Me and Mr. You
By Pati Evans
Disclaimer: Bem, se eu tivesse criado esses personagens eu com certeza estaria em Londres, em uma biblioteca, com uma lareira quentinha e chocolate quente ao meu lado. Acho que deu pra entender que é tudo da JK Rowling né?
Aviso: Nessa fic, os Marotos só utilizam seus apelidos, - Prongs, Padfoot, Moony e Wormtail – entre si, logo, a Lily não tem a mínima idéia de quem sejam essas pessoas, certo? Pronto, é isso.
Capitulo 2
Parceiro de Trabalho
-
Cara pessoa que recebeu minha carta por engano,
Eu realmente achei estranho o fato de que minha carta tenha retornado. No fim das contas acho que a coruja que escolhi era meio avoada. Mas obrigada por ter mandado o que escrevi de volta mesmo assim. Bom, quanto a colocar remetente ou destinatário na carta, isso varia não? A pessoa que vai receber a carta pode estar esperando por ela não acha? Mas estou escrevendo para agradecer por não ter mandado para o endereço escrito nela. Agora que voltou não sei se mandá-la de volta é o certo. Talvez a coruja avoada não tenha sido tão mal assim afinal.
Obrigada mais uma vez,
Prongs
-
O Salão Principal estava apinhado de alunos recém acordados e hipnotizados pelos aromas de salsichas, torradas e suco de abobora. Alguns ainda bocejavam enquanto tomavam seus conrflakes ou liam O Profeta Diário.
Mas eu não estava com sono, apesar de ter demorado séculos para conseguir dormir ontem. Lia pela terceira vez as poucas linhas, escritas com a mesma letra fina e curvada, muito bonita por sinal. Mas não era exatamente a letra que fazia com que não conseguisse tirar os olhos do pergaminho. Alguma coisa me puxava para aquele bilhete.
Minha curiosidade extrema e teimosa, muito provavelmente.
Levantei uma das sobrancelhas, enquanto engolia um pedaço de torrada, ainda com os olhos vidrados no pergaminho. Reli mais uma vez, como que esperando que tivesse pulado uma linha ou esquecido uma palavra que revelaria novas pistas e assim algumas das muitas perguntas que rondavam minha cabeça fossem respondidas. Afinal, quem era essa pessoa? Em que ano estaria? Eu podia presumir que fosse algum aluno ou aluna, mas não conseguia tirar mais nenhuma resposta do pequeno e único parágrafo.
Quem eu estou pensando que sou? Sherlock Holmes?
Assoprei meio impaciente, uma fina mecha de fios ruivos que insistia em cair sob meus olhos, enquanto tomava um gole do suco de abobora.
E afinal, por que ele (porque Prongs não me parece ser um apelido que uma garota usaria) havia me feito perguntas? Será que esperava que eu respondesse ou foi apenas um modo de agradecer educadamente?
Tenho que parar com as perguntas. Definitivamente.
- Bom dia Evans – entre meu susto e o desapontamento em ouvir a voz de Potter logo de manhã cedo, rapidamente dobrei o pedaço de pergaminho e o coloquei casualmente dentro do livro de poções, sentindo que minhas bochechas logo estariam quentes. Virei o rosto na direção dele, que me olhava divertidamente, um meio sorriso em seu rosto. Aquele sorriso irritante e arrogante dele. Como se fosse o ser humano mais desejável da terra.
Minhas bochechas queimaram. Droga.
- Bom dia Potter – tentei soar o mais distante possível. – Cadê o Remus? – olhei por detrás dos ombros dele.
- Ainda está na sala comunal – falou, um tom meio contrariado na voz, os olhos afirmando a insatisfação por minha procura por seu amigo. Eu sorri, mas segundos depois me lembrei da aparência cansada que Remus demonstrara ontem. Não era normal Lupin não descer para tomar café da manhã junto com Potter. Em geral os Marotos não ficavam muito tempo longe uns dos outros.
Levantei a sobrancelha, desconfiada, sem perceber que Potter ainda me fitava, agora sentando ao meu lado. Seus olhos tinham um ar meio questionador. Rapidamente os desviei dos meus, olhando para as minhas torradas.
