NA: Aqui está o 3º Capitulo. Não digo que seja o mais bonito, ou o mais bem escrito... mas é sem dúvida o mais importante! Espero que gostem.
As amaveis pessoas que andam confusas mas que são umas queridas e continuam a ler a fic, aqui fica um ponto da situação.
"Narcissa Malfoy, uma mulher recém casada, acaba por se envolver com o irmão do deu cunhado Rabastan devido a precaridade do seu casamento com Lucius. A culpa não demora a pesar-lhe e Narcissa começa a ficar confusa. Por um lado, tem Rabastan que a fazia sentir-se mulher pela primeira vez em muitos anos, por outro, tinha Lucius que era o seu "melhor amigo" desde o tempo de escola, a pessoa em quem ela mais confiava.
Umas semanas depois, o pai de Narcissa morre, deixando ainda mais fragilizada e propicia aos seus encontros casuais. É nos dada uma visão da família Black, nomeadamente Walburga e Regulus, o seu primo favorito, os quais terão relevo mais à frente. Lucius é a pessoa que mais a apois, aumentando, assim, a culpa na sua consciência. Narcissa, contudo, vê-se exasperada do comportamento demaisado emocional de Lucius."
20 de Setembro de 1979 - Vício
Nestas últimas semanas não tinha conseguido, sequer, tentar demonstrar o mínimo de interesse pelos assuntos de Lucius.
Tendo deambulado inutilmente pela Diagonn-Alley dia sim, dia não, de modo a esquecer a morte de meu pai, as suas ruas começavam a tornar-se enfadonhas e demasiado reconhecíveis. Tinha acabado de sair da Madam Malkin, após umas provas de vestidos que tão inutilmente tentava adiar, cruzei-me com um cabelo ruivo vivo e senti o odor a frísias, o odor que mais abominava enquanto caminhava pelos corredores frios de Hogwarts, o perfume dela.
Novos pensamentos inundava-me a mente e memórias, à muito esquecidas, toldavam-me a memória. Subitamente, nada me parecia confuso, e as peças perdidas de um puzzle incompleto acabavam de ser encontradas.
Ele caminhava mesmo atrás. Alto, moreno, o cabelo desgrenhado a cobrir-lhe a testa e os óculos velhos. Escapuli-me para um beco de modo a que não me vissem. James caminhava descontraidamente agarrando a mão de Lily, que avançava por entre as multidões, arrastando-o atrás. Odiava aquela mulher. Roubou-me aquele que eu sempre mais cobiçara enquanto adolescente, aquele que sempre me amara, James. Por qualquer motivo aquela bruxa tinha conseguido encantá-lo, algo que, até eu, achara impossível.
Segui-os silenciosamente por entre a multidão. Pararam em frente a um boticário. Lily tinha-se colado ao vidro de modo a ver as mesinhas e os ingredientes que lhe faltavam. Podia vê-la de um bom local sem ser notada. Em vez do habitual manto, envergava um vestido rodado azul turquesa e umas sandálias brancas, o cabelo vinha solto, como sempre. James destacava-se pelos seus jeans gastos e a sua camisola das Weird Sisters. Lily entrou no boticário e eu vi a oportunidade prefeita para me aproximar. Apressei-me a ir ao encontro de James, silenciosamente, escapei por entre a multidão, agarrei-lhe um braço e puxei-o para um beco.
Ele encarou-me com surpresa, como quem acabara de se libertar de uma maldição maléfica que lhe toldava o olhar.
Silenciosa, aproximei-me. Começava a tornar-se um hábito, não gostava de proferir nada nos momentos mais carnais. Talvez porque o simples facto de enunciar palavras fúteis tornava aquele momento ainda mais real e mais pesaroso. Beijei-o levemente no pescoço afastando-o da entrada do beco. Trocámos beijos fugazes na penumbra da ruela, algo que há muito tínhamos esquecido. No entanto, esta situação não era estranha.
Nos nossos tempos em Hogwarts, não eram poucas as vezes que, casualmente, cruzávamos olhares e acabávamos por passar a noite juntos. Era como um ritual carnal e profano que me fazia lembrar que era humana. Os nossos encontros secretos perduraram até a outra nos encontrar. Tinha sido há muitos anos… James puxara-me para uma sala escondida no quinto andar, longe de perfeitos, professores e dela. Longe de tudo, onde apenas eu existia. Cortejou-me como habitualmente e não demorou a consumarmos o gesto pelo qual nos tínhamos encontrado. A porta rangera no momento em que os nossos corpos se fundiram. Lágrimas, gritos e histerismos. Berros, desculpas e sexo… O meu final com James só precisava destes substantivos.
Apesar de tudo, e de uma forma incompreensível, ela tinha voltado para ele. Algo que sempre me apoquentara, uma vez que ela tinha visto aquilo que James fazia todos os dias depois das aulas… Eu, apesar das desconfianças, nunca tinha conseguido testar a minha teoria, mas agora compreendia… talvez uma poção, ou um encantamento, talvez algo que o prendesse a ela. Algo que lhe toldasse o olhar, algo que o enfeitiça-se e o fizesse amá-la.
James agarrava-me cada vez com mais força à medida que os nossos corpos se encontravam. As suas mãos vasculhavam-me e exploravam-me como um navegador que anseia encontrar o seu pedaço de terra, como um monge que encontra o seu caminho para a sabedoria.
Encostei-me ao muro de pedra atrás de mim, James apressou-se a consolar-me como melhor sabia. E era algo que ele sabia muito bem como fazer… Tocava-me com movimentos duros e lentos. Cercava os seus lábios no meu pescoço e jorrava palavras de amor. Agarrou-me as pernas e fez-me envolvê-lo com a força contida durante todos estes anos. Movimentava-se fugazmente, tentando colocar neste acto, tão devasso, todo o amor e desejo que ainda sentia por mim. A forma como me olhava e me tratava fazia daquele momento não uma romaria pagã, mas sim um acto simples e sublime de amor pleno. Um amor em que o carnal e o espiritual andavam de mãos dadas e corriam juntos às gargalhadas.
Atingi o clímax em poucos minutos relembrando-me de todas as memórias perdidas na imensidão do tempo.
Afastou-se de mim, olhou-me mais uma vez, vestiu as calças e beijou-me. Senti as pontas dos pés gelarem-me, algo estranhíssimo após um acto tão intimo. Afastou-se de mim e do beco. Corri atrás dele pelo meio da multidão. Vislumbrava-o ao longe, Lily corria atrás dele, enquanto James se mantinha lívido.
"O feitiço foi quebrado" Sorri.
A culpa apoderou-se de mim pouco depois. Uma rameira, era esse o nome certo para mim. Após a minha louca aventura com Rabastan não me conseguia saciar com nada nem ninguém. Lucius era chato e enfadonho, a morte do meu pai só servia para me confundir neste momento, e agora aparece-me James, vindo de não sei donde e eu nem sequer penso nas consequências dos meus actos. Isto não podia continuar assim, não era correcto para com o meu marido.
NA: Reviews, pff!
