Com um dia de atraso, mas eu já pedi as minhas desculpas...

HAPPY BDAY, FLA :D

Capitulo 8:
O Baile

- O que estão vocês a fazer?!

Zero virou costas, não olhando para Akane e afastando-se do irmão. Ichiru estava realmente a tirá-lo do sério e ele não queria, de forma nenhuma, arranjar confusão quando a ruiva estava presente. Mas se Zero optou por não encarar a amiga, Ichiru levou uma mão ao rosto e, após esfregar levemente os olhos, levantou a face e fixou as íris cinza na mulher à sua frente. Sentiu a boca a abrir-se e ficou completamente paralisado ao vê-la.

Ela estava deslumbrante. A pele pálida contrastava com o vestido preto, simples e elegante. Os cabelos rubros estavam impecavelmente lisos, alinhados pelo seu corte oblíquo. Trazia maquilhagem escura que lhe realçava ainda mais os olhos penetrantes e o batom que tinha nos lábios apenas a deixavam ainda mais tentadora.

- Ak- Akane?! - exclamou, admirado e surpreendido. - O que é isso?!

- Uma prenda - respondeu ela, friamente, retomando rapidamente ao assunto anterior. - O que raios se passa convosco? Porque estavam a discutir dessa maneira?

- Não era nada de especial - mentiu Ichiru, olhando de lado para o irmão, que se mantinha em silêncio. - Apenas mais um ponto em que eu e Zero discordamos.

- Zero - chamou a ruiva. - Zero!

- Ele tem razão - disse o Kiryu mais velho. - Não é nada de especial.

- Porque é que vocês me mentem? - perguntou ela.

- Akane-chan, não te estamos a mentir - contrariou Ichiru, avançando em direcção à menina e tocando-lhe ao de leve no braço. - Tu sabes que eu e Zero temos pontos de vista muito diferentes e que-

- Tu estás a mentir-me! - rosnou ela, fixando as íris verdes e furiosas nos olhos dele. - Eu odeio quando tu me mentes, Ichiru! Eu sei que se passa alguma coisa grave entre vocês. Se não queres contar-me, não contes, mas não me mintas!

- Ele não te está a mentir, apenas não há nada para contar - afirmou Zero, ainda de costas para ela.

Saito respirou fundo, olhando para as costas do amigo. Mordeu levemente o lábio inferior e, passando por Ichiru, aproximou-se de Zero. A cada passo que dava, sentia cada vez mais perfeitamente a angustia do rapaz. Parou a escassos centímetros dele, sem lhe tocar.

- Olha para mim - pediu ela, mesmo atrás dele, num sopro de voz.

- Akane-

- OLHA PARA MIM! - berrou ela, sem se mover, cerrando os punhos. - Zero!

Kiryu voltou-se lentamente, como se o forçassem fisicamente a tal gesto. Ainda com as mãos nos bolsos das calças, olhou para a ruiva, fixando os olhos nos dela, sabendo que ela perceberia rapidamente que ambos lhe estavam a mentir. E Akane viu a sombra sobre a prata dos olhos de Zero, a mentira e a omissão espelhadas no seu reflexo. Suspirou pesadamente e afastou-se do rapaz.

- Nós temos trabalho a fazer - murmurou, desapontada, passando por Ichiru e entrando no salão, sem sequer esperar por Zero.

X X X

- Oh, Akane-chan! - chamou Aidou ao ver a menina. - Tu estás divinal! Não sabia que tinhas sse tipo de roupa.

- Foi uma prenda - respondeu ela, forçando um sorriso ao aproximar-se do vampiro loiro.

- Foi uma excelente escolha - comentou ele, sorrindo e segurando o braço da ruiva. - Dançamos?

- Eu estou a trabalhar, Aidou-sempai - lembrou ela, retirando o braço das mãos do vampiro. - Mas de certo que há uma quantidade incrível de raparigas que adorariam dançar contigo.

Aidou torceu o nariz e olhou em volta, para a multidão de alunas da Day Class que o encaravam esperançosas. Voltou a olhar para a ruiva e sorriu-lhe novamente.

- Mas nenhuma delas és tu, Akane-chan - protestou ele, enlaçando os dedos nos dedos da menina e aproximando-se mais dela. - Vamos, dança comigo. Apenas uma música!

- Eu não posso - negou ela, novamente, desta vez com um sorriso autêntico no rosto. - Eu danço contigo no final da noite, Hanabusa.

