Me and Mr. You
By Pati Evans
Disclamer : É tudo da JK Rowling. O castelo, os personagens, cada pedaço de torta de chocolate e cada garrafa de cerveja amanteigada. É isso aí.
Capitulo 3
Aromas Indesejados
-
Cara Jane,
Mas o que tem de mal com a palavra "avoada" afinal? Porque, no fim das contas, ela realmente não prestou atenção ao que estava fazendo, não é mesmo? Não estou culpando a coruja nem nada parecido, afinal o fato de ela ter entregado a carta à pessoa errada acabou se tornando algo bom, não é? Apenas quis dizer que a coruja não estava muito atenta ao que estava fazendo, só isso. E como é que você poderia saber ou não que ela estava tão sobrecarregada? Por acaso você fala com as corujas?
A carta. Hum, tenho que confessar que você fez uma pergunta que não posso responder. Não no momento, pelo menos. Mas quem sabe outro dia? Espero que continuemos a nos corresponder e assim, quem sabe um dia eu conte a você. Não me entenda mal é só que... bem, acho que ainda está cedo para responder. Não fique chateada ou triste certo?
Acho que nós evoluímos. Passamos de um bilhete de agradecimento para cartas com apelidos anônimos. Sabe, estou começando a gostar disso.
Um abraço,
Prongs.
-
Sorri para a carta. A verdade era que eu não esperava que ele fosse responder ao meu bilhete idiota e completamente intrometido, muito menos que ele dissesse que queria continuar a se corresponder comigo. No fim das contas, tinha que admitir, também estava começando a gostar disso. Guardei a carta na mochila, ainda sorrindo.
- As aulas de aparatação começam essa semana – Lene olhava meio apreensiva para o quadro de avisos fixado na parede da sala comunal. – Já aparetei uma vez, quando pequena... – ela falou, tornando a olhar para mim. – Bom, aparataram comigo não é? Mas não foi uma sensação muito agradável – e fez uma careta, franzindo o nariz.
Sorri para ela.
- Quem sabe não foi porque você ainda era muito pequena? – perguntei, enquanto prendia meus cabelos em um coque frouxo.
- É, talvez... – Lene falou, numa voz sonhadora, observando novamente o quadro de avisos.
Era sábado e a maioria dos alunos se encontrava enfurnada na Sala Comunal, por causa da nevasca que havia se instalado lá fora. A maioria, mas não todos. Lembrei que Lene havia comentado mais cedo que o time de quadribol estaria treinando hoje à tarde. Não consegui deixar de sentir uma certa pontada de pena, ao olhar pela os pesados flocos de neve rodopiarem com incrível rapidez lá fora.
- Potter ainda não veio falar comigo – depositei um pesado livro que havia pego na biblioteca em cima da mesa. Lene tossiu um pouco por causa da poeira.
- Sobre? – ela ainda olhava para o livro enormemente grosso. – E porque esse amontoado de páginas foi tirado de seu sono centenário na biblioteca?
Fiz uma careta para ela.
- Sobre o trabalho de Poções – abri o livro enquanto respondia a primeira pergunta dela, sentindo os olhos lacrimejarem quando uma pequena nuvem de poeira se formou. Lene tossiu novamente. – E porque eu... – tossi junto, enquanto fazia alguns movimentos frenéticos com a mão para que a poeira se dissipasse. – Precisava pesquisar uma coisa.
- Em nome das calças de Merlin Lily, – Lene deixou o trabalho de transfiguração de lado e olhou para a capa do desgastado livro – o que é que você precisa pesquisar em "Fases Lunares: Uma Transformação?", hum?
- Nada... nada de mais – não olhei para ela enquanto fingia arrumar algumas coisas na mochila. A verdade é que a informação que havia no livro não era novidade alguma para mim. Lembro-me claramente sobre o assunto que havia causado tanto alvoroço no nosso quinto ano de Defesa Contra As Artes das Trevas. Lobisomens.
Talvez, se eu fosse incrivelmente vaga ela não percebesse que eu estava escondendo algo dela.
- Evans... – Lene usou um tom levemente persuasivo.
