Dois conceitos são importantes no Colégio Particular Ouran…
1) Prestígio da família
2) Dinheiro. Muito dinheiro.
Pessoas ricas têm muito tempo livre…
"Certo. Esse colégio é bem grande. E fui largada por meu pai diante dele sem noção alguma de onde fica minha sala. Usando um vestido grande e… Estranho. Tudo bem… Vamos procurar por alguém normal…"
- Nossa… Não sabia que gente pobre era aceita… – olhei curiosa para a menina ao meu lado, que entrava no colégio. Então desviei o olhar para o alvo de interesse e me aproximei.
- Parece que nós somos as únicas pessoas novas aqui.
- Ah, olá!
- Qual seu nome? =)
- Haruhi Fujioka, prazer.
- Eu sou Shou Ootori. – eu sorria e percebi um sorriso de volta – Bom, melhor acharmos nossas salas.
- Também acho… Qual a sua? A minha é a 1-A…
- Jura? – eu me surpreendi com aquilo.
- Sim… Por que? – seu olhar era de quem não entendia.
- É a minha também. Que bom, somos colegas! – eu estava animada por ter encontrado alguém de minha sala logo no começo.
Não tivemos muita dificuldade em achar a sala. E assim que chegamos, o professor nos apresentou.
- Temos alunos novos. Levantem-se e cumprimentem. – então ele se virou para nós – Apresentem-se, por favor.
Haruhi foi primeiro.
- Meu nome é Haruhi Fujioka. Sou bolsista. Espero me dar bem com vocês.
- Eu sou Shou Ootori. Estou aqui contra minha vontade. Será sorte se alguém conseguir se dar bem comigo nesse começo difícil. – eu estava séria. Ninguém ali parecia interessante. Vendo que ninguém parecia amigável por conta do que disse, acabei acrescentando – Difícil para mim, ao menos.
- Bom… Seus lugares. – o professor ficou sem reação por causa de minha apresentação, como pude notar – Fujioka se sentará entre Kaoru e Hikaru… E Ootori – eu percebi que as pessoas ficavam tensas ao ouvir esse nome – Sentará atrás de Hikaru.
Fui para meu lugar, com Haruhi logo atrás. Sentei-me sem me preocupar com os olhares e cochichos a meu respeito. E na primeira troca de aulas, Hikaru puxou assunto comigo.
- Seu nome é Shou Ootori, não?
- Sim. Por que?
- Percebeu a reação que isso causa, huh? – alguém idêntico a ele, exceto pela forma como o cabelo estava arrumado, me dirigiu a palavra.
- Vocês seriam… Hikaru e Kaoru, não? – eu apontei respectivamente para o ruivo diante de mim e seu irmão.
- Somos. – a resposta veio em uníssono.
- Gêmeos… Interessante. E o que tem meu sobrenome? Todo mundo fica tão tenso. É só um nome, por favor.
Eles se entreolharam. Provavelmente pensaram "Ela não tem noção do que está dizendo", mas eu não ligo. No fim, eu não tenho influência no colégio mesmo.
O dia passou depressa. Bastante, até. E me encontrei com Haruhi diversas vezes fora da aula. E em todas vezes, ficava tentada a perguntar se ela era uma menina. Mas preferi me conter. Então esbarrei com ela em sua busca por um lugar silencioso.
- Ah, Haruhi-san! – eu sorri.
- Olá, Shou-san.
- O que faz perambulando pelo colégio?
- Queria um lugar quieto, sabe? Para estudar.
- Podemos procurar, então. Tem uma coisa que queria perguntar também.
Começamos a andar pelo corredor atrás de um bom lugar para estudar.
- Pergunte.
- Você é uma menina, não?
Ela riu.
- Sou sim. Não pareço?
- Não exatamente. Mas tem traços bem femininos.
E nós duas rimos.
Uma porta estava a nossa frente como se tivesse surgido por mágica. Eu olhei a placa. 3ª sala de música.
- Está quieto demais para uma sala de música. – eu comentei, ainda olhando a placa.
- Talvez dê para estudar, isso é o mais importante. – e ela abriu a porta.
Pétalas de rosas vieram voando delicadamente em nossa direção. Uma entrada espalhafatosa, na minha opinião. Não tive outra reação que não pegar uma kunai que estava presa a minha coxa e arremessar. Ela acertou uma pétala e foi parar do outro lado da sala, cravada na parede.
- Isso é tão ridículo… – eu olhei um por um os rostos lá. E três me chamaram atenção – Hikaru-kun? Kaoru-kun? E… Nii-san? – ele foi o que mais me surpreendeu. Talvez por isso minha voz tenha saído estranha ao me referir a ele.
