Nota: mais uma vez, peço desculpas a vocês, leitores! Como comentei no último capitulo, tive uns problemas pessoais e realmente não tinha a mínima inspiração. Mas aos poucos estou superando isso e aqui está mais um capitulo! =D

Agradeço a compreensão e queria pedir que continuassem lendo. As reviews têm me ajudado muito, obrigada a todos vocês!

Capitulo 04 – Ódio

Não tinha motivos para lutar, seria idiotice. Tornaria as coisas ainda mais difíceis do que já estavam e não era essa sua intenção. No instante em que seus olhos captaram a presença daquelas três figuras demoníacas entrando no quarto, sabia que seu destino estava começando a agir.

O que ele mal sabia era que os acontecimentos tomariam uma velocidade insana...

Sam foi carregado para fora da casa de Bob e jogado dentro de um carro esportivo escuro. A mulher sentou-se ao seu lado, enquanto os dois homens ficaram na frente. O carro saiu da cidade e ficou horas rodando pelas estradas federais. Como já estava muito escuro do lado de fora, Sam não conseguia deduzir para onde estavam indo e isso o preocupava.

Mas o que no fundo o deixava mais aflito era saber que seu irmão era louco o suficiente de ir atrás dele, mesmo não sabendo onde ele poderia estar. Não desejava que Dean se envolvesse ainda mais nessa história.

Foi o caçula quem fez o contrato com Mephisto, trocando sua humanidade pela liberdade do mais velho. Ele tentou esconder que não havia dado certo, porém, de alguma maneira Dean iria suspeitar, uma vez que não iria morrer no dia que seu contrato com o demônio da encruzilhada fizesse um ano.

Sam não pensou nisso e apenas tentou esconder o fato de que estava se transformando em um demônio. E falhou miseravelmente. Uma hora ou outra sua farsa seria descoberta e sua máscara cairia por terra, exatamente como aconteceu.

O terror que sentia crescendo foi maior do que qualquer coisa e se desesperou quando viu todos aqueles espíritos baixos e imundos lhe perseguindo, suas lamurias dia e noite. Além da presença diabólica e horrenda dos demônios, que insistiam em não esconder suas verdadeiras faces, aquelas que os humanos sempre temeram.

Isso acontecia somente com Sam, apenas ele via e ouvia coisas vindas das profundezas do inferno e fez com que ele pirasse. A dor de cabeça estava fazendo com que ele perdesse sua calma e tivesse um ataque histérico, como teve na cozinha.

O pior de tudo era incerteza do que ocorreria dali para frente, uma vez que Dean se sentiu traído pelo próprio irmão. Será que ainda haveria alguma forma de superar isso? Será que seria capaz de perdoar e aceitar a realidade?

—X—

Dean estava em estado de choque, simplesmente invadiram a casa e levaram seu irmão embora. Seu querido irmão caçula, de quem ele cuidou sua vinda inteira até ali. Sentiu-se vazio e idiota.

Idiota porque não foi capaz de protegê-lo quando ele mais precisava e por ter sido extremista. O que Sam tinha feito foi apenas tentar ajudar, fazer com que não perdesse seu irmão para sempre no inferno.

Mas ao invés de tentar entender isso e procurar um meio de reverter a situação, resolveu agir como seu pai. Dean simplesmente ignorou que a pessoa quem ele amarrou na cama e jogou sal na boca era seu pequeno e indefeso irmão mais novo.

Deixou que seu instinto de caçador falasse mais alto e tratou Sam como uma aberração, um demônio qualquer. E foi pensando nisso que ele caiu de joelhos no chão, com lágrimas nos olhos.

-Sammy... –ele passou a manga da camisa pelos olhos, secando o rosto.

-Vamos atrás deles, levanta. –Bob segurou o braço do mais novo e o levantou à força. –Ele precisa de nós.

Juntaram todos os aparatos que acharam necessários e entraram no Impala. O senhor de meia idade tinha um tabuleiro de Ouija no colo e tentava saber através dos espíritos antigos onde Sam poderia estar.

-Ele... –Bob continuava com dedos indicadores no ponteiro de madeira. –Está indo para o cemitério do portal.

-Cemitério do portal? –aos poucos o sangue parecia gelar dentro das veias do loiro. –Por acaso é aquele onde tem o portal para o inferno?

