - apresentou Ichiru, colocando-se de lado entre os dois, deixando-os ficar frente a frente, mantendo um sorriso matreiro no rosto.
- Não foi isso que ela perguntou - sussurrou Zero, sem tirar os olhos cinza das esmeraldas verdes que iluminavam as íris dela, deixando a intensidade daquele olhar ser quase palpável.
- O que és tu? - repetiu ela, quase um silvo saído dos seus lábios pálidos, um peso no peito que a impedia de respirar.
Ela tinha uma aura diferente, Zero estava certo isso e sentia-se intrigado. Como podia ela ter percebido a essência da sua natureza se nem os vampiros da Night class o tinham compreendido? Que género de pessoa era aquela tímida e aparentemente frágil rapariga que, consumida por um medo desconhecido, o enfrentava daquela forma. E aquele olhar... Ele já o vira antes, mas onde? Aqueles olhos verdes e profundos, escurecidos pelas sombras do medo, mas tão intensos... tão incrivelmente intensos.
Deu um passo em frente, ignorando a figura do seu irmão, apoiando a mão sobre a porta fechada atrás de Saito, debruçando-se sobre ela, aproximando perigosamente os rostos e olhando para dentro dos seus olhos. Sentia a respiração irregular dela, podia ouvir os apressados batimentos cardíacos e, subitamente, sentiu-se totalmente inebriado com o aroma dela. Algo doce e quente, tão cativante como o cheiro do próprio sangue. Quem era aquela pessoa?
- Podia perfeitamente perguntar-te o mesmo, já que és tão diferente quanto eu - sussurrou, não sabendo ao certo o que o levara a aproximar-se assim.
- Eu não sou um demónio da noite - proferiu, simplesmente, arrepiando-se ainda mais a cada gesto dele, a cada palavra dita, a cada segundo que mantinha o olhar preso naquelas íris prata.
Demónio... Ela sabia. Ela conseguia identifica-lo, mesmo sem perceber o que aquilo realmente significava. Afastou-se, sem deixar de olhá-la, ainda com o aroma a rodear-lhe a mente. Quem raios era ela?
- Zero, estás a assustar a Saito - comentou Ichiru, olhando para o irmão a apoiando uma mão sobre o ombro dele.
- O que é que tu estás aqui a fazer? - interrogou, cortando, finalmente, a ligação do olhar com a menina.
- Vim acompanhá-la ao dormitório - mentiu ele, mostrando novamente o seu sorriso matreiro. - Não queria que ela viesse sozinha à noite.
- Ela já está no dormitório - rosnou Zero. - Desaparece daqui!
Ichiru apenas riu, acenou a Akane, virou costas e seguiu pelo corredor escuro. Zero voltou-se novamente para a ruiva, que ainda estava encostada à porta do seu quarto. Ela estava a deixá-lo profundamente intrigado.
- Tem uma boa noite - disse, imitando o gesto do irmão e saindo pelo corredor, deixando a menina sozinha.
Saito entrou no cómodo apressadamente, o medo e o pânico tomando conta dela completamente, bateu com a porta, trancou-a e afastou-se desta, ficando a olhar para a madeira escura, enquanto andava para trás, até embater com as pernas na borda da cama e cair sentada nesta. Soluçou duas vezes, tentando recuperar a respiração descompassada e controlar o desespero que lhe ia na alma, mas de nada adiantou.
Sentiu duas lágrimas quentes escorrerem pelo seu rosto alvo. Ele era real... ele era um demónio real e algo lhe dizia que ele não era o único que se escondia na noite daquela academia. E, se ele não era o único... a vida de Saito acabara de se tornar um verdadeiro pesadelo.
X X X
Bateu com a mão na parede fria, fechando os olhos com força e deixando a água demasiado quente escorrer pelo seu corpo. Não conseguia tirar a conversa com aquela rapariga da cabeça. Não conseguia saber porque tudo aquilo lhe intrigava tanto e não conseguia compreender, sequer, porque havia agido daquela forma. Porque se havia aproximando tanto dela? Porque a enfrentara daquela maneira, causando-lhe desconforto e ainda mais medo? Suspirou, abrindo os olhos prata, fixando-os num ponto infinito, algures à sua frente.
Ela sentira-o... ela sentira-o enquanto vampiro, mesmo sem perceber o que estava a sentir... Como aquilo havia sido possível? Nem Ichiru, seu irmão gémeo, o tinha sentido a aproximar-se. Quem, ou melhor, o que era aquela rapariga? Nenhum humano normal sentia vampiros... Como ela conseguia?
Desligou a água do chuveiro e sacudiu os cabelos encharcados antes de pegar na toalha e enxugar as gotas que lhe permaneciam no corpo, enrolando-a em volta da cintura em seguida. Parou em frente ao lavatório, olhando-se ao espelho esbaciado. As suas presas notavam-se perfeitamente, não havia maneira de continuar a esconder aquilo em que se havia tornado por muito mais tempo. O medo de decair para um Level E já se encontrava longe, mas isso não o impedia de sentir sede e desejo pelo sangue. Odiava-se por isso. Odiava-se por aquilo em que se tinha tornado.
Vestiu a roupa da parte inferior do corpo, deixando o quarto de banho em seguida. A noite já ia alta, demorara mais tempo do que o previsto. Sentou-se no sofá, às escuras, apoiando a cabeça entre as mãos e os cotovelos nos joelhos. Estava cansado e deveria ir dormir, mas... de cada vez que fechava os olhos, aquelas íris cor de esmeralda surgiam-lhe na mente, despertando mais inquietação e roubando-lhe o sono. Ele já tinha visto aqueles olhos antes, disso não havia dúvidas. Mas onde? Onde tinha ele encontrado aquele verde tão profundo que tingia as íris de Saito?