- O que você estava lendo Evans? – sua voz tinha um leve tom de curiosidade.
Senti minhas bochechas esquentarem ainda mais.
- Nada que interesse a você Potter – mordi minha torrada, tomando um gole do suco de abobora logo depois. Eu nunca fui muito boa em esconder coisas dos outros. Mentir então era um assunto praticamente fora de questão. Não que eu tivesse alguma coisa contra segredos. De jeito nenhum. O problema não era ter segredos, o problema era escondê-los quando alguém me perguntava sobre eles. Eu simplesmente não conseguia controlar minhas bochechas.
Potter sorriu.
- Não precisa ficar vermelha Evans.
Demorei a engolir a torrada, olhando diretamente para ele. Potter retribuiu o olhar e eu não consegui me desviar dele, acho que por teimosia. Não queria mostrar que ele exercia alguma poder sobre mim. E que o fato de que minhas bochechas esquentavam rapidamente não se devia em nada ao fato de que ele estava sentado ao meu lado, me observando com aqueles olhos meio avelã, meio esverdeados. Não tinha absolutamente nada haver. Nada. Era tudo culpa do tempo. Todo mundo sabe que no inverno as bochechas das pessoas ficam vermelhas. É culpa do inverno, não do Potter.
Ele ainda sorria irritantemente. Eu respirei fundo.
- Eu não fiquei verm...
- Bom dia casal! – Black me interrompeu, sentando em frente à Potter, os cabelos pretos caindo displicentemente pelos olhos azuis. Algumas garotas da corvinal que passavam na hora, cochicharam umas com as outras, entre sorrisinhos, apontando para os dois..
Ridículo. Eles são atraentes, isso é um fato. Eu não posso contestar isso. Mas precisa ficar suspirando em auto e bom som cada vez que eles passam do seu lado?!
- Não somos um casal Black. – o fitei chateada, frisando bem as palavras. Black deu de ombros, servindo-se de torradas.
- Garanto que não é por minha culpa Evans. – Potter arrepiou os cabelos, sorrindo.
Senti uma onda de calor invadir o meu corpo, a vontade de começar a discutir com o garoto passando rapidamente pelos meus dedos.
Controle-se. É apenas o Potter. Apenas o Potter.
- Se não é por sua culpa, - dirigi ao garoto um olhar congelante, mas ele continuou a sorrir para mim - te garanto que é por minha, Potter.
Rapidamente tomei um ultimo gole do suco de abobora, me levantando, sentindo satisfeita comigo mesma por ter dado a ultima palavra na pequena discussão.
Como James Potter conseguia mexer tanto com meus nervos? Por que ele insistia tanto em me tirar do sério? Por que toda essa insistência em me chamar para sair? Oras, eu sempre deixei claro desde o primeiro instante que não estava interessada nele. Será que isso não bastava?
Mas por outro lado, o que estava acontecendo comigo? Em outros tempos eu teria me levantado da mesa assim que ele sentasse ao meu lado. Eu não teria ficado com as bochechas vermelhas encontrando apenas os olhos dele. Isso não era normal. Definitivamente. Por mais que o tempo frio também tivesse uma grande, quase extrema culpa com relação a essa minha vermelhidão instantânea, claro.
Sai do Salão Principal pisando duro, mal falando com Marlene, com quem havia acabado de me encontrar.
- Você está tão descontraída hoje Lily. - ela me lançou um olhar questionador, mas eu preferi ficar calada. Era melhor assim, desse jeito eu conseguia me acalmar mais facilmente, sem precisar descontar minha irritação nela. Lene pareceu entender meu silêncio e nós andamos em direção as masmorras.
- James? – Lene falou baixinho para mim, enquanto entravamos na sala de aula.
Tomei um susto com o sussurro dela e conseqüentemente minhas bochechas esquentaram. De novo. Vale ressaltar que, na mesma hora, uma fria corrente de ar estava passando por nós. É só uma observação.
- Onde? – olhei em volta procurando pelos cabelos pretos despenteados, mas Potter ainda não havia chegado à sala. Voltei meu olhar para ela.
- Ele é o motivo do seu repentino mau humor não é? – Lene sorriu pelo canto dos lábios.
