Capítulo 5
Proposta

- Eu sei o que eles são.

Kaien levantou os olhos dos papeis que tinha sobre a sua mesa e encarou a aluna à sua frente. A postura direita, os braços alinhados ao lado do corpo, as mãos fechadas e os lábios fortemente comprimidos apenas indicavam que ela estava, no mínimo, irritada. Desviou os olhos para as íris verdes da menina e sentiu-se queimar com a intensidade de emoções que ali viu.

- Foi um deles que me atacou, não foi? - perguntou Saito, a voz demasiado baixa e controlada.

- Sim - confessou o director, ajeitando os óculos sobre o rosto.

Viu-a morder o lábio inferior e mexer levemente a cabeça, como se tivesse algo que a incomodasse sobre os ombros.

- Foi um dos que estuda aqui? - questionou, ainda com o mesmo tom de voz.

- Não sabemos - respondeu Kaien, vendo a rapariga cerrar os dentes brancos.

Ela deu dois passos em frente, irritada e furiosa, bateu com as mãos sobre a secretária do director e encarou-o.

- Como não sabem? - rosnou. - Existem vampiros nesta academia! Vampiros atacam pessoas e vocês nada fazem para os controlar?

- Todos os vampiros que estão na Academia não atacam humanos - afirmou Cross, respirando fundo. - Eles prometeram não o fazer para poderem viver em plena harmonia com os restantes alunos.

- Então como é que eu fui atacada? - bufou a ruiva. - Eu estava a vir para aqui quando um deles me acatou! No meio da rua! Em frente a qualquer pessoa, como é possível que ninguém tenha visto nada ou que não saibam quem o fez?

- Saito-san, eu compreendo o que sentes e estamos a fazer de tudo para descobrir o responsável, mas-

- Mas não é suficiente! - declarou ela, batendo novamente com as mãos sobre a mesa. - Eu podia ter sido morta! Estas criaturas bebem o sangue até não restar mais nada!

- E como sabes tu isso? - indagou Cross, vendo-a perder a expressão de fúria e ganhar uma de confusão.

- Eu... não sei - respondeu simplesmente.

- Eu peço desculpa pelo que te aconteceu, e prometo que estamos a resolver o assunto - disse Kaien, levantando-se. - Eu estarei à tua disposição, assim como Yuuki e Zero-kun, para qualquer dúvida ou para o que precises.

- Eu preciso de respostas, Cross-sama - afirmou ela, virando costas e preparando-se para sair. - E não vou desistir sem as ter!

X X X

Yuuki chegara novamente atrasada à aula da manhã. Entrara na sala sem fazer barulho e sentara-se ao lado de Sayori, como fazia todos os dias. Abriu o livro, suspirando de alívio por o professor não ter percebido que ela chegara tarde e olhou em volta, procurando por Zero. Mais uma vez, o rapaz não estava na aula. Mas, naquele dia em especial, ele não era o único a faltar. Ichiru e Akane também não se encontravam na sala.

Estranhou. Zero era normal faltar às aulas da manhã, Ichiru ia a algumas, mas Akane ainda não havia deixado de comparecer a nenhuma. A ruiva escontrava-se na academia havia uma semana e parecia ter-se adaptado perfeitamente ao ritmo da escola. Fizera amigos e, apesar da sua íntima convivência com o gémeo de Zero, a menina parecia contente e encontrava-se quase sempre com um sorriso nos lábios.

No final da aula, Cross dirigiu-se para o pátio da academia, sendo acompanhada por Sayori. Ambas conversavam sobre a possibilidade dos alunos da Day Classe organizarem um baile de dia de - ainda a quase três meses de distância - e de como quase toda a gente estava entusiasmada com essa ideia. O director havia sugerido isso no dia anterior e, como seria de esperar, a grande maioria dos alunos aceitou de bom grado ficando imediatamente ansiosos.

- Hey, Yuuki-chan! - exclamou Aidou, aparecendo subitamente ao lado da menina, o que criou um ataque de gritinhos histéricos à sua volta.

- Aidou-senpai, o que fazes aqui? - indagou Cross, olhando o rapaz de lado.

- Preciso de falar contigo! - afirmou ele, sorrindo e segurando o pulso da rapariga. - Vem comigo!

- Hey, Aidou-senpai, espera! - pediu a morena, mas sem êxito, olhando para a amiga que apenas sorria. - Yori-chan, eu volto já.