- Zero? - Yuuki surgiu na sala, abrindo a porta devagar, sem acender a luz, e encarando o rapaz. - Zero...
A menina entrou no cómodo, aproximando-se do amigo e parando em frente a ele. Zero ainda estava na mesma posição, com os olhos fixos no chão e os cabelos sobre o rosto. Yuuki ajoelhou-se, apoiando as delicadas mãos sobre as de Kiryu e olhando-o. Estava preocupada com ele, queria perceber o que se passava, porque ele estava tão distante nos últimos dias. Queria algo que lhe dissesse que não precisava de se preocupar.
- Zero... - voltou a chamar, levantando o rosto do rapaz, olhando-o nos olhos.
Vermelhos, cor de sangue, intensos e brilhantes, mesmo na escuridão daquele quarto. Ela abriu levemente a boca, como se fosse falar e as palavras não saíssem, ficassem presas na garganta, como um nó perfeitamente atado. Retirou uma mão da face de Kiryu, levando-a, trémula, aos cabelos castanhos e afastando-os do seu pescoço, expondo a pele pálida. Não precisavam de palavras para aquilo, era um momento mudo, sofrível e agoniante, mas apenas deles.
Os lábios de Zero desciam suaves e macios sobre a pele delicada de Yuuki, deixando a língua humedecer a zona onde, momentos depois, as suas tão odiadas presas cravavam o pescoço alvo da menina. Ela deixou escapar um leve gemido de dor, sentindo o seu sangue, quente, escorrer para o seu peito, manchando a sua camisa. Fechou os olhos, suspirou e levou uma mão aos cabelos do rapaz, envolvendo os dedos finos nos fios prateados, compreendendo, subitamente, que ele era o único a quem ela haveria de permitir tal gesto.
X X X
- Porque não me contaste? - a voz de Akane era baixa e fria, magoada.
- Não achei que era importante - murmurou Ichiru, surgindo atrás dela em silêncio.
Saito virou-se, deixando de encarar a manhã através da janela da sala de aula vazia, fixando o olhar intenso no rosto do rapaz que se encontrava em pé à sua frente. Sentia-se quase traída por ele. Tinha confiado nele, nos últimos seis dias, mais do que alguma vez confiara em quem quer que fosse. Ele, simplesmente, parecia-lhe digno, transmitia-lhe confiança... mas não passava de uma ilusão.
- Eu disse-te que sentia que existiam seres estranhos nesta academia e tu negaste! - exclamou ela, levemente irritada. - Disse-te que sentia auras geladas de pessoas que não poderiam ser humanas e tu, novamente, negaste!
- Saito-
- Como, Kiryu-kun, como raios eu sinto uma pessoa dessas, ela aproxima-se, aparece-me à frente e eu descubro que, esse ser, é teu irmão gémeo? - interrogou ela, levantando-se. - Irmão esse do qual tu nunca me falaste, tu nunca mencionaste, tu nunca referiste, sequer, mesmo quando me falaste da tua família!
- Saito...
- Porquê, Kiryu-kun? Diz-me porquê! - implorou ela, baixando o rosto, encarando o chão e cerrando fortemente os pulsos.
Ichiru apenas a olhava. Não esperava ter desenvolvido uma amizade tão depressa com aquela rapariga. Havia-se aproximado apenas porque ela, mais tarde ou mais cedo, haveria de descobrir o segredo da Night Class e, quando isso acontecesse, poderia ser proveitoso tê-la ao seu lado. Mas nunca imaginou que ficasse realmente amigo dela, que se importasse com a expressão da face dela, que ficasse triste quando ela não lhe dirigisse um sorriso. Akane aparecera do nada na sua vida e tornara-se importante. Mais até que Maria. E tudo em míseros seis dias. Como era possível ficar a gostar tanto de um perfeito desconhecido em tão curto espaço de tempo?
Suspirou, não sabendo como lhe poderia responder sem lhe contar o segredo que ainda não deveria descobrir. Olhou para ela, observando com suavidade cada fio brilhante de cabelo vermelho-sangue, caindo subtil pelo seu rosto, escondendo-o. Ela era tão estranhamente delicada...
Deu um passo em frente, rodeando o corpo da menina com os braços, fazendo-a encostar a testa no seu ombro, sentindo aqueles cabelos rubros no seu pescoço. Aconchegando-a num abraço que ele nunca se julgou capaz de dar.
- Desculpa - sussurrou ao ouvido dela, apertando-a docemente contra si. - Eu não te queria mentir, mas... há coisas que tu não deves saber por enquanto.
- Kiryu...
- Eu não pensei que fosses sentir o meu irmão, não pensei que fosses capaz de tal coisa - confessou ele, fechando os olhos. - A minha história e a de Zero é complicada para ser contada assim, é complexa demais...
- Mas-
- Tu irás perceber, Saito - disse, simplesmente. - Tu irás perceber em breve.
* Onii-san - Irmão mais velho.
N.A.: Ok, eu demorei a postar, sorry. Eu tinha dito que postava quando tivesse o 5º quase pronto e ainda nem o comecei :S Faculdade mata, gente, cuidado!
Muito obrigada a toda a gente que comentou ^^ eu fico super feliz!
Reviews, please, elas dão apoio moral para continuar a escrever xD
Bjos,
Just
