Capítulo 2, parte II.

Edwardsville, Illinois. Casa de Emily Jones, 2006.

- Então, aqui estamos nós novamente, tão perdidas quanto antes. E por que mesmo? – Questionava ironicamente Juliet, já cansada daquela vasta procura sem sucesso algum. – Mas de quem foi a idéia de garantir aos Winchesters que já tínhamos o caso resolvido? Que sabíamos onde a agulha de tricô se encontrava?

- Julie, cale a boca! Ok?! – foi a resposta de Elizabeth.

- Ah, lembrei, foi sua! – continuou Juliet, que sorriu sinicamente e fez 'jóinha' com o dedo, logo após completando. – Ótima idéia, Lizzie!

- Você quer fazer a porcaria do favor de calar a boca? – esbravejou Elizabeth, que assim como a irmã também estava cansada por conta da atual situação.

- A Juliet tem um pouco de razão, sabe... – começou Suzan, pelo comunicador.

- Calem a porra da boca vocês duas, AGORA! – gritou Elizabeth, fazendo as duas se calarem. – Cadê a porra do respeito nesta merda?!, eu ainda sou a irmã mais velha! Mas que saco. – completou, se calando logo em seguida, e deixando tudo em um pesado silêncio.

A situação na qual as três se encontravam não era nada agradável, havia um trabalho a ser feito, mas para isto, era preciso que elas localizassem certo objeto e o queimassem, o problema é que nenhuma delas possuía a mínima idéia de onde este objeto poderia estar. E, para piorar a situação delas, o fato de Elizabeth ter mentido para os Winchesters, na noite anterior, dizendo que elas tinham plena noção de onde tal objeto se encontrava, limitava terrivelmente o tempo delas. Afinal, se elas sabiam onde a agulha de tricô estava, e apenas lhe restava a queimar, então elas como caçadoras competentes que provaram ser, precisariam de apenas um dia para terminar o trabalho. Decididamente não havia sido uma boa idéia mentir para Sam e Dean, e era por saber disso que Elizabeth estava tão estressada, por saber que cometera um erro, e que tal erro implicaria em uma possível humilhação sua e das irmãs perante os mesmo, já que elas haviam ficado de lhes ligar assim que concluíssem o trabalho.

- Ok, ok, me desculpem! – Elizabeth estava cansada, estressada, mas sabia que isso não lhe dava direito de descontar sua frustração em suas irmãs.

Depois do pedido de desculpas, tudo ficou em silêncio novamente, e as três, cada qual a seu modo, começaram novamente a tentar entender onde Emily Jones poderia ter escondido a tal agulha de tricô.

Foi então, que como em um estalo, Elizabeth teve uma grande revelação.

- Hey, esperem, esperem! – disse ela, atraindo a atenção das duas irmãs, e ainda refletindo sobre o que acabara de perceber.

- O que foi? – questionou Suzan, enquanto Juliet apenas analisava a expressão que a irmã fazia.

- Nós estamos fazendo do jeito errado, - dizia Elizabeth, cada vez mais certa do que falava, - pensando do modo errado. É tão lógico! – terminou ela, sorrindo com sua dedução.

- Elizabeth, só uma coisa, você pretende compartilhar sua dedução genial, ou teremos de usar nossas bolas de cristais? – questionou Juliet, sarcástica e cansada de tudo aquilo.

- Claro, claro! Mas é que é tão ridículo da nossa parte não termos notado isso... – Elizabeth falava – Mas que seja, o problema é o seguinte, pensem comigo: uma garota, acaba de provocar um aborto com uma agulha de tricô, e ela irá morrer na própria cama depois de agonizar por semanas. A pergunta que fica é: como esta garota irá ter forças para esconder a tal agulha de tricô, em um local que não fosse no próprio quarto?

- Qual a novidade quanto a isto, gênio? – foi o que perguntou Juliet, fortemente sarcástica, aquilo a cansava por demasiado, era entediante e principalmente revoltante.

- A novidade, gênio, - respondeu Elizabeth, frisando a palavra "gênio" - é que nós já procuramos em cada milímetro deste quarto, e se existe um lugar onde esta porcaria de agulha de tricô não está, é nesta tranqueira de quarto velho. Sendo assim, é terrivelmente lógico o fato de que não foi ela quem escondeu a agulha.

- Como assim? – agora quem perguntou foi Suzan, que até o momento se abstinha de participar da conversa entre as irmãs mais velhas.

- Pensei que você fosse a nerd da família, Suzan! – riu Elizabeth, - Vocês lembram da conversa que tivemos com a mãe da Emily? E que ela contou que nossa querida Gasparzinha do Mal, tinha uma grande amiga e confidente? Que elas viviam juntas e...

- Dá pra resumir? – cortou Juliet.

- E que sempre sabiam dos segredos uma da outra? – terminou Elizabeth, olhando para Juliet com o cenho franzido por alguns segundos, não gostando da intromissão da irmã.

Logo após Elizabeth sorria, aproveitando cada segundo do doce sabor de poder irritar as irmãs, era algo ao qual ela não podia explicar, era prazer na sua forma mais infantil, mas mesmo assim, era prazer!

- Hum... Acho que entendi onde você quer chegar, Lizzie! – falou Suzan, sua voz soando pensativa a princípio, mas tornando-se decidida a cada palavra que era dita, -Você tem razão, Emily estaria muito mal após fazer o que fez, e ela provavelmente sabia disto antes de fazê-lo, então, só lhe restava, entregar a agulha a amiga.