- Não é nada de mais Lene – apanhei um pedacinho de pergaminho de dentro da mochila e me levantei, fechando o livro logo em seguida.
- Pra que foi que você abriu o livro centenário se ia fechar ele segundos depois? – Lene tossiu novamente, contrafeita.
Decidi ignorar a ultima pergunta. Todo esse questionário não estava ajudando em nada. Eu ia acabar deixando escapar alguma coisa. Eu não podia falar com ela sobre isso. Simplesmente não podia porque eu já estava me intrometendo em um assunto que não me dizia ao respeito. Estava cutucando algo que não tinha nada haver comigo. Bem, pelo menos não diretamente.
Eu sou horrível não sou?
– Sabe de uma coisa? Acho que vou procurar o Potter agora mesmo. Cansei de esperar por ele – Marlene me olhou com a sobrancelha erguida. – Não é nada de mais Lene. Mesmo – repeti; mas duvido muito que ela tenha acreditado em mim. Mesmo assim, ela acenou positivamente com a cabeça, enquanto eu girava nos calcanhares e ia em direção ao quadro da Mulher Gorda, mas ainda consegui ouvi-la murmurar algo para sim mesma:
- Se está fugindo e indo procurar o Potter é porque é alguma coisa sim.
Revirei os olhos, meio divida entre a irritação e o divertimento, enquanto saia da sala comunal.
-
Ao contrário do calor aconchegante da lareira da Sala Comunal, lá fora, o vento frio e cortante era presente no fim de tarde da escola.
Amaldiçoei-me internamente por ser tão inquieta, enquanto descia os degraus de pedra pelos jardins do castelo em direção ao campo de quadribol, meus sapatos deixando marcas na neve depois que eu passava.
Não custava nada ter esperado até amanhã. Por que tinha que ter dito à Marlene que vinha falar com ele? Poderia ter falado que deixara um livro ou coisa assim na biblioteca e que iria até lá pegá-lo. Ou que iria devolver "Fases Lunares: Uma Transformação?". Afinal de contas aquele livro não ajudou muito na minha pesquisa. E se era pra fugir da conversa cheia de perguntas dela, devia pelo menos ter inventado uma desculpa melhor, oras.
Procurar pelo Potter... Humpf! Procurar um pomo de ouro seria melhor!
Quando cheguei ao campo de quadribol, pequenas e espaçadas gotas de chuva começavam a cair do céu nublado, se juntando com os flocos de neve. E nenhum jogador à vista. Aparentemente o treino havia terminado. Andei pelo campo pintado de branco pela neve, em direção aos vestiários. Tinha chegado até ali, era melhor falar logo de uma vez com ele. Não era?
Parei a alguns metros de distancia do vestiário.
Claro que é! Quanto mais rápido eu me livrar disso, melhor. É como tirar um band-aid da pele. Quanto mais rápido for, menor a dor.
Respirei fundo.
Vamos, lá. Você consegue. Lembre-se do band-aid. Rápido e Indolor.
- Rápido e indolor. Rápido e indolor – sussurrei para mim, enquanto andava meio relutante em direção ao vestiário.
Parei em frente à porta de madeira e respirei fundo novamente, analisando a porta como se ela fosse uma grande e intimidadora obra de arte. Sabe, eu não tinha notado com ela era tão imponente antes.
Intimidadora.
Não sei por que estou tornando isso tão difícil.
- Li... Evans?
Meu coração deu um pulo e um giro de 180 graus com o susto.
Olhei para o local onde antes estava a porta intimidadora e agora um garoto de cabelos pretos despenteados se encontrava. Potter sorria daquela maneira irritante dele, meio surpreso, as bochechas ainda tinham o aspecto avermelhado, provavelmente proveniente do treino, e por mais que eu me irritasse em admitir, ele estava incrivelmente bonito.
Ah, droga. Estou achando o Potter atraente? Mas o quê, em nome de Merlin está acontecendo comigo?
- Lily? – ele falou, em um tom meio preocupado. – Você está bem? – E se aproximou um pouco mais de mim. Instintivamente dei alguns passos para trás. Era melhor manter uma distancia segura. Ultimamente eu não confiava muito em meus instintos.
