Yay, mais um cap! Antes de começar a lê-lo, por favor, leia aqui o vocabulário...

Kagema: eram prostitutos na era Edo, no Japão. Algo como gueixas, mas homens. Eles também usavam maquiagem e dançavam, enfim.

Chawan: tigela de chá especial para a cerimônia.

Omogashi: é um docinho pequeno que é oferecido na cerimônia do chá. Se quiserem, podem digitar no google pra terem uma ideia do que é.

Geta: são aquelas sandálias japonesas com dois ... er.. pedaços de salto embaixo. Google ajuda também. x_x

É isso! amei esse capítulo; eu ainda estou desenvolvendo alguns casais, então tenham paciência... enfim, espero que gostem *_* se eu esqueci de traduzir alguma coisa, só perguntar okay? ou sei lá, digitar no google -Q


– NÃO!

– Renji! – Ichigo fez-se ouvir com sua voz autoritária assim que o ruivo manifestou-se em protesto. – Como assim, não?! Você não tem muita escolha, sabia disso?

O rapaz pegou no longo pedaço de tecido que fechava o kimono verde claro com estampa de ramos de flores de maracujá, abrindo-o para se livrar dele. Ichigo segurou em seu pulso e o fez parar, embora Renji resistisse bravamente. – Pare com isso, Renji!

– Não vou usar isso, é muito feminino, e não vou passar nada no rosto, DESISTA!

– Eu concordo com ele, toosama – a voz de Grimmjow soou altamente irritada quando ele saiu de trás do biombo. O kimono estava ligeiramente curto para toda a altura do rapaz, e o tom róseo do tecido da peça, que vinha adornada com desenhos quase imperceptíveis de garças, dava a ele um ar muito... Estranho. Ele nem parecia ele mesmo. – Isso é simplesmente... Horrível.

– Mas você está lindo, Grimmjow! – O príncipe aproximou-se do maior e tocou-lhe na gola do kimono, acariciando suavemente o tecido macio. – Essa delicadeza talvez ajude você a se relacionar melhor com suas clientes, e—

– Hunf! Não preciso de nada disso! – Esbravejou o rapaz de repente, fazendo Ichigo curvar as costas. – Me recuso!

Quando o líder suspirou, Byakuya voltou do próprio biombo com o kimono em mãos. – Não usarei isso.

– Por quê?! Achei que você não veria problemas!

– Não. Não sou de recusar essas coisas, mas realmente... Exagerou dessa vez.

– Achei magnífico! – Shuuhei saiu de trás do biombo que dividia com Hitsugaya e passou a mão no cabelo escuro. O belo corpo trabalhado do anfitrião estava coberto por um kimono azul-marinho, cuja barra vinha enfeitada de vários hibiscos coloridos. A peça estava ligeiramente aberta e mal fechada, revelando então o peito escultural daquela pessoa. – Foi uma ideia genial, toosama!

– Não me agradeça, Shuuhei, a ideia foi toda do Ulquiorra.

– QUÊ?! – A voz de Hisagi, Grimmjow, Hitsugaya, Renji e até mesmo a de Byakuya saíram em uníssono diante daquela afirmação.

– Sim, senhores. Ele que teve a ideia de nos vestirmos de kagemas!

– Me interesso muito pela era Edo. – Ulquiorra surgiu do biombo que dividia com Renji. O kimono de Schiffer tinha o exato tom de verde de seus olhos, e infinitas folhas de hera faziam uma estampa uniforme e perfeita. Ele realmente estava divino naquela roupa.

– Era Edo? E por que não podemos ser samurais, já que somos HOMENS? – Renji exclamou com o rosto suavemente corado.

– Os kagemas eram homens. – Afirmou Ulquiorra, olhando para o ruivo como se ele fosse um idiota.

– Eu achei lindos! – Harashime aproximou-se animada dos outros, vestindo um kimono lilás, liso e que lhe caía perfeitamente. Ichigo arregalou os olhos diante daquela visão; ela estava tão... Linda. Fantástica. Babável. – E eu vou adorar fazer a maquiagem de vocês!

– Olha, tudo bem que os kagemas eram homens, mas eles eram o quê, bichas?!

– Não seja tão estúpido, Grimmjow! – Shuuhei desferiu um tapa no braço do maior, que avançou em sua direção. – Oe!

– Olha a violência! – Ichigo postou-se no meio dos dois, parando de frente para Grimmjow. – Eles não eram nada disso, só trabalhavam assim! Eram os costumes da época, pare de ser tão preconceituoso!

O rapaz bufou e saiu de perto dos demais, obviamente a fim de tirar aquela droga de kimono. Merda – justo depois de mais de uma semana em que passou tentando convencer a teimosa da Mariko a passar um dia dentro do Host Club com ele. Depois de quase apanhar umas três vezes por causa da irritação dela pelo beijo roubado. Ele conseguiu, e o Ichigo queria que ele se vestisse de kagema? MAS NÃO MESMO!

– Mudando de assunto... – Ichigo suspirou. – Onde está o Uryuu?

– Parece que ficou na biblioteca depois que a aula acabou. – Byakuya ergueu o queixo. – Sugiro que vistamos quem não quer ser kagema de samurais. É a única coisa aceitável.

– Mas qual vai ser a graça, então? A ideia de sermos kagemas é que eles serviam as pessoas. Como nós. – Tatsu fez um sinal que indicava o grupo e Ulquiorra assentiu suavemente, parado ao lado dela. – Não que eu seja fã disso, mas enfim...

– NÃO, não quero e ponto final! Sirvo os clientes pelado, mas não vestido de mulher.

– VOCÊ NÃO ESTÁ VESTIDO DE MULHER! – O príncipe esbravejou na direção de Renji, que se acuou imediatamente. Quando Ichigo gritava, era porque estava realmente irritado, e todos sabiam perfeitamente disso. – Não quero saber, todos vocês vão se vestir assim e ponto final! Inclusive você, Byakuya, não me olhe com essa cara!

Shuuhei e Tatsu semicerram os olhos na direção do Kuchiki, esperando que fumaça saísse pelas orelhas dele. Era só isso que faltava para completar a expressão de total irritação que ele tinha no rosto.

– Toushirou, já terminou...? – Tatsu disse com a voz baixinha, como se estivesse com medo de sobressair demais e o baixinho saiu de trás do biombo, equilibrando-se desajeitadamente num geta. A roupa do garoto tinha um tom suave de amarelo e era toda enfeitada por girassóis com um tom mais escuro da mesma cor. – Uau, adorei!

– Eu não, odiei. – Hitsugaya revirou os olhos e parou de andar.