- Você enrolou tanto para falar isso?! – foi apenas o que Juliet dignou-se a falar.

- Sim! – respondeu Elizabeth, com um imenso sorriso no rosto.

Juliet apenas girou os olhos, em sinal de descrença. Às vezes Elizabeth era por demasiado infantil, e a loira mais nova não sabia como ainda aguentava tais criancices da irmã.

- Porém, essa sua conclusão, não nos leva a lugar algum, Lizzie. – tornou a falar, Suzan.

- É claro que leva, Suzan, agora sabemos que a agulha não está aqui. - retrucou Elizabeth – Mas também aposto que não está com a garota, duvido que alguém guardaria algo como aquilo por tantos anos, na verdade, acho que ela nunca mais nem ao menos tocou na agulha depois da morte da amiga, o que nos facilita em muito a vida.

- Elizabeth, a Sra. Jones não disse, que após a morte da Emily, a garota, Anne se não estou enganada, ficou muito abalada, e certa vez, ficou um dia inteiro chorando em frente à Casa da Árvore que elas tinham? E depois, nunca mais nem ao menos chegou perto daquele local?! – disse Juliet, olhando para a irmã que estava consigo.

- Bingo! – respondeu Elizabeth, sorrindo pra irmã e dando um leve 'soquinho' no ar.

- Acho que acabamos de encontrar nossa agulha, meninas! - comentou Suzan, ficando em silêncio logo após, fazendo com que o único som a ser ouvido, fosse o de seus dedos a baterem no teclado do laptop.

- Onde exatamente fica a Casa da Árvore, mesmo? – perguntou Elizabeth.

- Você não existe, Elizabeth. – respondeu Juliet, girando os olhos – Fica nos fundos da casa, como você deveria saber.

Juliet pôs sua arma na cintura, pegou uma lanterna e um cantil que continha álcool. Elizabeth ficou acompanhando os atos da irmã, com um cara de quem não estava entendendo.

- Eu vou lá. – foi o que ela disse, ao ver a expressão de "o que você pensa que está fazendo?" que Elizabeth tinha no rosto.

- Por que você vai ir? – indagou Elizabeth – Por que não eu? Fui eu quem descobriu onde a agulha estava, então eu que tenho que ir.

- É, mas sou eu quem sabe onde a Casa está, e eu não vou discutir isto com você. – respondeu Juliet, enquanto pegava um isqueiro e testava-o para ver se ascendia, ele acendeu e ela o guardou – E pare de bancar a garotinha enciumada, Elizabeth, não tens mais dez anos.

Juliet saiu do quarto sem dar mais atenção para a irmã, que cruzou os braços e fez cara de indignada por cerca de um minuto, para então descruzá-los e sorrir levemente. Ela gostava daquelas discussões pequenas, das leves implicâncias. Tudo isso lhe fazia bem, de um modo meio torto. Aquilo era o mais perto de uma família que ela conseguia chegar, desde que tudo aquilo começara.

Enquanto Elizabeth, sem pudor ou medo algum, sentava-se na cama que estava no quarto, e ficava aguardando qualquer sinal sobrenatural, ou alguma notícia de Juliet, a mesma descia correndo as escadas que levavam ao primeiro andar da casa. Chegando aos pés da escada, Juliet olhou o aposento ao seu redor, e procurou por algo que lhe indicasse o local a ser seguido. Dando três passos para o lado, Juliet encontrou a porta da cozinha, e seguiu até lá.

A cozinha não continha muitos objetos, mas curiosamente o fogão ainda estava abandonado lá, e algumas gavetas encontravam-se abertas, e era possível ver alguns talheres repletos de pó e teias de aranha dentro destas mesmas gavetas. Atravessando a cozinha em direção a uma porta que se encontrava ao outro lado da mesma, Juliet não pode deixar de notar, que a forma como a luz da lua entrava no local pela janela, dava um ar fantasmagórico muito grande para aquela cozinha. Um vento frio gelou sua coluna dorsal, e Juliet esfregou os braços que estavam arrepiados, voltando a andar com o passo acelerado, sem nem ao menos perceber ou lembrar o porquê havia parado.

No andar superior da casa, ainda sentada na cama de Emily, Elizabeth encontrava-se impaciente, batucando os dedos sobre o colchão empoeirado. Ela olhava ao redor mas curiosamente nada lhe atraia, era tudo tão morto, e ainda assim tão normal aos seus olhos, que a única coisa que conseguia sentir no momento era impaciência. O batucar de seus dedos sobre o colchão parecia estar sendo ritmado a outro som, o que fez Elizabeth franzir o cenho, não compreendendo. Apurando mais os ouvidos, percebeu qual era o som, e que ele vinha de seu comunicador. Eram as leves batidas dos dedos de Suzan sobre o teclado do laptop do outro lado de seu comunicador, algo que soou familiar aos ouvidos dela, e que acabou sendo ignorado por sua mente, mas não esquecido. Elizabeth sorriu levemente.

- O que você está digitando aí, pequeno gênio? – perguntou Elizabeth, feliz por ter algo que a tirasse daquela impaciência tão irritante e monótona.

- Estou estudando, Elizabeth. Você sabe que eu preciso disto, para caso um dia eu realmente tente entrar em uma faculdade. – foi a resposta obtida, mas que não era nem de longe a esperada.

