Capítulo 6
Night Class
Sentia os olhares dos quatro presentes sobre si. O olhar calmo de Kaien, o admirado de Yuuki, o olhar feroz de Zero e aquele olhar que ela não conseguia descrever, pertencente a Kaname. Parecia que o tempo tinha parado enquanto esperavam a resposta dela. Parecia que os batimentos do seu coração estavam cada vez mais lentos assim como a sua respiração. Não esperava aquilo e, sinceramente, não sabia se era realmente o que queria.
Respirou fundo, evitando fixar as íris esmeralda em qualquer pessoa ali presente. Não queria ver as expressões de nenhum deles, nem ser influenciada por isso. Contudo, a aura gelada de Kaname estava, indiscutivelmente, a começar a perturbá-la. Saito quase tinha a certeza que, se respirasse fundo, poder-se-ia ver o fumo que costuma acompanhar as expirações quando estava demasiado frio.
- Monitora? - indagou finalmente, após o que lhe tinha parecido uma eternidade. - Eu não tenho qualquer experiência a lidar com vampiros, porquê eu?
- Porque és a única a saber o segredo da Night Class, para além de Yuuki e Kiryu - respondeu Kuran, voltando a olhar para a menina.
- Ichiru também o sabe - afirmou ela, mordendo o lábio. - Aliás, ele pertence a uma família de Hunters, parece-me muito mais adequado que eu para o cargo.
- Acontece que Kiryu Ichiru não é de confiança - comentou Kaname, ignorando a expressão de raiva de Zero e o olhar preocupado de Yuuki. - Nós não queremos entregar a guarda do nosso segredo a uma pessoa que já nos traiu anteriormente.
- Então entregam-no a uma perfeita desconhecida? - perguntou Saito, revirando os olhos. - Vocês não sabem nada sobre mim, como podem ter a certeza que sou de confiança?
- Isso é um facto, Saito-san - disse Kaien, apoiando o queixo sobre os dedos. - Eu tentei investigar o teu passado e não consigo encontrar rigorosamente nada.
- Isso deveria bastar para não a colocarem em contacto com a Night Class - protestou Zero, manifestando-se pela primeira vez.
- Eu investiguei o passado dela - confessou Kaname, no que Akane o olhou espantada. - Não há nada de errado. Família de classe média, tem dois irmãos mais velhos, os pais estão na Europa em trabalho e esteve a viver com a avó durante os últimos dois anos.
- Impressionante, Kaname-kun - observou o director. - Eu não consegui nada sobre ela.
- Tu falaste com o meus irmãos! - acusou Saito, olhando abismada para o sague puro a seu lado. - Como conseguiste encontrá-los?
- Digamos que não foi fácil, mas eu tenho os meus métodos - afirmou Kuran, voltando a fixar o olhar no de Saito.
- Saito-san, não tens de responder agora - informou Kaien, sorrindo para a menina. - Podes pensar bem no assunto e dar-nos a resposta no fim de semana.
Akane mordeu novamente o lábio. Não tinha entrado da melhor forma naquele mundo de vampiros e custara-lhe bastante passar a noite anterior. Fechou os olhos. Estava tudo a acontecer rápido demais, com intensidade demais. No dia anterior ela era uma rapariga normal, naquele momento era alguém que tinha descoberto o mundo dos vampiros, tinha sido atacada por um, conseguia senti-los sem razão aparente e estavam a oferecer-lhe um cargo que implicava lidar diariamente com eles.
Voltou a passar as mãos pelos cabelos, sentindo a falta dos longos centímetros que havia cortado, horas antes. Ela tinha duas opções: ou ignorava os vampiros, desejando não os sentir e nunca saber como lidar com eles; ou entrava para aquele mundo, tornando-se uma pessoa diferente e aprendendo a lidar com os seus medos. Sacudiu a cabeça, podia ser impulsiva, mas tinha a sua escolha feita.
