Ok, Luh. Sinto muito por você, mas eu decidi voltar atrás e adivinhe… Sim, farei você ter pesadelos! XD Vou me unir a Rack e hahahaha 8D Well… Espero que todos aproveitem a fic o/
0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0o0
Final de provas é algo mágico, não acham? Aquela sensação de liberdade… Eu não sei, só sei que é fantástico. Eu amo quando as provas acabam. E tínhamos acabado de terminar a última do semestre.
Fui direto para o Host, mesmo que não tivesse ninguém lá naquele horário. A sala vazia me relaxava. Claro que junto da idéia de que estávamos de férias. Oficialmente falando. Fiquei lá por algum tempo, apenas olhando, até decidir por terminar de ler o livro que carregava na bolsa.
Era um livro interessante. Falava basicamente sobre um casal problemático, mas que se amava. Infelizmente não podiam ficar juntos por causa de umas complicações dentro das próprias famílias. E no fim ele termina morto pelas mãos dela.
É um trágico final, mas a história é linda. Fiquei lendo por um bom tempo até alguém aparecer na sala do Host e me tirar de meu transe. Quando levantei os olhos para a porta, vi que era Haruhi. Sorri ao vê-la e guardei o livro.
Ela logo alcançou a mesa à qual eu estava sentada e começamos a conversar. Ela comentou, antes de qualquer outra coisa, que Hikaru andou estranho nos últimos dias. Engoli em seco e pensei se era por causa do que eu havia dito a Kaoru. Perguntei o motivo dela achar aquilo.
- Eu não sei. – ela deu os ombros – Mas repare. Ele parece mais… Cauteloso.
Parei para pensar.
- Isso é verdade… Agora que você falou que eu notei. Mas por que será?
- Talvez seja alguma coisa em casa… De qualquer forma, as férias estão chegando e eu vou arranjar um trabalho. Poderia não contar para ninguém? E qualquer coisa, tente impedir o Host de me encontrar.
Percebi que ela pensava no que aconteceria caso o Host inteiro aparecesse no trabalho dela e ri da idéia. Assim que me acalmei, consegui responder que faria o possível, mas que não garantia nada. Ela suspirou, parecendo aliviada, e sorriu. E daí nossa paz acabou.
Tamaki e Kyouya foram os primeiros a entrar e eu podia ouvir sua risada estridente e irritante mesmo ele estando fora de um raio de um quilômetro de distância de mim. Não entendo como alguém sensato e inteligente como meu irmão foi se envolver com alguém tão estressante e… Estúpido.
O que me alegrou foi o fato dos gêmeos chegarem pouco depois deles. Quando Kaoru entrou na sala, a primeira coisa que fez foi me procurar, como eu pude notar por seus olhos percorrendo de forma inquieta a sala toda até se encontrarem com os meus.
Ele sorria, mas não estava sorridente. Digo, seus olhos sorriam. E isso indicava que ele estava realmente feliz, o que me animada profundamente. A primeira coisa que fiz após retribuir seu sorriso foi me levantar e ir até ele, que me recebeu com um abraço. Isso se "receber" for o verbo certo.
Toquei seus lábios de leve com a ponta de meus dedos, sorrindo como uma criança alegre e… Bobona, eu diria. Senti que ele me mordeu de leve quando virei o rosto ao ser chamada por meu irmão. Aquilo me assustou e foi muito bom eu ter apenas afastado a mão em vez de gritar e pular, como aconteceria normalmente. Ao meu ver, aquilo foi engraçado, pois Kaoru começou a rir de minha reação.
- Não ria, Kaoru…! E também não me morda…
- Desculpe, Shou. – ele sorria carinhosamente e eu sabia que ele não se arrependia de ter me mordido e nem de ter rido, mas eu não consigo ficar brava com ele mesmo, então simplesmente sorri de volta.