- Suas duas irmãs lidando com um espírito maligno que arranca corações, e você estudando para uma ainda inexistente prova de faculdade? É lindo ver sua preocupação e carinho, Suzan! – disse Elizabeth, modificando o tom da conversa, e o caminho para a qual ela as levaria.

- Vocês não são iniciantes, Elizabeth! – rebateu Suzan, revirando os olhos, do outro lado do comunicador - Sabem lidar com isto muito bem!

- Torça para que sim, Suzan. – comentou Elizabeth, sentindo um leve formigar por sua coluna, e o pesar sutil do ar no local – Torça para que sim.

O ar frio tocou a face de Juliet, e ele veio carregado de um cheiro peculiar, o cheiro do medo. Parada do lado de fora da casa, na parte de trás da mesma, e encarando a grande árvore que havia no quintal da mesma, a loira presenciou seu coração encher-se de certa sensação. Angústia.

Seguindo por um tapete feito das folhas que caiam daquela árvore, Juliet aproximou-se da mesma. E a cada passo que dava em direção a aquela árvore, sobre a qual havia uma Casa da Árvore, onde agora Juliet tinha certeza de estar escondida a agulha de tricô, a angústia em seu peito só aumentava. Era como se uma mão invisível segurasse seu coração e ficasse o apertando, comprimindo-o. Tudo isto sendo efeito da proximidade com a árvore, e consequentemente com a semente do mal que ali havia, a agulha que há anos ali tinha sido escondida.

Velhos pedaços de tábuas pregados ao longo da árvore, consumidos não só pelo tempo mas também por cupins, serviam como uma escada muito precária, sendo a única forma de chegar na Casa da Árvore logo acima. Tirando um elástico de cabelo de seu pulso, Juliet fez um rabo de cavalo enquanto encarava desconfiadamente aquela tentativa de escada a sua frente. Puxando o ar fortemente pelo nariz, e movimentando os ombros em círculos, a única coisa que ela perguntava-se era porque não havia deixado Elizabeth vir em seu lugar. Bufando levemente, e prometendo a si mesma que jamais faria uma escolha tão idiota, Juliet começou a subir a escada.

"Por que você está demorando tanto, Julie?", perguntava-se Elizabeth.

Elizabeth havia levantado-se e ido até uma mesinha que havia no quarto, e pegara lá a outra lanterna que ela e a irmã trouxeram. Voltando novamente para a cama, e sentindo ainda o ar tornar-se mais pesado, sentou-se novamente na cama e pôs-se a brincar de ligar e desligar a lanterna. Uma leve brisa invadiu o quarto e arrepiou Elizabeth, e a luz da lanterna que no momento estava ligada, acabou por tremer e então apagar-se.

"Então é assim que você quer? Ótimo. Somos eu e você agora!" – pensou a loira, apurando seus sentidos, enquanto empurrava o botão da lanterna para desligá-la. Endireitando a postura, voltou a batucar no colchão com a mão que não segurava a lanterna, mas desta vez não fazia isto ao ritmo do digitar de Suzan, já que a mesma havia desconectado seu comunicador após a conversa com a irmã. O som que ditava o ritmo do batucar dos dedos de Elizabeth era outro, era um som estranho, ela diria que era o som do bater de um coração, se fosse possível um coração bater tão alto. Ela respirou fundo e direcionou os olhos para a porta do quarto, enquanto uma de suas mãos continuava seu leve batucar, e a outra empurrava lentamente o botão da lanterna, ligando-a. A luz amarelada cortou caminho pelo aposento, e chocou-se com uma figura entre o cinza e o translúcido, que estava na porta do quarto, encarando Elizabeth nos olhos, com a cabeça inclinada para o lado, em sinal de incompreensão, e em uma de suas mãos, em um vermelho vibrante, e parecendo ainda bater, havia um coração humano. Olhando para aquilo, para aquele coração que a seus olhos ainda era pulsante, e percebendo que estranhamente parecia ser dali que saia o ritmo do batucar de seus dedos, a única reação de Elizabeth foi abaixar a cabeça, virar para o lado e vomitar.

O espírito saiu da porta e foi para próximo a janela, depositando o coração sobre a mesa, sujando-a de um sangue que começava a pingar lentamente de lá de cima para o chão, iniciando uma pequena poça. Elizabeth puxou seus cabelos para trás das orelhas, e erguendo o olhar em direção ao do espírito, encarou-o com certo asco, passando as costas da mão por sua boca, e então a limpando no lençol, a loira pegou a arma que esteve durante todo aquele tempo no cós da parte de trás de suas calças jeans, e ergueu-se, apontando a arma para aquilo que um dia fora uma bela garota mas hoje não passava de um espírito maligno, na concepção dela naquele momento.

Não houve muito tempo entre o pensamento e a revolta de Elizabeth e o ato de ficar de pé com a arma apontada para o espírito, e o tempo entre o levantar-se e puxar ao gatilho, foi menor ainda. A primeira bala cortou o ar em direção a Emily, mas esta apenas tornou-se mais translúcida do que já era, e deu um passo a frente, em direção a loira. Outra bala, e a mesma situação se repetiu. Elizabeth atirou mais uma vez, pouco se importando se as balas estavam apenas atravessando ao espírito ao invés de atingi-lo, o gosto amargo em sua boca a queimava por dentro, e atirar era a melhor coisa para ela naquele momento. Emily estava cara a cara com Elizabeth, que ainda segurando a arma na mão, bofeteou o espírito, tendo sua força aumentada com a raiva que sentia e o peso da arma em sua mão.

