Ryuu's POV

Ok. Aquilo definitivamente não ia terminar bem. E por que Tamaki-nii deixou que Shou fizesse o que bem queria na nossa casa? Nunca entendi a cabeça daquele loiro com quem compartilho a genética. Como podemos ser irmãos? Ah, enfim…

Sabem o que foi bom? Não aconteceu mais nada no resto do dia. Por 24 horas, eu fui livre e feliz. Ok, isso soou muito gay. E eu acabo de me lembrar de algo… Só não sei se é algo bom ou não… Nekozawa-senpai sabe que eu sou uma garota. Ele realmente sabe. Porque a Shou, em um dia aí, contou para ele. Como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Ótimo, agora temos todo o mundo sabendo disso e, possivelmente, de meus sentimentos anormais e… Femininos. Por que esse meu lado não morreu quando eu achei que tinha? Ódio. Tudo culpa daquela filhinha de papai que é a Shou. E também culpa dela o que aconteceu no dia seguinte…


Shou's POV

Passamos apenas dois dias na casa dos Suou. O dia em que eu apareci com Nekozawa-senpai e o seguinte. No primeiro nada de relevante aconteceu… Já o seguinte foi muito interessante! E acho que nunca vi Ryuu tão vermelha!

Ok, mantendo o foco. Vou contar como foi. Tudo começou quando descemos para o café da manhã de hoje.

Ryuu vinha descendo despreocupadamente as escadas, vestindo o que ela chamava de pijama. Na verdade, era apenas uma camiseta velha e uma calça moletom. Estava na própria casa, afinal de contas. Qualquer um desceria para o café da manhã de pijamas, especialmente se tivesse esquecido que todas as visitas do dia anterior haviam dormido ali…

Quando chegou na porta da cozinha, ela pareceu congelar. Apenas seus olhos se moviam, focando um a um os integrantes do Host Club. Ao pararem em mim, percebi que se estreitaram, mas não liguei. Assim como os outros, apenas esperei para saber o que aconteceria. E então seus olhos focaram Nekozawa-senpai, arrastado convenientemente por mim para a cozinha mais cedo.

Nesse momento, vi o sangue de Ryuu subir extremamente rápido para a cabeça e tão rápido como veio, foi embora. Ela passou de tomate à pálida em questão de poucos segundos. Achando certa graça, mas temendo que ela acabasse passando mal, me levantei e fui até ela, a pegando pelo braço e a levando até a sala. Convenhamos, se ela fosse dizer algo, não ia querer que fosse na frente de todos. Ao menos não na frente de um loiro em específico.

- O que houve, Ryuu-chan? Ficou mais pálida do que já é normalmente. – eu comecei a falar assim que sentamos.

- Isso. É. Tudo. Culpa. Sua. – ela me fitava com os olhos semicerrados e os punhos fechados com certa força.

- Sempre é, sempre é… – revirei os olhos – Mas o que é minha culpa dessa vez?

- Por que raios ele está aqui?! – ela levantou a voz mais do que gostaria, como eu pude concluir ao vê-la cobrir a boca com as mãos e olhar receosa para a porta da cozinha.

- Porque Tamaki-senpai permitiu que ele passasse a noite aqui, oras. Eu disse isso ontem, não? – eu fiz cara de quem não entendia.

- Shou, você não é estúpida. Então pare de agir como se fosse! – ela pôs as mãos no meu pescoço e começou a apertar, mas sem a real intenção de me enfocar. Se quisesse, ela já tinha feito.

- Ok, ok… Só não me mata, valeu? – franzi a sobrancelha – Vocês ainda não se acertaram, só isso… Foi por isso que eu o trouxe aqui. Aliás, quando eu perguntei o que ele sentia por você, ele só baixou o olhar e saiu, constrangido para caramba. Então que tal parar de me enforcar e ir falar com ele? Aproveita que você está com seu pijama sexy. – senti que ela apertou um pouco mais minha garganta enquanto eu ria de meu próprio comentário.

- Você é doida, sabia? – ela acrescentou antes de me soltar – Eu não vou falar com ele e você sabe.

- Se quiser, eu mesma falo. – dei os ombros. Eu podia muito bem fazer aquilo, qual seria o problema?

- Ah, claro. Por que você nem vai ficar insinuando coisas para ele! Até parece que eu vou pedir para você fazer uma coisa dessas!

- E vai fazer por conta própria então…? – eu levantei uma sobrancelha, sem esconder que duvidava daquilo.

Ela não respondeu, apenas se levantou e foi para a cozinha. Eu a acompanhei com o olhar e então fui também. Até a hora do almoço, nada mais aconteceu em relação a isso. Apenas Kaoru me perguntando o que houve entre mim e Ryuu para ela sempre me lançar olhares assassinos. Eu apenas ri e respondi que aquilo era normal.

Na hora do almoço, eu estava na cozinha vendo o que as empregadas estavam fazendo. Aparentemente isso as incomodava, mas eu não estava lá para criticá-las, então apenas continuei observando. Ao menos até um ser aparecer na porta e me chamar.

- Ootori-san?

Era a voz de Nekozawa, o que fez com que eu demorasse um pouco para virar o rosto para ele.

- Ah, diga, Nekozawa-senpai. – eu sorri ao falar. É automático quando estou de bom humor – Quer perguntar alguma coisa?

Ao ver que ele confirmou com a cabeça, me levantei e saí, pedindo licença às empregadas. Pude ver que elas ficaram gratas de alguém me tirar de lá, o que me incomodou de leve.

- Então… O que quer saber? – estávamos subindo as escadas quando perguntei.

- É sobre ontem…

- Ah, sobre o que eu perguntei ontem? – senti que meus olhos começaram a brilhar.

Uma nova confirmação de cabeça me fez seguir em frente.

- O que quer saber? Se for sobre a Ryuu, acho melhor falar direto com ela.

Percebi que ele se encolheu um pouco com meu comentário, o que quase me fez gritar um "que fofo!" alto e estridente. Eles se amam de forma tão tímida! É tão meigo! Ah, certo, foco. Eu me distraio muito quando estou falando de coisas que me empolgam…

- Sabe – eu continuei antes que ele pudesse dizer qualquer coisa –, ela gosta de você. De verdade.

Ele apenas desviou o olhar para mim, sem parecer acreditar muito.

- Olha! Ela está logo ali! Por que não vai falar com ela? – eu apontei para o outro lado do corredor, de onde Ryuu vinha distraída.

Percebi que estávamos quase na porta do quarto dela, então eu simplesmente empurrei Nekozawa-senpai para dentro e fui até minha amiga loira de um metro e meio.

- Ryuu-chan! – eu estava mais feliz do que o normal e ela logo notou.

- O que foi? – ela me fitou com certa raiva.

- Quanto ódio em um coração tão pequeno… Mas então, indo para onde? Seu quarto? Pare de se isolar tanto! – eu estava tentando não deixar óbvio que queria que ela fosse para lá.

- Pare de me irritar tanto e veremos no que dá. – dito isso, ela apertou o passo e entrou em seu quarto.