O loiro puxou a menina pelas jardins, de forma a que deixasse a confusão de alunas ali presente para trás e, finalmente, soltou o pulso dela. Olhou-a atentamente e, depois, abriu um enorme e assustador sorriso. Yuuki deu um passo atrás, na defensiva.

- O que se passa? Porque me puxaste até aqui? - indagou ela, desconfiada.

- Ontem aconteceu algo muito estranho - comentou o vampiro, mantendo o sorriso. - O que sabes sobre isso?

- Na- nada - respondeu a morena, encarando-o admirada. - Não faço ideia do que estás a falar!

- Kiryu Ichiru estava nos terrenos da Night Class ontem à noite e não estava sozinho - informou Hanabusa, cruzando os braços. - Quem quer que estivesse com ele viu dois de nós e, possivelmente, descobriu o nosso segredo.

- Não é possível - murmurou a menina, engolindo em seco. - A única pessoa que se dá com Ichiru é a Sainto-san! Só pode ter sido ela!

- A nova aluna? - indagou ele, pensativo. - Aquela foi que atacada por um vampiro desconhecido antes de chegar à Academia, certo?

- Sim - confirmou Cross, mordendo o lábio. - Porque estaria ela com Kiryu-kun nos terrenos da Night Class?

- Não é óbvio? - perguntou Aidou, revirando os olhos. - Ela foi atacada, Kiryu-kun estava com ela e, acima de tudo, ela descobriu o nosso segredo. Ele está a criar alguém que fique do lado dele.

- Mas para quê? - interrogou a morena, confusa. - Que vantagem tem ele para isso?

- Não sei - sussurrou Hanabusa. - Mas saberei em breve! Yuuki, eu quero conhecer essa Saito-san!

- O quê? - admirou-se a menina, piscando os olhos perante a afirmação do vampiro.

- Arranja maneira de ma apresentares ou eu invadirei os dormitórios da Day Class para a conhecer! - exclamou, sorrindo novamente e virando costas. - Depois diz-me qualquer coisa, sim?

- Aidou-senpai, espera! - pediu a menina, mas o loiro já havia desaparecido por entre as árvores. - Porque raios quer ele conhecê-la...?

X X X

Era hora de almoço e ele ainda não se tinha atrevido a sair do seu quarto. Estava encostado à janela, de costas para esta, com os olhos fechado e o seu guizo entre os dedos, ganhando coragem para sair e, especialmente, enfrentar o olhar reprovador de Akane. Sabia que lhe devia ter contado, que a devia ter preparado para aquilo, mas não tinha noção de como o fazer. O choque da descoberta que ela havia feito na noite anterior ainda estava demasiado vivo na mente do rapaz e o olhar de medo e horror que ela lhe lançara parecia cravado nos seus pensamentos.

Tinha medo de sair e enfrentá-la. Medo do que ela lhe pudesse dizer ou que o desprezasse. Maldita rapariga que se tinha tornado tão importante para ele. Seria a falta que Shizuka-sama lhe fazia que o obrigou a apoiar-se naquela estranha? Ou seria algo que Akane tinha que o havia cativado daquela forma tão irreal? Suspirou, receoso, engolindo em seco como que a tomar coragem para seguir em frente.

Mas, subitamente, duas pancadas levas na porta do seu quarto arrastaram-no para a realidade. Ichiru respirou fundo, colocando o guizo novamente na fita que lhe prendia os cabelos e caminhando até à porta fechada. Concentrou-se, tentando, em vão, sentir o que quer que fosse. Nada. Mais duas pancadas.

- Sim? - perguntou, a mão na fechadura da porta, pronta para abrir ou para se afastar.

- Ichiru... - a voz de Saito era baixa e contida, quase sussurrada. - Abre por favor.

Ele sentiu o coração disparar. Voltou a respirar fundo, dando uma volta à chave que se encontrava na fechadura e abrindo a porta. Espreitou, vendo o olhar baço e confuso da amiga e, institivamente, afastou-se, deixando-a entrar no quarto. Fechou a porta atrás de si e ficou a observar as costas da rapariga sem dizer rigorosamente nada.

- Tens um punhal? - perguntou ela, segundos depois, quebrando o silêncio. - Ou qualquer coisa do género?

- Para que o queres? - indagou, admirado com o pedido dela, sem se mover.