Já tínhamos aberto o clube para os clientes e estávamos no meio de nossos atendimentos quando a porta foi aberta violenta e repentinamente. Desviei o olhar do rapaz de cabelos praticamente dourados que estava diante de mim para a pessoa que acabara de entrar e vi ninguém mais, ninguém menos do que Ryuu.
Ela veio em passos largos até mim e apenas ficou me fitando, esperando que eu fosse com ela. O rapaz ao meu lado olhava de uma para outra, provavelmente pensando que Ryuu era um garoto, já que ela insistia em usar o uniforme masculino. Suspirei e me desculpei com o rapaz, indo atrás de Ryuu para quer que fosse.
Quando teve certeza de que estávamos sozinhas, voltou o rosto para mim com um olhar que poderia muito bem congelar o país. Ok, exagero, mas senti meu corpo tremer e cada pêlo de meu corpo se eriçar quando nossos olhares se cruzaram. Respirei fundo antes de perguntar o que ela queria.
- Minha vida de volta. – certo…
- Ryuu-chan, o que isso exatamente significa?
- Eu não sou "Ryuu-chan", Shou. E é tudo culpa sua. Primeiro foi o infeliz do Hikaru e agora…
Não deixei ela terminar.
- E agora Nekozawa-senpai. E por que é culpa minha? Só estou fazendo seu lado feminino despertar antes que você o mate. – eu sorria de forma divertida, mas ela parecia irritada.
- Eu esperava que ele já tivesse morrido. Mas por que raios eu tenho que acabar… Acabar… Assim?!
Pelo visto, o verbo "amar" não contava no dicionário dela.
- Ryuu-chan, Ryuu-chan… Você é uma garota, enquanto ele é um garoto. É natural que termine assim. – ainda sorrindo da mesma forma para ela, desenhei um coração no ar.
Percebi que ela estava ficando irritava e precisava descontar em alguém. Felizmente apareceu o professor "novo". Sim, o infeliz que quase arruinou minha vida. Naquele momento eu senti que ia chorar, mas ver Ryuu desferindo um soco no nariz dele me impediu.
Ele caiu no chão e derrubou tudo que tinha nos braços, mal conseguia se levantar. Eu apenas observava, enquanto Ryuu permanecia com os punhos cerrados e o olhar voltado para o chão, sua respiração um pouco ofegante. Eu não achava que ela tinha percebido quem tinha socado e não achei que notaria.
Quando a loira se acalmou, seu olhar pousou sobre mim e depois sobre o professor. Ela sorriu de canto, satisfeita com o que via, e depois simplesmente deu as costas e saiu. Eu não queria ficar para ver no que aquilo daria, indo atrás dela. Minutos depois estávamos de volta no Host, mas eu não era capaz de processar que ainda tinha clientes.
Apenas caí de joelhos assim que pisei dentro da sala e a porta se fechou, com algumas lágrimas escorrendo pelo rosto. Naquele momento, pensei em minha mãe, nas vezes em que ela pedira para que eu voltasse à Espanha. Se eu tivesse dito que voltaria, talvez nada daquilo tivesse acontecido…
Talvez eu tivesse evitado que todos me fitassem curiosos e preocupados. Talvez eu tivesse me apaixonado por Kaoru e assim não teria que sentir uma espada me cortando o peito ao ver seu rosto desfigurado pela tristeza daquela vez. Talvez não tivesse descoberto sobre nii-san e Tamaki. Talvez eu não tivesse causado problemas a eles nenhuma vez. Talvez mamãe tivesse me arranjado um noivo e eu poderia ser feliz com ele.
Quando pensei nisso tudo, senti minha barriga revirar. De repente, o ar era escasso e não havia formas definidas diante de mim, o que significava que eu ia desmaiar. Tentei ficar em pé, mas minhas pernas estavam trêmulas, impedindo que eu conseguisse fazer qualquer coisa. Minha última memória desse momento era alguém tocando meu ombro e chamando por meu nome.
