Capitulo 6: Sonhos...

O pequeno garoto abriu os olhos assustado. Aqueles barulhos naquela hora da noite... Não era muito agradável. Olhou para o relógio '4 da manhã'. Sentou na cama esfregando os olhos. O barulho de algo se arrastando ecoando pela casa. Alguns gemidos e talvez barulho de algemas. Será que seu irmão estava vendo filmes de terror de novo? Olhou pra cama do mais velho. Estava vazia...

Desceu da cama, ainda sonolento, se arrastando pelo corredor. Ia em direção à cozinha, mas uma cena na sala lhe prendeu a atenção. O pequeno loiro ficou parado na porta do corredor, os olhos arregalados... Ele não entendia o que estava acontecendo... Alguns gritos, a cena à sua frente se intensificando. Seus olhos enchem de lágrimas, e quando vai gritar por ajuda...

Passos rápidos, e alguém puxa o pequeno para longe do corredor, se escondendo atrás das escadas, tampando a boca do menor.

"Hun..." O loiro ainda estava assustado, e agora mais ainda.

"Tudo bem, Uru. Sou eu..." Uruha pareceu relaxar ao perceber que era seu irmão mais velho.

"Bou-chan... O que está acontecendo lá?" O mais velho pareceu tremer, e suspirou.

"Não é nada demais, Uru... Não pense nisso ta?"

"Mas era a mamãe, Bou-chan...".

"Uru, por favor..." Um barulho mais alto, fez com que os dois se calassem. Uruha se agarrou mais ao irmão, assustado. O mais velho decidiu que seu irmão não precisava ouvir aquilo, e colocou suas mãos sobre seus ouvidos, tampando-os.

"Bou-chan?"

"Não escute isso..." Sussurrou, abraçando o irmão, enquanto ainda tampava-lhe os ouvidos.

O barulho continuou cada vez mais alto. Para abafar o som, Bou sussurrava toda hora que estava tudo bem para seu irmão. Uruha estava mais relaxado, confiando totalmente em seu irmão.

Quando o pequeno estava quase voltando a dormir, no colo de seu irmão, nada pode abafar aquele barulho tão alto que soou pela casa toda.

"Mamãe..." Uruha estava quase gritando pela mãe, mas Bou o segurou, pedindo que ele se acalmasse. "A mamãe, Bou... Ela..." Os olhos do menor se encheram de lágrimas, enquanto soltava um soluço.

"Não chore, Uru" Abraçou mais forte o irmão. Não queria que ele chorasse. Alguns berros e logo eles ouviram uma voz grossa gritando.

"ONDE ESTÃO AS CRIANÇAS?" Um soluço mais alto, e alguns gritos. Mais um som agudo. "EU VOU MATÁ-LAS!!!"

Com esta ameaça, Bou arregalou os olhos. Ele ia matá-los? Por que motivo? A culpa não era apenas de sua mãe? Sentiu seu irmão tremer contra seus braços. Ele estava assustado... Lógico, ele também não queria morrer...

Em um ato desesperado, Bou levantou, puxando Uruha. Passou pela escada, indo em direção à porta. Abriu-a e logo correu para fora, este tempo todo levando seu irmão consigo.

"Bou... Chan... Onde vamos?" Perguntou o menor, entre soluços. As lágrimas escorrendo por seu rosto delicado.


"Para um lugar seguro Uru... Um lugar longe dela..." Correram para longe, sempre em direção dá onde estava mais escuro. Uruha logo reclamou de cansaço, parando no meio do caminho.

"Não podemos parar Uru...".

"Eu to cansado Bou-chan... Agente já correu muito. Eu to com sono e com fome. E ta frio" O mais velho suspirou, realmente eles tinham corrido muito. Não tinha como serem descobertos né? Puxou o menor até um banco que tinha ali perto. Estavam em um parque, e estava quase amanhecendo.

"Vamos descansar Uru... Amanhã continuamos" O menor assentiu, e assim que seu irmão se sentou no banco, deitou-se no colo dele, se encolhendo.

"Boa noite Bou-chan...".

"Boa noite Uru...".

"Eu te amo...".

Uruha acordou num pulo, ofegante. Olhou em volta. Ainda estava escuro, a lua estava alta. Seus companheiros de quarto ainda dormiam tranquilamente. Passou as costas da mão na testa, limpando o suor. Aquele sonho de novo...

