- A torre. – Sussurrou junto com o pouco que lhe restava de sanidade. Se não estive insana. E o sorriso soprado em seu ouvido confirmava que estava, por que era Malfoy quem estava com ela. Insanos.

Ele a soltou para em seguida puxá-la pela mão. Estava com pressa. Desespero. E antes de subirem o primeiro lance de escada, Malfoy fechou os olhos com raiva pelo chiado autoritário e audível da diretora perto deles. Maldição. Seu membro latejava sob as calças.

- Senhorita Granger, venha até minha sala por favor. – Saiu e Hermione apertou a mão do loiro e o encarou perdida, mais por estar segurando a mão dele do que por outra coisa. Outra coisa ela não sabia o que fazer, mas segurar a mão dele era tão real no momento. Tão estranho. Tão diferente. E pareceu tão errado agora que tinha soltado e esperava que ele dissesse algo. Direcionasse.

- Vou esperar aqui. – Disse enfático. Direto. Seco. E ela afirmou com a cabeça e caminhou. E subiu os degraus antigos e passado para escutar algo que intimamente sabia que não era bom. A muito as coisas não eram boas. Não para ela.

E Draco esperou encostado na parede de pedra fria e seus ossos pareciam molhados pelo tempo que ela demorou. E quando ela apontou no degrau ultimo, ele sabia que não sentiria calor no corpo dela. Maldita diretora. Não hoje.

Ela não disse, e não precisava. As bochechas manchadas de vermelho estragando a harmonia cremosa da pele do rosto evidenciava as lagrimas que escorreram ali. E estragava tudo. E ela respirava profundo, magoada. E ele não sabia o que dizer. Ela suspirou.

- Vou descansar. – Distante e vulnerável. Draco praguejou baixo.

- Quero te ver a noite. – Não adiantava insistir agora e não queria ouvir lamentos, mas irritou-se quando ela negou com a cabeça. De novo. Não era agradável quando apenas afirmavam e negavam sem palavras. Era chato por que precisava mantê-la falando. Focada. – Te espero depois do jantar no mesmo lugar. – E seguiu a direção oposta. Rápido. Irritado.

E ela perdida de novo. Sozinha. E se pudesse sentaria ali mesmo para parar de senti-lo pulsar dentro dela, e tira-lo do corpo febril que se encontrava. Tinha que sentir-se mais culpada do que quente. Mais miserável do que excitada. Tinha que chorar pra voltar a se deprimir. Isto era o certo e queria chorar por não ter vontade. Queria-o e ponto.

...

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Saiu do jantar, ciente do escrutínio descarado de intensos olhos cinzas e de certa figura imponente na mesa dos professores. E essa talvez fosse a decisão mais difícil da sua vida. Se tivesse uma e fosse capaz de decidir algo. Mas diria para ele que não podia mais vê-lo. Ao menos isso. Não tinha como escolher. Não escolhia nada e era indiscutível.

E estava lá e não estava mais tão frio como gostava. O inverno se fora junto com a sensação mínima de normalidade. A sensação diferente que ele exalava e ela lutava pra não gostar. Singular. E quando ele chegou ela continuou olhando para o nada. O escuro da floresta. O vazio. E ele estava sem paciência.

- O que ela disse? – Perguntou sem intensidade, como se não tivesse a mínima importância.

- O que você já sabe. – Ele olhou-a interessado. Resposta estranha e ela virou para ele e o viu questioná-la sem paciência.

- Lamento desapontá-la, mas não sei de tudo. – Ela sorriu e abaixou a cabeça. Parecia desapontada.

- Disse que eu estou louca. – Ele estreitou os olhos furioso de que só agora percebessem o fato. Fato ridículo vindo de quem não estava com ela. Ele estava com ela e queria matar um agora.

- Louca por estar comigo? – Ele esperou até que ela o olhasse de novo e ela não parecia mais confusa.

- Nós não estamos, Malfoy. – Ele riu minimamente e aproximou-se com poucos passos.

- Exato. Mas se foi por isso que te julgaram... – Ele passou um braço possessivo pela cintura dela e ela arregalou os olhos. Ele poderia rir ao compará-la momentaneamente com Lovegood em outra época, mas o momento era precioso e instável. – Não tem por que não estar. – E beijou-a. Duro. Possessivo. Apertando a cabeça dela indelicado até que ela parou de empurrá-lo. Até ceder e corresponder. Por que na verdade os dois queriam.