- Eu aceito - disse, abrindo os olhos e fixando o director.
- Óptimo! - exclamou Cross. - Passarás por uma fase de adaptação, saber como lidar com os acontecimentos, o que patrulhar durante a noite e, claro, terás de ter uma arma de defesa.
- Que tipo de arma? - questionou ela, desviando o olhar para Kaname.
- Existem várias armas anti-vampiros - contou o sangue puro, devolvendo o olhar da menina. - Será melhor que tenhas uma. Nem sempre os alunos da Night Class são obedientes e poderá ter-te útil.
- Vocês desculpar-me-ão, mas eu estou farto de assistir a este disparate - declarou Zero, afastando-se do lugar onde se encontrava com Yuuki e saindo da sala, batendo a porta atrás de ti.
Yuuki fez uma pequena vénia, pedindo desculpa pelo amigo e saiu em seguida atrás de Zero. Akane ficou a olhar para a porta fechada, fingindo não perceber a sombra que corria os olhos de Kuran nem a expressão de decepção que Kaien tinha no rosto. Respirou fundo e voltou a virar-se para os dois homens presentes.
- O que preciso de fazer agora? - indagou ela.
- Por hoje nada - informou o director. - Amanhã pedirei a Yuuki que te explique o tens de fazer.
- Se não te importares, eu gostaria que viesses comigo ao dormitório da Lua - pediu Kaname. - É necessário apresentar-te como monitora aos estudantes.
- Claro - disponibilizou-se ela. - Eu gostaria apenas de fazer uma coisa primeiro, se não se importam.
- Não tem problema, Saito - disse Kuran. - A Night Class termina as aulas depois da meia-noite. A essa hora poderás encontrar-te comigo nos portões do dormitório da Lua?
- Com certeza - respondeu a menina, fazendo uma leve vénia e preparando-se para sair. - Com licença.
Saito virou costas e deixou o gabinete do director. Assim que fechou a porta encostou-se a esta e respirou fundo. Definitivamente, ela deveria ter dado ouvidos aos irmãos e não ter saído de casa. Sacudiu a cabeça, tentando livrar-se das vozes dos irmãos na sua mente. Respirou fundo novamente e começou a correr pelo corredor escuro. Se se ia realmente tornar monitora, havia duas coisas que ela precisava de fazer o mais rapidamente possível.
X X X
- Monitora?
A voz de Ichiru era demasiado alta e irritada. Saito nada dizia, apenas observava o amigo a andar de um lado para o outro do quarto, profundamente chateado. Tinha ido ter com ele para lhe contar, não podia omitir uma coisa daquelas ao rapaz. Apenas estava receosa quanto à sua reacção e aquela, definitivamente, não fora a melhor.
- Porque raios te vais tornar monitora? - interrogou Kiryu, parando em frente à menina e olhando-a.
- Eu quero saber defender-me - disse ela, em voz baixa. - Quero saber lidar com estas criaturas.
- Porquê? - indagou o rapaz, aproximando-se.
- Eu não sei - murmurou a ruiva, baixando o olhar. - Mas sinto que estas criaturas vão fazer parte da minha vida... não quero ser indefesa perante elas.
- Tu podias arranjar uma maneira diferente - afirmou Ichiru, suspirando. - Pedir ao Touga-sensei, ele ensinou o Zero, ou-
- Ichiru! - chamou ela, segurando a face do rapaz entre as mãos e olhando-o nos olhos. - Eu não sou uma Hunter para que ele aceite ensinar-me. É mais simples tornar-me monitora e aprender aos poucos que tirar um curso intensivo de 'Como lidar com vampiros'.
Ichiru fechou os olhos, deixando apoiar o rosto nas mãos frescas da menina e suspirou novamente.
- Desculpa - pediu, levando as suas mãos às dela e tocando-lhes delicadamente. - Eu apenas acho que não te encaixas neste tipo de cargo, Akane. Vampiros não é algo para ti.