Desviei meus olhos dos dela, me concentrando apenas em arrumar minhas coisas em cima de nossa mesinha.
- Eu não estou de mau humor – continuei a arrumar metodicamente as minhas coisas, sem olhar para ela. Mas algo dispersou minha irritação quando cheguei mais perto do canto esquerdo da minha mesa. – Você está sentindo cheiro de grama Lene? – inspirei profundamente, sentindo não apenas o cheiro de grama molhada, mas também pergaminho novo e...
Menta com um leve tom amadeirado.
- Você está tentando mudar de assunto Lily. Não tô sentindo cheiro de grama nenhuma – Lene levantou o nariz, como que avaliando o cheiro – Tá mais pra cheiro de chuva junto com algo refrescante... – ela sorriu – engraçado, eu tenho certeza de que já senti esse cheiro antes, mas não lembro onde – e me olhou, de uma forma meio pensativa. – Bem, a questão é que você mudou de assunto. – ela voltou a si e me olhou inquisidoramente.
- Tá bem – sussurrei, dando graças a Merlin que a maioria da sala ainda não tivesse chegado, o cheiro de menta e grama ofuscando meus pensamentos. - Mas é porque ele... ele... ele me dá nos nervos, oras! – cruzei os braços, impaciente. – Como uma pessoa pode ser tão cabeça-dura?
- Igual a você? – Lene olhou de maneira divertida para mim, enquanto colocava sua edição de Estudos Avançados no Preparo de Poções em cima da mesa que nós dividíamos.
- Eu não cabeça-dura! – percebi que havia falado alto demais. A sala já não estava tão vazia. – Eu não sou teimosa Lene – sussurrei, sorrindo pelos cantos dos lábios, tentando passar a impressão de que me divertia com o fato de que Lene achava que eu e Potter encaixávamos perfeitamente. Quero dizer, isso era hilário não era?
Puft! É mais fácil eu me encaixar emocionalmente com um Hipogrifo.
Marlene riu, os olhos castanho-claro brilhando marotamente. Revirei os olhos para ela. Eu sentia que ela ia falar alguma coisa, mas não cheguei a saber realmente o que era, porque, no segundo seguinte uma voz alta ecoou pelas paredes da sala.
- Bom dia a todos! – os olhos redondos e protuberantes de Horace Slughorn percorreram satisfatoriamente a sala, enquanto ele se dirigia à sua escrivaninha.
Notei que o professor segurava em uma das mãos uma grande caixa dourada. Nela, e de uma maneira bastante visível, estava escrito em uma floreada letra prateada Abacaxis Cristalizados. Quem será que os havia oferecido a Slughorn dessa vez?
- Senhores, devo-lhes dizer que estão um pouco atrasados – seus olhos verde-claro focalizavam a porta. Ele tentou dar um tom severo à frase, mas pouco conseguiu. Instantaneamente virei o rosto na direção em que seus olhos focavam.
Potter, Black e Remus sorriram casualmente para o professor.
- Tivemos um pequeno contratempo professor. – Black falou, em um tom de voz maduro, mas assim que Slughorn deu as costas para os três, ele piscou marotamente para Potter, embora o garoto não estivesse olhando diretamente para ele.
Senti meu estomago sumir por alguns segundos quando encontrei o olhar dele. Rapidamente desviei meus olhos. Não gostava quando era pega de surpresa dessa maneira.
- Está bem, está bem, dessa vez passa. – o professor fez um aceno meio displicente com a mão, embora não deixasse de sorrir, e indicou lugares para os três. Depois, pigarreou meio divertidamente, os botões do seu colete verde musgo fazendo pressão contra sua barriga mais que avantajada, e continuou:
- Quero que vocês observem atentamente o caldeirão que está em frente à minha escrivaninha, - indicou um pequeno caldeirão, onde um líquido amarelo-sol borbulhava levemente. – Alguém poderia me dizer qual seria o nome dessa poção?
A sala olhou atentamente para o caldeirão, mas poucos segundos se passaram até um garoto de cabelos pretos oleosos e nariz curvado falar, numa voz que indicava claramente que a pergunta do professor fora fácil demais:
- Elixir para induzir euforia.
