Capítulo 9: Incerteza.

Observava o outro rir e se divertir enquanto quebrava o braço do garoto que apenas agonizava. Não gostava daquilo, mas não tinha escolha.

Aquele sempre fora seu lema: Matar para sobreviver.

A vida por ali não era fácil. Morar cada dia em um novo beco, correr das pessoas, da polícia.

Matar, roubar. Não queria ter que fazer tudo aquilo, mas já sabia o culpado, ou melhor, os culpados.

E os odiava mais do que sua vida.

Saiu de seus pensamentos ao ver o garoto no chão, um dos braços quebrados, as pernas amarradas e o garoto ruivo se levantando com o dinheiro do outro.

"Com essa grana dá ate para ficar em um hotel." Riu.

O loiro franziu o cenho, com nojo, mas soube disfarçar apenas sorrindo para o mais alto.

Só não sabia quanto tempo isso ia durar...

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Muitas pessoas, sem que outras saibam, nascem a partir de um dos maiores pecados de Deus.

A luxúria. Bom, eu nunca entendi como o sexo é um pecado e ao mesmo tempo serviria para atender ao pedido de procriar não é mesmo?

É tudo tão estranho, e tão contraditório, que como um garoto de rua, abandonado à própria sorte com apenas 7 anos de idade, nunca consegui acreditar em Deus. E acredite, eu me esforço pra isso...

Bom, aos 8 anos encontrei um outro garoto que havia sido abandonado também. A diferença é que ele havia nascido na rua. Ou seja, ele sabe se virar, com certeza, melhor do que eu por aqui.

As ruas daqui nunca foram muito fáceis de se viver. Você podia ser assaltado, morto, ficar sem um membro, ser zoado, torturado, estuprado. Havia muitas maneiras do que poderia se acontecer com alguém nesta cidade. E sim, eu posso dizer que já havia passado por algumas delas. Mas agora que eu andava com Michiro, era difícil acontecer. Ele era alto pra idade, forte, tinha o cabelo todo arrepiado, ruivo. Diferente do meu, que era bagunçado e claro demais. Ele era meu protetor ali.

Aos 10 anos, eu descobri que nem sempre eu gostava de ser protegido por ele. Principalmente naquela maldita noite...

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"Hey Bou, você já conseguiu falar com seu irmão?" Tora.

O loiro suspirou, fazendo que não com a cabeça. Saga colocou a mão em seu ombro, como se o consolasse.

"Faz quanto tempo que o garoto sai apenas para comer? Duas semanas?" Saga.

"Isso não é tão preocupante quanto o desaparecimento do outro loirinho. Todos estão desaparecendo." Kanon.

"Hahaha cuidado Saga, você pode ser o próximo." O moreno implicou, recebendo um chute do loiro como resposta

"Cala a boca, Tora!"

"Mas a diferença é que Shou fica perambulando pelo orfanato, já meu irmão fica o dia inteiro no quarto."

"Vocês já tentaram falar com Aoi? Ele havia sumido aquele dia também não?"

Os 3 se olharam e depois olharam para Kanon.

"Credo, parece que viram um fantasma. Não custa nada falar com o garoto."

"O problema é que a gente mal fala com ele..." Sussurrou Bou.

"Oras, então vamos fazer Reita perguntar." Sorriu Kanon como se fosse a coisa mais óbvia a se fazer, logo sendo acompanhado por Tora.

"Hey Saga, aquele dia você estava jogando bola com a turma do Akira, então você deve ser o melhor para falar com ele."

"O QUE?! S-só por que joguei bola com ele não quer dizer que eu tenha intimidade."

"Está gaguejando Saga?" Todos olharam pra ele, a sobrancelha erguida. Estavam surpresos.

"Ahn....Eu..." Olhou pros lados perdidos "Eu to indo atrás dele." E saiu correndo para onde acreditava estar Suzuki.

"Mas que raios deu nele?" Kanon

"Deixa, mais tarde eu vejo isso." Tora.

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"Se você contasse o que aconteceu, eu podia te ajudar melhor."

"Que saco, Ruki! Eu já disse que não quero falar disso." E jogou o travesseiro no menor. Takanori fez cara feia, devolvendo o travesseiro com mais força.

"Mas você já ta até abatido e magro, idiota."

Takashima pareceu pensar, talvez ele devesse voltar a viver mesmo. Apostava que o moreno estava por aí, vivendo normalmente e principalmente...

Dando uns pegas no seu irmão.

"Nossa, a cara que você fez agora diz tudo. Não precisa ficar com tanta raiva, já to saindo." E se dirigiu a porta.

"NÃO! ESPERA RU! Não é pra você essa cara." É praquele moreno maldito.

"Mesmo?"

"Mesmo, mesmo." Suspirou o mais alto. "Não é fácil de contar o que aconteceu, acaba com meu orgulho..." Matsumoto riu.

"Só quero saber se tem algo a ver com Shiroyama..." Viu Kouyou se encolher. "Uru..."

"Tem sim Ruki."

"SABIA! EU VOU MATAR AQUELE MORENO DESGRAÇADO! AQUELE GAROTO DO PIERCING E..." Foi interrompido por vários travesseiros que voaram, com certa força nele.

"AHHHH VOCÊ NÃO VAI MATAR NINGUÉM TAKANORI!!!"

"VOU SIM, ELE QUE ME AGUARDE. NEM AKIRA ME SEGURA."

Silêncio... Logo Takashima abriu um sorriso malicioso.

"Desde quando você chama o Suzuki de Akira, Matsumoto?"

"F-FOI COISA DE MOMENTO."

"SEEEEEEEEI! ENTÃO ACONTECEU ALGO DEPOIS DAQUELE JOGO"

"NÃAAAAO! NÃO ACONTECEU NADA"

"TEM CERTEZA?" Pararam e se olharam, logo desabando em risos altos. "Parecemos loucos gritando assim"

"Você que é." Mostrou a língua pro amigo. O baixinho se sentia bem ao ver o amigo melhor.

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P.S: Michiru foi o nome dado a um personagem original, aliás, nome dado e emprestado[?] pela Misa (L).

N/A: Eu sei que eu demorei quase 1 ano pra atualizar e venho com um capítulo tão pequeno como esse, rs. [Mas pelo menos eu continuei -sss]. Não me matem, eu vou tentar sair com o 10 mais rápido ta? Mesmo mesmo -chora.- E agora, enquanto ouço gravitation, eu quero agradecer de um modo bem viado -not, os comentários. Pra quem me matou pra continuar [Oi misa -q], que comentaram que gostaram e panz. Eu fiquei brava que ninguém respondeu a bendita pergunta que eu fiz no capítulo anterior, então vou repetir ela. -séria-

De quem vocês acham que é o passado em itálico? Valendo uma oneshot de algum casal aqui da fic. [Ou com algum dos personagens.] hohoho Vamos ver se com prêmio vocês respondem -ssss.

Arigatou e até o próximo capitulo minna \o/.