Elizabeth ergueu novamente a mão para desferir mais um golpe, aproveitando-se novamente da força extra que o peso da arma em sua mão lhe dava ao bater no espírito, mas Emily parecia ter cansado daquelas atitudes estúpidas, daquela agressão gratuita. Quando a loira ergueu o braço para lhe atingir pela segunda vez, o espírito da líder de torcida, segurou o braço da outra e torceu-o até as costas de Elizabeth, ficando atrás da mesma, segurando com força seu braço, enquanto esta fazia uma careta de dor. Ainda estando atrás da caçadora, e segurando fortemente seu braço esquerdo em suas costas, Emily a empurrou na direção da escrivaninha, torcendo seu braço. O corpo de Elizabeth bateu contra a escrivaninha, e ela gemeu em sinal de dor, o aperto em seu braço a machucava muito, fazendo-a pensar que estava a ponto de quebrá-lo.

A arma que estava em sua mão caiu com um estampido no chão, e Elizabeth abriu os olhos, sua face estava colada no tampo da escrivaninha, e seu braço latejava diante da força exercida pela outra garota. A sua frente, um borrão vermelho estava depositado sobre a escrivaninha, olhando mais atentamente, e com seu estômago a dar voltas, Lizzie percebeu o que era de fato aquele borrão vermelho. O coração. A loira fechou os olhos, sentindo o aperto em seu braço se aliviar, e o espírito se afastar, muitas coisas passavam em sua mente, mas um pensamento dominava a todos os outros, "Julie, espero que esteja tudo bem com você".

A loira mais nova estava subindo a escada que levava à Casa da Árvore, alguns pedaços de madeira se soltavam em suas mãos, e algumas sujeiras ficam caindo sobre seu rosto e cabelos, já havia quase caído duas vezes, pois as botas que calçava teimavam em não firmar-se na escada, fazendo com que ela resvalasse. Seus dedos doíam, e o cheiro de madeira podre, junto com a sujeira a cair sobre seu rosto, irritava-a demasiadamente.

Juliet subiu mais dois degraus, mas quando foi avançar mais um, sua bota novamente resvalou, e ela perdeu o equilíbrio. Aproveitando o apoio da outra perna, tentou lançar-se mais uma vez para cima, mas a única coisa que conseguiu com isto foi acabar quebrando o degrau onde a outra perna estava apoiada. Ela segurava fortemente na madeira, os nós de seus dedos estavam brancos, seu corpo desceu e seus braços ficaram esticados, Juliet respirou fundo e olhou para o alto, pedaços de madeira caindo próximos a seus olhos a fizeram virar o rosto na direção do braço direito, enquanto tentava alçar-se novamente para cima. A loira puxava seu corpo para cima, e assim que conseguiu um resultado razoável, começou a procurar apoio para seus pés, mas só encontrava o vazio ou o próprio tronco da árvore, sem degrau algum para apoiá-la.

- Juliet, você precisa respirar. – dizia ele, sussurrando próximo a nuca dela, com seus olhos brilhando fortemente – Respire, acalma-se, olhe ao seu redor e re-analise a situação, respire novamente e então aja.

A Trent mais nova respirou e olhou ao redor, lembrou de Elizabeth que ainda estava no quarto de Emily e poderia estar precisando de sua ajuda, sendo assim, precisava ser extremamente eficiente e fazer aquilo o mais rápido possível. Respirando fundo, fechando os olhos com força brevemente, e voltando a abri-los, Juliet içou-se novamente para cima, e conseguiu manter-se. Os nós de seus dedos estavam brancos feito papel, e a força que a loira exercia para manter-se dependurada daquela forma lhe resultava em um cerrar de dentes, uma careta evidenciando seu esforço e dor. Conseguindo ficar mais alta do que o local onde se segurava, como se estivesse subindo em um exercício de barra, ela finalmente tateou com uma das pernas por um degrau daquela velha escada, conseguindo apoiá-lo finalmente. Estando com uma das apoiada, Juliet conseguiu, com a outra perna, subir mais um degrau, e assim foi, até o topo da escada, tomando mais cuidado do que antes, mas conseguindo finalmente alcançar seu objetivo.

Enquanto Julie terminava sua complicada subida pela árvore, chegando finalmente ao alçapão que dava entrada a Casa da Árvore, Elizabeth havia finalmente sido solta pelo espírito e agora endireitava sua postura, enquanto virava-se, ficando de frente para Emily.

- Eu tenho nojo de você. – disse Elizabeth, olhando o espírito nos olhos – Você é um monstro.

- Eu percebi, - respondeu Emily, e sua voz beirava ao amável, se é que um espírito poderia ter voz amável, e então olhou para o vômito em frente a sua cama, para sinalizar sobre o que estava falando – mas quanto ao fato de eu ser um monstro, você está enganada. Eu não sou.

Elizabeth recostou-se na escrivaninha, girou os olhos e olhou para baixo, suspirou pesadamente e então ergue seu olhar novamente, encarando a garota por sob os cílios.

- Você mata garotas grávidas, arranca seus corações... – falou ela, sua voz saindo límpida mas cheia de asco – Você é um monstro Emily, aceite os fatos e queime no fogo do Inferno!

- Você não entende, não sabe como é... – defendeu-se Emily – Elas precisam de mim e da minha ajuda.

- Ninguém precisa de ajuda para morrer, - Elizabeth continuava no mesmo tom límpido de antes, mas agora o asco transformava-se em ódio e até mesmo leves doses de pena – principalmente quando não se quer morrer.