- Certo, certo, Severo! – o professor olhou sorridente para o garoto, mas este não retribuiu o sorriso. Continuava com a mesma expressão presunçosa e até mesmo superior estampada no rosto pálido.
Lene me cutucou por debaixo da mesa, indicando levemente com a cabeça alguns lugares atrás de Severo. Potter e Black faziam uma perfeita imitação do garoto, enquanto Remus os olhava, dividido entre o divertimento e a preocupação. Revirei os olhos impacientemente, embora não conseguisse deixar de transparecer um sorriso pelo canto dos lábios. Por mais que eu não gostasse da maneira com que eles tratavam o Snape, eu não podia deixar de admitir que era engraçado, no fim das contas. E ultimamente, Severo não estava agindo de maneira muito correta, para atenuar esse fato.
– Agora, - Slughorn olhou novamente para a sala, sua voz me tirando de meus pensamentos. Senti seus olhos recaírem sobre mim por alguns segundos.
Droga.
– Será que alguém poderia me dizer qual a diferença entre um Elixir para Induzir Euforia e uma Felix Felicis?
E ele continua olhando para mim... Ótimo.
- Humm... – eu decididamente não gostava da extrema e grudenta atenção que o professor me dirigia toda vez que me via. Era como se Slughorn achasse que podia julgar o valor de cada aluno da escola pelos critérios que ele usava para avaliar: Família, Inteligência (pela percepção dele) e Contatos, não exatamente nessa seqüencia. – O Elixir para Induzir Euforia serve para animar a pessoa que o toma, deixando-a mais leve e feliz. Seus efeitos colaterais são, no máximo, cantorias excessivas e coceira no nariz – tentei falar tudo aquilo o mais rapidamente possível. - Já a Felix Felicis é um elixir muito mais complexo, sorte líquida, demora seis meses para ficar pronto, e tem que ser usado com muito cuidado.
O professor me dirigiu um daqueles enormes sorrisos de aprovação. Tentei focalizar outro ponto da sala, mas me arrependi ao sentir minhas bochechas ficarem vermelhas - novamente - ao encontrar o olhar meio casual, meio sorridente de Potter.
É apenas o frio. Apenas o frio. Eu só tenho que me lembrar de colocar o cachecol da próxima vez.
O resto da aula passou normalmente. O professor pediu a todos que preparassem seu próprio Elixir para Induzir Euforia. Não senti muita dificuldade, a poção logo ficou com a coloração amarelo-sol. Passei o restante do tempo ajudando Lene. A poção dela tinha ficado com uma cor bastante estranha, um tipo de junção de verde musgo e amarelo. No fim das contas conseguimos deixar o liquido no caldeirão com uma tonalidade amarelada. Quando o tempo dado por Slughorn acabou, não foi grande surpresa Snape receber nota máxima.
- O Snape me dá nos nervos sabia? Eu sei que você é amiga dele Lily, mas ele me da nos nervos. – Lene sussurrou baixinho para mim, enquanto fechava o livro. Olhei para ele, sentindo involuntariamente uma sensação incomoda percorrer minha espinha. Fazia tempo que não falava com Severo. E a nossa ultima conversa, antes das férias de natal, também não havia sido muito agradável.
- Antes de irem quero passar um pequeno trabalhinho para vocês - suspirei, meio contrafeita.. – Quero que redijam um relatório sobre Amortentia, poção do amor que dei na aula passada, – ele apontou para o pequeno caldeirão que se encontrava perto de mim. - Quero que deixem tudo bem detalhado: os ingredientes usados, os efeitos da poção, seu aspecto quando preparada corretamente e o mais importante, seu odor – ele riu e os botões de seu colete pareciam que iam saltar em direção ao resto da sala. Me diverti durante alguns segundos, imaginando a cena. – Ah sim! O trabalho será feito em duplas que eu irei escolher. Vocês devem estar recebendo um pergaminho com o nome do seu parceiro ou parceira ainda hoje – ele finalizou com um gesto rápido com a mão, indicando que os alunos estavam dispensados, enquanto sorria.
