Capítulo 8: Arrependimento
E eles estavam se beijando no jardim, sob a sombra de uma Sakura, algumas pétalas caíram em volta deles, mas eles nem perceberam, tão concentrados em suas ações...
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Uruha arregalou os olhos, se dando conta de que estava beijando o garoto que mais odiava em sua vida. Colocou as mãos nos ombros de Shiroyama, tentando afastá-lo
Aoi se afastou, achando que era apenas a falta de ar após um beijo -tão bom- quanto aquele. Mas, nem teve tempo de sorrir ou pensar que conseguira beijar o loiro e nem se vangloriar por isso... Na verdade não teve tempo para nada além de arregalar os olhos. Takashima havia lhe dado um tapa na cara. E um tapa bem dado.
"Mas hein?" Aoi ainda não havia entendido o que tinha acontecido. Colocou a mão sobre a bochecha sentindo-a arder com o toque. Deveria estar bem vermelha.
"QUEM VOCÊ ACHA QUE É PRA ME BEIJAR SEU IDIOTA?!"
"Do que está falando? Você retribuiu ao beijo, caso não se lembre." Outro tapa. "HEI! PÁRA COM A VIOLÊNCIA GRATUITA".
"POR QUE FEZ ISSO?!"
Aoi revirou os olhos, cansado de ver o loiro gritando.
"Cala a boca Takashima. Vai ficar dando uma de inocente agora? Você participou do beijo, a culpa não é mi-".
"EU TE ODEIO SEU IDIOTA!" Uruha o empurrou com mais força ainda, fazendo-o dar alguns passos para trás e cair sentado. Saiu correndo do jardim.
O moreno ainda caído na grama observou o loiro se afastar. Logo franziu o cenho, como se estivesse irritado.
"Quem ele pensa que é pra fazer tudo isso? Ah, mas isso não vai ficar assim." E se levantou em busca de sua vingança contra o loiro mais alto.
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Hiroto entrou na cozinha na esperança de ver Aoi e Uruha ali, mas apenas encontrou panelas e mais panelas sobre a única bancada do cômodo. Os dois fornos estavam ligados, de um lado Nao preparava algo que parecia ser uma... Massa? E do outro, Kai preparava o caldo, talvez um bolo?
"Ahn? Hiro? O que houve?" Nao perguntou ao vê-lo parado à porta, ofegante.
"Ah... Estamos procurando Uruha e Aoi... Você os viu?"
"Não! Aconteceu alguma coisa?"
"Uruha está passando mal e de repente sumiu... E Aoi também..." Logo o moreno viu a expressão totalmente preocupada de Nao.
"Nossa, isso atá parece um filme de terror." Comentou o ruivo.
"Você quer ajuda pra procurar?" O menor sabia o porquê de tanta preocupação em procurar os dois. Ele também sentia aquilo. Se Aoi tentasse alguma coisa com Takashima...
"Hiroto! Já os achamos." Uma voz no corredor se fez presente, fazendo Hiroto e Nao suspirarem aliviados.
"Eu vou ver como ele está, continue cozinhando, Nao!" E logo saiu correndo para o jardim do orfanato, mas apenas Uruha estava lá, tentando ignorar todos à sua volta que falavam ao mesmo tempo. O moreno ainda tentou procurar Aoi, mas não achou ninguém.
"Eu já disse que não aconteceu nada, parem de falar!" Takashima empurrou os meninos, saindo da rodinha que se formara. Os outros até tentaram o seguir, mas Ruki e Shou foram mais rápidos, não deixando e logo seguindo o loiro.
"O que aconteceu?" Ogata se aproximou dos meninos que ficaram.
"Ele não quis falar nada, mas o estado que ele chegou aqui..." Tora.
"Será que Aoi realmente fez algo com ele?" Kanon pensou preocupado.
"Quem vai avisar o irmão dele?"
Silêncio... Ninguém tinha coragem de enfrentar a fúria de Bou.
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Uruha andava em passos rápidos pelo corredor, logo chegando à porta do quarto de seu irmão, estava desesperado, não queria que aquilo tivesse acontecido. E a única pessoa que queria encontrar e abraçar era seu irmão.