E quando ele desceu o jeans, junto com a roupa intima dela; ela não reclamou. E a língua dele fodia desavergonhadamente a boca dela com luxuria. Uma violência canalizada para o prazer. E ela gemeu por nunca ter sido beijada assim, e Malfoy não tinha vergonha e nem um pingo de pudor e ela preferia manter os olhos fechados até ele exigir que ela o olhasse. E que olhasse cada coisa que ele lhe fazia.

E quando ele exigiu que olhasse como ele sugava seu sexo, achou que derreteria junto com o corpo e a face em combustão. Duro. Selvagem.

- Fica por cima e me deixe sentir seu sexo me engolindo. – E ela perdeu a fala ao ser encaixada sobre ele e tão vulnerável por instantes. Poucos instantes. Pelo gemido intenso quando ela deslizou pela ponta torcida do penis, ele estava desesperado. E ela poderosa.

E Draco gravou na mente que a próxima vez que transassem, estariam numa cama e não sentindo as costas geladas sobre a capa no chão frio. Frio até ela montá-lo e ele ferver.

Apertou os seios dela com dureza, sugando-os e atormentando com a língua, até ouvi-la gritar baixo.

- OH sim, Granger, assim. – Estava ofegante e excitado. Soltou-lhe o mamilo, embalou-lhe o rosto entre as mãos e a olhou fixamente nos olhos. - É tão apertada. Tão gostosa. Agora foda-me e olhe pra mim.

Ela se balançou sobre ele para tomá-lo mais profundamente ao mesmo tempo em que os quadris de Draco saíam a seu encontro. Olhou-a e de repente sentiu uma opressão no peito. Não sabia o porquê, mas a queria. Queria para ele. Louca ou sã. A queria.

E teve. E os furtivos encontros noturnos se tornaram uma constante nos dias que seguiram. E tê-la era divertido. Era quente. Era malicioso. Era insano.

Ela tinha tudo e nada ao mesmo tempo. Era pura e depravada. Era sábia e ignorante. Era tudo o que ele nunca teve e Draco sempre teve tudo.

E Malfoy a fazia sentir o que nunca sentira. Ter o que nunca tivera. Ser o que nunca fora. E era tudo o que precisava. As diferenças. E mesmo de uma maneira desvirtuadamente irregular, estava feliz.

...

.

- Harry? – Estranhou ver o amigo na escola, e espantou-se ainda mais por parecer uma realidade distante e irreal vê-lo novamente. Passaram-se séculos que recordava a sensação de melancolia ao encontrá-lo. Não sentia-se mais assim e era estranho vê-lo agora. Similar. Depressivo.

- Interrompo? – Abraçou-a com um sorriso amistoso e ela retribuiu. Anotando mentalmente que não repetisse isso, uma vez que Draco poderia interpretar mal. Ele deveria estar dormindo ainda. Era cedo e encontrar-se-iam após o café para primeira aula. Discretos. – Dá uma volta comigo? – Ela sorriu. Ainda eram amigos e não negaria. – Você me parece ótima.

- E estou. Acho que estou feliz. – E estava. Estava viva e com o peculiar olhar sedento de quem tem sede do mundo. Algo que só ela tinha. Olhos castanhos vivos e brilhantes.

- Se Rony visse seus olhos estaria radiante. Os olhos que ele não cansava de dizer que era apaixonado. – E a luz neles vacilou um momento. E ela abaixou o olhar com algo doido que pendia ao remorso. Há quanto tempo não se lembrava do ex noivo?

Ele sorriu e ela sorriu. Sem graça.

- E como está Ginna? – Outro assusto por favor. Embora ruivos não ajudavam. Similares.

- Ótima e grávida. – Hermione fez ar de surpresa e feliz. Estaria mais feliz se não tivesse a impressão que Harry falaria em Rony novamente. Não queria sentir-se egoísta e traidora. Não podia. – E não vê a hora de você voltar. Esta com saudades. Todos estamos. – Ela sorriu novamente e disse baixo que também estava. Disse antes de Harry emendar. – E estamos preocupados também.