- Eu as dou uma nova chance, em uma outra vida... – continuava Emily, com algo que poderia ser visto como ternura em seus olhos, de fato ela acreditava naquilo que estava falando e no que fazia.

- Você nãos as ajuda, você as mata e apenas isso. – dizia a outra – Segundo as regras naturais das coisas, apenas o próprio indivíduo e Deus possuem o direito de interferirem de modo a causar a morte de um ser humano, toda e qualquer coisa que fuja a esta regra é considerada assassinato. Você é uma assassina!

- Eu não sou! – gritou Emily, e o bico de luz do quarto há muito estragado piscou – E você? Dois minutos atrás estava atirando em mim. Não parecia se importar com regras ou a ordem natural das coisas até dois minutos atrás, garota!

- Você mata garotas grávidas inocentes, e ainda quer me julgar por uma simples tentativa de te mandar dessa para uma muito, muito pior?! – debochou Elizabeth, divida entre o gozo e o asco – E já que estamos em um papo de garotas, confesso que seguir regras nunca foi meu forte mesmo! – completou, dando de ombros.

- Faça o que eu digo não faça o que eu faço... – filosofou Emily, com uma voz falsamente recriminadora.

A conversa já havia passado por vários níveis, e era muito complicado conseguir explicá-los ou até mesmo entendê-los, mas o que se precisa saber, é que em um momento desta conversa Elizabeth compreendeu algo: Emily era humana, e como tal, cometeu um erro, agora como espírito, estava a errar pecaminosamente, mas julgando estar a fazer o certo. E Elizabeth, provavelmente melhor do que ninguém, sabia muito bem o que era cometer um erro em nome de algo maior, algo que ela julgava maior, mas que os outros dificilmente entenderiam. Ela não era ninguém ali para julgar as atitudes da garota quando viva, mas não poderia deixá-la impune pelo que fizera depois de morta.

- Escute, Emily, eu te entendo. – disse Elizabeth, agora baixando mais o tom de voz – Eu imagino como deva ter sido...

- Não, você não imagina, você não tem nem idéia de como foi! – gritou a garota, descontrolando-se momentaneamente.

- Acalme-se, ou eu serei obrigada a acabar com você, - respondeu rispidamente Elizabeth – e não pense que por eu estar aqui, conversado quase que amigavelmente com você, que eu não te faria queimar na primeira oportunidade que eu tiver, porque por Deus, eu o faria.

- Foi horrível...

- Horrível o suficiente para te fazer se arrepender? – questionou a loira, encarando a outra garota, que tinha seu olhar perdido como que em outro local, a idéia que tal afirmação do espírito lhe deu parecia boa, para ambos os lados.

- Eu tinha tanto medo, estava desesperada, realmente desesperada, não havia o que fazer... – ela começou a falar rapidamente, sua voz saia agoniada, como se estivesse a reviver aqueles momentos – Eu não queria, eu não podia, desapontar ninguém... eles me amavam tanto, era a minha família, eu simplesmente não podia. Estava tudo tão errado... era tudo tão injusto. Por que comigo? Eu não sabia mais o que fazer... Era o fim... E eu... eu tinha tanto medo... tanto medo... mas era preciso, eles me amavam tanto, era justo que eu sofresse um pouco em nome deste amor... mas era tão dolorido... era... era tão horrível...

- Horrível o suficiente para te fazer se arrepender? – voltou a perguntar Elizabeth, agora mais urgente, quase gritando.

- Horrível... horrível... horrível... – repetia incansavelmente Emily, como se fosse um disco arranhado, os olhos arregalados, as mãos estando uma de cada lado do rosto,a pupila de seus olhos extremamente dilatada, estava como alguns humanos ficam quando em choque, o que fez Elizabeth refletir sobre quão humanos espíritos podem ser ou não.

- Horrível o suficiente para te fazer se arrepender? Diga-me Emily, é horrível o suficiente para te fazer se arrepender? – a loira estava aflita, acabara de achar a solução, não para o caso, mas para a alma daquela garota – Vamos lá, Emily, foi horrível a ponto de te fazer ter esta reação tão humana? Pode se arrepender? Ainda é capaz disto? Diga-me!

- Por que? – questionou o espírito, sua voz mais baixa, ainda por recuperar-se do surto de pavor que acabara de ter com suas próprias lembranças.

- Olhe, eu não sei o porquê, está bem? Eu não tenho a mínima idéia do por que eu esteja fazendo isto, mas de alguma forma idiota e anormal, eu quero que as coisas terminem bem, – dizia Elizabeth, sua voz soando de forma extremamente sincera - e se você conseguir, se você conseguir se arrepender, se tiver esta atitude tão humana, então eu acho que posso te salvar...

- Não, você não pode, - interrompeu Emily – você não pode me devolver à vida. Ou você pode? – questionou, esperançosa.

- Não, eu não posso lhe devolver a vida. – disse a loira, com certo pesar na voz, para então parar brevemente e voltar a falar com maior firmeza – Ninguém pode fazer isto. Mas existem várias formas de se salvar uma pessoa, uma alma. Eu posso acabar com isto, Emily, posso acabar com esta dor, este tormento... Eu posso limpar sua alma, para que ela possa prosseguir, porque este já não é mais seu mundo, você não pode continuar aqui, não é o seu lugar... Mas para isso, para poder te ajudar Emily, eu preciso que você se ajude, que você se arrependa...

