Nota: Estou com febre de 38 graus, então, por favor, não liguem se tiver alguma parte viajante... Também queria deixar claro que não estou tomando nenhum partido religioso nesses capítulos que virão. Isso é apenas uma fic, escrita para entretenimento!

Gazi – obrigada por continuar lendo e estar gostando! Espero que a fic esteja realmente do seu agrado!
Mary – valeu por todo o apoio que você me dá, maninha. É muito importante para mim!

Capítulo 05 – Fogo

Por acaso já andou de montanha-russa? Ou teve aquele sonho de estar caindo de um prédio? Então deve conhecer a sensação de vácuo dentro do estômago que sentimos, como se tivesse um buraco dentro de nós.

Era exatamente isso que Sam sentia enquanto caia, parecia que nunca iria acabar. A agonia crescia de uma maneira tão ameaçadora, que ele fechou os olhos com força e desejou estar em outro lugar, muito longe daquilo tudo. Por que as coisas tinham que ser tão complicadas? Será que não podia ser apenas mais um caçador por aí?

Quase que instantaneamente, seu desejo se concretizou. Sentiu que havia parado de cair e que agora estava em outro lugar. Foi neste momento, que ele levantou as pálpebras lentamente, com medo de estar errado e sua boca se abriu de espanto.

Sam não fazia a mínima idéia de onde poderia estar, mas de uma coisa tinha certeza: o lugar era extremamente luxuoso, como nunca viu antes na vida. O que cativou sua atenção, num primeiro momento, foi o gigantesco lustre de cristal no meio da sala.

Notou também que havia correntes de pérolas decorando o lustre, em volta dos castiçais onde as velas ficavam. Depois, ele voltou seu olhar para observar mais atentamente a sala em si. Percebeu que estava sentado num trono, na cabeceira de uma enorme mesa.

A louça era de porcelana e muito delicada, com arranjos florais pintados à mão. A toalha branca de linho nobre, além das taças de cristal minuciosamente limpas e os talheres de prata pura.

Sam não conseguia observar sem sentir-se submisso aos detalhes de cada objeto à sua frente. Era tudo muito diferente do que esteve acostumado sua vinda inteira. Motéis baratos, comida de lanchonete e lugares simples: isso fazia parte da sua rotina.

Agora, estar em uma sala de jantar tão rica assim só poderia acontecer em sonho.

Depois de notar que perdeu vários minutos olhando cada detalhe do que estava perto de si, que ele resolveu levantar o olhar e assim ter uma visão da mesa. Foi então que viu um homem sentado do outro lado, na cabeceira. Havia cerca de oito cadeiras entre os dois.

-Vejo que finalmente percebeu minha presença, Sam. –o estranho disse, pegando o guardanapo de seda e colocando sob o colo.

-Quem é você? –ele perguntou, sentindo-se um verdadeiro idiota por não ter reparado antes. –Onde eu estou?

-Cada pergunta no seu devido tempo. –arrumou os talhares e só então levantou o rosto.

Mais uma vez o queixo de Sam caiu, dessa vez por causa da beleza desumana que o homem possuía. Até mesmo o ser mais heterossexual do planeta não resistiria ao seu lindo rosto.

Era algo indescritível de tão perfeito que era, a verdadeira imagem da androgenia. Contudo, de alguma maneira, ele não perdia o ar masculino. O caçador se recompôs e tentando não aparentar tanto sua surpresa.

-Então, Sam... –ele disse, sua voz era mansa. –Vou responder suas perguntas. Chamo-me Lúcifer e você está no lugar mais profundo do Inferno.

-O que?!

-Isso mesmo que você ouviu. –os lábios formaram um sorriso. –Bem-vindo à sua nova casa. –Lúcifer fez um gesto amplo com as mãos, indicando a sala.

-Mas... –Sam sentia as palavras morrerem na garganta. –Eu não tenho nada haver com isso! Meu lugar é junto ao Dean.

-Claro, concordo com você, sem dúvidas. Você deve ficar ao lado do seu amado irmão. –ele franziu as sobrancelhas e balançou a cabeça positivamente. –Porém, a partir do momento que fez o pacto com Mephsito, deixou de ser humano.

-Eu... –as lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto. –Só fiz isso para protegê-lo.

-Sei como se sente, na verdade eu passei pela mesma coisa. –o anjo caído levantou-se da mesa e começou a andar pela sala, com as mãos cruzadas nas costas.

Foi neste momento que o humano sentiu um arrepio percorrendo a espinha. Não cansava de admirar a beleza estonteante daquela criatura angelical e demoníaca ao mesmo tempo.

Sam nunca tinha visto olhos de um azul tão intenso como aquele, protegidos por longos cílios, assim como o negro dos cabelos ondulados que iam até os ombros e os lábios levemente rosados.

Ele vestia um terno de alta costura branco, que realçava ainda mais sua aparência e lhe conferia uma aura de paz e pureza.