- Deixa-me ser eu a decidir isso, Ichiru - pediu ela, sorrindo levemente. - Se me arrepender, paciência. Pelo menos tentei.
O rapaz acenou levemente com a cabeça, sem tirar os olhos das íris esmeraldas dela. Esboçou um leve sorriso e, em seguida, abraçou-a. Saito retribuiu o gesto, apoiando a face sobre o ombro do rapaz e sorrindo. Ela podia estar a cometer o maior erro de sempre, mas, tal como havia dito a Ichiru, mais valia tentar e não conseguir que ficar quieta no seu canto e arrepender-se eternamente por isso.
X X X
Sentiu a sua aproximação. Não só a aproximação, mas o seu cheiro característico e tentador. Fechou os olhos e respirou fundo, tentando libertar a mente dos pensamentos sangrentos que lhe surgiam com aquele aroma. Encostou-se à parede fria, afastando-se do raio de luz branco que provinha da lua, e bateu levemente com a cabeça na pedra atrás de si. O que raios queria ela?
Abriu os olhos e focou as íris cinzas no fundo do corredor negro. Podia ver a sua silhueta, mesmo que mais ninguém visse. Ela caminhava com confiança, passos seguros de si, mais marcados que os dos dias anteriores. Olhou-a com mais atenção. Estava com a postura mais firme, não tão relaxada, estava na defensiva. Mas estaria na defensiva para com ele ou ela já se encontrava assim momentos antes?
Uma leve brisa gelada sacudia-lhe os cabelos curtos, desfazendo-lhe o efeito alinhado que eles traziam. Fixou-lhe os olhos. As esmeraldas estavas mais intensas e mais sombrias que nunca. O verde estava mais escuro, escondendo o brilho inocente que ela transportava até horas antes. Outro deja vu passou-lhe pela mente, obrigando-o a levar uma mão à cabeça. Desta vez ouviu a gargalhada dela. Mas onde e, especialmente, quando aquilo havia acontecido?
Viu-a aproximar-se e nada disse. Sabia que ela se iria dirigir a ele, obrigá-lo a encará-la, mas não tinha qualquer intenção de reagir ao que quer que ela tentasse fazer ou dizer-lhe. As esmeraldas estavas fixas em si, profundas demais, assustadoras demais. Sentiu-se arrepiar ao perceber a mão dela sobre a sua, o calor dela contra a sua pele fria, a delicadeza daquele acto contra a sua natureza agreste. Olhou-a, vendo-a sorrir, forçando-se mentalmente para não lhe sorrir de volta. O que é que aquela miúda lhe tinha feito?
- Obrigada - murmurou, levando a mão de Zero ao rosto e depositando-lhe um ténue e delicado beijo na palma.
- Por quê? - perguntou o rapaz, sem conseguir afastar a mão da face dela, engolindo em seco em seguida.
- Pela noite de ontem - disse Saito, simplesmente, sorrindo. - Por teres ficado comigo, afastado os meus fantasmas.
- Não foi nada - afirmou Kiryu, afastando o olhar do dela, tirando, finalmente, a mão de entre os dedos da menina.
- Foi sim - contrariou Akane, levando a mão ao queixo do rapaz e obrigando-o a encará-la. - Mesmo muito obrigada, Zero.
Kiryu segurou o pulso dela com força, puxando-a perigosamente para si, encarando-a com uma expressão de fúria e irritação no rosto. Não sabia o que se estava a passar, nem com ele, nem com o que aquela rapariga estava a fazer, mas ela havia passado dos limites. E isso não podia ficar assim.
- O que estás a tentar fazer? - interrogou, a voz baixa e feroz, apertando mais o pulso da menina. - Qual é a tua ideia absurda?
- Nenhuma! - respondeu, mantendo o mesmo tom de voz e aguentando o olhar dele. - Porque haveria de ter uma ideia e o que deveria fazer com ela?