- Tens ou não? - questionou, ainda de costas para ele e com a voz realmente baixa.

- Tenho uma espada - confessou Kiryu, vendo-a encará-lo. - Ao lado da cadeira.

Ele não se moveu. Apenas ficou onde estava, estático, vendo a ruiva caminhar até o local que ele apontara, pegar na espada, retirar a sua protecção e observar a lâmina cortante. Viu Saito respirar fundo, murmurar algo indecifrável, fechar os olhos e, subitamente, colocar a espada por detrás do pescoço, cortando, de uma única vez, a cascata de cabelos ruivos que ela possuía.

- Akane! - exclamou Ichiru, correndo até ela e pegando-lhe no pulso que segurava a espada, impedindo-a de continuar aquela loucura. - O que raios estás a fazer?

- Ele beijou-me o cabelo! - guinchou ela, os olhos rasos de lágrimas de ódio, os dentes cerrados e o corpo a tremer levemente. - Ele beijou o meu cabelo com os lábios imundos que roubaram o meu sangue! Eu não suporto ter algo onde ele tocou tão perto de mim!

- Akane... - sussurrou Kiryu, engolindo em seco, fazendo-a soltar a espada e tocando-lhe ao de leve nas pontas irregulares do cabelo cortado.

- Eu estou a odiar-me tanto neste momento - confessou ela, encostando a testa no ombro do rapaz. - Como é que eu permiti que me atacassem?

- Não podias fazer nada para o evitar - disse ele, abrançando-a levemente. - Eles são... demasiado poderosos contra simples humanos.

- Conta-me a verdade - pediu Saito, segurando a camisa do rapaz com força. - Por favor, Ichiru, eu não quero sentir-me perdida. Eu preciso de saber em que mundo vivo e... quero saber a tua história. Porque odeias tanto o teu irmão e que relação têm vocês com os vampiros.

Kiryu engoliu em seco mais uma vez, apertando mais o braço que envolvia a menina, ponderando em como lhe dar uma resposta àquele pedido. Esta merecia saber, mas seria complicado contar-lhe toda a verdade. O que aconteceria se descobrissem que ele lhe havia revelado tudo o que sabia sobre aqueles seres malditos? Suspirou, ainda com os braços em volta da amiga, fechando os olhos e apoiando a testa no topo da cabeça da ruiva.

- O nome dela era Hiou Shizuka - começou, a voz baixa e quase sussurrada. - Uma vampira sangue puro que quase todos julgavam ser louca. A vampira que tornou a minha vida aceitável... a mulher que eu, incondicionalmente, amava.

Ichiru continuou a contar-lhe a sua história. Contou-lhe como conhecera Shizuka, o que ela lhe prometera, o que ele fizera por ela, como viveram e como ela havia sido morta por Zero. Falou-lhe de tudo o que havia vivido ao lado dela, falou de Maria, falou da frustração por Shizuka nunca o ter escolhido, falou da fixação da vampira por Zero e da sua sede de vingança. Contou-lhe tudo o que sabia, não só sobre Hiou-sama, como sobre o concelho de vampiros, o conselho de Hunters, as regras da sociedade, as histórias, os poderes, tudo o que se lembrava.

E Akane escutava atentamente. Aceitando que aquilo que ela sempre imaginara ser histórias para assustar crianças se havia tornado realidade. Os vampiros existiam. Os caçadores de vampiros existiam. Todo aquele universo louco movido à base de sangue e de morte era a dura e crua realidade. E ela estava, finalmente, ciente disso.

X X X

Sentia as gotas de água ferventes a baterem-lhe nas costas e a escorrerem-lhe pelo corpo. Estava naquele duche havia quase uma hora e, mesmo assim, não se sentia suficientemente bem para sair. A noite anterior tinha-lhe deixado memórias intensas e marcas que Zero dificilmente iria esquecer. A fragilidade de Akane e a forma como ela lhe aparecera à frente eram difíceis de relembrar, mas... a forma como ela o olhara, como ela o atacara e como o chamara de vampiro eram, no mínimo, perturbadoras.

Bateu com o punho na parede de azulejos e fixou os olhos no infinito à sua frente. Aquela rapariga estava a dar com ele em doido. Ora por não saber quem raios ela era realmente, ora pelas suas atitudes estranhas e totalmente inesperadas. E com se isso não bastasse, o início daquele dia tinha sido... estranhamente indescritível.