"Fazia tempo que não tinha este sonho" Murmurou, olhando o céu. Apenas tinha este sonho quando era criança.

Por isso acordava chorando, com medo. Mas sempre tinha Bou, seu querido irmão, pra lhe acalmar.

Mas dessa vez não tinha ninguém certo? Olhou para o lado, vendo Ruki e Shou em um sono profundo.

Sentiu os olhos arderem... Se sentia tão sozinho... Voltou a deitar, encolhendo-se na cama e chorando silenciosamente.

"Também te amo...".

-/-

Após o café da manhã, o jardim estava razoavelmente cheio. Todas as crianças do orfanato decidiram que num dia tão bonito como aquele, ficar dentro do prédio não valia a pena. Quer dizer, todos menos um...

"Vamos Uru! Levante dessa cama! O dia esta lindo hoje" Ruki insistia novamente, uma vez que Shou desistira de chamar o loiro.

"Podem ir lá Ruki..."

"Sem você?"

"Eu não estou bem...".

"O que diabos você tem Uruha?" Shou se aproximou novamente, se irritando já.

Mas ele apenas ganhou o silêncio como resposta. Shou balançou a cabeça e saiu, batendo a porta.

Ruki apenas suspirou, sentando na beira da cama.

"Ne, Uru... Se você não falar, agente não pode te ajudar".

"Vai ficar tudo bem Ru-chan... Eu... Só quero ficar um pouco sozinho...".

"Ta..." Ruki levantou ainda contrariado, querendo ajudar o amigo" Mas se você pre-".

"Não se preocupa Ru-chan. Eu falo com você" O baixinho suspirou, saindo do quarto.

-/-

"Olha eu poderia ver qualquer coisa, mas vocês dois sem meu irmão é estranho" Comentou Bou, ao passar por Shou e Ruki e vê-los sem Uruha. "Aconteceu alguma coisa?"

"Ele disse que não esta bem" Bou arqueou uma sobrancelha, desconfiado.

"Não esta bem?"

"É"

"E o que tem?"

"Não falou" Murmurou emburrado, Shou.

"..." E o loiro simplesmente começou a andar em passos rápidos em direção ao prédio.

-/-

Aoi, Reita, Hiroto, Tora e Saga estavam jogados na grama do campinho, sem fazer nada.

"Que tédio..."

"Sem bola..."

"Sem futebol..."

"Eu não jogo mesmo" Saga comentou, levando dois tapas na testa. Um de Tora e outro de Aoi "HEI!!!".

"Vamos encher o saco dos loiros?" Hiroto.

"Loiros?"

"O triozinho maravilha".

"Hein?"

"Você é lesado ne Reita?" Aoi deu um tapa na cabeça do amigo, que ficou olhando de canto. "Ruki, Shou e Uruha, triozinho maravilha!"

"Loiros, bonitos, apesar de serem muito chatos".

"Eu sou loiro" Saga.

"E...?" Tora.

"Nada deixa quieto"

"Bebeu Saga?" Hiroto perguntou, rindo.

"Vamos logo" Saga levantou, andando na frente. Os outros se olharam, confusos, mas logo o seguiram.

-/-

Bou chegou ao quarto de Uruha, batendo na porta. 1,2... 6 vezes e ninguém atendia. Emburrado, empurrou a porta, achando que ela estava trancada e dando de cara com o quarto vazio.

"Mas... Ele não disse que não estava bem? Onde ele se meteu?" Fechou novamente a porta, indo atrás de Uruha.

-/-

Aoi decidiu passar pelo jardim, antes de ir zoar com os outros meninos. Apesar do jeito encrenqueiro de sempre. Das broncas que levava. Da fama de maloqueiro que tinha, Aoi adorava aquela parte do orfanato, que estava quase sempre vazia.

Caminhava sentindo o leve vento bagunçar seu cabelo. Poderia se irritar com isso, mas aquilo o deixava mais calmo. Talvez por estar longe do barulho, da bagunça...

Parou ao ver alguém deitado entre as flores. Estranho... Naquele horário não era pra ter ninguém ali. Se aproximou lentamente, não querendo chamar atenção.

Mas era...

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N/A: Eu sei que demorei, não me joguem pedras. Mente bloqueada COMPLETAMENTE!!!! e aulas, e dor de tendinite e problemas familiares! então...é isso, espero que curtem e COMENTEM CARAMBA : DDDDDD!