Ela arqueou uma sobrancelha o encarando.

- Não tem por que Harry. Eu estou bem. – Ele ignorou.

- Eu falei com seus pais ontem. Eles estão bem e também sentem saudades, mas querem que você fique bem. Totalmente. – Ela não sabia onde ele queria chegar. Ela estava bem. – Soube que você se tornou... – Ele procurou as palavras. – AMIGA do Malfoy? – Era aí que ele queria chegar.

- De certa forma sim. Nós temos conversado. – Ela não precisa incluir o que seu pensamento idealizava como amizade. Intima. E as conversas sempre terminavam com gemidos e orgasmos. Quase riu dos pensamentos. – Ele é legal. – Harry fez um bico com os lábios e pareceu refletir, murmurando a palavra 'legal' algumas vezes.

- Não acho muito legal saber que o pai dele 'matou' meu melhor amigo. Você acha? Seu noivo. Lembra?

- Harry...

- E também não deve ser legal não saber se ele se aproximou de você apenas pra mudar sua reputação ou por que queria ser seu 'amigo'.

- Harry por favor. – Ele estava agressivo. Irado e ela perdida e com vontade de gritar. Não queria chorar, mas aquilo tudo doía pra porra. – Não foi o pai dele quem matou Rony e você sabe. Não seja injusto. – Não queria que a voz saísse tão embargada.

- Mas ele estava lá. Viu e não fez nada. Mas parece que você quer esquecer. Eu entendo. – Ele arrastou os pés, afastando o pouco gelo que ainda restava no chão. Pouco. – Vai esquecer de Rony também? Do homem que te amou acima de tudo? E quem sabe de nós também não é? – Estava chorando agora e não conseguia parar.

- Isso não é justo Harry. Eu sempre vou amá-lo. Sempre. Mas...

x

- Olha quem está aqui. Estávamos falando de você Malfoy. De como sua família destruiu o futuro de Hermione. O amor dela. A vida dela. – Ela olhou sobressaltada e Draco estava impassível. Algo diferente no olhar que ela não soube distinguir.

- Tenho certeza que sim Potter, mas não será por muito mais tempo. O semestre acabou e Graças a Merlim nunca mais verei nenhum de vocês.

Doeu. E doeu até olhar de um para o outro. Perdida.

- Draco. Nós estamos... – Não disse por que o desdém na face do loiro impediu que continuasse a frase. A voz baixou junto com a convicção do que Juntos significava. Morreu baixinha e sussurrada. Ela poderia morrer agora também. Seria fácil e menos doloroso. Correu de volta para o castelo. Confusa por não lembrar-se onde estava. Cega pelas lagrimas. Culpada.

E Harry a consolaria e tudo voltaria ao normal.

x

- Você cumpriu sua parte e eu cumprirei a minha. Sua herança estará disponível. – Saiu para procurá-la e Draco engoliu a vontade de mandá-lo ir à merda. Tudo era tão fácil pra alguns e ele tinha desacostumado a isso. Mas ainda era rico e isso deveria bastar no momento.

Amor. A piada que Narcisa contou e ele duvidou minimamente que ela poderia estar certa. Preto e branco e nada alem. Isso era o que conhecia e era fato. Não existem matizes porra nenhuma. E Narcisa era louca.

Olhou distante meio que perdido. Não queria entrar e muito menos pensar nela. Doía.

Duvidou que fosse Potter 'o santo' quem lhe fazia aquela proposta. Menos de doze horas atrás e seu coração quase pulsava de ansiedade por vê-la. Quando Potter o ameaçou se não se afastasse dela, ele quase quebrou seu nariz. E deveria ter feito, mas quem era Malfoy sem dinheiro? O que faria quando terminasse a escola? Riria se tivesse senso de humor. Riria de Narcisa e riria dele mesmo por cogitar seriamente a idéia de apenas ficar com ela. Aceitar as conseqüências das diferenças e deixar as similaridades do destino para o passado. Cogitou. E teria aceitado essa insanidade momentânea até ouvi-la dizer que amava Wesley. O morto. O defunto atormentante que ele lutou para tirar da cabeça dela. Cabeça e coração. Cabeça apenas.