Proteger a ruiva dos seus medos durante a noite, deixando-se ficar abraçado a ela, no chão, tinha sido estranho. Ficar com ela a noite toda, sem dizer uma única palavra, apenas mantendo-a junto a si e deixar-se adormecer, era muito estranho. Mas acordar no mesmo sítio, sentindo o aroma dos cabelos dela, vendo a expressão de serenidade da sua face e a forma delicada, mas decidida, como ela, inconscientemente, segurava a sua camisa... para isso, Zero não tinha palavras.

Abrira os olhos lentamente, sentindo o calor do corpo de Saito sobre o seu. Olhou para o rosto dela, vendo a delicadeza e suavidade dos seus traços adormecidos, arrepiando-se com a respiração dela contra a pele do seu pescoço. Passou-lhe uma mão sobre os cabelos rubros, afastando-os da frente da face de anjo, vendo-a esboçar um tímido sorriso inconsciente com aquele gesto.

Respirou fundo, levantando-se devagar e com a menina nos braços, colocando-a sobre as cobertas da sua cama, tapando-lhe o corpo com um cobertor que estava sobre a cadeira ali existente. Tentou afastar-se, regressar ao seu quarto e esquecer aquelas horas, mas não conseguia. Não conseguia afastar o olhar do semblante adormecido da menina e, acima de tudo, havia algo que, simplesmente, não o deixava partir.

Aproximou-se lentamente, sentando-se ao lado dela, sobre a cama. Tocou-lhe ao de leve na mão que se encontrava perto do rosto e, novamente, uma intensa sensação de deja vu tomou conta dele. Onde ele tinha visto Saito, como a conhecia anteriormente ou qual era a estranha ligação entre eles, Zero não sabia responder. Mas de uma coisa, ele tinha a certeza absoluta: Akane não lhe era uma estranha e, definitivamente, não era uma pessoa qualquer.

Respirou fundo, ainda com a mão sobre a mão adormecida de Saito. Aproximou a face da mão dela e depositou um leve beijo na palma. Como se lhe estivesse a responder, Akane fechou lentamente a mão, suspirando durante o sono calmo. Zero ainda a observou durante alguns minutos até sacudir a cabeça, convencer-se que estava a ser louco e, finalmente, abandonar o quarto da ruiva.

Fechou a água do chuveiro e pegou numa toalha que ali estava pendurada. Sacudiu os cabelos, secando-os lentamente enquanto desejava que aqueles pensamentos e lembranças desaparecessem com as gotas de água quente. Não sabia o que se passava com ele, mas sentia que era errado. Não sabia que raio de ligação era aquela com Akane, mas tinha a perfeita noção que era algo anormal. Não sabia quem aquela rapariga era, mas afirmava que não era uma humana normal.

Desembaciou o espelho com a mão e olhou o seu reflexo. Os seus olhos estavam vermelhos novamente e isso era mau sinal. Não podia fica sedento com tanta frequência, o sangue de Kuran deveria ter parado essa sede. Fechou os olhos com força e saiu do quarto de banho, caminhando pelo cómodo e sentando-se na sua cama. Estava confuso e exausto e, por muito que não quisesse, a única coisa que o poderia aliviar, tanto da confusão da sua mente como da sede, era deixar-se cair no sono. E foi exactamente isso que ele fez.

X X X

Parou à porta da sala do director e respirou fundo. Não sabia porque tinha sido chamada ali, mas não gostava da ideia. Passou uma mão pelos cabelos, agora curtos até meio do pescoço, e retirou a franja da frente dos olhos. Olhou para a porta fechada e percebeu duas presenças na sala. Aquele seu estranho poder estava a ficar cada dia mais intenso. Ajeitou o uniforme, fechou os olhos por uns instantes e bateu duas vezes à porta.

A voz de Kaien logo soou, dizendo-lhe para entrar, e ela assim o fez. Segurou a maçaneta da porta e abriu-a, passando por esta sem desviar os olhos do director, sentado na secretária, mesmo à sua frente. Percebeu que havia ainda outra pessoa na sala quando ouviu a voz de Yuuki a cumprimentá-la e se voltou para retribuir o gesto. Viu, então, que Zero estava ao lado da menina, confirmando assim a sua inicial suspeita.

