Antepenúltimo e Penúltimo capítulo.


30 de Maio de 1980 - Inquietação

O mês aproximava-se a passos largos do fim. Eu já apresentava uma barriga de uma grávida de pouco mais de oito meses. Agora, a gravidez começava a saber-me bem. Continuava a não falar com ninguém, apesar de ter saído do choque pouco depois da minha última reunião com Regulus. Por toda a parte haviam prendas e cartões de felicitações de bruxos importantes. Lucius tentava mimar-me o mais que podia, no entanto eu tinha prometido a mim mesma que nunca mais iria olhar para ele da mesma forma.

Era fim do mês. Ainda não tinha tido notícias de Regulus. O momento aproximava-se com grande tremor. Segundo os médicos, o filho, sim porque sempre iria ser um filho varão, iria nascer nos próximos 15 dias. Draco era o seu nome, baptizado por Bellatrix no almoço em que descobri que estava grávida.

Agora já nada me importava. Tinha medo do que podia acontecer. Tinha medo de morrer… Algo me dizia que não iria conseguir fugir a tempo. Algo de muito errado se passava.


5 de Junho de 1980 – Luz

Acordei a meio da noite com a cama completamente encharcada.

Levantei-me lentamente, dirigi-me à porta e gritei do cimo das escadas:

"Lucius, vai nascer" – adverti, esquecendo completamente o pacto de silêncio.

Lucius, subiu as escada, olhou-me com uns olhos ternos e jubilosos. Pegou em mim ao colo e levou-me para a sala. Entramos para a lareira e aparecemos em Sto. Mungo. Andamos às voltas durante um bocado até que chegamos à ala da maternidade. Não sabia onde estava Sally, o curandeiro de Regulus, na verdade, nem sabia de Regulus há mais de seis meses. Entrei para a sala da maternidade com Lucius. Rapidamente, um bruxo de meia-idade, que eu reconheci como sendo Sally, veio ao nosso encontro.

"Minha querida, tem de ir para um quarto imediatamente." – advertiu.

Levantei-me calmamente, amparada por Sally. Lucius levantou-se e seguiu-me até à porta.

"Não pode vir, meu jovem" – impediu o curandeiro - "É bem provável que seja um parto de risco!"

Supostamente, eu e a criança iríamos morrer durante o parto, fazendo com que nunca ninguém descobrisse o que tinha acontecido. Entrei para a sala e deitei-me numa cama, sempre auxiliada pelo prestativo Curandeiro.

"Onde está Regulus?"

"Tenha calma, minha querida"

Contracções fortes começavam a empurrar a criança no meu ventre.

"Não está a perceber, esta criança não pode nascer se Regulus não tiver em posição."

Esforçava-me cada vez mais para me libertar dos braços de Sally.

"Pare com isso, olhe que ainda perde o bebé!"

Não me interessava! Lucius iria apanhar-me, eu iria ser descoberta… iria morrer com certeza! ´

"NÃO!" – gritei.

Lucius irrompeu pela porta. Lágrimas escorriam-me pela cara. A minha boca gesticulava como que dizendo "desculpa". O meu corpo perdeu forças e deixou de me obedecer. Lucius agarrou-me a cabeça suplicando-me para que tivesse força.

Sally pedia-me para fazer força de modo a que o bebé pudesse ser empurrado. Já nada me importava. Não queria saber. Ia morrer, fosse qual fosse a maneira. Os meus olhos começaram a fechar-se lentamente, à medida que a minha pulsação estancava.

"Ela está a morrer!"

Lucius agarrava-me as mãos com força, encarando-me com os seus olhos claros.

"Narcissa, eu amo-te"

"Lucius…"

O meu marido amava-me. Acontecesse o que acontecesse, ele amava-me. Tinha um homem que, apesar da sua forma rústica de o demonstrar, amava-me realmente. Relaxei e a vida começou a inundar-me de novo. As contracções aumentavam e eu fazia força para que o bebé saísse. Já não importava. Lucius amava-me, e o máximo que eu podia fazer para demonstrar o meu amor por ele, era dar-lhe esta criança que ele tanto queria.

Lembrei-me quando éramos dois namorados felizes. Dois jovens fogosos. Amantes eternos. Conhecia Lucius desde sempre, e Lucius conhecia-me a mim. Talvez fosse isso o amor. Conhecer uma pessoa e ficar ao lado dela para o bem e para o mal. Talvez fosse isso o amor, talvez não conhecesse mais nada para além dessa realidade. Talvez não me importasse.

"… eu também te amo"


Ultimo Capítulo na próxima Sexta-Feira.

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