– Mas você está ótimo. Não achei que fosse ficar tão bom.

– Obrigado – ironizou o garoto, revirando os olhos na direção de Renji. – Ulquiorra, a ideia foi mesmo sua?

– Sim.

– Ah, pra eu te MATAR depois! – Hitsugaya exclamou de repente, fazendo alguns dos anfitriões se sobressaltarem.

– Parem de reclamar, por favor... – Harashime suspirou, aparentemente cansada, colocando as mãos na cintura. A cabeça de Hisagi tombou para o lado, observando as sutis curvas do corpo lindo que ela tinha. – Vamos só fazer isso, logo vai acabar e depois teremos outro tema. Sério! Isso está estressante.

Byakuya suspirou ruidosamente e saiu dali, indo para trás de um biombo para se vestir logo de uma vez. Ichigo gritou pelo nome de Grimmjow, que reapareceu e ainda estava vestido com seu kimono, mas ele estava todo desgrenhado. Shuuhei e Renji deram risada com a bronca dada pelo príncipe, e logo, Uryuu entrava no salão.

– Ei, demorou! – Tatsu sorriu na direção do rapaz e Ishida suspirou profundamente.

– Oh... Vejo que a ideia do Ulquiorra se concretizou. Desculpem a demora, eu estava terminando uma redação...

– Que redação? – Shuuhei perguntou com a expressão confusa e Uryuu moveu suavemente as mãos na direção dele.

– Nada que você tenha que se preocupar, eu estou fazendo um trabalho extra...

– Melhor nem perguntar... – Renji fez um sinal na direção de Hisagi, porque Ishida tinha essa mania de ser altamente CDF, então era melhor nem discutir.

– Muito bem, se vista logo, a Harashime vai nos ajudar com a maquiagem e—

– Não dá pra dispensar a maquiagem?! – Grimmjow bufou irritado e Byakuya, parado ao lado dele, assentiu suavemente com a cabeça, em concordância.

– Certo, certo... – Ichigo suspirou, derrotado. Era melhor assim do que criar uma confusão geral dentro do clube, que francamente, já nem era lá tão organizado assim!

Cerca de uma hora depois, e muita insistência, eles estavam todos vestidos (sem maquiagem), e abriam o clube para os clientes.

O local estava todo ambientado, seguindo o clima da era Edo. Almofadas espalhadas pelo chão no tatami adaptado, com mesas baixas. Um cheiro agradável de chá verde aconchegava o Salão.

– Bem vinda, Nakajima-san. – Byakuya curvou-se educadamente diante da garota assim que ela entrou no lugar. Ayaka levou as mãos ao rosto, parecendo bem empolgada com o tema daquele dia. E o Kuchiki... Deus, ele estava maravilhoso naquele kimono perolado. Várias flores de cerejeira enfeitavam a barra e as mangas da peça. Foi realmente difícil convencê-lo, mas no final das contas, Ichigo havia feito uma ótima escolha para ele.

– Nossa, Kuchiki-san, você está lindo! Mas sério, dá pra me chamar de Aya-chan? Quando você se refere a mim assim até me dá um arrepio.

O moreno suspirou suavemente e ergueu o corpo. – Certo... Aya-chan.

– Isso! – Ela bateu as mãos uma vez, afastando-as em seguida e cerrando os punhos. – Como você veio me recepcionar, é com você que eu vou ficar hoje. – A garota aproximou-se do rapaz e enganchou os braços no dele, acompanhando o caminhar de Byakuya até uma das mesinhas. Ela ajoelhou-se com ele e só então é que tirou as mãos do braço dele, apoiando-as no colo.

– Chá? – O moreno ergueu-se dali e foi para o outro lado da mesa, manuseando perfeitamente as peças para fazer chá verde à moda antiga, como nas belas cerimônias do chá tradicionais. Na verdade, estava bem adaptada, mas ainda assim, era muito bonito. Ayaka agitou-se e olhou admirada para o rapaz.

– Você sabe mexer com essas coisas?

– Surpreendentemente. – Ele derramou água quente no chawan e pôs-se a mexer a erva para que se dissolvesse. Aquilo era atividade para mulheres, Byakuya sabia, mas acabou aprendendo mais ou menos quando era mais novo uma vez que sua irmã mais nova, Rukia, era expert nisso e volta e meia fazia para a família. De qualquer forma, é claro que ele estava errando alguns movimentos que deviam ser precisos, mas Ayaka nem queria saber disso. Estava fascinada demais com ele pra prestar atenção nesses detalhes.

– Eu sei fazer esse doce.

– Sabe?

– Sim! – Ela exclamou feliz e aproximou-se dele, pegando o omogashi e partindo-o no meio com um dos hashis. – Minha mãe me ensinou há um tempo. Como eu gosto de doces, gosto de saber fazê-los também, quando não tem, sabe?

– Hum... Mas você gosta do feijão?

– Sim, adoro! Sendo doce, tá valendo.

– Eu não gosto...

– Do quê, de doces?

– Não, do feijão doce.

– Ahhh! – Ela fez um biquinho entristecido e o encarou, curiosa. – Sorte a sua que eu sei rechear com outras coisas!

– É mesmo...? – Byakuya olhou para ela com um sutil, quase imperceptível, sorriso nos lábios e Ayaka deu um largo sorriso feliz.

– Sim, vou preparar pra você e trazer amanhã!

– Obrigado... – Ele suspirou na direção da menina e a garota sorriu, contente. Ele era tão... Ai, adorável! E ela ainda ia fazê-lo mostrar aquela fileira linda de dentes num belo sorriso para ela. Ou não se chamava Nakajima Ayaka.

– Mariko-san! – A voz de Renji fez-se ouvir quando ele se curvou diante Riiko. Os cabelos vermelhos do rapaz estavam soltos, e mesmo que ele fosse meio grande demais para fazer movimentos muito delicados, ele até que se deu bem. Para quem estava reclamando daquela história toda um tempo atrás, até que ele estava empolgadinho demais.

– ... – A loira semicerrou os olhos, claramente tentando conter o riso. Mariko também gostava da era Edo e sabia muito bem o que estava olhando naquele clube de malucos. – Vocês são kagemas?

– Sim.

– Hey! – Grimmjow fez-se ouvir quando parou atrás de Mariko, que se exaltou. Ela virou-se para ele e franziu as sobrancelhas, reparando na cor rosada dos trajes do mais alto. – Então você veio.

– Melhor eu não me meter, não é mesmo...?! – Renji se afastou, achando simplesmente mais seguro. Riiko colocou as mãos na cintura e olhou curiosa na direção de Grimmjow.

Ela começou a rir. RIR. Alto.

