NA: 4º capítulo Postado! Este capítulo é bem pequeno comparado com os outros, mas um diário é assim mesmo, tem dias movimentados e outros não, enjoy ;D
4 de Outubro de 1979 - Vacilação
Abutres, animais… Aves de rapina, predadores. Tudo começava a pesar. As mentiras, as hipocrisias, as falsidades. Era difícil esconder o que quer que fosse, principalmente na minha família, um grupo restrito no qual os seus membros adoravam cuscar e opinar as vidas dos seus familiares.
Apesar do meu afastamento quase óbvio, havia no ar uma certa curiosidade quanto à minha vida, independentemente de eu dar ou não mote a conversas. Simplesmente, se alguma coisa não estava bem na minha família, todos os membros tinham, pelo menos, noção disso.
Sexta à noite… Era outra vez sexta à noite. Os meus encontros amorosos com Lucius estavam quase tão em ruínas como as muralhas do Coliseu romano. Não obstante todas as minhas objecções sobre aquele dia eu deixava que Lucius levasse a cargo o seu ritual ímpio e herege, até agora…
Tinha acabado de subir as minhas escadas da mansão. Lucius esperava-me como um rei, debaixo dos lençóis de linho e da cortina de dossel. Despi-me vagarosamente, como tentando escapulir-me, ou, pelo menos, retardar o tão inconcebível rito. Vesti a camisa de noite e avancei por entre as cortinas e por entre os lençóis. Deitei-me silenciosa esperando a investida de meu marido. Investida essa que se fez notar com um ligeiro toque nas minhas costas.
Senti o seu cabelo loiro, sedoso, a percorrer-me o pescoço juntamente com os seus lábios que provavam cada centímetro meu. Virou-me e começou a beijar-me o peito e o pescoço com ávido desespero e excitação. Os meus olhos miravam os tecidos marchetados tentando encontrar um ponto de fuga, ou pelo menos algo que me distraísse. A sua língua quente fazia-se sentir no meu corpo, nos meus seios… O calor despertava em mim a fugacidade vivida noutros momentos, e os movimentos desajeitados de Lucius faziam-me soltar pequenos suspiros de desespero que facilmente se confundiam com fracas demonstrações de prazer.
Lucius apertava cada vez comigo tentando consumir-me e aliviar-se o melhor que podia. Apressou-se a introduzir-me a sua virilidade e a sussurrar-me palavras de amor ao ouvido. Continuava a olhar, silenciosa, para os tecidos luxuosos. O ritmo dos seus movimentos aumentava à medida que ia decifrando os padrões intrincados do tecto que olhava. Sentia-me tensa e os movimentos do meu cônjuge eram dolorosos. Senti-o a atingir o climax dentro de mim e subitamente senti-me suja. Saí de baixo do meu marido sem uma palavra e fechei-me no quarto de banho ao lado da cama.
Ajoelhei-me nua por detrás da porta de mogno chorando copiosas lágrimas. Ouvi o meu nome ser proferido diversas vezes por detrás daquela porta. Aleguei indisposição para continuar o perverso acto…
"Estou enjoada"
Por estranho e absurdo que parecesse, algo soou-me diferente no tom de voz de Lucius.
"Não tem mal" – disse secamente – "Demora o tempo que precisares!"
Achei estranha aquela mudança repentina de humor por parte do meu marido. Mas não me importei que ele tivesse compreendido. Escorreguei até à banheira de porcelana de modo a tomar um banho quente, de modo a lavar-me da sujidade que se entranhava, cada vez mais, no meu corpo. A cada dia que passava, a cada amante que tinha, a minha alma ia escurecendo.
NA: Eu quero reviews :''( Eu acho que vou fazer greve de postagem e deixar as pessoas que tão a seguir mortas de curiusidade (a) :DDD
