O pessoal do Host estava comendo bolo e tomando alguma coisa, mas Ryuu estava isolada em seu canto ouvindo alguma coisa. Calmamente me aproximei dela e olhei o que ela tinha em mãos. Era um mp3 prata. Li o nome da música que estava tocando e por alguma razão sorri. Acho que foi porque ela ouvia uma música tão a cara dela que me surpreendeu de alguma forma.

Tirei um fone de seu ouvido para que ela me escutasse.

- Por que isolada, Ryuu-chan?

Ela desviou o olhar para mim e guardou o mp3 no bolso, ainda ouvindo música.

- Sei lá. Não quero comer, então não vou ficar com eles lá.

- Sua anti-social. Não sei como Nekozawa-senpai foi gostar de você.

Aquilo a surpreendeu. Ela tinha virado o rosto para mim e seus olhos estavam arregalados, sua boca abria e fechava como se ela fosse dizer algo, mas não havia nenhum som. Notando que ela não sairia muito cedo de seu estado de choque, peguei-a pelo pulso e a arrastei até a sala. Ou ao menos tentei, porque ouvi Kaoru me chamar quando estávamos na porta da cozinha, quase saindo.

- Shou, onde está indo? Vem comer conosco.

Virei o rosto para ele, sorrindo meio sem graça.

- Ah, claro. Só um minutinho, ok? – e empurrei Ryuu para sala. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, tomei seu mp3 e a mandei procurar por aquela pessoa.

Ela apenas me fitou com ódio em resposta, mas ignorei. Guardei o aparelho em meu bolso e me juntei ao clube para o lanche, enquanto ouvia Ryuu se afastar batendo os pés. Aquilo me fez rir um pouco, mas ninguém perguntou, o que era bom.

Não demorou muito para que eu entendesse do que estavam falando antes de eu me juntar à conversa e logo eu estava dizendo as coisas mais aleatórias sobre o assunto. Não sei, às vezes eu não chego a participar da conversa, apenas faço comentários aleatórios. Eles são divertidos.

Terminamos de comer com o sol se pondo. O pessoal continuou conversando mais um pouco, mas eu pedi licença. Estava curiosa sobre como as coisas estavam indo com Ryuu, então me levantei e fui atrás dela. Não deveria demorar muito para achá-la, ou foi o que achei. A casa dos Suou é realmente grande.

Ela estava no próprio quarto, sozinha. Bati na porta algumas vezes antes dela atender. Notei que ela me olhou de cima a baixo, sem entender o que eu estava fazendo ali, mas não perguntou nada. Apenas girou sobre os calcanhares e voltou para a cama, ficando a fitar o teto, deitada.

- Ryuu-chan. – esperei que ela desviasse o olhar para mim antes de continuar – Encontrou com Nekozawa-senpai?

- É. Ele estava meio perdido no corredor.

- E então?

- Então o que?

- Como foram as coisas com ele? – ela notou meu sorriso um tanto estranho e se afastou o máximo que pôde de mim.

- Não aconteceu nada, ok? Ele só queria saber onde era o banheiro.

- Aham. Aí você foi com ele e aproveitou para se declarar.

- Ele acha que eu sou um garoto, pegaria mal. E eu não tenho motivo para me declarar.

- Claro que não, você só o ama. Motivo nenhum. E vocês já se beijaram.

Ela corou com o comentário.

- É, mas… Mas foi tudo culpa sua!

- Admita. Você adorou o que aconteceu.

- Adorei coisa nenhuma!

Ri.

- Ok, ok. Sabe, eu meio que o seqüestrei da casa dele, então seria bom se isso tomasse proporções significativas. – eu me aproximei e me sentei em uma poltrona qualquer.

- O que quer dizer com isso…? – ela parecia receosa. E tinha razão.

- Ele passará a noite aqui. E isso não é um pedido, é um aviso.

- E por que raios eu deixaria?

- Você não tem que deixar nada. Seu irmão já deixou. – e ri de novo. Usar o medo de Tamaki a meu favor era algo muito benéfico.