– Qual a graça? – Ele perguntou irritado, como se nem soubesse que ela estava obviamente rindo do tema. Mariko tapou a boca com a mão e respirou fundo após alguns segundos, reparando que o rapaz ficava sutilmente avermelhado de raiva.

– Nada, nada, você está uma belezinha! De qualquer forma, o que se faz aqui dentro, se não tem bebidas e dança?

– Cale a boca e me siga.

– É isso que se faz aqui?! – Ela debochou quando Grimmjow deu as costas e pôs-se a andar. Bem... Mesmo assim, ela caminhou com ele. Alguém me explica?!

Shuuhei, pro outro lado do Salão, estava esparramado no chão, deitado em duas almofadas, ao invés de ajoelhado como deveria estar. Obviamente ele não era faria muito bem o tipo de kagema comportado... Enfim. Virgil, Miwa, Mitsuka e mais dois meninos o cercavam na mesa. Ele já havia preparado o chá (de qualquer jeito mesmo, convenhamos) e apoiava a cabeça graciosamente na mão, o charme exalando por todos os poros.

Como ele estava mais empolgado com a ideia, concordou em colocar um aplique de cabelo no alto da cabeça, que formava um rabo-de-cavalo perfeito e havia um belo enfeite prateado segurando-o ali. Se ele estivesse de maquiagem, seria um kagema sem tirar nem pôr.

– Achei muito legal essa ideia, Hisagi-kun, você está ótimo! – Mitsuka elogiou com um sorriso e recebeu exclamações de concordância dos outros clientes do rapaz. Shuuhei abriu um belo sorriso e ergueu o tronco, segurando a mão da garota, num gesto repleto de cavalheirismo, muito embora seus olhos brilhassem de malícia.

– Eu sei, Mitsu-chan, mas você está ainda mais bela. Aliás, você fica mais bela a cada dia. – Ele distribuiu beijinhos na costa da mão e pelos dedos da garota, que deu uma risadinha.

– Você diz o mesmo para todas.

"Sim... Ele diz", Virgil pensou com os olhos faiscando na direção de Hisagi. Ele estava realmente irritado. Não sabia por quê... Ok, sabia sim. Desde a festa da semana anterior, e dos beijos que eles trocaram, o mestiço não conseguia mais pensar direito quando estava na presença de Shuuhei e seus infinitos clientes.

Só queria tocá-lo de novo. Tocá-lo e de preferência, tirar toda a roupa do anfitrião. Mas o que estava pensando?! Seu rosto corou imediatamente e ele forçou o maxilar para não piorar a situação.

Ele realmente não sabia porque continuava a ir naquele lugar. Era tão irritante ver Hisagi agir daquela forma, mas droga, ele não conseguia evitar! Aliás... A comida ali era muito boa para resistir, de qualquer forma. E ele, no fundo, só queria ficar na companhia de Shuuhei, não podia ser pedir demais.

O anfitrião reparou no olho azul visível e irritado do garoto. Ergueu-se, postando-se de pé, deu a volta na mesa – tendo os olhares dos clientes acompanhando-o com curiosidade – e logo, parava atrás do rapaz.

Shuuhei agarrou-o com força pelo pescoço e Virgil quase perdeu o equilíbrio, já que estava ajoelhado. – Não me olhe dessa maneira, Virgil... Assim vou pensar que está irritado. – Sussurrou Hisagi com uma voz rouca ao ouvido do menor. – Sabe que meus olhos só se interessam por um...

– Milhão? – O garoto segurou nos antebraços do anfitrião, que não desistiu de segurá-lo. Quem os rodeava olhava confuso para os dois, mas fazer o quê?! Miwa não se irritava com essas perversões loucas de Shuuhei, Mitsuka tampouco tinha ciúme, mas os dois rapazes... Err... Digamos que estavam com um pouco de inveja.

– Não! – Exclamou e só então os outros conseguiam ouvir sua voz. – Só um. – Hisagi aproximou-se novamente do ouvido de Virgil e passou a língua pelo lóbulo, causando no rapaz um forte arrepio. Grrr! – Você.

O mestiço encarou Shuuhei com o olho azul faiscando novamente, mas dessa vez, seu coração retumbava intensamente no peito. Sério— ele fazia isso com todo mundo?! Ou tinha realmente algum interesse além daquele? Eles se encararam até que um dos outros meninos pigarreou alto, de forma irritada, mostrando-se desconfortável com a situação.

Hisagi entendeu o recado e antes de apanhar de Virgil mais uma vez, ele pôs-se de pé e praticamente flutuou de volta ao seu lugar. Ajoelhou-se, curvou de leve as costas ao apoiar o antebraço na mesa e sorriu. – Alguém quer omogashi?

Miwa dedilhou o ar quando reparou que um silêncio absoluto tomou conta da mesa. Era até constrangedor. – Eu quero! – Assim que Hisagi levantou-se para servir os cinco, ela virou o rosto e observou Hitsugaya derramar um punhado de chá de maçã numa xícara para uma das clientes. Ele não parecia muito contente e interessado em fazer um ritual para fazer chá verde, até porque, o dele nem era esse.

Era até engraçado de ver, e ele estava adorável naquela roupa e com o geta nos pés.

– Vou conversar um pouco com o Uryuu... Daqui a pouco tenho que ir.

– Você sempre vai cedo, Mitsu-chan. – Shuuhei falou com o tom de voz ofendido.

– Não é por você, Hisagi-kun, meus pais que me dizem que eu tenho que estar em casa até tal hora senão vou me meter em problemas...

– Certo, então está perdoada. – O rapaz deu uma piscadela na direção da garota e a dona dos longos cabelos rosados ergueu-se, caminhando pelo salão até chegar perto de Ishida.

Como sempre, Mitsuka acabava tomando a atenção que Ishida dava aos seus clientes e isso nunca agradava a qualquer um deles, mas ela não estava exatamente incomodada com isso, de qualquer forma. Uryuu levantou-se e caminhou na direção da amiga. – Oi.

– Oi! Escuta, eu notei que você está um pouco estranho, aconteceu alguma coisa?

– Não, só estou estressado por causa dessa ideia maluca do Ichigo... Nós ficamos um bom tempo tentando convencer o Renji, o Byakuya e o Grimmjow a se vestirem adequadamente. – Uryuu revirou os olhos e ajeitou os óculos. – Acho que eles exageraram demais. Mas tudo bem, no final, concordaram.

– Menos mal. Foi uma ótima ideia! – A garota moveu os ombros e deu um sorriso doce na direção do amigo. – Você ficou muito lindo! – Exclamou em seguida, olhando para o corpo do garoto. Ele sentiu o rosto corar e passou a mão na testa.

