Não sei, mas a Shou anda meio fraca… Será que a OC morta será ela? '-' Não pode D= O final é inesperado e já estamos quase lá =D Espero que não me matem por fazer a fic só até metade do ano x.x
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Ryuu POV's
Último dia de aula. Pânico. Muito pânico. E um hospital.
Eu estava descendo as escadas e me dirigindo à saída quando um ser de capa surgiu diante de mim. Acabei me assustando e sem querer meti um soco nele. Quando vi quem era, meio que me arrependi, sentimento que me incomodava terrivelmente. A criatura que eu havia nocauteado e jogado no chão era Nekozawa-senpai.
- O que… O que você está fazendo aqui…? – senti meu rosto ficando cada vez mais quente.
Ele não respondeu e eu fiquei aliviada por estarmos em um hospital. Acho que o deixei inconsciente e… Sangrando mais do que deveria. Quanto mais eu olhava para ele, mais sentia meu peito apertar e um pânico estranho me dominando. Não sabia o motivo e pensar nisso me incomodava. Quando resolvi dar meia volta e ir embora, ouvi Tamaki-nii vindo apressado.
Continuei andando, ouvindo-o tropeçar em alguma coisa e cair no chão. Nem assim me virei para eles. Mal pisei fora do hospital, senti vontade de voltar. Mas o carro já estava parado diante da porta, o motorista me esperando. Olhei para ele e então para a construção atrás de mim, hesitando um momento. Mas no fim fui para casa. Voltar naquela hora poderia ser perigoso. E muito.
Passei a tarde toda pensando no que acontecera no hospital e isso não era normal. Não era nada normal. Eu o soquei, e daí? Só porque era ele não quer dizer que eu tenha que me incomodar… Digo, ele não morreu nem nada, não é? Então por que raios todo esse incômodo?! Que –pi eletrônico-! Felizmente ele saiu na mesma tarde de lá. Quem me contou isso foi a Shou, quando saiu. Acho que ela ligou para mim assim que pôs os pés fora daquele lugar…
Isso me fez demorar a voltar ao Host, o que de certa forma me incomodava. Digo, era a única chance que eu tinha de ver Nekozawa-senpai e… Mas que droga, já cheguei a ponto de ficar admitindo tanto que eu… Er… Que droga! A ponto de admitir tanto isso! Não quero! Não posso! Não está certo!
E eu não deveria ter voltado a aparecer no Host, droga… Logo no primeiro dia em que eu apareço depois daquele incidente no hospital, por que tenho que ver justo ele antes de todo mundo? Por que não Tamaki-nii? Ou Shou? Ou qualquer outro?! Por que tinha que ser Nekozawa-senpai?! É maldição da Shou, só pode… Sim, é isso! Ela é um demônio cor-de-rosa sob forma humana e me amaldiçoou! Agora só tenho que descobrir como acabar com isso.
O que aconteceu foi mais ou menos assim. Eu tinha saído mais cedo da sala, indo direto para o Host. Sabia que não ia encontrar Haruhi ou Shou lá, mas esperava que sim do mesmo jeito. Abri a porta com um chute, indo para a mesa mais próxima da janela diante de mim, sentando-me de frente para a porta que dava para o clube de magia negra. Obviamente, minha curiosidade falou mais alto que o bom senso e eu, sem saber que era lá que ele estava, fui descobrir o que aquela porta podia esconder.
Abri com cuidado, pondo apenas a cabeça para dentro. Pude ver um castiçal e alguém próximo a ele, mexendo em algo. Fiquei em silêncio, tentando reconhecer quem era ou ver mais alguma coisa que pudesse me dizer o que era lá. Meus olhos se acostumaram logo com a escuridão e eu acabei entrando, fechando sem querer a porta atrás de mim. Tudo que me importava era descobrir quem era aquele ser.
Notei que seu cabelo refletia em um dourado pálido a luz da vela e seus olhos pareciam azuis. Pensei em Tamaki-nii, mas não demorou muito até eu me lembrar de que ele morre de medo do escuro. Pelo menos daquela forma. Só em raras ocasiões quando ele tinha ataques de "coragem" que conseguia ficar em uma situação naquele estilo. Continuei olhando, reconhecendo quando ouvi sua voz:
- Ora, você não é o irmão de Tamaki-senpai…?
Nekozawa-senpai.
- É… Tamaki é meu… Meu irmão…
Sentia meu rosto fervendo aos poucos e eu tentava desesperadamente abrir a porta. Mas não estava indo. Por que a porta não abria? Por que eu não conseguia sair de lá? Por que a porta não queria abrir?! Tentei de novo, de novo e de novo… E então tentei mais uma vez, tudo sem tirar os olhos dele. Aquilo me ajudava a ter certeza de que nada iria me pegar de surpresa. Ou foi o que achei.