- Tu chegas à academia atacada por um vampiro, não te lembras de nada, consegues sentir-me, dizes ter medo daquilo que somos e, do nada, queres-te misturar no meio daqueles a que tu chamas de demónios? - enumerou ele, cerrando os dentes e revelando as presas pontiaguadas. - O que queres que eu pense de ti?
- Que estou a tentar aprender a defender-me? - sugeriu ela, tentando soltar o pulso da mão de Zero inutilmente. - Para não ficar tão estupidamente impune a um vampiro como estou agora!
Kiryu soltou-a, empurrando-a levemente para trás, dando um murro na parede ao seu lado. Saito apenas deu dois passos, segurou o pulso magoado e voltou a encarar o rapaz. Não sabia porquê, mas não ia desistir dele.
- Vem comigo - pediu gentilmente, ainda a olhar para ele. - Vem comigo ao dormitório da Lua.
- Para quê? - rosnou Zero, sem a olhar.
- Eu não quero - hesitou, humedecendo os lábios com a língua e engolindo em seco. - Eu não quero ficar sozinha no meio deles.
- Não queres-
- Por favor, Zero! - implorou ela, dando um passo incerto em frente. - Por favor...
Olhou para ela com as íris geladas. Naquele momento era um misto de incompreensão, ódio e curiosidade que lhe corria o corpo. Ela era estranha. Ela estava a dar com ele em doido. Ela era louca e incompreensível. Mas ela também era especial.
X X X
Ouviu as badaladas da meia noite e sentiu-se arrepiar. Fechou os olhos, respirando fundo e tentou acalmar o nervosismo que lhe corria nas veias. Estava prestes a ir para uma sala cheia de vampiros, confrontá-los pela primeira vez, encarar cada um deles e esperar não ter um ataque de pânico com isso. Abriu os olhos ao sentir a aura gelada de Kaname e rapidamente o viu a dirigir-se a si. O sangue puro estava exactamente com a mesma expressão neutra no rosto, sem qualquer alteração e sem qualquer brilho nos olhos escuros.
- Saito - cumprimentou Kaname, ao aproximar-se da menina.
- Kuran-sempai - retribuiu ela, fazendo uma leve vénia.
Porém, assim que a menina levantou novamente o olhar, o rosto de Kaname não a encarava. O Kuran parecia olhar para a escuridão da floresta ao lado deles. Saito mordeu levemente o lábio inferior e tentou acalmar a respiração.
- Eu pedi a Zero para vir comigo - disse, finalmente, sem olhar o sangue-puro. - Espero que não haja problema com isso.
Kiryu aproximou-se, vindo exactamente do local para onde Kaname olhava. Nada disse, apenas limitou-se a observar os dois na sua frente e a manter uma certa distância de ambos. Kuran olhou para Saito e, simplesmente, sorriu.
- Entendo - disse em voz baixa, fazendo sinal para que começassem a andar em direcção ao dormitório da Lua.
Todo o caminho foi feito em puro silêncio. Kaname seguia ao lado de Saito, mas era como se ninguém se encontrasse perto de si. Por sua vez, a menina sentia-se insegura e deitava breves olhares a Zero. Toda aquela situação a estava a incomodar, mas, de certa forma, Akane sentia que era o que ela devia, o que ela precisava, de fazer.
Sentiu um arrepio forte quando Kaname abriu a porta do dormitório da Lua e esse arrepio logo foi substituído por uma forte tontura quando percebeu que todos os estudantes da Night class se encontravam a fixá-la. Entrou no cómodo e olhou em volta discretamente. Demasiadas auras geladas juntas, demasiados vampiros, demasiada pressão sobre ela. Percebeu que Kaname começara a falar, mas não ouvia o que ele dizia. Sabia que, exteriormente, ela aparentava calma, mas no interior o medo parecia ser mais forte.