-Acho que sim... –o mais velho guardou o tabuleiro na mala. –Eles só falaram isso.

-Estamos fudidos. –Dean constatou, enquanto aumentava a velocidade do carro.

-Se não chegarmos a tempo, não sei do que eles serão capazes de fazer.

—X—

-Para onde vocês estão me levando? –Sam tinha vontade de matar os três demônios que estavam no carro com as mãos nuas.

-Aonde você tinha que estar esse tempo todo. –a mulher respondeu, passando a mão pelos cabelos castanhos do refém. –Por acaso já te falaram que você tem um cabelo lindo para um homem?

-Vou quebrar a sua cara, vadia. –ele retrucou, sentindo um ódio imenso crescendo no peito.

-Até parece, você está assustado demais para isso. –a loira segurou o cabelo dele com força, puxando o rosto para perto dela. –Acho melhor parar por aqui, "machão". Você não gostaria de me ver irritada de verdade.

Seus olhos azuis de repente ficaram vermelhos e as pupilas se estreitaram. Ela deu um tapa com as costas da mão no rosto de Sam, deixando uma marca em sua pele. O silêncio reinou absoluto e durou até chegarem ao destino.

Assim que desceram do carro, o caçador pôde sentir um calafrio percorrendo sua espinha. Estavam no cemitério onde havia o portal para o inferno. O lugar ficava localizado em um ponto estratégico e por isso havia sido lacrado com uma poderosa magia que repelia qualquer demônio de se aproximar do portal.

O problema foi quando Azazel quebrou esse encanto e conseguiu atravessar a barreira. A chave para abrir o portão infernal era colocar o Colt na fechadura e desativar as trancas especiais.

-Vocês podem até chegar perto, mas nunca vão abrir o portal. –Sam disse, tentando enxergar nessa possibilidade uma luz.

-Acha mesmo que precisamos do Colt? –ela o encarou, sarcasticamente. –É, vejo que não se fazem mais caçadores como antigamente.

-O que quer dizer com isso? –o humano ficou irritado, sentindo o coração pulsar mais forte dentro do peito.

-Espere e verá, querido. – disse desdenhosamente, andando acompanhada dos outros dois demônios.

O quarteto atravessou o cemitério, contornando as lápides e chegando ao centro do lugar, que era ocupado por um velho jazido. Mas não havia nenhum morto em seu interior.

Era apenas uma porta de ferro entrelaçado, coberto por símbolos antigos e a fechadura possuía a forma de várias estrelas sobrepostas dentro de um círculo, no meio havia a entrada para o cano do Colt.

Antes que a mulher forçasse Sam a se ajoelhar, pediu para que os dois homens cortassem e jogassem fora o lençol que o mantinha preso. Logo após isso, ela retirou um punhal, cuja lâmina era entalhada com inscrições antigas e cortou a palma da mão de Sam.

Esperou que uma pequena poça de sangue se formasse na região e esfregou o corte no portal, lambuzando a fechadura com o liquido vermelho. Ela também repetiu a mesma ação, seguida pelos demônios, que não deixavam Sam de lado.

A mulher levantou o punhal e começou a recitar as palavras em latim que o caçador conhecia desde novo. E foram essas mesmas palavras que começaram a ativar o mecanismo que lacrava o portal.

O ferro se contorcia na direção contrária, se desfazendo e revelando uma luz avermelhada saindo das fendas que começavam a surgir.

-Meu Deus... –ele sussurrou, olhando incrédulo para a passagem que se formava diante dele.

-Não fale Nele aqui, é uma blasfêmia. –a mulher comentou, esperando ansiosamente pela abertura total.

Após alguns segundos, o portal estava aberto e se assemelhava a um poço escuro e seu fundo parecia emitir uma luz avermelhada que Sam nunca viu antes. O cheiro de enxofre era tão grande que ele chegava a lacrimejar e sentir dificuldade para respirar.

Os dois demônios o forçaram a ficar de pé, enquanto a chefe guardava o punhal ritualístico dentro do casaco.

-Está na hora de você ir para o inferno, literalmente. –ela disse, segurando-o pela gola da camisa. –Esse sempre foi seu lugar.

Empurrou-o até a beira e atirou o humano dentro do portal. Sua gargalhada de satisfação ecoava monstruosamente, enquanto ele caia.