Akane desenlaçou os dedos dos de Aidou e afastou-se do vampiro. Não conseguiu deixar de sorrir perante a expressão confusa do loiro, afinal, ela nunca o havia tratado pelo primeiro nome. Caminhou por entre a multidão de sorrisos e alegria, prestando atenção a detalhes e a pequenos movimentos. Até aquele momento, estava tudo perfeito.

Na pista de dança, Yuuki corava fortemente enquanto se deixava guiar pelos passos de Kaname. A menina realmente tinha merecido aquela folga e o facto de poder dançar livremente com o Kuran era, definitivamente, o melhor daquela noite.

Por outro lado, Zero estava a conseguir irritá-la com a forma como desviava o olhar sempre que o dos dois se cruzavam. Ele estava a esconder-lhe algo e se Ichiru - que tinha desaparecido por completo do baile - não lhe iria contar, teria de ser Zero a fazê-lo. Respirou fundo e deu a volta pelo fim do salão, deambulando lentamente sem que ninguém reparasse nela. Precisava mesmo de falar com o outro monitor e não queria ter de esperar pelo fim da noite para isso.

Contudo, quando estava prestes a segurar o braço do rapaz, sentiu uma forte pontada no peito e uma falta de ar súbita. Tentou respirar, mas o ar não entrava de forma nenhuma. Levou a mão ao peito e arregalou os olhos. Apoiou-se na parede e seu lado e, sem ninguém perceber, deixou-se escapar para a varanda vazia, fechando a porta atrás de si. Atravessou a varanda e apoiou-se no parapeito, cerrando as mãos fortemente contra a pedra fria, tentar forçar o ar para dentro dos pulmões.

E, do nada, toda essa agonia passou. Deixando apenas uma sensação de alívio e de medo em mistura. Respirou fundo algumas vezes seguidas e olhou para o céu negro. O que raios havia sido aquilo? Bateu com uma mão sobre a pedra do parapeito e fechou o punho em seguida. Não gostava daquele tipo de coisas, não gostava daquela sensação de sufoco, não gostava de não saber o que aquilo era e, definitivamente, não gostava da ideia de perguntar a quem quer que fosse.

Ouviu a porta abrir-se atrás de si e rapidamente desviou para lá o olhar. Por algum motivo, não se surpreendeu ao ver o líder dos vampiros parado do lado de fora do salão, a observá-la meticulosamente. Voltou-se de forma a apoiar as costas sobre o parapeito, cruzando os braços delicadamente e encarando o moreno à sua frente, esperando uma acção dele.

Por sua vez, Kaname, aproximou-se devagar, sem qualquer ruído, deixando-se ficar a escassos centímetros da ruiva. Apesar da estranha proximidade, Akane nada fez, limitando-se a fixar os olhos verdes nas íris castanhas dele e sentindo-se arrepiar ao vê-lo sorrir levemente.

- Eu vi o que se passou ali dentro - confessou Kuran, em voz baixa. - Como te sentes?

- Bem - respondeu prontamente Saito. - Foi apenas uma tontura. Já passou.

Kaname estreitou os olhos por alguns momentos e logo voltou à sua expressão anterior. Levantou um braço e, sempre lentamente, passou a mão pálida sobre os cabelos vermelhos da rapariga.

- Tu sabes bem que não foi tontura nenhuma - contrariou com um sorriso, tocando-lhe com a ponta dos dedos no rosto. - Porque te negas, Akane?

- Eu não vou discutir isto contigo novamente, Kuran - avisou ela, colocando a mão sobre a de Kaname e afastando-a levemente da sua face. - Diz-me o que sabes ou então não digas nada!

- O que me dás em troca de saberes o que eu sei? - indagou ele, segurando-lhe um pulso e aproximando o rosto do dela. - O que estás disposta a trocar por esta informação?

A mão dele percorria suavemente a curva do pescoço pálido da rapariga, enquanto as suas íris observavam, deliciadas, a veia pulsante que se delineava na pele dela.

- Tu não terás o meu sangue - negou Saito, vendo os olhos dele mudarem de castanho para vermelho e, sem saber porquê, sorrindo com isso. - E eu não te darei nada.

- Não te iludas, Akane - murmurou ele, tocando com a ponta do nariz no dela. - Eu terei o que quero. Não importa quando, apenas importa que terei.