- Ah... tô, tô bem sim… - como você pode perceber, eu estava tendo uma certa dificuldade em encontrar as palavras e juntá-las em uma frase. Mas quero deixar bem claro que foi por causa do susto e não pelo fato de que eu poderia estar tentada a achar que ele estivesse muito bem naquele uniforme.
Na verdade, acho que estou me assustando com uma enorme frequência ultimamente. Estranho.
Olhei para meus pés tentando achar minha linha de raciocínio e assim, quem sabe, lembrar do porquê de estar ali.
Quando levantei o rosto, percebi que ele me olhava curiosamente.
- Ah! – apontei o dedo indicador para cima, numa forma meio atrapalhada de demonstrar que eu me lembrava exatamente do porque de ele me encontrar ali. Potter continuava a sorrir de maneira irritante. – Vim falar do nosso trabalho de poções – abaixei o dedo, me dando conta do papel de boba que eu estava fazendo.
Ele sorriu levemente, me mostrando seu braço esquerdo de uma forma cavalheira, mas eu apenas revirei os olhos meio contrafeita e nós começamos a andar de volta ao castelo. Sem braços entrelaçados, quero deixar bem claro. Eu já estava muito surpresa e desconfiada comigo mesma e com minhas ações para abusar tanto do meu bom senso. Além do mais eu decididamente não ia cair nesse truque.
- Então? – olhei para ele, tentando começar um dialogo.
- Então o quê, Evans? – Potter arrepiou os cabelos, enquanto me olhava com curiosidade novamente.
- Ah, meu Merlin... – olhei para o céu. Ele riu. – O trabalho Potter...
- Que tal se começarmos na segunda?
- Por mim tudo bem – voltei meu olhar para o castelo, brincando com o pedaço de pergaminho que estava em minhas mãos. Era estranho concordar com algo que Potter me perguntava ou dizia. Não que fosse algo ruim, como eu pude ficar surpresa ao notar. Era apenas... Estranho. – Mas é bom que você cumpra com o que está dizendo entendeu? – olhei desafiadoramente para ele. Finalmente essa conversa estava entrando em um caminho em que eu conhecia.
- Prometo – ele piscou para mim. - Que tipo de pessoa você acha que eu sou Evans? – ele sorriu, meio marotamente, falando em um tom meio chateado.
- Do tipo que provavelmente vai arranjar uma detenção para segunda e vai acabar não fazendo o que prometeu – cruzei os braços.
A chuva começava a cair com mais intensidade agora e eu parei de falar, me concentrando apenas em chegar ao castelo o menos encharcada possível. O que não adiantou muito, porque quando chegamos ao iluminado Saguão de Entrada, eu estava pingando da cabeça aos pés.
- Acho melhor ir indo – falei, enquanto tirava algumas mechas de cabelo que estavam coladas em minha testa e tremia com o frio.
Potter sorria divertidamente para mim, como se achasse que eu estava com algum parafuso a menos hoje.
O que de fato não seria surpresa alguma.
- Lily, nós vamos para a mesma Sala Comunal – falou de uma forma leve e divertida, se aproximando de mim.
Fo então que eu me dei conta de algo ainda mais estranho do que toda a minha frequente tendência a me assustar-como-se-estivesse-vendo-um-bicho-papão-em-cada-esquina ultimamente. Algo que me fez ficar ainda mais assustada.
Sabe o cheiro que senti na aula de poções? Grama molhada e menta, com um leve tom amadeirado? Pois bem, assim que Potter se aproximou de mim, uma brisa extremamente inconveniente levou esse cheiro até meus pobres nervos olfativos!
James Potter cheira a grama molhada e menta com um leve tom amadeirado!
Aquilo não era para estar acontecendo. Definitivamente não era. Eu não devia estar sentindo o coração acelerar, nem o estômago desaparecer, nem um estranho calor invadir meu corpo, apesar do frio cortante que fazia lá fora. Afinal, estava ensopada, oras. Parecia que havia tomado aulas de natação com a Lula Gigante! Deveria estar tremendo dos pés a cabeça e não sentindo o corpo esquentar com apenas esse cheiro de grama molhada desgraçado!