– Obrigado...

– Kaachan! – Ichigo caminhou suavemente pelo lugar, na direção de Ishida. O menino virou a cabeça para procurar de onde vinha a voz do príncipe e assim que o encontrou, sua expressão ficou suavemente preocupada. – Você ficou adorável com essa roupa. – Ele moveu graciosamente a mão na direção de Ishida, que trajava um kimono preto, de estampa floral em cores quentes. Já Ichigo tinha um kimono vermelho-sangue no corpo, intenso e belo, com o desenho de enfeite quase abstrato, mas com linhas curvilíneas e delicadas.

– Obrigado... – Ishida ajeitou os óculos no rosto e suspirou depois de ouvir uns longos suspiros.

– Vem cá, não era você que sabia dançar?

– Quê?

– É, com leques?

– E-eu...

– Você sabe, Uryuu? – Mitsuka enfiou-se no meio da conversa e arregalou os olhos, parecendo surpresa e admirada com a notícia.

– É que...

– Ótimo! Vou chamar o Ulquiorra e vocês dois vão dançar juntos!

– Nã-não, esper... Tarde demais. – Ele revirou os olhos quando Ichigo afastou-se rapidamente dos dois. Mitsu deu risada. – Não acredito nisso...

– Não pode ser tão ruim, eu quero muito te ver dançar. Deve ser adorável.

– Nada disso... – Ishida encolheu o ombro quando pensou nessa possibilidade. Céus...

Poucos instantes depois, Ichigo havia reunido Uryuu e Ulquiorra num lugar mais amplo do Salão e sua voz trouxe a atenção dos demais que estavam por ali. As cabeças se viraram para eles e Ishida já podia sentir seu rosto ficando vermelho feito um pimentão; especialmente porque Mitsuka o olhava com um largo sorriso de incentivo nos lábios.

– Muito bem, todos, temos aqui dois anfitriões que sabem dançar com os leques! Na verdade, quem sabe melhor é o Ulquiorra, e eu gostaria de saber o porquê...

– Quando eu fiz aulas para aprender a lutar com uma katana – a voz de Schiffer falando sobre aquele assunto fez boa parte dos presentes se arrepiarem por completo. Que bom, além de tudo, o cara sabia lidar com katanas. Ótimo! – Meu sensei utilizava, no começo, leques enormes e dizia que aprender a manuseá-los ajudaria na hora de segurar a espada mais tarde. E ajudou, mesmo...

– Nunca ouvi falar desse tipo de técnica em kenjutsu.

– É exclusiva do meu sensei.

– Legal – Ichigo disse com sinceridade, sorrindo. Ulquiorra apenas moveu de leve a cabeça e então, o príncipe voltou-se para Ishida. – E você, Ishida?

– Eu... Hum... Na verdade, eu não sei dançar tão bem assim, só sempre achei bonito quando eu ia aos matsuri...

– Ah! Tudo bem, tá valendo! Bom, boa sorte, vou pra lá ligar a música. Divirtam-se. – A última frase foi designada à "plateia", que aplaudiu o príncipe fervorosamente. Ishida encarou Ulquiorra com uma expressão desesperada e o rapaz fez um sinal sutil com a cabeça, parecendo querer dizer a ele para que não se desesperasse.

Assim que a música tomou conta do Salão, Schiffer pôs-se a mover os leques com movimentos suaves e firmes da mão, volta e meia atirando-os em sincronia para cima, fazendo-os girar no ar e pegava-os com precisão de volta assim que caíam. Era lindo de se ver; mesmo que estivéssemos falando de Ulquiorra.

Ishida, por outro lado, parecia um pouco confuso com os leques, mas movimentava-os como dava. Ou ao menos, como lembrava. Nem se atrevia a jogá-los porque sabia que ia derrubar sem dúvida alguma, então, enfim, ele realmente nem sabia o que estava fazendo ali. Tudo culpa do Ichigo! Tinha que ser! E Mitsuka tinha aquele olhar... Jesus, o rosto de Ishida estava muito vermelho.

Na porta, Nilla estava parada. Havia combinado encontrar Riiko na saída do Host Club naquele horário, mas ela ainda não havia saído.

A morena já estava ali há alguns minutos, e assistira ao que Ulquiorra disse; agora, o via dançar. Quer dizer, olhos críticos iriam dizer que aquilo era uma cena simplesmente bizarra, mas não. Era lindo. As meninas estavam fascinadas com a beleza dele e os meninos, sem comentários. Mas Nilla só tinha uma coisa em mente: algo a mais que ela sabia sobre aquele rapaz.

Ele era tão misterioso e de repente revelava ter mãos ágeis, movimentos precisos e graciosos. Era como se toda aquela frieza de sua personalidade estivesse derretendo a cada instante que passava enquanto ele dançava. Mesmo que estivesse fazendo algo teoricamente feminino, ele não perdia a força. Sequer parecia uma mulher, na verdade. Ele estava simplesmente... Belo demais para que o rosto de Vanilla não corasse.

Quando a música cessou, o salão foi tomado por um aplaudir empolgado, e Ulquiorra curvou-se para agradecer o carinho. Uryuu deu um sorriso sem graça e moveu as mãos para agradecer.

Assim que Schiffer afastou-se dali, recebeu diversos elogios, aos quais agradecia com a cabeça, mas direcionava-se à porta após ver que Nilla estava parada lá. Assim que se aproximou, ele a encarou com os olhos calmos e ela deu um sorriso amarelo. – Oi... Você dança, então?

– Não pegou a explicação?

– Sim, mas... Me surpreendeu.

– Isso é bom? – Ele ergueu uma das sobrancelhas na direção dela, e a morena passou a mão gentilmente pelos cabelos.

– É, é sim. Você estava ótimo...

– Hum... – Ulquiorra cruzou os braços. – O que faz aqui?

– Eh? – Ela olhou para ele parecendo confusa; aparentemente havia esquecido do que fora fazer ali. Não foi sua intenção! Mas veja, ela havia ficado ligeiramente... Impressionada com o que havia visto. Pigarreou e perguntou-se o que Ulquiorra quis dizer com aquela pergunta... Como ele era tão inexpressivo, o moreno podia estar usando qualquer tom. Desde "não te quero aqui" a "que bom te ver". – Ah, eu vim esperar a Riiko-san, mas ela não saiu ainda...

– Quer dizer, aquela? – Ele indicou Mariko, que caminhava rapidamente na direção dos dois. Grimmjow vinha logo atrás e gesticulava fervorosamente.