Saito apenas acenou levemente para Yuuki e Zero, ignorando o olhar surpreso que ambos lhe lançavam, e rapidamente se voltou para o director. Algo lhe dizia que ela não tinha sido chamada ali em vão.

- Mandou-me chamar, Cross-sama? - indagou ela, fazendo uma leve vénia.

- Mandei sim, Saito-san - confirmou o homem, sorrindo-lhe. - Eu fui um pouco rude hoje de manhã, não devia ter agido daquela forma. Devia ter-me oferecido para te explicar as coisas, falar sobre a realidade dos vampiros e-

- Obrigada, Cross-sama, mas o Ichiru já me pôs ao corrente dessa realidade - interrompeu a menina, sentindo que Zero se havia movido à menção do nome do irmão. - Contudo, acredito que o director me pode dar mais detalhes sobre estes seres.

- Estou a ver - comentou Kaien, pensativo. - Saito-san, eu gostaria que conhecesses uma pessoa.

Akane olhou desconfiada para o director e, logo em seguida, um tremendo arrepio gelado correu-lhe as costas. A ruiva olhou subitamente por cima do ombro, directamente para a porta por onde havia entrado momentos antes. Era uma aura muito maior e muito mais gelada que qualquer outra que ela alguma vez havia sentido.

Ouviu Kaien fazer um pequeno comentário indecifrável para Zero e Yuuki e percebeu que o rapaz lhe respondera de volta. Mas nada disso lhe importava. Toda a sua atenção estava focada para o ser que se encontrava do outro lado da porta. Três batidas fortes, marcadas e sincronizadas com os batimentos do seu coração, soaram no cómodo silencioso.

- Entre - a voz de Kaien estalou no ar, dando permissão àquele ser para abrir a porta e entrar.

Os passos eram graciosos e calmos, a forma distinta como o corpo de movia, o olhar delicado e sereno, os cabelos negros pareciam seda e o pequeno sorriso perfeito que ele esboçou ao entrar faziam dele o mais divino ser que Akane alguma vez havia visto.

Kaname fechou a porta atrás de si, atravessando a sala e parando ao lado da ruiva, encarando-a por breves segundos. E, por breves segundos que Akane se sentiu perder nos olhos escuros daquele homem, na intensidade de emoções que eles escondiam e na profundidade dos sentimentos que eles representavam. Por breves segundos, Saito estava completamente entregue ao olhar de Kaname, não percebendo que, estranhamente, também ele se rendia lentamente às esmeraldas das suas íris.

- Saito-san, este é Kuran Kaname, líder do dormitório da Lua e-

- O sangue puro da Academia - completou ela, sem tirar os olhos do moreno e fazendo uma ligeira vénia de apresentação. - Saito Akane.

- Finalmente conhecemo-nos, Saito - comentou o sangue puro, esboçando um sorriso e olhando para Kaien. - Director.

- Kaname-kun, parece que a Saito-san já está a par de tudo - observou Kaien, satisfeito. - E, para comprovar o que Zero nos havia dito sobre a capacidade dela de sentir vampiros, ela conseguir perceber a tua chegada praticamente ao mesmo tempo que eu.

Saito olhou rapidamente para Zero e o rapaz depressa desviou o olhar. Sem saber muito bem o motivo, Kiryu sentia-se desconfortável com as íris da rapariga pousadas sobre si. Já não bastava Kaname para o deixar chateado, ainda tinha de ficar estranho na presença da ruiva.

- Isso apenas comprova que a minha ideia não é, de todo, insana - afirmou Kaname, voltando a olhar para a ruiva. - Saito, eu tenho uma proposta para te fazer.

- Que tipo de proposta? - indagou ela, desconfiada, fixando novamente o olhar no de Kuran.

- Saito-san, gostarias de ter tornar monitora da Academia Cross, assim como Zero e Yuuki? - propôs o director, mantendo o sorriso e olhando para a menina.

Saito abriu levemente a boca e piscou duas vezes os olhos. Ela poderia esperar qualquer coisa, mas a sugestão dela monitorar a academia e de, acima de tudo, lidar diariamente com vampiros, não era, certamente, algo com que ela estivesse a contar.


N.A.: Novo cap on ^^ Eu sei que demorei, mas só agora consegui terminar de organizar a minha vida para voltar a esta fic.

Reviews, please!! Deixam-me muitooooooooooooo feliz ^^

Bjos!
Just