Pelas calças de Merlin, o que está acontecendo comigo?!
- Evans?
- Quê? – tomei um susto (mais um para a minha lista) ao ser tirada de meus pensamentos. Potter ainda me olhava com aquele olhar divertido. – Ah! Bem, eu preciso... preciso passar na biblioteca antes – dei dois passos para trás, o coração batendo descompassado. Eu realmente precisava sair dali.
Certo. Quer fazer o favor de voltar ao seu ritmo normal?!
- Tem certeza? – ele passou a mão por trás do pescoço, enquanto falava. Senti o estomago desaparecer novamente. – Não sei se Madame Pince vai deixar você entrar lá assim – e indicou o meu estado ensopado com a cabeça, com um sorriso meio torto.
- Tenho, tenho certeza – girei nos calcanhares. – A gente se vê depois Potter.
- Até mais, Evans – Potter colocou as mãos nos bolsos molhados da calça e saiu andando na direção oposta, sorrindo levemente.
Olhei por cima do ombro as costas dele desaparecerem por uma entrada do corredor e diminui a velocidade dos meus passos, embora meu coração continuasse a bater acelerado.
Odeio essa falta de controle sobre meu próprio corpo. Pelas calças de Merlin, é só um cheiro oras!
-
Suspirei aliviada, tanto pelo fato de estar a vários metros do Potter e daquele cheiro idiota, quanto por Madame Pince não estar em sua mesa, provavelmente enfiada em alguma estante repreendendo algum aluno desavisado.
Havia lançado um feitiço em mim para que as roupas secassem, mas, por mais que minha aparência molhada tivesse desaparecido eu não confiava muito nisso. Madame Pince podia sentir no ar qualquer coisa que, na opinião dela pudesse, hum... Como que é ela diz mesmo? Ah! "qualquer coisa que pudesse alterar, sujar, desfigurar ou deformar de alguma maneira os pilares da educação que se encontravam na biblioteca". Lembro-me claramente de uma vez, no terceiro ano, quando ela me colocou para fora da biblioteca apenas por estar com uma caixa de feijõezinhos de todos os sabores na mão. E detalhe: a caixinha estava fechada.
Aproveitando que Mademe Pince estava fora de vista, fiz um coque frouxo no alto da cabeça, andando sem fazer barulho, pelos longos corredores cheios de livros, procurando um em especial.
- H... – procurei pelo livro, meus olhos correndo rapidamente pela estante cheia de livros. – Mas onde está... – mordi o lábio inferior. Nem sinal do livro.
- Lily? – Uma voz masculina falou por trás de meu ombro, e eu me assustei.
- Remus!
Lupin estava encostado à estante seguinte, segurando um livro escuro e de aparência bastante usada. Sorria levemente para mim, embora os olhos castanhos demonstrassem uma certa sombra de cansaço. Fiquei me perguntando o que ele estaria fazendo na biblioteca há essa hora.
- Passando alguns relatórios a limpo – Remus respondeu a minha pergunta não dita suavemente, indicando com a cabeça uma mesa cheia de pergaminhos a alguns metros de distância.
Senti uma certa culpa me invadir e pesar sob meus ombros, ao olhar da mesa lotada de pergaminhos, para o garoto de aparência cansada e olhos doces. Aquilo não estava certo. Eu deveria ter ajudado mais. Afinal, também era monitora. E com toda essa regra de deixar os relatórios com os nomes de Black e Potter para o Remus, era totalmente desproporcional. Ele acabava ficando com o trabalho mais pesado. Involuntariamente, claro. Mas ficava.
Certa culpa... culpa total você quer dizer.
- Remus? – dirigi a ele em um tom baixo e leve. Sabia que o garoto não era de ficar bravo tão facilmente, mas eu achava que não havia facilidade alguma no trabalho que ele estava tendo para passar aqueles pergaminhos a limpo.