– NÃO! Vou embora, ADEUS! – Gritou a loira na direção do maior. Quem estava mais próximo virou a cabeça para olhar e ela passou como um furacão por Nilla, que olhou indignada.

– Ei, espera! – Ela virou-se para ver Riiko andar rápido pelo corredor. – Desculpe, Ulquiorra... Até mais tarde.

– Certo. – Ele observou-a partir e Grimmjow parou ao lado dele. Schiffer o encarou e semicerrou os olhos, obviamente perguntando-se o que diabos havia acontecido, mas também, parecia um pouco contente com a desgraça alheia. Mais precisamente, do Jeagerjaques. O maior reparou na expressão de Ulquiorra e torceu os lábios.

– Você adora me ver irritado, não é?

– Diria que é um prazer único.

– Você é desprezível... – Ele resmungou e saiu dali, dando a volta no salão. Ulquiorra respirou fundo e virou o rosto. Que afirmação mais absurda...

Perto dali, Miwa também havia se levantado e caminhava na direção de Hitsugaya; o caso é que ela não precisava ir embora, somente queria se aproximar do baixinho de novo. Assim que chegou perto dele, a morena ajoelhou-se ao lado do garoto e sorriu para ele, fazendo as duas meninas e o rapaz que estavam ali ficarem confusos.

– Shirou-chan, por que você não faz chá verde como os demais?

– Não tenho paciência. – Ele resmungou e uma das meninas riu.

– Ahh, você não sabe.

– Eu sei sim, só não—

– Mentira, aposto que não sabe!

Hitsugaya encarou a garota com os olhos semicerrados, irritado com aquele tipo de desafio estúpido que ele infelizmente sempre caía. Não era porque o baixinho era competitivo nem nada assim, ele só não gostava quando falavam desse jeito com ele. Principalmente Miwa, que por vezes agia com ele como se fosse uma criança, mesmo. Ou ao menos assim ele pensava. – Sei sim, quer ver?

– Quero! – Exclamou feliz, curvando um pouco as costas para alcançar a mesa e debruçar-se sobre ela. Hitsugaya se levantou, chutou o ar para livrar-se dos geta e caminhou pelo salão até pegar uma parte das coisas que Byakuya utilizara para servir Ayaka. A menina sorriu na direção do anfitrião após ele pedir para pegar tudo.

– Fique à vontade, Toushirou-kun, o Kuchiki-san já fez um chá ótimo pra mim! Não sabia que vocês tinham tantas qualidades.

– Vou te contar... Não temos. – Hitsugaya suspirou e sacudiu os ombros enquanto juntava as coisas. Ayaka deu uma risada e observou enquanto o baixinho se virava com os utensílios.

– Não seja tão negativo, Hitsugaya. – Byakuya pegou um dos objetos e pôs em cima da pilha que Toushirou fazia, a fim de ajudá-lo.

– Ei, você vai acabar derrubando tudo!

– Não seja tão negativa, Aya-chan. – O moreno virou-se para ela e ergueu uma das sobrancelhas. Ele estava fazendo uma piada?! Hitsugaya arregalou os olhos e Ayaka riu alto, sem nem disfarçar. Oh meu Deus, é o fim dos tempos!

Toushirou, depois daquela cena inédita, voltou onde estava e pôs-se a mexer naquelas coisas, mas obviamente não sabia o que estava fazendo.

Nem ninguém ali, de qualquer forma. Muito menos Miwa. Portanto, ela achou que tudo estava certinho e achou adorável. A morena deu um sorriso meigo na direção do rapaz, que sentiu as bochechas corarem um tanto. Ele sempre achou tão bonito aquele sorriso... Ela não deixava todos os dentes à mostra, mas era o suficiente para fazer aquela curva sutil nos lábios que Toushirou achava tão bonitinha.

Assim que ele terminou, ergueu-se e serviu não só Miwa, mas os demais.

A menina deu uma golada no chá e nossa, estava bom mesmo. Não é que ele sabia fazer? Ou de certo ele meio que aprendeu ali, na hora. Difícil dizer. Ele olhou para ela com as bochechas levemente coradas e semicerrou os olhos na direção da morena.

– Ficou uma delícia! – Ela exclamou e os outros concordaram.

– Eu sei, viu... Mas agora está na hora de eu dormir.

– Como?! – Ela olhou indignada e Hitsugaya pôs-se de pé.

– Sim, eu sempre durmo a essa hora. Até parece que você não vive por aqui!

– Ei, eu nem fico tanto tempo assim. Mas eu sei que você dorme a essa hora, só que eu estou aqui agora!

– E isso me impede de dormir? – Ele estirou o corpo no chão, acomodando a cabeça numa das almofadas. As meninas por ali ficaram olhando com um sorriso de admiração na direção do baixinho, e o rapaz foi-se embora depois de se despedir com um aceno para o anfitrião.

Miwa crispou os lábios, contrariada, levantou de onde estava e deu a volta na mesa. Sentou perto de Hitsugaya e deitou-se no tatami, usando a barriga dele como travesseiro.

– Ei!

– O quê? Eu vou dormir também.

– Você—

– Estou com sono! Se você pode, eu também.

Hitsugaya bufou, apoiou a cabeça com as mãos e fechou os olhos. Hunf. Menina teimosa!

Ah tá, e ele, era o quê?!

Harashime, que estava com alguns clientes por ali, olhou sorrindo para a cena e voltou a servir um dos garotos. Ela realmente era quase sempre procurada por meninos, uma vez que tem aquela aparência delicada e os grandes olhos também ajudam. Ichigo aproximou-se dela e ajoelhou ao seu lado.

– O que é?

– Vim fazer companhia.

– Você não tem suas próprias clientes?

– Ah, elas estão acostumadas com a minha saída de vez em quando...

A menina bufou um pouco e Ichigo cumprimentou os garotos que ali estavam, cortejando especialmente a única menina presente, que não era a anfitriã, no caso. Tatsu olhou torto para o garoto, que sorria belamente na direção da outra. Hunf! Que cretino que ele é; sempre tentando protegê-la, mas nem a si mesmo ele sabia proteger.

Mas o que diabos ela estava falando?! Não queria saber dele, na verdade, odiava esse instinto paterno/fraternal/ou qualquer coisa assim que ele tinha, então pra que pensar numa coisa dessas?

Droga... Mas aquele sorrisinho daquela menina era simplesmente tão irritante que ela não conseguia se conter!

De repente, Tatsu esbarrou num dos chawan acidentalmente e o chá esparramou-se inteiro no chão. Ela se levantou rapidamente para evitar que o kimono fosse manchado (Deus o livre ter que ficar pagando mais alguma coisa!), e Ichigo pegou em sua cintura para que ela se acalmasse.