Subitamente não quis estar ali. Não quis estar naquela academia, nem estar rodeada daqueles seres estranhos. Sentia que não pertencia ali e que nunca deveria ter deixado a casa da avó. Engoliu em seco e ouviu claramente a voz do irmão mais próximo a mandá-la ficar em casa. Porque não lhe tinha obedecido? Porque teimara em tentar aquela bolsa e terminara rodeada de vampiros? Porque tinha de ser teimosa?
E então, do nada, sentiu uma mão pousar sobre o seu ombro e parecia que todo o frio e as incertezas haviam desaparecido. Um calor suave corria-lhe o corpo, acalmando-a, deixando o medo desaparecer. Saito sorriu levemente, tocando com as pontas dos dedos na pele fria da mão de Zero, agradecendo em surdina naquele gesto tão simples.
- ... assim sendo, o director Cross e eu oferecemos o novo cargo de monitoria a Saito-san, o qual, ela aceitou - explicou Kaname aos restantes vampiros, os quais ouviam com plena atenção o que o sangue-puro lhes dizia. - Espero que a tratem com respeito, tal como têm feito com os restantes monitores.
- Kaname-sama - a voz de Ruka despertou a atenção de Saito, que olhou para a vampira. - Mas esta rapariga é uma estranha não sabemos nada sobre-
- Ela é a indicada para o cargo - cortou Kaname, encarando a rapariga loira. - Estou certo que Saito-san não se irá importar em responder às vossas perguntas mais tarde.
- Então isto serve apenas como uma apresentação da Saiton-san? - indagou Aidou, cruzando os braços.
- Exacto - respondeu Kuran. - E como a apresentação está feita, vocês estão dispensados.
Akane fechou os olhos e respirou fundo ao ver os vampiros começarem a retirar-se. Ignorou os olhares que lhe lançavam e deixou-se ficar onde estava, sentindo-se segura apenas por ter a mão de Zero sobre o ombro. Por sua vez, Kiryu não conseguia perceber o que o levara a cometer aquele gesto, mas a onda de calor suave que afectara a ruiva também corria no seu corpo.
- Saito - Kaname chamou, o que fez a menina abrir os olhos e encarar o sangue-puro. - Eu gostaria de falar contigo a sós.
Akane acenou afirmativamente e olhou para Zero. O rapaz retirou levemente a mão do ombro dela e apenas se limitou a olhá-la. A ruiva fez uma leve vénia de agradecimento e esperou que Kiryu se retirasse antes de se voltar a endireitar e olhar para Kuran. Naquele momento, ela sentia-se suficientemente capaz de ali estar. Depois dos vampiros se terem retirado, o facto de se encontrar sozinha com Kaname não interferia com o seu sistema nervoso.
Esperou que o sangue-puro começasse a dirigir-se para fora do edifício do dormitório da Lua e depois seguiu-o. Estava uma noite fresca e Kuran parou no meio do caminho, entre a floresta e os portões e, após permanecer de costas durante uns segundos, virou-se para encarar a ruiva.
- Tu percebeste que és diferente dos restantes alunos da Day classe - disse Kaname, encarando as íris verdes da menina e aproximando-se lentamente. - Nenhum dos humanos consegue sentir os vampiros como tu sentes.
- O que estás a sugerir, Kaname-senpai? - perguntou Akane, vendo o castanho dos olhos do vampiro turvar levemente.
- Eu não estou a sugerir nada, Saito - respondeu o sangue-puro, esboçando um leve sorriso no rosto que não passou despercebido à menina. - Eu apenas estou a constatar um facto.
- Dizendo que eu não sou humana! - rosnou a ruiva, cerrando os punhos e desviando o olhar do dele. - Isso não faz sentido!
- E porque não? - indagou, simplesmente.
