Estava jogada em minha cama, sem conseguir dormir. Não havia ninguém com quem conversar. Haruhi e os gêmeos estavam em casa, mas eu não os acordaria. Não no meio da noite. Então comecei a pensar em possibilidades do que poderia fazer para que Haruhi e Hikaru se assumissem de vez como casal. Cogitei as idéias de ou prendê-los em um armário ou então… Poderíamos deixá-los em um show ou coisa parecida.
Peguei meu celular e mandei uma mensagem a Kaoru.
Assim que acordar, venha ao meu quarto. Tem algo que eu queria perguntar a você. S2 Shou.
Então me virei e finalmente dormi. Tive um sono bom e pesado, o que foi reconfortante. E não sonhei. Não sonhar é muito bom, se quer saber. Assim sonhos estranhos não ficam nos perturbando. Mas o que me alegrou mesmo foi o que veio quando acordei no dia seguinte.
A luz entrava no quarto por uma brecha na cortina e alguém afagava meus cabelos. Sorri automaticamente, sem nem olhar quem era. Mas também não precisava. A mão sobre a minha, as carícias no rosto, o cantarolar melodioso, o cuidado em não me assustar. Tudo isso apontava para uma única pessoa. Então virei o rosto para ver quem era, dando um largo sorriso quando nossos olhos se encontraram.
- Dormiu bem? – ele perguntou.
Confirmei com a cabeça.
- Desculpe a mensagem no meio da noite… Espero não ter acordado você. – passei uma mão por seu rosto.
- Não acordou. – ele sorriu e, por algum raio de motivo, minha barriga roncou bem nessa hora.
Ele riu.
- Vem, vamos tomar café da manhã. – levantou e me estendeu a mão.
Sorri, constrangida, e segurei em sua mão. Descemos as escadas e fomos para a cozinha. Como os outros não estavam lá, presumi que estavam dormindo ainda. Fomos nos sentar, um de frente para o outro, e logo começamos a comer.
- E o que queria falar comigo? – sua voz me fez levantar o olhar do pedaço de bolo que estava comendo.
- Ah… Eu queria saber uma coisa. O que acha de um show para um primeiro encontro?
Seus olhos brilharam.
- Parece uma boa idéia, desde que a banda seja apropriada.
Sorri satisfeita.
- Vou arranjar um par de ingressos então.
Conversamos sobre outras coisas no resto do tempo. E uma vez que terminamos de comer, subimos para nos trocar. Não demorou muito para que os quatro ficassem prontos, mas ainda assim fiz com que fossem na frente, com a desculpa de que esquecera algo.
- Podemos esperar. – foi Haruhi quem falou primeiro.
- Não, não. Nada disso. Não quero que se atrasem por minha culpa. Vão logo. – eu precisava convencê-los a ir sem mim e, felizmente, isso foi até fácil.
Uma vez que tivessem partido, tornei a entrar, indo direto para meu quarto. Liguei para nii-san, deixando uma mensagem de voz em sua secretária eletrônica. Passei por doente e disse que faltaria no colégio. E para finalizar, troquei o vestido do colégio por uma saia leve e florida, uma sandália e uma bata, ambas brancas. Arrumei o que precisava em uma bolsa e saí.
- Ninguém deve ficar sabendo dessa saída. – instruí os empregados e o motorista.
E aí partimos para o centro comercial. Pulei do carro, dizendo que não havia com que se preocupar, e fui ao que interessava. Compras e telefonemas. O dia começou promissor, o que me animou. Foi aí que meu celular tocou. Olhei o visor. Kyouya-nii. Preferi não atender, jogando o aparelho dentro da bolsa. Pouco depois de arar, o telefone voltou a tocar. Kaoru. Atendi.
- Shou? O que houve? Você está bem? Onde você está? – percebi que ele estava bastante preocupado, o que me fez ficar meio mal.
- Acalme-se… Eu estou bem, só achei desnecessário ir ao colégio hoje. – eu falava de forma a tentar tranqüilizá-lo.
- Poderia ter dito então! Quando disse para virmos na frente, achei que viria depois! E não que fosse…! – percebi que sua irritação crescia conforme falava, então o interrompi antes que acabasse a última frase.
- Desculpe, amanhã eu apareço. Amo você! E se cuide. – e desliguei, sem esperar resposta, que pouco depois veio por mensagem.
Também amo você. Tome cuidado. Kaoru.
Sorri e voltei ao que estava fazendo. Voltei para casa antes de Kyouya e subi correndo para o quarto. Guardei as compras no armário e fui tomar um banho, pondo meu pijama em seguida. O pijama da vez era uma camisola de cetim, em tom bordô, que ia até o joelho e de alcinha. Ajeitei o cabelo e desci para a sala quando ouvi um carro parando.