- Shou-san? – os gêmeos pareciam surpresos. Olhavam de mim para a kunai na parede.
Eu fui rapidamente até onde estava a "arma" e a retirei. Tornei a prendê-la em minha perna, o que exigiu de mim um levantar em parte o vestido. Quando tornei a olhá-los, todos, menos meu irmão e Haruhi (lógico), estavam corados.
- O que faz aqui, Shou? – ouvi a voz de meu irmão.
A informalidade fez todos ficarem boquiabertos.
- Nii-san… – por um instante, minha expressão ficou tristonha, mas logo me recompus – Mamãe casou de novo. O estorvo aqui foi mandado para a casa de papai.
Percebi então a voz dos gêmeos.
- Vocês são irmãos?!
- Somos. – Kyouya ajeitou os óculos.
- Por que nunca disse que tinha mais uma irmã, Kyouya-senpai? – um loiro pouco mais alto que eu falava, parecendo exaltado.
- Não achei que a veria no Japão. – nii-san se dirigiu ao loiro e voltou a falar comigo – Então ela se casou, não? Dessa vez ao menos percebeu que não poderia cuidar de você.
- E por isso o Japão? Por que não então a casa de nossos tios na própria Espanha?
O país pareceu afetá-los.
- Você é espanhola? – um loiro baixinho surgiu diante de mim.
- Não, japonesa. Morei na Espanha por alguns anos. – eu tive que me abaixar para poder olhá-lo direito – Por que tem uma criança aqui?
- Ele é o mais velho. – novamente os gêmeos.
Eu ri.
- Ele? O mais velho? – ri de novo.
- Sim. – e uma voz estranha foi ouvida. Pus-me de novo em pé, vendo um moreno de mais ou menos dois metros diante de mim.
- Bom, Shou. Creio que devo apresentá-los então.
- Ajudaria muito, nii-san. – desviei o olhar para a porta – Haruhi-san? Tudo bem? Está tão…
Minha fala foi cortada pelos ruivos.
- Então Haruhi-san e Shou-san viraram amigos? – ao meu ver eles achavam que ela era um garoto.
- Muito bem, que tipo de lugar é esse? – eu interrompi a conversa.
Haruhi se pôs ao meu lado. Sua voz saiu de forma que só eu escutei.
- Que clube de homens lindos é esse…? E seu irmão faz parte…?
- Parece que sim… Nii-san, por favor. – respondi a ela no mesmo tom e tornei a me dirigir a Kyouya-nii.
- Já deve ter notado, Shou. Não é um clube normal. Estes são Tamaki, Mori, Hani, Kaoru e Hikaru. – conforme falava os nomes, ele apontava os rapazes – Mas creio que já conhece os gêmeos.
Confirmei com a cabeça.
- Eu, Haruhi-san e eles estamos na mesma sala.
- Então caiu na sala A? Nada mal… Parece que estudou direitinho na Espanha. – como sempre, ele gostava de usar a escola para me provocar, só porque sempre se destacou mais.
- Sou mais capaz do que você. Sempre me dediquei mais. Não tenho culpa se sempre foi mais queridinho do que eu. – dei os ombros.
- Ainda assim… Não achei que conseguiria.
- Não desconte em mim o fato de papai não ter atenção suficiente para você em relação aos nossos dois irmãos. – em cheio. Aquilo o tirava do sério.
- Se não tem nada a tratar aqui, saia. – ele estava sério e percebi que isso fez Haruhi tremer.
- Nós já vamos… Certo, Shou-san? – Haruhi queria correr dali, pelo que vi. Mas nessa pressa, acabou derrubando um vaso.
- Íamos leiloar esse vaso. – os gêmeos disseram em uníssono.
- E-e-e-e-eu posso… Eu vou, er… – Haruhi tremia.
- Oito milhões de ienes. – não sei direito se foi Kaoru ou Hikaru que disse isso.
- Eu vou pagar.
- Como? – dessa vez foi o outro – Você não é o plebeu bolsista?
Sim, eles achavam que ele era um menino.
- Eu pago. – me manifestei. Não deixaria eles se aproveitarem assim.
- Não pode. – meu irmão parecia satisfeito por ter como impedir meus planos.
- E por qual motivo, nii-san?
- Quem quebrou, paga.
Percebi que Tamaki falava com Haruhi.
- "Em Roma faça como os romanos. Se não tem dinheiro para pagar, pague com seu corpo". – eu vi uma mudança de personalidade nele. Parecia cruel como… Como Kyouya.
Pronto. Ela virou parte daquele clube estranho.
- Sendo assim, eu virei aqui constantemente ver como estão tratando Haruhi-san. – eu tinha de fazer algo, mesmo que precisasse me tornar uma cliente.