E era ridículo pensar que ele teria o coração dela. Narcisa ridícula e louca por fazê-lo crer que essas porcarias aconteciam. Como se odiava no momento e estava envergonhado. Mereceu. Mereceu por se envolver com gentinha da espécie dela. Gente nojenta e suja.

E passaram poucas semanas até não vê-la mais. Nunca mais. E quando saiu de Hogwarts não olhou para traz. E que as matizes ficassem pra quem acreditasse nelas.


Vinte e três meses ela disse a mulher jovem que enchia seu copo com água. Sorriu triste e a tristeza exalava dela.

- O que faz vinte e três meses Hermione? – Sabia a resposta por que ela contava cada mês desde que fora para lá.

- Vinte e três meses que ele partiu. – Pegou o copo e engoliu o remédio que a jovem colocava em sua mão. Deitou-se e fechou os olhos. Não tomava muitos remédios, mas se não tomasse um para dormir; falava demais e incomodava os outros. Não queria. Não era louca, embora todos diziam o contrario.

Não teve sonhos e era melhor assim. Sem lembranças, sem passado e sem futuro. Uma vida sem dor e quase se sentia feliz. Não ouviu as enfermeiras.

- Pelo menos essa é lúcida.

- Engano. Ela conta os meses, mas está fora da realidade. O noivo morreu a mais de três anos e ela ficou assim. Louca.

- Coitada. – Saíram e o quarto continuou claro. Tudo era claro por ali. Sempre.

...

Harry tentou e tentou fazer o melhor. Pelo menos na sua concepção do que era bom. E certo. E justo se a justiça não fosse deturpada para cada um. E ter Hermione junto com a família seria o melhor para ela se toda aquela lembrança de sofrimento não a fizesse adoecer ainda mais. E Ginna e os cabelos ruivos. E as sardas e todo aquele amor que ela e Harry compartilhavam. Amor e compaixão e sempre que a olhavam era com olhos lacrimosos de dor. Era uma fodida dor que nunca passava para eles. Para eles por que para ela a única dor era em vê-los. E estava com raiva por que era obrigada a conviver com uma dor permanente. Pobre Rony que nunca descansaria em paz. E fez uma prece em pensamento por ele. E Harry depois de uns meses não conseguia mais suportar. Talvez nem ele sabia tudo. E quando disse que ela precisava lutar e procurar ajuda qualificada ela entendeu que nem ele agüentava mais. E ela foi. Ela foi por que estava tão acostumada a ir onde queriam, que decidir por algo diferente era complicado demais. Tinha experiência. E experiência ruim. Voltou a não decidir. E estava bem onde estava. Na neve. No branco. Na sua estação preferida sempre. No inverno ou no inferno. É o mesmo.

E acordou sonolenta como sempre. O remédio da noite era forte e ficaria cansada até a hora do almoço. Tinha o dia todo para ficar no inverno.

...

A cama branca, as vestes brancas junto com as paredes totalmente brancas dava fobia. E observá-la sentada na cama e abraçada aos joelhos, parecendo feliz e serena e em paz; quase o fez voltar atrás. Estavam tão bem. Ambos. Cada um vivendo suas similaridades com o passado. Com o que importava para cada um. Importava?

E ela encostou a cabeça na parede e desenhou algo visível apenas para ela com dedo. Calma e serena. E sorriu. E parecia feliz. Finalmente feliz ali no seu constante inverno branco.

Tomou fôlego e jogou as flores que trouxera no cesto de algum outro louco. Já se passara muito tempo e pensar constantemente nela o deixava doente. Loucura é contagioso. Passado. E virou-se para sair quando alguém o tocou.

- Oi. – Era ela.

- Oi. – Ela estava tão perto e tão morta. Sem cor.

Não sabia o que dizer e talvez não viera até ali para dizer algo. Apenas veio. Curiosidade. Não tinha que dizer nada.

Talvez no fundo quisesse ter certeza no que a transformaram. No que restou. Nas migalhas. Ela parecia sem graça ou apenas não tinha graça alguma para exalar. Vida. E pegou na mão dele coberta por couro negro e caminhou. Um caminho curto de volta para cama e sentou-se do seu peculiar jeito doido. Ele sentou-se na cadeira em frente à cama e viu quando ela alisou o cabelo bagunçado. Tentativa vã de quem ainda sente. Vaidade e vergonha pelo rubor nas bochechas e ele riu. Ao menos agora tinha alguma cor. Ela riu frustrada.

