Disclaimer: Naruto me pertence. Processem-me e.e

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Resposta ao desafio que antes era "dos 72", mas agora é dos 198, feito junto com Lady Murder. Eu sei. Nós somos loucas.

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Silêncio
Capítulo VI – Boneca de papel


Ela não conseguia levantar da cama.

Tinha algo errado, tinha algo muito errado acontecendo. Não era para ser assim, não era, não era. Por que estava acontecendo aquilo, então? Já não tinha mais lágrimas para chorar, estava só lá, encolhida na cama como se fosse um animalzinho indefeso, os orbes brancos arregalados e vazios. Aquilo não estava certo.

Ouviu batidas na porta do quarto, mas pareciam tão distantes que não moveu um músculo. A porta abriu e, como estava deitada em direção a janela, só reconheceu Ino quando a mesma se inclinou sobre seu corpo, os cabelos loiros fazendo cócegas em sua face.

"Hinata..." a loira começou suavemente. "O que aconteceu? Há dois dias você falta à escola e o Neji me contou que você não está se alimentando direito..."

Hinata podia responder qualquer coisa, mas a voz estava presa na garganta. "É a Konan?" Ino indagou, num tom baixinho. Hinata fechou os olhos com força e assentiu, brevemente. Ino começou a acariciar a bochecha da amiga com leveza. "O que aconteceu? Você pode me contar tudo, Hinata-chan... Faz bem falar, sabia?"

Hinata abriu a boca, para tentar dar uma resposta, mas, ao fazer o comentário sobre falar, Ino acabara lembrando-a que entre ela e Konan as palavras eram desnecessárias. Compreendiam-se magicamente, apenas com o olhar. E Hinata lembrou-se daquilo e as lágrimas que ela achava que não tinha mais afloraram em seus olhos. Virou-se abruptamente, agarrando a cintura de Ino e chorando em seu colo. A loira arregalou os olhos, mas começou a fazer carinho na cabeça de Hinata. "Shh... vai ficar tudo bem, sabia? Shh, shh..."

Mas Hinata não tinha certeza de que tudo ficaria bem.

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"E agora que eu contei..." Konan tossiu, com força. Pein estendeu um chá para ela. "E agora que eu contei, ela não vem mais ao meu encalce."

"O que você queria?" Pein indagou, arqueando as sobrancelhas. "Você está confinada nessa cama agora e, provavelmente, ela está com medo de mais de te perder para vir te visitar..." suspirou.

"Você não está com medo de me perder?"

"Estou, mas já me acostumei com a ideia, ela só tem quinze anos e teve apenas dois dias, Konan..." balançou a cabeça. "Tome o seu chá, não vai salvar a sua vida, mas pelo menos parará essa tosse."

Konan assentiu e bebeu seu chá.

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Com tudo explicado, todas as lágrimas choradas e todo o consolo que Ino poderia dar; Hinata já estava sentada na cama, comendo um sanduíche que Neji havia feito. Felizmente, o primo era educado o bastante para saber que aquilo era um assunto entre as duas garotas e não ficar rondando o ambiente. "Olha, Hinata... Eu não sei o que dizer. Eu nunca passei por isso, mas você sabe que eu estou aqui para o que der e vier." Ino disse.

"Sim, eu sei. Obrigada, Ino-chan... A-acho que... Que eu só precisava falar isso para alguém, se não eu iria sufocar. Era assim que eu me sentia..." suspirou, mordiscando o sanduíche.

"Você irá visitá-la?"

O estômago de Hinata revirou com aquela pergunta e a garganta pareceu fechar. Visitar Konan? Por que o faria, qual seria o motivo por trás daquilo? Não queria vê-la pálida, cinza, morta. Deitada numa cama, sem vida, o cabelo opaco, os olhos tristes. Sabia que talvez a imagem fosse diferente e que, mesmo doente, Konan ainda poderia estar forte, mas tinha medo demais, medo de vê-la fraca e frágil e medo que ela morresse em seus braços.

"Não."

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"Konan?" Pein chamou. O tom saiu frio e falsamente controlado, sua vontade era de abraçar aquela mulher com toda a força possível. Mas não o fez. Ela havia escolhido aquilo, não era mesmo? Não fez nada quando Konan abriu os olhos de forma demorada, tremendo. Um sorriso muito pequeno de dor surgiu nos lábios dela e ela estendeu a mão. Pein segurou e estava tão gelada que ele soube que o momento era aquele.

Konan respirou fundo. Era engraçada aquela sensação de morrer quando já se previra isso. Era como se a Morte, com seus dedos gelados, percorresse seu corpo, tentando achar a melhor forma de tomar sua alma, até chegar-lhe a cabeça, onde os sentidos começavam a desmoronar, como se alguém a estivesse puxando de lá. Recolheu todo o ar que podia, um último fôlego antes de partir para sempre, e tombou a cabeça, olhando com olhos vazios para Pein. "Que fatalidade, meu amigo."

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Ino apertava com força a mão de Hinata, que se debulhava em lágrimas ao seu lado. Elas viam tudo, mas ninguém as via. Ambas vestidas de preto, vendo todos aqueles adultos, vendo aquele enterro. E, quando todos se foram, elas se arriscaram a caminhar até a lápide. O nome de Konan estava lá, sem nenhuma inscrição além da data de nascimento e da de morte. Hinata não agüentou, seus joelhos cederam e ela caiu sobre o túmulo, como uma boneca de porcelana quebrada, uma boneca de papel rasgada, chorando demais para que Ino pudesse fazer qualquer coisa a respeito.

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Caminhou até o túmulo, lembrando-se da primeira vez que esteve lá. Tinha apenas quinze anos. Já fazia tanto tempo assim? Sete anos? Então por que ainda parecia machucar tanto ir para lá? Os passos de Hinata eram lentos e, quando ela chegou à lápide desejada, ajoelhou-se com calma. O nome, a data de nascimento e a data de morte. Ela não disse nada. O silêncio ainda reinava entre elas, agora, eterno.


N/A: OOOOOOOH! Acabou. E agora eu vou esperar a Murder fazer as coisas dela e pans para poder postar novamente qualquer coisa desse desafio, mas enfim, acabou! Aê. Muito, muito obrigada a todos vocês que acompanharam a fic, sério mesmo. Curtinha, né? A minha inabilidade para capítulos longos parece que continua, mas enfim, amo vocês e até a próxima, velhinhos!