- Mas, como eu vou saber se, - choramingava a garota, com lágrimas a brilhar nos olhos que não possuíam mais o brilho da vida – como eu vou saber como é lá? E se eu não gostar?

- Não tem como saber, menina... – respondeu Elizabeth, soando quase carinhosa, um sorriso perto do piedoso brincava em seus lábios, e uma risadinha amigável foi solta por seu nariz, ao responder as dúvidas da garota – Ninguém sabe como é, nem mesmo eu, ninguém nunca voltou de lá para contar. Mas uma coisa é certa, Emily, não pode ser pior do que é aqui, e nem pode ser pior do que lhe espera caso não me deixe lhe ajudar...

- Eu acho que eu não consigo, me desculpe. – falou Emily, baixando a cabeça.

- Escute, - Elizabeth suspirou – minha irmã vai dar um fim a isto hoje mesmo, então, seja como for, acabou para você, então faça um favor a si mesma, pela primeira vez em muito tempo, e se ajude.

- Eu não consigo, e, eu tenho medo... – disse Emily, e logo após revirou os olhos, e seu corpo agiu como se tivesse tido um espasmo – O que, o que é isso? – questionou ela, assustada.

- Juliet esta na Casa da Árvore, arrependa-se agora! – disse Elizabeth, se desencostando da escrivaninha e fazendo um movimento como se fosse ir na direção do espírito.

Naquele mesmo momento, do lado de fora da casa, já dentro da Casa da Árvore, sentada no chão em posição de índio, e com a agulha de tricô a sua frente, Juliet ascendia o isqueiro e colocava fogo na ponta da agulha, que já havia sido mergulhada no álcool logo após ter sido encontrada escondida em um fundo falso de uma madeira daquele local. O fogo iniciou, mas de uma forma muito estranha, acabou por não vingar, e morreu tão logo como nasceu. Mais uma tentativa, e desta vez o isqueiro como que em parceria com o fogo, decidiu não funcionar, não fazer o trabalho que a ele era designado.

Emily se recuperou do espasmo e daquela sensação tão estranhamente opressora, como se sua alma estivesse sendo comprimida, comprimida a ponto de explodir em milhões de partículas, para nunca mais existir, para virar apenas eterno. Eternamente nada.

- Eu sinto muito, mas eu não posso permitir que ela continue. Eu não estou pronta para ir. – disse Emily, virando-se em direção a porta, mostrando muito bem para Elizabeth qual era sua intenção, e como ela pretendia deter Juliet.

- Faça isso e você chegará ao Inferno antes mesmo de conseguir falar aborto, sua menininha mimada e medrosa, – zombou Elizabeth, primeiramente furiosa, e depois apenas em tom de escárnio – filhinha da mamãe!

- Não fale, não fale do que você não sabe, sua vadia! – bradou Emily, voltando-se para Elizabeth, e parando defronte a ela rapidamente, no que a outra simplesmente empinou o queixo e ficou a lhe encarar, provocando-a, atiçando-a para a briga.

Juliet já havia sacudido o isqueiro, o esfregado nas duas mãos, feito de um tudo para fazê-lo funcionar, mas nada adiantava. Próximo ao desespero, sabendo bem que a irmã estaria em apuros, caso contrario já estaria ali gritando em seu ouvido ou zombado de sua lerdice, talvez estivesse até mesmo a rir de si pelo comunicador, mas até mesmo este Elizabeth se dera ao trabalho de desligar. Juliet estava sozinha, no escuro, com a segurança de sua irmã em suas mãos, assim como a vida de muitas jovens grávidas, Julie precisava de luz, e ela surgiu, surgiu e incendiou a agulha, pouco a pouco. Aproveitando o fogo, Juliet espalhou o álcool pela Casa da Árvore, aquele não era um bom lugar, nem hoje, nem nunca, e como ela bem aprendera, às vezes é bom cortar o mal pela raiz. Mas como ela não tinha nem um machado à mão, e nem vontade de usar um, ela decidiu por queimar o mal pela raiz, e assim o fez.

Emily deu um passo em direção a loira, sua vontade era de lhe arrancar o coração, mas sabia que não o poderia fazer, ela não merecia uma morte assim, este tipo de morte ela só causava quando era para ajudar alguém. Mas talvez, questionou-se ela, talvez fosse aquela garota quem precisasse de ajuda, talvez arrancar-lhe o coração seria algo bom.

"Não, eu não posso. Não é certo. Eu não sou uma assassina. Eu não sou uma assassina!"

Um passo a mais e se esticasse os braços Emily poderia sentir o palpitar do coração da garota a sua frente, mesmo que o mesmo não estivesse ao seu alcance. Ela conseguia sentir na pele o batimento de um coração, mesmo estando dois metros longe dele. E então novamente aquela sensação, aquele espasmo, o revirar de olhos. E era quente, muito quente, e aquilo a comprimia, era como ser uma lata de alumínio e estar sendo amassada, era horrível.

Elizabeth percebeu o que estava acontecendo, e seu coração se aliviou, Juliet havia conseguido fazer sua parte, mais uma vez. Como sempre. Mas agora era hora de Elizabeth fazer sua parte, mesmo que fosse mais como um bônus, não importava, naquele momento a única coisa aceitável para a loira, era o sucesso. E sem dó nem piedade, ela começou com aquilo que seria no fim, se desse certo como ela imaginava, o mais perto de um final feliz que elas conseguiriam alcançar.