Ele me olhou, sorrindo levemente, como se, por alguma razão achasse graça naquilo. Continuei:
- Me desculpa? – olhei diretamente para os olhos castanho-claros dele. – Eu deveria ter ajudado mais com os relatórios – e apontei a pilha de pergaminhos com a cabeça – Não deveria ter tido essa idéia de trasgo de que você ficaria com os pergaminhos cheios de infrações do Potter e do Black, eu realmente não sei o que estava pensado na hora, não sei o que deu na minha cabeça. – coloquei tudo para fora de uma vez, sem dar muitos intervalos entre as palavras. Eu sou horrível para falar quando fico nervosa.
Remus riu, maneando a cabeça levemente.
- Tudo bem Lily – ele andou em direção à mesa e sentou-se do lado da janela. O segui, mordendo o lábio inferior meio nervosamente. – Você não tem que me pedir desculpas – completou, ao ver que eu sentava à sua frente.
Balancei a cabeça negativamente.
- Claro que tenho – passei os olhos pelos pergaminhos espalhados na mesa. – Vou te ajudar – sorri para ele. – Afinal não é culpa sua se eles dois não tomam jeito...
Fiz uma careta involuntária. Remus riu.
- Você é teimosa, Lily.
- É, pode-se dizer que eu já ouvi isso algumas vezes, Lupin – sorri para ele, enquanto pegava um pergaminho e começava a passar a limpo o que estava escrito nele. Porque todo mundo insiste em dizer que eu sou teimosa?
Passamos algum tempo calados e apenas o som das penas atritando nos pergaminhos era ouvido. A lua quase cheia havia aparecido no céu estrelado e sua luz entrava pela janela da biblioteca.
Fui pega de surpresa por um bocejo meio teimoso enquanto me espreguiçava.
- Acho que já passou dá hora de pararmos... – Remus sorriu para mim. Notei o quanto ele parecia cansado.
- Seus amigos dão trabalho, Remus – falei, tentando soar indiferente, mas pouco conseguindo, enquanto me levantava e o ajudava a organizar as coisas.
- Menos do que me ajudam, Lily – ele piscou divertidamente para mim.
Eu estava pronta para argumentar quando Madame Pince se materializou na nossa frente.
- Bem, bem, acho que vocês dois deveriam estar em sua Sala Comunal, não é mesmo?
Ela batia o pé esquerdo no chão de uma maneira impaciente e olhava diretamente para nós dois, os braços cruzados e uma expressão severa no rosto.
- Nós já estávamos de saída – Remus apanhou o resto das coisas que estavam em cima da mesa. – Certo, Lily?
- Ah, é.
- Até mais Madame Pince.
Andamos rapidamente para fora da biblioteca, sem esperar pela resposta da bibliotecária. Melhor sair de uma maneira ligeira do que esperar por uma detenção – por estar fora da sala comunal em um horário em que certamente não deveríamos - do Filch, não é mesmo?
-
A Sala Comunal da Grifinoria estava quase vazia, exceto por alguns garotos do sétimo ano sentados perto da lareira. Eu não consegui deixar de notar que um em particular me olhava com certa curiosidade, mas logo desviei meu olhar do dele e fui direto para uma mesa um pouco afastada de onde o grupo do sétimo ano estava. O grosso livro que havia pego na biblioteca continuava lá, exatamente onde eu havia deixado.
Remus olhou para o livro com a mesma expressão de curiosidade e dúvida que Marlene dirigira a mim a algumas horas atrás.
- Não é nada de mais – sorri levemente para ele. – Somente um livro velho que peguei na biblioteca – olhei para o livro.
E que não tem me dado o retorno que esperei. Apenas espirros.
- Lily? – Remus colocou as mãos por dentro dos bolsos da calça. Olhei diretamente para os olhos castanhos, meio cansados. – Eu... bem, talvez eu tenha que ir para casa amanhã.. assunto de família sabe? – o olhar dele pousou na janela que estava atrás de mim. – Será que...
- Pode deixar que eu cuido de tudo, Rem – pisquei para ele. – Não precisa se preocupar.
Lupin me olhou nos olhos e um sincero sorriso de agradecimento apareceu em seus lábios.
- Obrigado, Lily – ele sorriu. – À propósito, não sei se você notou, mas acho que o Bones quer falar com você – e indicou levemente com a cabeça o grupo de garotos do sétimo ano.
Revirei os olhos. Remus riu.