Ele deu um passo em minha direção e eu notei que ele estava sem camisa. Sentia o desespero crescendo e olhei ao redor. A capa. Sim, a capa dele estava ao meu lado. Talvez ele ainda não tivesse visto que eu estava corando cada vez mais. Talvez só me pedisse para passar a capa e sair. Mas como raios eu ia sair se a porta não abria?
- Suou-kun, pode me passar as roupas que estão aí?
Abaixei-me, sem parar de fitá-lo. Meus dedos tocaram a capa e eu me apressei em pegar tudo que havia lá. Pouco depois tinha entregado tudo a ele e voltara a tentar abrir a porta. "Não abre, não abre, não abre, não abre! Por que isso não abre?!" Senti que minhas mãos tremiam, mesmo que pouco. "Abra, abra, abra, abra…! Por favor, abra! Abra!" No desespero, consegui abrir a porta de alguma forma, caindo sentada no chão. Ele já estava vestido, mas eu não conseguia tirar a imagem dele sem camisa iluminado à luz de velas da cabeça. E isso me fazia corar.
- Ryuu-kun? Por que está tão vermelho? – gêmeos. Por que eles?
- Ryuu-chan! Você estava aí! – Shou. O que ela concluiu?
- Ryuu-san, você está bem? – Haruhi. Mas por que ninguém me ajuda?
- Ryuu-chan, levante daí. Temos que abrir o Host. – Tamaki-nii. Por que ele não morre de uma vez?
Ouvi passos se aproximando e a voz que se seguiu não era das mais animadoras.
- O que estava fazendo no Clube de Magia Negra? – Kyouya.
"O que você acha? Tentando fazer parte é que definitivamente não!"
A voz de Shou delatava sua felicidade extrema.
- Ah, meu deus! Você viu o que lá dentro, Ryuu-chan?
Morra.
- Saiba que é tudo culpa sua, Shou! – me levantei finalmente e fui até ela – Se quer tanto saber, então que não seja aqui.
Ela me acompanhou até nossa sala de aula, vazia no momento. Nunca fiquei tão feliz em entrar naquele lugar. Respirei fundo antes de começar a falar. E ainda assim não consegui, porque ela começou antes de mim.
- Você viu Nekozawa-senpai fazendo o que para ter ficado tão vermelha?
- Shou, morra.
- Você está amando Nekozawa-senpai e não pode negar.
- Shou, eu não amo. Esse não é um verbo que…
E de repente a porta foi aberta estrondosamente, revelando os gêmeos e Tamaki-nii.
- Ryuu-kun se apaixonou por Nekozawa-senpai? – droga. Droga, droga, droga!
Eles ouviram. Eles ouviram tudo. Tudo. E achavam que eu era um garoto. Ou seja, que eu era homo. Homo. Senti minha vida ruir naquele momento. Eu seria zoada o resto da vida. Talvez minha vida fosse melhor se eles soubessem que eu não sou um garoto. Mas de repente as coisas só pioram. Dilema do inferno! Sem conseguir achar uma solução, baixei o olhar.
- Ryuu-chan é uma garota. – Shou falou de forma tão natural que aquilo me fez gelar.
- Ryuu-kun é… Garota…? – percebi pelo modo como os gêmeos falaram que não conseguiam acreditar.
- Sim. – Shou estava calma. Mas por que eu não estava?
- Isso é verdade, Ryuu-kun? – levantei os olhos para os ruivos, vendo que eles ainda não acreditavam.
- Eh… É, sou… – minha voz não saía tão firme quanto eu gostaria.
Vi seus olhos caramelo se arregalarem exageradamente e suas bocas abrirem, mas não saiu nenhum som delas. Senti que eles não conseguiam formular nada que fizesse sentido e me senti ligeiramente aliviada. Teria me sentido mais se Tamaki-nii não tivesse olhando como se ele mesmo não acreditasse ou se tivesse ficado de boca fechada.
- Ryuu-chan… Uma garota… – desviou o olhar para os gêmeos e fez um comentário que ninguém esperava ouvir dele – Vocês não sabiam?
- Como a gente ia saber?! – cada um dos gêmeos o pegou por um lado da gola do uniforme e vi em seus olhos azuis que ele não sabia como responder àquilo.
Percebendo que não teria outra chance de escapar, me apressei em sair de lá, desviando de todos. Exceto, lógico, de Shou. Sua mão me alcançou assim que eu pisei fora da sala e logo ela estava me guiando para algum lugar, coisa que eu só notei quando chegamos. Olhei ao redor, constatando ser a sala de música usada pelo Host, vazia por algum motivo. Diante de nós, a mesma porta de antes. Tremi ao pensar no que ela faria.
Em um único movimento, ela abriu a porta e me jogou dentro do quarto escuro, fechando a porta atrás de si. Deu alguns passos adiante e parou próxima às velas sobre a mesa. Parecia procurar por algo que eu desconhecia, por isso continuei encostada na porta, esperando. Não sabia se fugia ou se ficava para ver no que tudo aquilo podia dar.
Quando encontrou o que queria, ela andou alguns passos e logo desapareceu na escuridão.