– Ai, droga!

– Tudo bem... – Ele sacudiu de leve a cabeça e pôs o objeto de pé. Com um suspiro, ele acenou na direção de Renji. Assim que o ruivo chegou, Ichigo indicou a bagunça para ele.

– O quê? Você me chamou aqui pra limpar isso?!

– Claro!

– EU TENHO CARA DE EMPREGADA, TOOSAMA? – Renji olhou indignado para o príncipe e virou as costas sem nem dar mais uma explicação.

– Ei, então pelo menos traga um pano!

O líder ainda pôde ouvir o ruivo praguejar de longe, mas pelo menos ele ia trazer o pano. Tudo bem... A menina riu da atitude de Ichigo, e isso trouxe aos lábios do Kurosaki um sorriso contente.

Ele gostava muito do sorriso dela. E se ela estivesse feliz, era melhor ainda.

Algumas horas depois, o Host Club estava quase fechando. Os que não tinham mais clientes consigo – Grimmjow, Ulquiorra, Hitsugaya e Byakuya, sendo que o último havia despedido-se de Ayaka naquele instante e Toushirou já estava livre há alguns minutos – já estavam para partir, mas os demais ainda os estavam segurando.

Longe dali, no enorme pátio da parte externa da escola, estavam Riiko e Nilla sentadas num largo banco perto da fonte. Estavam esperando seus respectivos motoristas para virem buscá-las; demoraram porque ficaram terminando um novo trabalho de matemática, que por sinal, o professor pareceu persegui-las depois da primeira vez que resolveram um problema juntas. As duas estavam quietas. Nilla até gostaria de conversar, mas Riiko ainda estava espumando de raiva. A morena adoraria saber o porquê, especificamente, mas podia suspeitar. Grimmjow devia ter dito alguma bobagem.

Quando a loira virou o rosto, viu Toshihiro aproximando-se. Ele estava com as mãos nos bolsos e ergueu o rosto para olhar melhor as duas através das lentes do óculos. Aproximou-se então, com um sorriso, sentando ao lado de Nilla. – Oi. Ainda por aqui? – Como ele a conhecia, não via problema em conversar, mas embora quisesse falar com a outra também, Riiko ainda era um campo desconhecido.

– E você? – Nilla olhou confusa para ele e o rapaz ajeitou os óculos.

– Estou esperando o Renji, eu sempre volto com ele, moramos perto.

– Humm... – As duas resmungaram em uníssono e Nilla pegou o celular. – Já volto. – Disse a garota então, saindo do meio dos dois.

– Mariko-san, né? – Ele arrastou-se no banco e chegou um pouco mais perto da loira, que virou a cabeça para olhá-lo. – Nunca conversamos.

– É. – A garota semicerrou os olhos azuis na direção dele. – Uma pena...

Mesmo. Riiko o achava tão loucamente atraente! Ela apertou os lábios e respirou fundo. Ficar perto daquele garoto era uma sensação estranhamente tensa. Como se ela quisesse fazer algo, mas não soubesse se devia. E estavam ali, sentados para fora, em público... Enfim, um grande problema.

Ele moveu suavemente a cabeça com um sorriso. – Você é tão diferente. Quer dizer, todo mundo que entra aqui tem a mesma tendência de ser louco pelos meninos do Host Club. Já você, como eu, só se relaciona com um deles...

– Eu? Eu não!

– Hum... Bem, de qualquer forma, acho admirável.

Mariko assentiu suavemente e ficou olhando para ele por uns instantes. Quando Okuno virou-se para ela, reparou nos orbes esverdeados da loira fixos em si e sentiu o coração retumbar. Droga, o que era? – Você também é... Quer dizer, diferente.

– Ahn... Obrigado...

Ela ergueu as mãos na direção do garoto e ele arfou intensamente. Ele sabia que se sentia atraído por ela, mas ser tocado no rosto por aquela loira era... Deus! Toshihiro levou uma das mãos até o antebraço da loira. A tensão entre os dois era tão grande que dava para encher uma sala, mas digamos que... Existia desde o início. Eles sabiam, quando se olhavam por aí.

A uns passos dali, Nilla virou o rosto para olhar a situação. Riiko arrastava-se para chegar mais perto e Okuno erguia a outra mão, passando-a livremente pelos fios de cabelo dela.

Quer dizer, ela sabia que ele estava meio afim dela, já que ele pessoalmente havia falado para ela ajudar, mas não sabia que ia ser assim! Wow! Quanta química! Ela achava ótimo, até porque, Riiko só se estressava com Grimmjow...

Menos mal, ela já estava cansada de ficar fingindo falar no celular... De qualquer forma, quando os dois rostos estavam muito próximos, Nilla virou o rosto porque realmente não queria olhar aquela cena, só que viu uma coisa muito pior.

Do outro lado, na porta de saída da escola, Grimmjow, Ulquiorra e Byakuya saíam.

– Oh droga – ela resmungou, caminhando rapidamente na direção dos dois para interromper o que mal havia começado, mas uma voz alta, grave e furiosa se fez ouvir.

– O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO, OKUNO? – Grimmjow esbravejou, caminhando com velocidade. Ulquiorra acompanhou os passos do rapaz e quando chegou perto de Nilla, pegou-a pelo braço e a afastou dele.

– Não chegue perto. – Ele falou num tom de voz sério e a morena se acuou.

– Eu nem pretendia, mesmo...

Byakuya parou onde estava e achou melhor chamar por ajuda. Quer dizer, ele não ia se meter numa briga (não mesmo), e Schiffer certamente adoraria assisti-la.

– Eu—

– Saia de perto dela, seu viadinho! – Grimmjow puxou Toshihiro com força pelo pulso, fazendo-o cambalear para longe do banco. Riiko levantou-se imediatamente.

– O que pensa que está fazendo?! Não toque nele!

– Você que não tem que tocar nele!

– O QUÊ?

O maior virou-se para Toshihiro e o pegou pela gola, quase erguendo o garoto do chão. O menino arregalou os olhos e depois, os fechou com força, só preparando-se psicologicamente para receber um murro bem no meio das fuças. Mas que diabos! – Não encoste no que me pertence, Okuno!

– TE PERTENCE? Como assim?! Eu não pertenço a você nem a ninguém!

– Pertence! A partir do momento que eu quero você, ninguém mais chega perto!

Mariko arregalou os olhos e cerrou os dentes, cerrando os punhos em frente ao rosto. A pele estava avermelhada de ódio e as mãos tremiam fervorosamente.

– Eu... Grimmjow-san, por favor, eu não vou mais—

– Não interessa! – O rapaz ergueu o braço para acertar Toshihiro, mas uma nova voz o impediu.

