Nota: peço desculpas pela demora. Tive problemas pessoais e não tinha a mínima inspiração para escrever... De qualquer maneira, quero agradecer pelo apoio! Não deixem de fazer reviews!
Capítulo 03 – Seqüestro
A insanidade lhe parecia cada vez mais tentadora e a realidade algo perturbador. Não agüentava mais ver todos aqueles demônios rodeando-o e ouvir as lamúrias das almas condenadas. Fechou os olhos, ignorando o frio que percorria sua espinha ao sentir que o quarto estava cheio de existências sobrenaturais.
Mas não havia como fugir. Por mais que tentasse, parecia que piorava ainda mais, como se esses espíritos e demônios tivessem uma compulsão por perseguir e atormentar Sam Winchester.
Depois do ataque de sede na cozinha ter chamado tanto a atenção, ao ponto de acordar Dean e Bob, a situação piorou. O caçula estava desesperado porque não sabia mais o que fazer. Estava cansado de tudo aquilo e ter que carregar todo peso nas costas por causa das ações de Mephisto e Azazel.
O grande momento havia chegado e ele havia lutado tanto para proteger as pessoas que lhe eram importantes disso, que nem pensou no que fazer quando tivesse que contar a verdade.
Sua máscara havia caído e restou apenas o rosto de um homem desesperado.
No momento em que Dean e Bob voltaram ao quarto, Sam sentiu vontade de voltar no tempo. Apenas em ver a expressão de desgosto e mágoa nos olhos verdes do irmão, foi o bastante para que qualquer desespero que pudesse existir em seu peito fosse reduzido a nada.
-Dean, eu... –ele tentou dizer, mas foi interrompido.
-Que porra é essa, Sam? –o mais velho parecia furioso. –Vai me contar a verdade ou não?
-Sobre o que? –desejou do fundo da alma estar em outro lugar.
-Não se finja de desentendido. –Dean se aproximou da cama, com o galão de água benta nas mãos.
-O que você vai fazer com isso? –Sam começou a sentir o pavor crescer dentro do peito. –Por acaso acha que estou possuído?
-Acho que é algo muito pior que isso. –o loiro subiu em cima de Sam e o prendeu à cabeceira, amarrando suas mãos acima da cabeça. –Me dá o sal, Bob!
O senhor passou o pacote de sal grosso, como lhe foi pedido. Cortava o coração saber que Sam já não era mais aquele garoto puro que conheceu anos atrás. O sangue de Azazel em contato com a essência de Mephisto, tornou-o algo sombrio e longe de qualquer sombra de humanidade.
Ele estava caminhando lentamente para a transformação em demônio. Era raro um humano virar essa criatura antes de morrer, em todos os casos, suas almas iam para o inferno e depois de ficarem séculos em contato com o mal, virarem demônios.
Isso era algo que Bob nunca havia presenciado em toda sua vida. Contudo, por mais que gostasse de Sam e quisesse que ele ficasse bem, o senhor nunca colocaria seus sentimentos acima do lado de caçador. Bob faria o necessário e sem hesitar.
Dean apertou fortemente as bochechas do irmão, obrigando-o a ficar com a boca aberta, enquanto rasgava o pacote de sal e jogava o conteúdo na garganta de Sam. Ele ficava se debatendo e gemendo de dor.
Não era algo extremamente agradável de ver, mas não permitira que as sombras levassem embora seu irmão. Iria lutar com todas as armas que conhecia para evitar que Sam caísse e a transformação acontecesse.
O caçula sentia que seu mundo havia sido remexido e colocado de cabeça para baixo em questão de segundos. Era extremamente perturbador estar na posição de caça ao invés de caçador.
Ter que passar por todo aquele sofrimento, ter que ver o ódio e confusão nos olhos verdes do irmão era algo dilacerante para a alma.
-Por que isso foi acontecer? –lágrimas começavam a se formar e Dean tentava enxugá-las com a manga da camisa. –Por que você escolheu se tornar um demônio? Apenas para me salvar?
Sam sentiu que também começava a chorar e apenas balançou positivamente a cabeça. Seria capaz de fazer tudo isso de novo, se fosse preciso. Salvaria-o quantas vezes tivesse que fazer.