Nesse meio tempo, Dean e Bob chegaram ao cemitério. O loiro caiu correndo com toda força que possuía, com o Colt carregado e preparado. Não deixaria que aqueles demônios baratos se aproveitassem dos poderes do seu irmão.

-Tá rindo do quê, sua vadia? –perguntou, apontando a arma em sua cabeça.

-Seu irmão acabou de ir para o inferno. Chegou tarde demais dessa vez...

Não houve hesitação, remorso ou qualquer dúvida. Dean descarregou uma bala no meio da testa da mulher e assim que ela caiu morta, fez o mesmo com os outros dois homens.

-O que fazemos agora Bob? –ele guardou a arma no bolso da calça.

-Acho que devemos entrar e tirar o Sam daí. –o senhor barbudo se aproximou da beirada e olhou para baixo.

-Mas e para voltar? –passou a mão pelo cabelo loiro.

-Acho que eu conheço um meio de escapar, pode não dar certo. –Bob encarou o mais novo.

-Vamos fazer o seguinte, você fica aqui do lado de fora, para impedir que o portal se feche. –Dean colocou as mãos no ombro do amigo. –Eu vou buscar Sam e trazer ele de volta.

-Apenas prometa que não vai demorar, você sabe que eu odeio esperar. –ele sorriu, aquela era sua forma de se despedir.

-Já volto, Bobby.

Dean respirou fundo, pegou sua mochila e se jogou dentro do portal. A falta que seu irmão fazia era tanta que não podia ficar mais nem um segundo longe dele. Era seu dever, desde quando o caçula estava no útero de Mary, cuidar para que tudo desse certo com seu irmãozinho menor.

Sentir que falhou durante algum momento de sua vida, era algo revoltante. Protegia Sam desde os quatro anos de idade e não seria depois de burro velho que iria cometer o erro de deixá-lo ir embora. Não mesmo.

Um era a família do outro, não tinham mais ninguém nesse vasto mundo de seis bilhões de pessoas. Eles eram os últimos Winchester do planeta e só podiam contar com eles mesmos.

Parecia que a queda não tinha fim e isso começava a deixar Dean angustiado. Quando menos esperava, acabou se chocando com algo sólido e sentiu muita dor, percorrendo o corpo todo.

Demorou alguns segundos para perceber que tinha caído no chão de algum lugar. Ao levantar-se e olhar ao redor, notou que era uma casa abandonada.

-Mas que merda de lugar é esse? –falou em voz alta. –Isso que é o inferno?

Por mais incrível que pareça, o lugar parecia ter sido queimado e se tornado carvão. Os móveis, roupas, tudo o que se possa imaginar que existe numa casa estava completamente queimado e transformado em carvão.

O calor ainda podia ser sentido, como se o fogo tivesse consumido os objetos há pouco tempo. Antes de deixar a casa, Dean carregou sua arma com balas de sal e saiu.

Ele não acreditou no que viu, parecia algo irreal que existia apenas nos filmes apocalípticos que Hollywood lançava de vez em quando. Para onde quer que olhasse, estava tudo sendo devorado pelas chamas.

Mas a cor do fogo era completamente diferente do que já havia visto na Terra. As bordas eram azuis claras e conforme se aproximavam do meio da chama, se tornava roxo escuro.

De fato, para onde quer olhasse, tudo lembrava o mundo dos humanos. As contruções, casas, carros, árvores... Porém tudo sendo consumido por esse fogo estranho. Por mais que ele queimasse, era como se a matéria queimada fosse recomposta automaticamente e continuava queimando, num eterno ciclo ígneo.

Antes que pudesse ver com mais clareza como esse fogo era, sentiu que estava sendo observado. Ao girar o corpo para trás, percebeu que havia uma legião de demônios andando pela rua.

Eles se assemelhavam a humanos deformados, cujas peles possuíam aspecto de putrefação no nível mais alto, com pedaços caindo. Seus rostos eram parecidos com retratos imóveis de expressões de raiva e ódio.

Foi naquele momento que Dean sentiu um forte calafrio percorrendo seu corpo. Então era nisso que os humanos que vinham ao inferno se transformavam. Jurou a si mesmo que não deixaria Sam se tornar em algo tão repulsivo.