Nos despedimos, e ele subiu as escadas que para o dormitório masculino. E eu? Bom, continuei na Sala Comunal, tentando ignorar os olhares dos garotos do sétimo ano, absorta apenas em minha curiosidade. Não estava com cabeça para pensar no Bones e seu pedido pra ir a Hogsmead comigo no próximo fim de semana agora.
Não conseguia deixar de pensar que Remus podia não estar falando a verdade. Queria acreditar nele, queria mesmo, mas não é normal ter uma família com tantos parentes doentes e com tantos problemas a cada mês. Quero dizer, eu já vira o senhor e a senhora Lupin várias vezes quando eles se despediam dele na estação, antes de pegar o trem da escola. Eles pareciam tão... sem problemas. Tão normais quanto um casal de bruxos pode ser. E além do mais, essas visitas aconteciam a intervalos programados. Era como se todo mês durante um período X de tempo alguém da família dele ficasse doente. Todo mês, o mesmo período X se repetia. Folheei a esmo o velho livro, enquanto pensava.
Um período X. Ele desaparece sempre durante um período X.
Mas será que era realmente possível? Será que Remus é um lobisomem?
Mordi o lábio inferior enquanto apanhava um pedaço e uma pena de pergaminho em minha mochila. Abri a carta que havia recebido hoje de manhã e a coloquei em cima da mesa.
-
Caro Prongs,
Não tem nada de errado com a palavra "avoada". Às vezes o problema não está na palavra em si, mas sim em como você utiliza ela sabe? Mas talvez, nesse caso, você tenha utilizado a palavra certa. Eu é que entendi errado. Tenho uma tendência a ser eu mesma, uma avoada. Você vai acabar percebendo isso também. Mais cedo ou mais tarde. Como eu sei que ela estava sobrecarregada? Bem, não sei realmente. Mas... ah, acho que presumi. Afinal, só uma coruja cansada para errar a entrega não?
Ah, eu peço desculpas pela pergunta que fiz. Como você pode ver até mesmo para assuntos que não me dizem o respeito eu sou uma negação. Não, não, como eu poderia ficar chateada ou triste? Talvez por ter feito uma pergunta tão idiota e inconveniente... Mas definitivamente não por não receber a resposta que queria. Ah, Meu Merlin. Não era exatamente essa resposta que eu queria dar. Ok. Para simplificar as coisas: eu é que peço desculpas pela pergunta inconveniente. E pelas explicações irritantes.
Então, já que evoluímos para cartas, será que posso fazer uma pergunta?
Você é curioso?
Eu sou extremamente curiosa. Muito mesmo. Acho que na maioria das vezes isso pode ser bem irritante. Embora já tenha me ajudado algumas vezes para ser sincera. É só que... de vez em quando minha curiosidade chega a extremos. E isso definitivamente não é normal. Porque, as pessoas escondem as coisas por alguma razão não é? E eu realmente não tenho nada haver com isso. Ah, olha só, aqui estou eu te alugando com meus problemas.
Bem, vou indo agora.
Um abraço
Jane
-
Levantei da mesa, guardando tudo na mochila, sentindo que meus pensamentos meio embaralhados e meu corpo cansado estavam necessitando urgentemente de um bom banho. Sem fragrâncias que me lembrassem menta ou madeira ou grama molhada. Um shampoo com cheirinho de coco quem sabe?
N/A : Olá!
Antes de tudo queria pedir desculpas por ter passado um pouco do prazo para postar o capitulo. É que eu ainda tinha que ajeitar algumas coisas nesse terceiro capitulo e não deu para adiantar muito as coisas nesses últimos quinze dias. Desculpa esfarrapada, eu sei. Mas espero que vocês não fiquem chateados comigo.
Bom, agora vamos ao que realmente interessa, os agradecimentos. Muito obrigada pelas reviews pessoal! Vocês não sabem como a opinião de vocês faz a diferença, principalmente para uma pessoa que escreve a passos de tartaruga que nem eu. Muito obrigada mesmo!
Bem, vou indo agora. Espero de coração que vocês tenham gostado desse terceiro capitulo e que deixem as opiniões de vocês.
Um beijo,
Pati Evans.