– LARGUE ELE, GRIMMJOW! – Renji correu na direção dos dois, e Byakuya vinha caminhando logo atrás. Ichigo e Tatsu vinham depois, mas o príncipe não permitia que ela andasse muito porque realmente não queria que ela fosse alvo de nada.

Obedecendo ao que lhe foi dito, Grimmjow mexeu o braço e impulsionou Okuno para que ele caísse de bunda no chão, batendo as costas. O rapaz soltou uma exclamação de dor e Renji bufou de raiva. – Seu idiota, o que está fazendo? Quer brigar com ele? Brigue comigo então!

– Ah, e você quer brigar comigo? – Os dois se aproximaram furiosamente e Riiko se curvou para ajudar Toshihiro a levantar. Que eles se matassem! Na verdade, que Renji matasse Grimmjow, isso sim.

– Perdão, por favor – ela disse com uma voz muito mais sensível do que jamais foi ouvida e Okuno olhou pasmo para ela.

– Não... Não chore, Mariko-san... – Toshi passou a mão no alto da cabeça da loira, que cerrou os olhos com força e esfregou-os violentamente com a mão, por baixo dos óculos. Ela estava tão irritada e enfurecida que estava... Chorando de raiva?! Ou porque Grimmjow era mais violento que todos eles juntos? Ou simplesmente porque ela gostava de um cara desses? Se bem que... Ela não podia dizer nada, podia?

– JÁ FALEI PRA NÃO CHEGAR PERTO DELA! – A voz do rapaz fez-se ouvir e quando ele foi avançar na direção dos dois, Renji o puxou pela camisa e o impediu; assim que fez isso, o ruivo adiantou-se e parou em frente à Okuno, impedindo que Grimmjow se aproximasse mesmo que quisesse.

Ninguém machucava Toshihiro. Muito menos Grimmjow. – Não se aproxime.

– Ninguém te chamou, Renji! Por que você protege tanto esse babaca?!

– Você que é louco! – Exclamou o ruivo, e Okuno, atrás dele, olhou pasmo. Ele jamais havia ficado tão admirado por ser protegido por Renji daquela forma... Tão enérgica. Certo que ele era alvo de alguns problemas, quer dizer, quando se referia a bullying, mas Grimmjow era maior do que todos os caras que já vieram lhe atormentar. E maior que Renji, inclusive. Mas mesmo assim, o ruivo não titubeava.

– Renji... – Ele resmungou tão baixo que não podia sequer ouvia a própria voz. Seu rosto esquentou.

Mariko levantou-se rapidamente e pôs-se entre os dois. – Pare já com isso!

– Não sei o que passa na cabeça dele, esse—

– CALE A BOCA, GRIMMJOW – Ichigo se fez ouvir.

Agora a coisa fedeu.

– Chega! O que está pensando? Quer ser expulso? Chega, pare! – O garoto abriu os braços e usou um deles para fazer Grimmjow recuar. Assim que conseguiu, ele olhou para Mariko com as sobrancelhas franzidas. – Sinto muito.

Ela resmungou algo ininteligível e aproximou-se de Ichigo, que a olhou confuso. O mais alto baixou a cabeça para acompanhar os movimentos da loira e quando ela estava perto o suficiente, ergueu a mão e estalou-a com força, a palma aberta, direto no rosto dele.

Nesse momento, Renji avançou para caso Grimmjow ficasse louco, mas... Não. Ele somente tocou o rosto com a mão e olhou pasmo para ela.

– Saiba que pra mim, bater no rosto de alguém é uma tremenda falta de respeito! – Ela exclamou com a voz embargada numa tristeza esquisita e virou as costas, passando rapidamente por Okuno. Nilla olhou confusa para Ulquiorra. O rapaz tinha uma expressão quase indiferente, mas ela sentiu que ele dizia para ela ir atrás da loira. É, talvez ele estivesse certo. Eles sustentaram o olhar por alguns instantes, antes de a menina exclamar pelo nome da amiga e a seguir depois de hesitar mais um instante. Estava tão bom olhar naqueles olhos verdes...

Renji virou-se para Toshi e se agachou ao lado dele, uma vez que o garoto ainda estava sentado no chão. Ele tocou o rosto do menor e olhou para ele, preocupado, fazendo Okuno corar sem nem perceber. – Tudo bem?

– Er... Acho que sim... – O garoto encolheu os ombros. Renji estava estranho; era como se ele estivesse, também, um pouco irritado por ele estar aparentemente fazendo algo com Mariko. Mas o quê? Qual o problema? Ele sentiu o coração bater com força mais uma vez, mas agora, estava no dobro da velocidade. Até a respiração falhou.

– Venha... – O ruivo o ajudou a levantar-se e assim que Toshi ficou em pé, Renji passou um dos braços pelo ombro dele. – Não chegue perto dele de novo, Grimmjow! Ouviu?!

– Foda-se você. – Praguejou o maior e Renji fez um sinal mal-educado com a mão, tirando Okuno dali.

– Grimmjow! – Ichigo virou-se para ele e franziu a testa diante do rosto marcado de vermelho, os dedos de Riiko bem claros ali. – O que estava pensando?

– Não pensei... – Ele resmungou quando Harashime aproximou-se. A menina ficou na ponta dos pés para tocar o rosto do maior, que instintivamente projetou a cabeça para trás como se fosse levar uma bofetada dela também.

– Não vou te machucar.

– Eu sei, eu sei, desculpe. – Grimmjow suspirou e esfregou a testa com os dedos. Deus. Ele estava furioso. Sua educação (que existia, por mais que fosse duvidosa) o impedia de tocar numa mulher para machucá-la. Jamais ele faria isso, nem pensar, por mais que levasse um tabefe daqueles. Na frente dos outros.

Mas ele não queria saber... Não ligava pros demais.

– Tudo bem? – Ichigo perguntou sério e o maior assentiu, respirando intensamente. – Ok... Vamos, imouto, eu te levo para casa.

– Certo... – Ela concordou?! Assim, fácil? O príncipe arregalou os olhos, mas não falou nada; era melhor nem perguntar, vai que a menina resolve mudar de ideia... Eles se afastaram e Byakuya passou por eles em seguida, sem falar absolutamente nada. Nem precisava. O pensamento dele era óbvio.

"Bando de animais."

– Quer que eu te leve, Grimmjow? – Ulquiorra aproximou-se e o outro o olhou com desprezo.

– Sai fora.

– Estou falando sério.

