2º Capítulo

NA: Pronto, neste capitulo irão aparecer diversas personagens secundárias como a mãe de Sirius ou a mãe de Narcissa.

O ritmo da fic pode parecer rápido demais, no entanto, sendo um diário, os capítulos mais "enfadonhos" poderão, mais tarde, serem postados como Bónus.

Good Reading ;D


28 de Agosto de 1979 - Perda

Tinham-se passado duas meras semanas desde o meu luxurioso caso com Rabastan. A minha relação com Lucius esfriava a cada passo que dava. Era terça-feira, um claro dia de Verão.

Acordei com medo. Não com receio ou preocupação… Mas medo, aquele medo puro que nos consome e nos encerra, aquele medo que nos corrói e nos mata por dentro. Abri os olhos relutantes, sentindo uma dor no meu peito. Uma dor interior…

Levantei-me, lentamente, com o presságio de que algo tinha acontecido. Envolvi-me num roupão branco e desci as escadas velozmente, até à sala.

Lucius envergava uma túnica preta. O seu cabelo encontrava-se apanhado num longo rabo-de-cavalo. Recostava-se numa poltrona de frente para a lareira. A sua bengala tremia impacientemente por entre os seus dedos enquanto passava os olhos pelas chamas verdes. Rapidamente, desviou o olhar na minha direcção, fazendo-me perceber que algo não estava bem. Precipitei-me para as labaredas esmeraldas proferindo Grimmauld Place, número 12.

"Narcissa!" exclamou Lucius, tentando agarrar-me.

Um turbilhão de luz verde ofuscou-me durante breves segundos. Aterrei de joelhos no soalho de pedra fria. Um grupo de pessoas vestidas de preto amontoava-se naquela que costumava ser a sala de jantar da minha família. Conseguia distinguir Bellatrix por entre os vultos negros. Ninguém pareceu dar por mim, logo aproveitei para me aproximar, um pouco, da multidão para ver o que se passava.

Walburga, a minha irascível tia, avistou-me e dirigiu-se para mim com um ar duro e frio. Regulus, o seu filho mais novo, também me viu e apressou-se, a fim de alcançar a mãe.

Sem fazer barulho, para não atrair as atenções daquela multidão, arrastou-me para fora da divisão. Subi a escadaria com Walburga atrás de mim, o silêncio entre nós era glaciar e parecia cortar qualquer tipo de parentesco. Entramos num quarto e Walburga largou-me o braço com tal violência que me faz cambalear e cair por cima da cama dos meus pais.

Ouvi os passos apressados de Regulus a subir a escadaria, mas foi impedido de entrar pelo feitiço de sua mãe.

Não me lembro de todas as palavras que Walburga proferiu, mas retive na minha memória a minha confusão naquele momento. Walburga proferia impropérios em altos berros, acompanhados pelo barulho dos murros que Regulus emitia contra a porta.

"És uma desgraça, uma abominação!" Proferia a mulher.

"Mãe, ela não sabe!" Ouvi a voz de Regulus do outro lado da divisão.

"Como foste capaz? A tua mãe está lá em baixo farta de perguntar por ti!"

As palavras da minha tia não faziam sentido nenhum naquela hora. A minha concentração foi abalada pelos passos fortes que surgiram do lado de fora. Com um enorme estrondo a porta foi pelos ares e Lucius erguia-se imponente na porta. Pelo que percebi, Regulus tinha conseguido chamar Lucius que me seguiu desde casa.

Uma discussão acesa abateu-se sobre o meu marido e a minha tia. As palavras voavam da boca de Lucius com uma violência absurda e Walburga respondia com insultos e maldições. Regulus consegiu puxar-me para fora da divisão de modo a explicar-me o que se estava a passar.

"Narcissa… não queria ser eu a dar-te esta notícia… ah… mas… não me parece que queiras ouvir estas palavras da minha mãe."

Percebi sem demora o que se passava, e não era, com certeza, da boca de Walburga que queria ouvir as palavras "o teu pai morreu".

Regulus olhava-me como se tivesse medo da minha reacção, ou apenas como quem tinha receio de ter contado um segredo que ninguém podia saber.

Voltei a entrar no quarto, lívida e incrédula. Lucius continuava em plena discussão com Walburga.

"BASTA!" Berrei com toda a força que me restava. Lucius olhava-me com uma preocupação evidente nos seus olhos, enquanto Walburga começava a ruborizar.

Desci as escadas auxiliada por Lucius. Apesar de aquele não ser o momento oportuno, a minha mágoa e o meu desespero misturava-se pela admiração e amor que tinha pelo homem que me ladeava. Lucius era verdadeiramente devoto. Devoto para comigo! Não se tratava dele, mas sim de mim. No entanto, cada vez me apercebia mais que não estava apaixonada por ele. Amava-o como o melhor amigo que alguma vez tive, mas não podia ter mais nada com ele. Por esse motivo, a minha relação sexual com ele era fria e as nossas demonstrações de afecto eram escassas. Lembrei-me de Rabastan, uma aventura de uma noite. Não tivera importância do ponto de vista amoroso, mas tinha sido o marco para descobrir a quem pertenciam os meus sentimentos. E uma vez que esses sentimentos não eram possuídos por Lucius, não se podia dizer que eu o tinha traído… a não ser na confiança.

Aproximei-me do amontoado de pessoas que se dispunha a volta de uma pedra branca. Cygnus Black, o meu pai, jazia sob uma cúpula de vidro. Impeli-me para cima do sarcófago de meu pai. Pequenas gotículas de água manchavam a superfície vítrea. Os vultos a minha volta começaram a descodificar-se, e apercebi-me da presença de Bellatrix e do seu marido Rodolphus, acompanhados por Rabastan, que se encontrava junto de Lucius.

Lucius, traição, Rabastan, morte, pai, amor, paixão… Era tudo demais para mim. Lembro-me das brumas que se adensaram a minha volta, mas nada mais.

Acordei algumas horas depois, na minha casa. Lucius encontrava-se a meu lado, mas estava farta de o ver por todo o lado. Apesar de gostar dele, a sua presença permanente incomodava-me mais do que os distúrbios temperamentais da minha tia.


NA: Esta capítulo é ligeiramente mais pequeno que o anterior. É neste capitulo que Narcissa começa a ficar confusa com o que se está a passar à volta dela. Espero que tenham gostado! Reviews Pliz :D