- Você é uma menina mimada sim. – recomeçou Elizabeth, falando claramente, não dando espaço para dúvidas ou questionamentos – Você poderia simplesmente ter dito a verdade, assumido seu erro, haveria decepção da parte de todos sim, mas eles te perdoariam, porque eles te amavam, ou melhor, ainda te amam. Mesmo agora, mesmo depois de tudo, eles ainda te amam. Ainda que você não seja merecedora deste amor!

- Não, não, não! Cale a boca! – gritava Emily, tapando os ouvidos – Cale a boca!

- E você é tão mimada e medrosa, que nem morrer sozinha foi capaz... – continuava Elizabeth, sem dó – Não, imagina se você Emily Jones seria capaz de agüentar tudo sozinha, de pagar sozinha pela merda que você fez... Não você tinha de envolver outra pessoa nisso, você tinha de fazer com que alguém se culpasse até hoje pela sua morte... Sua família se sente triste e culpada até hoje, mas aquela a quem tu chamava de amiga, aquela garota que hoje já é uma mulher, ainda tem problemas para dormir a noite, ela simplesmente não se perdoa. E no fim, a grande culpada de tudo, é uma medrosa e mimada que não merece um terço do amor que aquelas pessoas ainda sentem por você.

- Você acha que eu não sei? Você acha?! – questionava Emily, seu corpo queimando – Você acha que eu não sinto remorso? Que não me arrependo? – Emily gritava loucamente, enquanto Elizabeth continuava a insultá-la "Medrosa! Mimada! Assassina desprezível! Medrosa! Mimada! Assassina!", ser dar trégua – Você está errada! Eu me arrependo sim, eu me arrependo todos os dias, a cada momento! Você acha que eu não mudaria tudo se fosse possível? Pois eu mudaria! – enquanto gritava, a sensação de opressão ia diminuindo, pouco a pouco, e a luz em torno de si agora não era apenas por culpa das chamas em seu corpo, mas era algo como se fosse uma luz saindo de dentro de si, - Seu eu pudesse, eu mudaria tudo, tudo! Mas eu não posso, eu não posso! Você sabe que eu não posso, você mesma disse isto! Eu sinto muito, eu sinto a dor de todos eles, você acha que eu não sei o quanto eles sofrem? Pois eu sei! Eu sei muito bem! É por isso que eu faço o que faço, para que ninguém mais passe por isto! E a culpa é minha, eu sei, ela é toda minha e eu me arrependo amargamente por isso! – finalizou ela, ainda gritando.

- Eu sei Emily, eu sei! – disse Elizabeth, não mais gritando, mas sim falando suavemente e até mesmo com um sorriso nos lábios.

Então a luz que emanava de dentro do espírito da garota ficou intensa, quase ofuscante, a sensação que antes era de opressão agora era de expansão, parecia que sua alma iria explodir, e de uma forma que Emily não era capaz de compreender, aquela era uma sensação agradável. O medo do vazio eterno já não a assustava, mesmo que o fogo ainda lhe consumisse a alma, pois de certo modo ela sabia que estava pronta para ir, o eterno não mais significava o nada, e o medo se fora, assim como o calor dilacerante do fogo fora aplacado com o frescor da luz que ela emanava, o medo também fora aplacado pela paz que a assolara naquele instante, como há tempos não o fazia.

Emily olhou no fundo dos olhos de Elizabeth e lhe sorriu docemente, sibilando "Obrigada!" para a mulher a sua frente, que tentara lhe salvar quando nem mesmo ela tentava fazê-lo. A loira acenou com a cabeça e sorriu como resposta, e então o fogo aumentou rápido e fortemente e pareceu consumir toda a alma da garota, para então haver algo como uma explosão de luz que forçou Elizabeth a fechar os olhos, para quando abri-los encontrar o quarto em sua escuridão habitual e nada que lhe remetesse a presença de Emily. Era como se o espírito nunca houvesse estado ali.

- Vá com Deus, se for merecedora disto! – disse Elizabeth, fazendo o sinal da cruz e juntando seus pertences, para sair daquele quarto e nunca mais voltar.

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O caso de Emily Jones fora resolvido, mas o que acontecera dentro daquele quarto, Elizabeth guardou para si, ninguém mais precisava saber, pensou ela. Quando Juliet a questionou sobre o porquê de sua estranheza, a loira mais velha justificou como tédio e uma leve dor de cabeça, e então assunto morreu ali, mesmo ambas sabendo que era uma grande mentira.

As três irmãs encontravam-se no carro que um dia fora do pai delas, um belíssimo e muito bem conservado Chevrolet Camaro SS do ano de 1969 em cor preta, tendo suas listras na cor branca, o carro era o xodó de Elizabeth da mesma forma que um dia fora o xodó de seu pai, William Petterson Trent. Já estavam longe da rua da casa que um dia fora de Emily e sua família, quando Elizabeth parou o carro para usar o orelhão mais próximo, o pretexto era o de ligar para os Winchesters como havia sido combinado.

Tirando um papel do bolso e olhando por sobre o ombro para suas duas irmãs dentro do carro, Elizabeth discou os números e ficou esperando, em vão.

Este é o celular de Dean Winchester, não posso atender no momento, deixe recado. Foi a única resposta dada pelo aparelho, para logo então aquela voz robótica de mulher lhe instruir a deixa um recado após o sinal, o que fez a loira revirar os olhos.