Eles se encararam por um instante e mesmo suspeitando, Grimmjow achou que seria melhor ir embora com ele. O motorista de Ulquiorra ficava ali esperando por ele o quanto tempo o rapaz quisesse, assim como o de Byakuya; já Jeagerjaques teria que ligar para o seu e esperar uns minutos, coisa que não fez antes de sair da escola, como de costume.

– E por quê?

– Francamente, não sou de falar muito disso, mas acho admirável que você distribua pancadas pelo que quer.

– Sério?

– Não.

Grimmjow trincou os dentes e Ulquiorra sorriu sarcástico.

– Não, não... É sério. – Ele suspirou. Não deve ser difícil imaginar no que ele estava pensando: Nilla. Era como sua sina. Queria saber mais. Queria, de verdade, mas jamais saberia como. Nem por onde começar, nem nada. Talvez o método de Grimmjow fosse violento demais, mas pelo menos, ele mostrava como se sentia. Já Ulquiorra... Nunca que ia conseguir. – Enfim, isso não importa. Vamos embora...

Era melhor, mesmo. Amanhã seria um novo dia... Não que isso fosse ser muito melhor. Mas eles não sabem de nada, ainda!


UHUL, here we go!

gostei muito desse cap como já foi dito e até então, ele foi o maior _ caramba. Até eu me surpreendi na hora. oOv

Ah sim, antes que eu me esqueça (?) eu tirei a ideia dos kagemas da fic da Takhesis no Nyah!, a minha fic favorita de todos os tempos. *---*

Okay, agora responder reviews *Q* - BAH, o fanfiction comeu todos os meus ARROBAS (?), então ignorem quando tiver algum underline aleatório. x_x

Urahara L.: waah~ obrigada *--* tipos, Byakuya dançando AHAZOU. Foi minha cena favorita no último cap! Grimmy e Riiko é tipo um vulcão, ou uma bomba relógio, ou algo que vai explodir eventualmente -Q enfim... LOL, que bom que tá gostando do Toshi *_* ele é tão adorável... well, tomara que tenha gostado desse também \o/

nanetys: HAHAHAHA ler ouvindo acho que daria um clima bom mesmo! eu não pensei em nenhuma música pra ilustrar porque sou péssima com essas coisas, exceto quando faço songfic _ pois é, tem duas Ayakas! Pelo menos um é sobrenome e o outro é nome XD a única coisa que me complica é que não posso usar o sobrenome da Miwa com ela, senão ia acabar confundindo... enfim, ela é muito fofa mesmo! e que bom que gosta da Riiko; *Q* eu também me identifico com ela! HOAIUEHAIUEHA pois é, eu também me pergunto como não percebem, mas tipo, como existem meninos frequentando o Host também, dá pra disfarçar ;D quer dizer, ela pode ser só um menino delicado -Q x_x olha, eu francamente acho que faria a mesma coisa o_o até porque, em briga de marido e mulher não se mete a colher 8D (?) maas~ sim, eu tô gostando bastante deles, porém ainda estou em processo de divagação a respeito de como eles vão se relacionar! Mas fico feliz que esteja seguindo bem a personalidade dela... ela é muito linda! *----* HAIOEUHAIEUH tudo bem não ter, caso tenha aleatoriamente, fique à vontade! obrigada e espero que tenha gostado desse cap também :D

Aiko N.S: weee~ *Q* que bom! eu fico feliz quando as pessoas gostam o/ eu gostei da Miwa com o Shirou nesse cap também, na verdade, eu tô achando os dois adoráveis _ eu gosto muito de casais assim! onde existe uma resistência de alguma das partes XD uuh~ Virgil e Hisagi são sexy! na verdade, é porque yaoi é totalmente irresistível, nee? *OO* haeouaohe mas imagina nee, se comerem em público o.o acho que nem o Hisagi chegaria a esse ponto... se bem que, vai saber nee, pervertido do jeito que o rapaz é 8D nunca se sabe o que esperar! HAOIEUAHOIEUAHE CARAAAAAAA~ tirou as palavras da minha boca mano! se o Grimmjow me agarrasse daquele jeito eu nem ia precisar mais de dinheiro nenhum! HAOEIUAHEOIUH ia ser como ganhar da mega-sena no final das contas XD *a que é totalmente louca pelo Grimmy* _ não diria que o Renji é indeciso, ele é reprimido mesmo como você disse ;P o Okuno é tão preconceituoso... mas nesse cap já houve um probleminha com o salvador da pátria, Abarai Renji, e seu par! HOAIEUHAE oh yeah.. nesse caso eu também ia preferir ser a Hime-chan do que ganhar na mega-sena ;P hehe obrigada amor, que bom que tá curtindo o/ espero que goste desse também :D

Kira 'Larry': WAAAHHH dois comentários pra responder, HAOIUEHAEOIUAEHOIAUHE euri! Byakuya se soltando, comofas/ [2] tipo, nesse cap ele foi mais tranquilo também 8D com o tempo a Aya-chan vai conseguindo progressos! alguém tem que dar uns murros nessa muralha de concreto òÓ9 e quem mais perfeita pra isso do que a Ayaka? 8D aah putz, muito mal resolvidos mesmo _ sem comentários, nee! e eu percebo que as pessoas tendem a gostar dos casais YAOI, não sei porque sabe... LOL. Obrigada pela dica aí ;D eu procurei fazer uso disso nesse cap, me diga se eu acertei o/ e tipos no outro review você já disse que eu captei perfeitamente a personalidade, CARAAAA, que bom *Q* porque a Ayaka tá sendo uma das minhas favoritas *-* pois é, Ichigo príncipe tá cômico mesmo 8D mas espero que ele não perca o espírito de... Ichigo _ anyway~ um beijo Ulquiorra e Nilla será minha ambição em breve *----* porque eles são adoráveis! oh well; obrigada pelas duas reviews HOAEUIHAOIEUAHEOIAUHE e guarde seu machado porque o quero bem longe de mim, rs. Beijo gata ;*

Aoi Koufoku: HAEOUHAEIUH que bom! Rir é sempre um bom sinal XD (ou não). Enfim, o Hitsu é sim a coisa mais fofa e linda justamente por ser tão irritadinho; eu costumo gostar de personagens assim, e o Shirou é tão chibi e bonitinho que... ah, você entendeu *O* dança do robô é sacanageeem~ o Byakuya é LINDO dançando, okay? na verdade, ele fica lindo de qualquer jeito _ HAOEIUHAEIOUH tipo sim, o Shuuhei uma hora tinha que dar uma bola dentro nee!? putz que frase mais inadequada LOL que bom que gostou! sz

enfim, é isso galere~ por favor, não deixem de mandar review, sim? :D espero que tenham gostado! até o próximo cap o/