- Explica-me porquê - pediu ela, sem se mover. - Eu não te respeito, não te admiro, nem sequer simpatizo contigo. Não sou mais que nenhuma estudante da Day Class, não me destaco por nada. porque é que ficaste obcecado por mim?

- Foste tu quem ficou obcecada por mim, Akane - respondeu ele, passando o dedo indicador da mão livre sobre os lábios dela. - Foste tu quem tudo começou.

- Eu-

- Guarda-me a última dança - disse Kaname, afastando-se dela como se nada se tivesse passado.

O vampiro virou costas e preparou-se para sair da varanda, enquanto a ruiva apenas o observava com atenção. Não compreendia os gestos dele nem as suas palavras. Não percebia o que raios queria ele dizer com aquilo nem o que pretendia realmente. Mas uma coisa ela tinha a certeza, mesmo que quisesse esconder isso de tudo e todos: Kaname estava certo, ela estava obcecada por ele da mesma forma que ele estava obcecado por ela. Não sabia os motivos, nem como conseguia disfarçar, mas aquela era a mis pura verdade e, em breve ela teria as suas respostas.

- Kuran - chamou, num fio de voz, quando o moreno estava prestes a abrir a porta. - Obrigada pelo vestido.

Kaname olhou para ela por cima do ombro, deixando-a ver um brilho súbito no seu olhar e, em seguida, abandonou a varanda.

X X X

Olhava em volta e não a via. Procurava-a por todo o lado, mas ela simplesmente não estava. Tinha desaparecido do seu campo de visão subitamente e não mais voltara. E, naquele momento, essa sua ausência súbita era mais que motivo para que Zero se encontrasse bastante preocupado. Akane não era do tipo de rapariga que faltasse ao trabalho ou que deixasse de o fazer sem um motivo forte e, segundo o instinto de Zero, o facto de Kaname Kuran também não se encontrar em lado algum, era um sinal que algo de grave havia acontecido.

Podia perguntar a um dos vampiros, mas isso causaria desconfianças e Zero não queria arranjar qualquer tipo de confusão. Seria mais um trabalho e mais uma complicação a resolver. Por isso, preferiu procurá-los com a maior das descrições, circundando o salão e mantendo-se atento a qualquer vestígio deles.

Até que viu Kuran a re-entrar no salão, vindo de uma das varandas e fechando a porta atrás de si. Ele trazia a sua sempre expressão neutra no rosto, mas havia um certo brilho no seu olhar que informou Zero da localização da outra monitora. Esperou que o moreno se afastasse e regressasse ao centro do salão para se aproximar do local de onde ele saíra e, com a mesma delicadeza e subtileza, abrir a porta e passar para a varanda.

Os seus olhos encararam os de Akane durante um longo segundo antes de Kiryu avançar até perto da ruiva. Parou a pouco espaço dela, olhando-a nos olhos verdes, vendo a pele arrepiada dela e detalhando mentalmente cada pormenor do seu rosto. Estava preocupado com ela e o facto de a ver com aquela expressão de receio e tristeza, apenas fez aumentar a sua preocupação. Tocou-lhe no braço com a mão e, subitamente, sentiu o corpo dela contra o seu, num abraço que Zero não compreendia de onde tinha vindo.

- Akane - murmurou, ao sentir as mãos dela a apertarem o seu casaco com força.

Sentia-a solução junto ao seu pescoço e percebia que o seu corpo tremia levemente. Podia não compreender aquele gesto, nem saber como raios ela tinha ficado naquele estado, mas o facto dela estar ali, no meio dos seus braços, era o suficiente para Zero saber que, de uma forma estranha, ele protegia-a e ela sabia perfeitamente disso.

Mas a proximidade da ruiva era algo que Zero tentava a todo o custo evitar e isso devia-se ao facto dele se sentir sedento sempre que ela estava perto demais. E, com o corpo dela encostado ao seu, o seu aroma tão inebriante solto ao vento, a sua pele pálida exposta e a veia do seu pescoço claramente visível, as íris do rapaz rapidamente mudaram do seu tom de cinza habitual para um rubro forte e carregado.

Não sabia o motivo disso, afinal, apenas o sangue de Yuuki chamava por ele. Então, porque estava naquele estado se era Akane quem estava ali? Porque o seu corpo comeraça a responder ao dela com a passagem daqueles três meses? E, cima de tudo, porque ele sentia que era mais difícil resistir-lhe do que era resistir a Yuuki?