Arrumei o resto de minhas coisas rapidamente e sai da sala. Não estava com vontade de dar explicações ao professor sobre minha falta na reunião passada. Ultimamente o clube do Slug não estava sendo um de meus lugares favoritos.
Assoprei alguns fios de cabelo que caiam sobre meus olhos meio distraidamente enquanto esperava por Marlene do lado de fora da classe.
- Talvez se o Wormtail entrasse por... – o tom curioso de Black penetrou nos meus ouvidos, fazendo com que eu parasse de brincar aleatoriamente com o cabelo. Silenciosamente encostei-me à escura parede de pedra, olhando diretamente para os cabelos pretos lisos que estavam à minha frente.
- Não, não, Padfoot – as costas de Potter entraram em meu campo de visão. – É arriscado demais, alguém pode ver... – ele arrepiou os cabelos, falando baixinho. – Além do mais, sabemos que ela só se abre para quem realmente estiver precisando de...
- Lily! – senti meu coração ir à boca e voltar com o susto. Lene olhava divertidamente para mim, a cabeça do lado de fora da porta. – Pensei que você tivesse ido embora – segundos depois a dona dos longos cabelos castanho-claros me puxava pela mão. – Você está bem?
- Hã? – senti as bochechas esquentarem quando percebi que Potter, Black e Remus me olhavam curiosamente. – Ah! Tô... tô ótima Lene – desviei o olhar dos três rapidamente.
- Certo – Marlene ainda me olhava com a sobrancelha erguida. Seguimos andando pelas masmorras. – Então, eu realmente preciso que você me ajude com aquele relatório de poções da semana passada, ruivinha...
- Ah... bem... ok... – por mais que eu tentasse escutar e me ater ao que ela estava falando, eu não conseguia deixar de pensar no pequeno trecho de conversa que havia escutado.
Mas o que será que Potter e Black estavam dizendo? Onde é que aqueles três queriam que... que Wormtail entrasse?Afinal, quem é esse Wormtail? E por que era tão perigoso que ele fizesse isso? Será que era por isso que os três haviam chegado atrasados para a aula?
-
- Evans, você ainda tá aí? – peguei os olhos castanho-claros de Lene olhando diretamente para mim novamente. Ao que parecia nós já havíamos chegado a Sala Comunal.
- Hã?
A sala estava quase vazia exceto por dois alunos do primeiro ano que jogavam xadrez bruxo à um canto.
- Lily, você tem certeza que está bem? – Lene continuava a olhar para mim como se eu estivesse com febre ou algo parecido, enquanto sentávamos no confortável sofá perto da lareira.
- Yeap – afirmei positivamente com a cabeça. – Só ando um pouquinho distraída – Sorri levemente para ela, como que para mostrar que eu estava bem. – Então, qual é o trabalho que você quer que eu ajude? – Olhei de uma forma interessada para ela. Não acho que ela tenha engolido meu repentino excesso de interesse, mas pelo menos ela não perguntou se eu estava bem novamente.
- Está lá em cima – Lene indicou a porta do dormitório feminino com a cabeça. – Vou buscar – e piscou divertidamente para mim.
Observei-a subir as escadas e desaparecer pela porta do dormitório, voltando a olhar a lareira logo depois.
Agora que estava sozinha por alguns instantes, uma idéia me veio. Rapidamente apanhei um pedaço de pergaminho, minha pena e comecei a escrever:
-
Caro Prongs,
Não diga que a coruja era avoada. Talvez ela só estivesse passando por um momento confuso ou algo assim. Talvez não tenha sido culpa dela. Bem, foi. Mas você entende o que quero dizer não é? A pobrezinha podia estar cheia de entregas para fazer, no fundo, no fundo, não foi sua culpa.
Ah, sim. Bem, fico feliz que você tenha gostado da devolução da carta. Mas será que eu poderia perguntar por que você não quer mandá-la para a pessoa certa dessa vez? Sei que não é problema meu, mas... apenas deu vontade de perguntar.
É talvez. Acho que colocar remetente ou destinatário em uma carta é algo que fica a escolha da pessoa. Mas bem, se você colocou o endereço da pessoa, por que não colocar o seu nome e o dela?