Ele olhou em volta e ela acompanhou o olhar. Não tinha muito que se ver ali embora aquela enfermaria fosse grande. Camas e cortinados brancos e só.

- Alguém ficaria doido num lugar desses. - Tão indelicado e ela riu e parecia tão linda que um nó se formou no estomago dele. Lembrou-se o porquê de estar ali. De ter ido vê-la. – Eu ainda gosto do inverno. – Ela o olhava fixamente, não tão certa de que estivesse falando com ele ou com seus pensamentos ou ilusão. Mas aproveitava. Não era sempre que era tão real.

- Eu acho que não gosto mais. Tudo ficou muito sem graça. Muito igual. É. Não gosto mais. – E olhou em volta novamente. E eles ficaram em silencio um momento quando alguém gritou distante que acendessem as luzes. Devia ter medo do escuro. Irônico. Ela não tinha medo do escuro. Nem ele. Não tinha medo de nada ou tinham? E Draco na própria consciência se perguntou o que realmente fazia ali. Num lugar de loucos conversando com a louca master. Sua louca. E talvez tivesse medo de ficar apenas com o planejado. Com a similaridade de sua planejada e previsível vida. Medo de não vê-la mais. Talvez. Ele suspirou e se remexeu. Ela se exaltou. Perdida e ansiosa.

- Já vai? – Ele se assustou pelo conflito nos olhos castanhos. Olhos não tão mortos desde quando ela o viu. Talvez fosse impressão apenas. Sua mente Slytherin lhe pregando uma peça para convencê-lo que o que viera fazer era o certo. Por que Draco sempre teve o que queria. – Ontem fez vinte e três meses. – Ela respondeu como se ele tivesse a obrigação de saber. O único que tinha que saber.

- Eu sei. – Ela sorriu. Ele sabia tanto quanto ela a falta que sentia.

Vinte e três meses que seus olhares se cruzaram rapidamente quando o expresso deixou Hogwarts. Vinte e três meses que não se viram mais. Vinte e três meses que contam o tempo sem nem ao menos saber por quê. Sem esperança. Sem vida.

- Quando você voltar eu estarei melhor. Eu não estou louca Malfoy, apenas... apenas não quero ficar perto das outras pessoas. – Pareceu convicta ao falar. Sincera. Todo louco é sincero em suas próprias crenças. Draco limpou a garganta e decretou enfático e sincero. E não estava louco. E não ficaria.

- Eu não vou voltar Granger. Isso aqui me da fobia. – Fez uma careta e se levantou. Ela riria dele se não quisesse chorar. Ela queria que ele ficasse. Realmente queria. – E além do mais, mesmo não gostando de muitas cores o inverno passa. Sempre passa. Vamos.

Ela piscou algumas vezes antes de pegar na mão que ele estendia. O couro frio formigou sua mão. Ela não queria que seu coração estivesse palpitando tão furioso. Era uma despedida apenas e ele não ia voltar. Ele disse.

Ela alisou a camisola branca e longa de algodão larga e sorriu minimamente. Uma ultima vez.

- Eu vou até a porta com você. – Já que ele ia que fosse logo então. Puxou a mão dele decidida a levá-lo o mais rápido possível. E ele retesou e puxou-a para si. O rosto entre as mãos enluvadas e ele explicou para o fragmento de mulher que o olhava perdida.

- Você não vai voltar Hermione. Você vai comigo. – E ela sorriu e se não fosse pela droga da camisola e pelo cabelo desgrenhado, ele apostaria que nunca a vira tão normal. Tão sã. Tão viva. Tão Hermione Granger. Tão diferente em toda sua similaridade.

Por que o que realmente importava, eram suas diferenças.

Fim.


N/A – Obrigado a todos que leram, 'favoritaram' e comentaram. Vocês são demais.

E Rê Malffoy espero que tu goste querida. O final não trágico foi sua exigência e como minha amiga secreta tu podia escolher. Bjs.