Engoliu em seco, passando uma mão sobre os cabelos da ruiva, apertando a outra nas costas dela, sem nada dizer, nem nada mais fazer. Aquilo era o suficiente para Saito e, possivelmente, até demais para ele. Sentia o habitual aperto no peito e o ar a entrar com dificuldade nos seus pulmões. Não entendia o que se estava a passar com ele, nem com ela. Não entendia nada da situação e não conseguia falar para lhe perguntar o que se passava. A voz faltava-lhe e, talvez, aquele não fosse realmente o momento.

Havia trabalho para fazer, um baile para monitorar, mas aquele momento era deles. Aquele momento era apenas deles e de todas as suas preocupações. Era um momento em que eram Zero e Akane e não dois monitores da Academia. Não havia troca de palavras, não havia qualquer ruído, apenas eles e silêncio.

X X X

Uma hora antes ela estava desfeita em lágrimas nos seus braços. Naquele momento, ela dançava, sorrindo abertamente, com o vampiro loiro que ele detestava. Zero não conseguia perceber como aquela rapariga tinha mudanças de humor tão súbitas, mas o facto era que a forma de como ela passava de um choro incessante para um sorriso de pura felicidade - ou assim parecia - era incrivelmente rápida e fugaz.

O baile estava a chegar ao fim e cerca de metade dos alunos já tinham regressado aos respectivos dormitórios. Assim sendo, e tal como prometera, Akane dançava uma última valsa com Aidou antes do encerramento do baile. Claro que as poucas raparigas da Day Classe que permaneciam no salão, esperançosas de conseguirem uma dança com um dos seus ídolos, estavam mais furiosas que nunca.

Aidou sorria perfeitamente enquanto guiava o corpo delineado de Saito por todo o salão. Os movimentos exagerados apenas o faziam sorrir ainda mais e a gargalhada que ela soltava de cada vez que rodopiavam era indicador de que Akane estava feliz. Então, quando a dança terminou e a ruiva fez uma leve vénia perante o vampiro, este gargalhou alto, puxando-o para si a abraçando-a fortemente.

A música parou e, guiados pelos dois monitores, todos os estudantes regresaram aos respectivos dormitórios. No fim da noite, Zero e Akane encontravam-se sozinhos no salão.

- A noite correu bem - comentou a ruiva, com um leve sorriso no rosto.

- O que se passa contigo? - indagou ele, olhando-a de lado.

- Tudo... - respondeu, simplesmente. - E ao mesmo tempo nada.

- Akane...

- Eu não sei, Zero, eu não sei - confessou ela, encarando-o. - Eu já não sei de nada...

Zero nada disse, limitou-se a olhar para a rapariga, num misto de curiosidade e atenção. Suspirou, fez-lhe um leve sinal com a cabeça, no qual a ruiva acenou positivamente, e deixou o salão. Saito olhou em volta, para o espaço enorme e vazio. Ela podia sentir as emoções que ali se encontravam momentos antes. Toda a euforia, toda a felicidade e satisfação, toda a inveja e o ciúme. Sorriu levemente e fechou os olhos, deixando o corpo rodopiar livremente ao som de uma música que já não tocava.

O vestido negro esvoaçava perante os seus movimentos, dando-lhes um ar delicado e suave. A ruiva permanecia de olhos fechados, dançando instintiva e calmamente, seguindo os próprios passos coordenados e mantendo um sorriso leve no rosto. A sua mente podia estar feita em água, ela podia não saber o que se passava à sua volta nem consigo mesma, mas naquele preciso instante, nada mais que o seus passos e a música que tocava na sua cabeça importavam.

Até uma mão estranha segurar a dela, puxando o seu corpo contra o de outro alguém, guiando-a na sua dança, agora a dois. Saito abriu os olhos lentamente, acostumando-se à escuridão que tinha envolvido o salão ao serem apagadas as luzes, fixando as íris verdes nos olhos que se encontravam à sua frente, no sorriso que a levava por uma dança calma e contida.

- Kuran - chamou ela, num fio de voz, não segurando o sorriso malicioso que se esboçara na sua face.

- Eu disse para me guardares a última dança - relembrou ele, continuando os passos delicados.

Ela riu baixo, desviando o olhar por breves segundos antes de voltar a fixá-lo. O moreno estava esplendoroso, mesmo na penumbra. Os olhos brilhavam mais que o habitual, assim como o raro sorriso, que Akane vira várias vezes naquela noite, estava mais sincero, mais instintivo que o normal.