Ah Merlin, escrevi demais. Nem sei ao certo se isso daqui pode ser chamado de bilhete. Vou indo agora.
Um abraço,
Quero fazer uma pausa aqui só para dizer que eu demorei muito para achar um apelido que realmente gostasse, mas que me deixasse anônima de alguma forma. Porque no fim das contas foi isso que o Prongs fez não é? Merlin sabe que eu não tenho a mínima idéia de quem possa ser essa pessoa. Infelizmente. Bem, tentei de tudo, desde apelidos bobos como sardinha – por causa das minhas sardas no nariz, idiota eu sei – até nomes mais sérios, como Esmeralda – por causa dos meus olhos. Novamente, idiota, eu sei. Mas nada se encaixava direito, então decidi ser mais direta e simples. Escolhi o nome da minha autora trouxa preferida: Jane Austen.
Jane
-
Rapidamente guardei a pena dentro da mochila e o pergaminho dentro do bolso do casaco. Assim que tivesse uma chance iria direto ao corujal. Respirei fundo.
- Evans – foi a segunda vez em menos de duas horas que senti a sensação de "coração indo a boca", ao ver os cabelos pretos despenteados sentarem ao meu lado. Calma. Não foi por causa dos cabelos pretos despenteados que eu senti meu coração pular; foi por causa do susto. Só pra deixar bem claro aqui.
Potter me lançou um daqueles sorrisos meio tortos dele.
- Potter – tentei soar indiferente, embora meu coração estivesse teimando em não ficar quieto. De novo, por causa do susto.
- Não sabia que você era tão curiosa – ele falou, enquanto olhava a paisagem pela janela, num tom meio divertido, meio preocupado, embora continuasse com o mesmo sorriso torto no rosto.
Respirei fundo.
- Eu não sou tão curiosa. Na verdade, eu não sou nem um pouco curiosa Potter. – me assustei um pouco, quando ele parou de olhar pela janela e me olhou nos olhos. Parecia que estava me analisando.
- Não?
- Não – cruzei os braços. – Se você e o Black falam demais é problema de vocês.
- Ahá! – Potter riu – Então quer dizer que você realmente ouviu? Eu estava com sérias duvidas quanto a isso, mas já que você me confirmou... – ele se espreguiçou no sofá ainda sorrindo.
- Eu... eu não... – mordi o lábio inferior. – Humpf! – Cruzei os braços novamente, contrafeita comigo mesma e com ele. - Me deixa em paz Potter.
Potter sorriu torto novamente, uma das mãos na nuca.
- Nunca, Evans. Nunca – em um movimento rápido ele abriu a palma da minha mão e eu senti o pedaço de pergaminho, quando meus dedos se fecharam sobre ele. – Slughorn mandou te entregar - E piscou daquela maneira irritante para mim, levantando-se logo depois.
Fechei os olhos, contando até dez – quem sabe assim a minha raiva passasse -, esperando ouvir o habitual rangido do quadro da mulher gorda, mas o garoto parecia ter ido para o dormitório.
Abri os olhos devagar, esperando encontrar o lugar vazio, mas Lene me olhava com uma clara mistura de divertimento e preocupação.
- Com toda a certeza, você não está bem não.
Assoprei impacientemente e de novo, os fios soltos do meu cabelo, enquanto abria o pedacinho de pergaminho, sentindo que, realmente, no fundo, no fundo, eu não estava bem.
Parceiro para o trabalho: James Potter. Grifinória.
Decididamente, eu não estava nada bem.
N/A : Hello!
Olha eu aqui antes de completar um mês de postagem! Uhul! E recebi oito reviews cara! Muito obrigada mesmo pessoal! Nem passava pela minha cabeça receber oito reviews no primeiro capitulo, ainda mais levando-se em conta o tempo que passei enferrujada. Valeu mesmo!
Bom, espero que vocês tenham gostado do capitulo. Só pra lembrar que a Lily não tem a mínima idéia de quem é o Prongs – o que na minha humilde opinião deixa a coisa toda ainda mais divertida. Estou com um pouco de pressa hoje, então por hoje é só. Espero que gostem do capitulo e, por favor, deixem uma reviewzinha!
Muitos beijos,
Pati Evans.