- Escute Dean, aqui é a Elizabeth, só estou ligando para te avisar que o caso foi resolvido, e tudo está bem, como eu disse que estaria. – disse ela, para o telefone mudo, - Ah, e mais uma coisa, tente não sonhar muito comigo a noite, sim? Passar bem! – completou, sorrindo debochada.

Sem tirar o telefone do ouvido, Elizabeth finalizou a ligação e pôs uma nova ficha, agora discando discretamente números já tão conhecidos seus, ficou aguardando, mas diferente da ligação anterior, desta vez alguém atendeu ao telefone.

- Desculpe. Acho que esta é a primeira coisa que eu tenho que lhe dizer. - começou ela, dando um leve suspiro enquanto escutava a resposta do outro lado da linha – Sim, eu sei. Mas é complicado, você sabe que é. Eu consigo compreender, mas não aceitar. Me dê mais um tempo, ou melhor, vamos dar tempo ao tempo.

Elizabeth deu mais uma olhada por sobre o ombro, e Juliet buzinou o carro, impaciente. A mais velha virou-se para a irmã e apontou o telefone, mostrando que ainda estava ocupada, e girava os olhos de forma cômica, como se estivesse tão entediada como ela com aquela situação.

- Escute, tenho que ser breve, minhas irmãs estão esperando, - recomeçou a loira, após voltar-se para o telefone – eles estiveram aqui. Sim, sim, eles mesmos. Achei que você devesse saber, - ela suspirou, era incrível como mesmo estando brigada e terrivelmente chateada como aquele homem, mesmo assim ela extremamente leal a ele – achei que era importante.

O homem do outro lado da linha suspirou brevemente para logo após passar a mão por sobre a barba por fazer e sorrir, e então começou a lhe passar instruções do que ela deveria fazer.

- Eu não entendo, - voltou a falar a loira, agora em um nível mais baixo e próximo a um tom angustiado – na verdade eu entendo, mas preferia que não precisasse ser assim. É, eu sei, não se pode ter tudo. Mas eu não tenho tudo, na verdade eu tenho pouco, muito pouco... Okay, me desculpe, eu sei... – Juliet abriu o vidro e gritou pelo nome da irmã, estava com pressa, queria voltar para seu apartamento, e a bebida havia acabado, precisavam parar em algum lugar para comprar mais – Tenho de desligar, tchau!

- Preste atenção, Lizzie, você vai conseguir. Está me entendendo? Vai dar tudo certo, você vai ver! – disse a voz do homem, do outro lado do aparelho.

- Eu espero que sim. – respondeu ela, pondo o telefone no gancho.

Dentro do carro Juliet acabara de colocar uma música no som e aumentar potencialmente o volume do mesmo, os primeiros acordes da música foram ouvidos e então a loira encostou-se ao banco do carro, para melhor apreciar a música.

- O que é isto? – perguntou Suzan, que estava sentada no banco de trás do carro, mas havia esticado seu tronco para frente, de modo a ficar no espaço entre o banco do passageiro e do motorista.

- The Shock Of The Lightning! – respondeu Juliet, com os olhos fechados, apenas apreciando a boa música.

- Como?! – voltou a perguntar Suzan, confusa.

- Oasis! – disse Juliet, virando a cabeça para o lado e encarando a cara confusa da irmã – Você não sabe o que é Oasis?! – espantou-se a loira, no que a morena deu de ombros e fez cara de desentendida, enquanto a loira encarava-a em choque.

Elizabeth entrou no carro e encarou as irmãs, não compreendendo o que se passava, e dando de ombros, afinal, pouco importava no momento.

- Por que demorou tanto? – quis saber a morena, mais para poder evitar a situação constrangedora pela qual acabara de passar, do que por ter ficado realmente preocupada com a demora da irmã, aos seus olhos Elizabeth já era grandinha o suficiente para saber o que fazia da vida.

- Dean ficou me alugando no telefone. – foi a resposta dada, que foi acompanhada por um dar de ombros.

- Idiota! – comentou Suzan, que não era grande apreciadora dos irmãos Winchesters, pela forma a qual foram apresentados, com um deles atirando em sua irmã.

Juliet apenas revirou os olhos e voltou a escorar-se no banco, fechar os olhos, e apreciar aquele som tão peculiarmente perfeito aos seus ouvidos, Suzan vendo que o assunto havia sido dado por encerrado, foi para o lado atrás do banco da irmã mais nova e escorou seu rosto na janela, apreciando a paisagem. Elizabeth, olhando primeiramente de canto de olho para a irmã a seu lado e depois pelo retrovisor a outra irmã na parte de trás do carro, sorriu de canto de boca, de uma maneira extremamente debochada, girou a chave do carro e pisou no acelerador, fazendo o motor do carro roncar daquela forma tão familiar, tirou o pé da embreagem e acelerou novamente, não havia mais nada para fazer ali. Estavam voltando para casa!

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N|A: Então gente, é isto aí, espero que vocês gostem deste capítulo! xD

EmptySpaces11: Eu fico muito feliz que tu estejas gostando da história, mesmo! Tu sabe como adoro tuas fics, escreves maravilhosamente bem! Espero que curtas este capítulo, fico no aguardo! Beijos!

Dupla Marota: Menina, que show que tu gostou! E mais uma coisa, você precisa atualizar sua fic de Supernatural, sério! As discussões da Lizzie e do Dean me fazem rir muito também, pode aguardar que terá muitas delas ainda! Beeijos!