- O que queres de mim? - perguntou ela, seguindo o ritmo da música não existente.

- O que queres tu de mim? - questionou Kaname, sem nunca cortar o contacto visual, sorrindo ainda mais. - Ou será que nada me queres?

- Tu sabes que sim - respondeu Saito num sussurro.

A dança parou, mas nenhum dos dois se afastou. Kuran apenas olhava no fundo dos olhos da ruiva, segurando um sorriso indecifrável no rosto. Manteve uma mão na cintura dela, pressionando-a contra si, enquanto a outra se envolvia docemente nos seus cabelos rubros, afastando-os da face de porcelana da menina.

- Tu estás a jogar um jogo perigoso, Akane - avisou o moreno, passando a ponta dos dedos sobre o pescoço da menina, deixando as suas íris tornarem a ficar vermelhas. - Tu sabes o que eu quero e mesmo assim estás disposta a jogar comigo.

- Se não jogasse, não teria graça - afirmou ela, sorrindo abertamente. - Eu quero saber quem me atacou, há três meses.

- O preço a pagar por essa resposta é alto - lembrou o vampiro.

- Eu estou disposta a pagar - murmurou a ruiva, segurando a mão do moreno e passando uma unha afiada sobre o seu pescoço, que rapidamente deixou escapar um fio de sangue. - Diz-me, quem me atacou há três meses, Kuran? Quem bebeu do meu sangue sem o meu consentimento?

O vampiro olhou para ela, para o sangue quente e aromático que escorria pela pele perfeita dela. Sentia-se sedento e as suas íris estavam carmim. Mas ele precisava de resistir, ele não podia ceder à tentação do sangue dela, ou correria o risco de nunca conseguir parar. Desviou o olhar, engoliu em seco e, delicadamente, afastou o corpo do dela. Saito gargalhou perante o movimento dele.

- Alguma coisa errada com o meu sangue? - indagou ela, com um sorriso malicioso no rosto.

Ele não lhe respondeu, preferindo ficar de costas para a ruiva. Akane, fechou os olhos por breves segundos, como que meditando sobre o que fazer em seguida. Levou dois dedos ao arranhão que tinha no pescoço, deixando-os manchados com uma vasta quantidade de sangue. Olhou para o líquido quente e vermelho e uma ideia absurda passou-lhe pela mente.

- Kaname - chamou, num fio de voz.

O vampiro virou-se lentamente, estranhando o primeiro nome e, de certa forma, temendo o que a rapariga poderia fazer. Ela estava no mesmo local, com dois dos seus dedos cheios de sangue levantados ao nível dos olhos dele. Esperou alguns segundos e, vendo que o moreno não se movia, ela encolheu os ombros e levou os dedos à boca, saboreando o gosto do próprio sangue, fixando os olhos nos dele.

Então ela riu levemente, dando um passo em frente, segurando no colarinho da camisa dele e, sem qualquer delicadeza ou suavidade, sem qualquer avisou ou prévia, Akane roçou os lábios nos de Kuran, que logo colou os lábios aos dela, sedento, provando o sabor do sangue da ruiva, perdendo-se numa volúpia de pecado e prazer.

Apertou-a contra si, beijando-a mais ferozmente e com mais intensidade, desejando o sangue que ela havia colocado na boca, desejando o beijo louco que ela o forçara a começar. Era uma mistura de desejos e heresias, era um erro que nenhum dos dois se importava em cometer, naquele momento. Afastaram-se subitamente. Kuran com os olhos vermelhos, fixos nas íris verdes de Saito. Os lábios ainda demasiado próximos e as respirações misturadas.

- Quem me atacou há três meses, Kaname? - perguntou Saito, respirando lentamente. - Há mais sangue de onde esse veio, basta responderes-me.

- Mas eu não quero o teu sangue, Akane - exclamou Kuran, sorrindo.

- O qu-

Os lábios colaram-se novamente, iniciando mais uma vez toda a loucura que já haviam cometido. O sabor do sangue dela misturava-se com a intensidade do beijo e marcava um novo ritmo na dança que as línguas de ambos cruzavam. A insanidade estava presente e o desejo apenas a acentuava. E, no fim da noite, apenas mais dúvida ficavam no ar.


N.A.: I'm a bitch, I know ^^
Desculpem a demora, faculdade e treinos mata-me, vocês sabem disso.
Cap especialmente para a Fla, love u ;*
Próximo e breve ;)

Reviews, sff.
Just