Takashima nunca se arrependeu tanto de abrir a porta do irmão sem bater antes. Na verdade não era só arrependimento.
Tinha algo a mais por aquela cena...
Fechou a porta, vendo que eles nem ao menos tinham percebido sua presença à porta. O loiro fechou os olhos com força, tentando controlar as lágrimas e rumou para o próprio quarto.
-Que diabos foi isso Bou?
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"Hun? Tinha alguém à porta." Bou se afastou um pouco do moreno, olhando para a porta.
"Eu não ouvi nada, Anjo loiro." Shiroyama disse na maior cara de pau possível. Ele sabia que era Uruha, e sabia que o garoto iria atrás do irmão. Puxou Bou, voltando a beijar-lhe o pescoço, exatamente como quando a porta fora aberta.
Estava tudo em seus planos de vingança.
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A tarde passou com todas as fofocas possíveis sobre o que poderia ter acontecido. Bou ficou preocupado com o irmão, mas ninguém conseguia falar com o loiro que ficou trancado o resto do dia no quarto. Nem ao menos junto da turma, experimentou o bolo feito por Nao e Kai.
"Ele sempre gostou de bolo de chocolate."
"Ele não deve estar se sentindo bem Bou." Nao disse tentando acalmar o loiro, que estava aos nervos por causa de Uruha.
"Mas ninguém consegue falar com ele."
"Meninos, o que ainda estão fazendo aqui? Todos para o quarto, andem." E assim a tia colocou todos os garotos em seus devidos quartos, pois já estava tarde.
Se você pudesse dizer eu te amo...
Para quem diria?
Para meu irmão, lógico.
Não há mais ninguém?
Odeio minha mãe.
Você não está esquecendo ninguém?
Eu... Não sei.
Uruha encarou o prato do café da manhã a sua frente, apenas cutucando o pão. Não estava com fome e nem queria ter saído do quarto. Estava confuso com o sonho que tivera. Desde quando odiava sua mãe? Suspirou chamando atenção dos outros dois loiros à mesa.
"Tudo bem Uru?"
"Ah? Ah sim, ta tudo bem." Sentiu os olhares dos amigos ainda sobre si. "Que foi?"
"Você não sabe mentir." Shou disse revirando os olhos.
"É Kouyou você realmente não sabe mentir."
".Bem." Murmurou entre dentes.
Não queria ficar irritado com os amigos, mas desde que acordara ninguém parava de enchê-lo de perguntas.
"Uruha? Aonde você vai? Nem comeu!" Ruki falou enquanto via o loiro se levantar e se afastar. "Uruha!"
"Que diabos deu nele? Assim não podemos ajudar."
"Deixa Shou... Uma hora ele vai acabar falando...".
Observava o outro rir e se divertir enquanto quebrava o braço do garoto que apenas agonizava. Não gostava daquilo, mas não tinha escolha.
Aquele sempre fora seu lema: Matar para sobreviver.
A vida por ali não era fácil. Morar cada dia em um novo beco, correr das pessoas, da polícia.
Matar, roubar. Não queria ter que fazer tudo aquilo, mas já sabia o culpado, ou melhor, os culpados.
E os odiava mais que sua vida.
Saiu de seus pensamentos ao ver o garoto no chão, um dos braços quebrados, as pernas amarradas e o garoto ruivo se levantando com o dinheiro do outro.
"Com essa grana dá ate para ficar em um hotel." Riu.
O loiro franziu o cenho, com nojo, mas soube disfarçar apenas sorrindo para o mais alto.
Só não sabia quanto tempo isso ia durar...
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N/A: Uh, ha quanto tempo hein EOC~ foi mals a demora, juro que não foi intencional. Me matei pra continuar, por que me sinto muito cruel com o Uruha -RI- e este final me inspirou legal -baba- quero ver quem adivinha de quem é o sonho do final. MENOS a dona mizumy, que deu a idéia viu? To falando sério Musume, não abre a boca sobre o final grau se não eu encarno o Tora tigre -?-
Obrigada pela paciência, vocês são muito amáveis leitores ;-;. Espero comentários, nem que seja pra me bater ok? Ate o próximo nya~