-Eu, por exemplo, aceitei ser o símbolo de tudo aquilo que é ruim apenas para cumprir meu papel. –havia certa mágoa na sua voz. –Por amor ao Pai.

-Não tente me convencer de que você é a vítima da história. –Sam foi bem claro, fechando os punhos.

-Cada um tem seu ponto de vista. Se, no momento que você coloca a culpa em mim por todos os seus problemas, faz com que se sentia melhor, por mim tudo bem. –Lúcifer voltou o rosto para o humano. –Agora, saiba que se está enfrentando esses problemas, foi porque um dia procurou por isso.

-Eu nunca desejei me tornar a aberração que sou! –ele se exaltou e aumentou a voz. –Azazel foi até o quarto e sangrou na minha boca!
-Verdade, isso você não pode controlar. Mas no momento que aceitou a proposta de Mephisto, sabia dos riscos e mesmo assim quis!

-Eu...

-Não tente se enganar, assim as coisas ficam mais difíceis. –o anjo ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha. –O destino de Dean era vir para o Inferno, pagar pelo que pediu. Você não pode mudar isso.

-Como assim? –ele sentiu toda sua coragem se dissipando conforme as palavras saíam daquela boca perfeita.

-Dean veio até aqui para te resgatar. –Lúcifer se aproximou do caçador, seus rostos a milímetros de distância. –Será que não percebe que de uma maneira ou outra, o destino dele se completou? Ele está no Inferno.

-Mas a situação é diferente. –tentou se agarrar nessa idéia.

-Pode até ser, contudo, mesmo assim o tratado se cumpriu. Ele está aqui e vai ter que pagar. Mesmo que Dean tenha vindo para te salvar.

Ele sorriu maldosamente, relevando seu lado cruel. Toda a beleza que possuía se transformou em algo maquiavélico.

-Eu ainda não esqueci a dívida que Dean tem comigo.

—X—

O homem loiro sentiu o suor escorrendo pelas têmporas, conforme os demônios se aproximavam. Eram muitos, pensou que não daria conta, mas lá no fundo do seu coração, lembrou do rosto assustado do irmão caçula e seu desespero, pedindo ajuda.

Dean sempre acabava acobertando Sam e limpando a merda que o outro fazia. Desde quando eram apenas crianças, o mais velho recebia broncas por coisas que não tinha feito. Mas aceitava de cabeça baixa, achando que Sam não merecia passar por aquilo.

Muitos podem dizer que isso é super proteção. Porém, Dean não conseguia sentir outra coisa. A morte da mãe foi algo chocante, que sempre marcou suas vidas. Por isso, acreditava que era melhor proteger Sam do mundo, para que ele não tivesse que sofrer.

A situação estava crítica e não fazia a menor idéia do que poderia fazer. Engatilhou a arma e se preparou para disparar insanamente. Seu coração batia no ritmo normal dentro do peito, Dean respirava de forma controlada.

A adrenalina poderia inibir um raciocínio eficaz contra aquelas criaturas infernais. Eles correram na sua direção vorazmente, a saliva negra e densa como petróleo escorrendo pelo canto os lábios rachados e purulentos.

O humano sentiu que estava preparado e começou a atirar em várias regiões, nos demônios que estavam mais próximos a ele. Neste momento, uma forte luz azul-escuro cegou seus olhos verdes e Dean foi obrigado a se abaixar, para proteger sua vista.

Assim que a luz cessou, ele ficou ereto e não acreditou no que viu. Havia uma criança de aparentemente seis anos, no meio da estrada, vestindo uma túnica preta, com um grande capuz. Seus brancos olhos cegos encaravam-no friamente.

-Oi. –a criança disse, seu semblante sério e sem emoção alguma.

-Oi... –Dean respondeu, engolindo a seco.

-Pode me chamar de Eon. –continuava parado, as mãos estendidas ao longo do pequeno corpo.

-Então, Eon, muito obrigado pela ajuda. –o loiro se aproximou, tentando parecer o mais amigável possível.

-Brinca comigo. –ele abaixou o capuz, revelando cabelos vermelhos como sangue, com o mesmo corte de Sam quando mais novo. –Agora.

-Olha, eu até queria, mas não tenho tempo. –Dean se abaixou, ainda segurando firmemente a shotgun e com a mochila nas costas. –Prometo que vamos brincar depois.

-Eu disse agora!

Antes que o jovem pudesse esboçar qualquer reação, sentiu o corpo enfraquecer e caiu de quarto no asfalto. Uma dor aguda percorria todos os seus órgãos e o gosto de sangue veio até a boca.

Eon se aproximou e tomou o rosto de Dean com suas pequenas mãos.

-Quando quero uma coisa, ninguém diz não.

-Você é foda, hein?! –rosnou entre os dentes, com raiva. –Seus pais não lhe ensinaram a ter educação com os mais velhos?

-Eu não tenho pais.

-Essa juventude de hoje em dia está perdida. –revirou os olhos, impaciente. –O que vai fazer comigo?

-Primeiro vamos para a minha casa, lá nós vamos brincar.