-Seu idiota! –o loiro o encarava com certa piedade. –E agora? O que vai acontecer com você? Por acaso nunca achou que uma hora eu descobriria?
O sal ardia feito brasa dentro de sua garganta e começava a machucar, fazendo com que sangue começasse a sair pela boca e escorresse pelo canto dos lábios. Sua parte demoníaca batalhava dentro de seu peito para se soltar daquela casca humana. Queria finalmente ser livre.
Bob percebeu que as pedras sal tingiam-se de vermelho e estavam fazendo efeito. Ele jogou um pouco de água benta sobre o rosto de Sam, que apenas conseguiu gemer de dor. Pequenos sinais de fumaça saíram de sua pele, como se tivesse fervido.
Aquilo era uma prova concreta de que a essência de Sam já não era mais humana.
-Não há mais nada o que se possa fazer, Dean. –Bob se aproximou da cama, tentando reprimir a vontade de soltar Sam. –Ele é um deles agora.
-Impossível! –ele não queria acreditar naquela possibilidade. –Não há um meio de reverter isso?
-Acredito que não... –o senhor olhou para o lado, tentando se manter calmo, enquanto passava a mão pela barba castanha.
-Que droga Sammy! –Dean olhou para o mais novo. –O que você foi fazer?
Um estrondo de madeira sendo rachada veio do andar de baixo, chamando a atenção dos três que estavam no quarto. Bob carregou sua arma e lançou um olhar para Dean, como se quisesse companhia para verificar o que acontecia lá em embaixo, até porque, não teria nenhuma maneira para Sam fugir, ele estava fraco demais.
Eles desceram cautelosamente as escadas antigas, com as armas prontas e carregadas. Encontraram dois homens e uma mulher parados no meio da sala, observando a sua volta.
-O que vocês querem na minha casa, seus malditos? –o cinquentão perguntou áspero, apontando a arma para o trio.
-Ora, se não é Bob Singer? –a mulher virou-se para encará-lo. –Você é uma lenda viva...
-Quem vocês são? –Dean ficou ao lado do amigo, não deixando de encarar pausadamente cada um dos invasores.
-Somos demônios. Isso já esclarece tudo, não? –ela sorriu maliciosamente, enrolando uma mecha do cabelo loiro entre os dedos longos. –Vamos meninos, temos trabalho a fazer aqui.
Com um simples movimento de sua mão, uma força invisível prendeu os dois humanos contra a parede. Era algo contra o qual não a mínima chance. O trio aproveitou que eles estavam imóveis e subiram as escadas, até o quarto onde Sam estava amarrado.
No momento em que ele viu os intrusos entrando, tentou com todas as forças que tinha se libertar do lençol que amarrava suas mãos e o impedia de agir. Mas era inútil, estava cansado e machucado. Quanto mais se movimentava, mais o sal machucava sua garganta e mais sangue escorria pelos lábios, descendo até o queixo.
-Nossa! Nunca pensei que te encontraria numa situação tão humilhante, Sam! –a mulher sentou-se na cabeceira da cama, sendo o mais irônica que conseguia. –Que situação horrível né? Mas eu prometo que vou dizer que resistiu contra nossa investida, tudo bem? Vai ser nosso segredinho...
Ela levantou-se e os dois homens soltaram os nós que prendiam o lençol na madeira da cama, mas não desfizeram aqueles que mantinham os punhos de Sam atados. O envolveram no mesmo lençol, numa espécie de camisa de força, impedindo qualquer movimentação dos braços dele.
Os quatro desceram as escadas, passando por Bob e Dean, que ainda estavam presos à parede.
-SAM! –o irmão berrou, tentando chamar a atenção do caçula. –Eu vou te salvar, confia em mim!
-Me desculpa, Dean... –ele encarou-o no fundo dos olhos e depois baixou a cabeça, seguindo os demônios para fora da casa.
Assim que eles saíram, a força invisível que mantinha o jovem e o senhor de meia idade presos, se desfez e caíram no chão.
-MERDA! –o loiro berrou, esmurrando o assoalho de madeira.