Akane olhou fixamente para Kuran. Sentia-se quase ofendida perante aquela sugestão. Como poderia ela não ser humana? Respirou fundo, como se fosse enfrentar um adversário e controlou-se para não morder o lábio.
- Os meus pais são humanos, assim como os meus irmãos e toda a minha família! - exclamou determinadamente. - Como eu poderei não ser?
- Os humanos não sentem vampiros - repetiu Kaname, dando um passo em frente, aproximando-se perigosamente dela. - Se tu os sentes, então não és humana!
- Isso não tem qualquer lógica! - protestou a ruiva, irritada. - Tal como não tem qualquer lógica dizeres-me isto, nem tratares-me assim!
- És mais perspicaz do que pensei, Saito - confessou Kuran, levantando um canto dos lábios num sorriso. - Mais ninguém teria percebido a minha mudança de atitude.
- Mais ninguém se importaria em perceber o que raios queres comigo? - questionou ela, hostilmente.
- Saberás em breve - afirmou Kaname, voltando à sua expressão neutra. - És uma nova peça no meu tabuleiro de xadrez, Akane. Uma peça interessante e essencial neste jogo.
- Uma peça que não te pertence, Kuran, nem que vai colaborar com esses teus jogos loucos - declarou, fazendo uma vénia e começando a afastar-se. - Se me permites, eu tenho os meus deveres de monitora a cumprir.
Mantendo os punhos cerrados e suspendendo a respiração por breves momentos, Saito deixou Kaname e o dormitório da Lua para trás, sem nunca voltar a olhá-los. Não sabia o que se havia passado ali, mas uma coisa estava certa: Kuran não era flor que se cheirasse e ela precisava estar atenta a ele. Não se sentia confortável na presença do vampiro e percebia perfeitamente, mesmo que fosse impossível de ver para os outros, que a forma como ele a olhava e tratava era distinta de todo o resto. Havia uma pergunta no ar e ela não iria deixar de descobrir a resposta: O que queria Kaname com ela e quais as intenções dos actos dele?
X X X
Estava no telhado da Academia. Precisava organizar os pensamentos e não conseguiria fazê-lo se estivesse a cumprir os seus deveres de monitor correctamente. Por isso, escapara para ali, podendo deixar os pensamentos fluir livremente ao vento forte enquanto observava o recinto da escola. Sabia que Yuuki estava algures numa das varandas do lado oposto. Sabia que Ichiru estava à janela do quarto, esperando ansiosamente que Saito regressasse do dormitório da Lua. E sabia também e ela estava a caminhar em direcção ao dormitório do Sol, determinada e furiosa, com uma aura destemida que Zero não havia reparado antes.
Fixou o olhar nos portões colossais que escondiam as paredes do outro dormitório. Ela deveria passar por eles em pouco tempo. E assim o fez. Abriu um dos portões calmamente, saindo dos domínios da Night class, seguindo em frente, de olhar penetrante e segura de si. Ficou a observá-la e, novamente, todas as dúvidas e as perguntas que assombravam a sua mente sobre aquela rapariga voltaram a surgir. E, como sempre, nenhuma resposta era encontrada e nada fazia calar aquelas interrogações. Akane era um mistério. Essa a sua única certeza.
Ela parou subitamente, fechou os olhos e deixou que os cabelos sacudissem com o vento. Passou uma mão sobre eles e, docemente, abriu os olhos e levantou as íris verdes até ao local exacto onde Zero se encontrava a observá-la. Kiryu manteve o olhar apenas para a ver sorrir abertamente e formular um "obrigada" com os lábios. E, nesse mesmo instante, Zero teve certezas de mais uma coisa: ele gostava daquela estranha, fosse lá ela quem fosse.
N.A.: Cap sem betagem porque a minha beta sumiu com os caps todos e uma NC louca que eu escrevi e ela não me devolve U_U
E, como a Jane pediu, cap on para ela ter o mail de att xD
Proximo em breve. Reviews, gente, pleaseeeee
Just
