Nota: eu escrevi esse capitulo ouvindo "Rammstein – Mein Teil", se quiser eu recomendo, ajuda a entrar no clima dark da fic. Queria deixar claro que sou contra forma de Nazismo e tortura.
Capítulo 06 – Dor
Eon encostou os dedos indicador e médio na testa de Dean e o transportou para sua "casa". O loiro ficou abismado ao olhar no seu redor e perceber estar no que parecia ser a masmorra de um castelo medieval.
O lugar se assemelhava mais a uma sala de tortura, com todos os tipos de dispositivos arcaicos para sofrimento alheio, desenvolvidos pela humanidade. Neste momento, o humano notou qual era a brincadeira que a criança desejava que ele participasse.
-Você vai me torturar, é isso? –Dean foi logo ao assunto, bufando.
-Sim. –sua expressão continuava vazia.
-Você é definitivamente estranho para uma criança. –ele abriu e sacou sua shotgun.
-Eu não sou uma criança, apenas possuo a aparência de uma. –Eon respondeu secamente, enquanto se aproximava do loiro.
A criança extremamente ruiva possuía finalmente uma expressão em seu rosto desinteressado, mas Dean não gostou do que viu. Os olhos cegos bem abertos na direção dos seus e a boca se retorcendo num sorriso psicótico.
-Eu não posso perder tempo com você, preciso procurar por Sam. –o humano carregou a arma.
-Não adianta, ele está com Lúcifer. –o demônio respondeu, ficando sério. –Tenho ordens de prendê-lo aqui até que pague pelo que desejou.
-O que?! –Dean sentiu a arma escorregar de suas mãos. –O que disse?
-Lembra-se do contrato na encruzilhada? Você ainda não pagou o preço. –ele se aproximou lentamente.
-Pouco tempo antes da minha morte, Sam fez um acordo com Mephisto. Eu estaria livre do contrato e ele se transformaria num demônio a seu serviço. –Dean ergueu uma das sobrancelhas desconfiado. –Não há nada para pagar, estou livre.
-Tem certeza? –Eon não conseguia sorrir, seus lábios apenas se retorciam em algo medonho. –Acho que Mephisto lhe enganou.
-O que quer dizer com isso, sua criançinha demoníaca? –o loiro começou a perder a paciência.
-Um contrato não anula outro, isso é impossível. –a criança ruiva sentou-se em uma cadeira duas vezes o seu tamanho, ficando com os pés longe do chão. –Ou seja, você ainda está devendo.
-Mas eu não morri! –Dean disse entre os dentes, sentindo a raiva crescer dentro do peito.
-Porque o dia de sua morte será amanhã. –Eon ficou balançando os pés, olhando perdidamente para eles. –Não mudou nada. Você ainda deve sua alma e só veio para o inferno antes do tempo, agora seu irmão é um demônio.
-Puta que... –lágrimas começaram a correr pela face angustiada do humano. –Não acredito!
-Estou apenas lhe contando a verdade, você foi enganado. –ele levantou o rosto, parecendo estranhamente feliz. –Mas o melhor de tudo é que você vai poder brincar comigo...
Eon bateu duas palmas e o som ecoou pelo salão de pedra. Uma cadeira elétrica antiga começou a se arrastar pelo chão de pedra úmida, se aproximando de Dean. Quando estava perto o suficiente, o garoto estalou os dedos, deixando sua presa completamente desnuda.
Várias tiras de couro saíram da cadeira, prendendo-se aos punhos e tornozelos de Dean, que se debatia freneticamente. Porém, quanto mais ele se mexia, mais as tiras de couro se apertavam ao seu corpo.
Agora ele se encontrava nu, completamente preso a uma cadeira elétrica.
-Sabe, eu gosto de tortura e faço isso desde que nasci. –a criança ruiva disse, descendo da cadeira gigante e dando alguns passos na direção de Dean. –Mas vocês humanos continuam me surpreendendo.
-Há, essa é boa. –ele retrucou azedo, sentindo um frio percorrendo o corpo.
-Mesmo sendo criações diretas de Deus, conseguem ser extremamente maus, fazendo seus semelhantes sofrerem punições horrendas. –Eon passou suas pequenas mãos pelo rosto de sua vitima, forçando-o a olhar na sua direção.
-E o que você pretende fazer comigo? – Dean engolia a seco, tentando disfarçar seu medo.
-O mesmo que os nazistas faziam com os judeus. –o garoto se afastou, dando alguns passos para trás.
Antes mesmo que pudesse até mesmo piscar, seu corpo foi invado por uma descarga elétrica intensa. Cada célula sentiu o impacto do choque. A língua se enrolou no fundo da boca, a saliva escorria pelo canto dos lábios repuxados.
Os dedos dos pés e das mãos se contraíram, suas extremidades começavam a necrosar. Enquanto que, o corpo tinha espasmos musculares fortes, as costas se debatendo agressivamente contra a cadeira.
A sessão de choques acabou tão rápido quanto começou. Dean ficou parado, olhando para o horizonte, sem qualquer pensamento na cabeça. Nem mesmo a dor sentia mais, parecia que ela o havia abandonado no momento que entrou naquela câmara de tortura.
-Já está cansado? A diversão mal começou...
Foi a última frase que o humano escutou antes que tudo ficasse escuro e perdesse a consciência.
—X—
-Liberte o meu irmão! Eu faço qualquer coisa! –Sam estava tão desesperado de levantou-se do trono.
Lúcifer ficou apenas encarando friamente o humano a sua frente. Por mais que conhecesse aquelas criaturas criadas pelo seu Pai, não conseguia entender porque as emoções dele eram tão profundas e confusas.
Toda vez que seu olhar cruzava com os olhos verdes de Sam Winchester, sentia-se tragado para um oceano de sentimentos. Ao mesmo tempo, ele conseguia perceber a alegria ao lado da tristeza, amor junto com ódio... Era sufocante notar todas as dualidades que aquele ser aparentemente simples possuía.
-Não acha que está se enrolando demais? –o anjo virou-se de costas, fingindo admirar um quadro na parede.
-Dean é tudo para mim. Faço qualquer coisa para vê-lo bem. –ele respondeu corajosamente, tentando se aproximar.
-Por que você tem tanta certeza que vale arriscar seu pescoço?–Lúcifer encarou-o novamente, levantando a sobrancelha, incrédulo.
-Eu o amo e isso basta. –Sam não cedeu e encarou a criatura sobrenatural.
-Será que ele sente o mesmo amor que você? –por mais que tentasse, ele não conseguia perceber qual era a idéia que os humanos tinham sobre o amor.
-Nos amamos de forma diferente, mas no fundo o que importa é que somos irmãos. –o caçador aliviou a expressão ao abrir seu coração e finalmente falar o que sentia. –E ninguém pode tirar isso de nós.
-Muito bonito todo esse discurso de amor e irmãos, Sam. –Lúcifer tirou as mãos do bolso e revelou que usava luvas também brancas. –Mas infelizmente não vai salvar nem a você ou seu irmão.
-O que quer dizer com isso? –Sam sentiu um frio percorrendo sua espinha e se espalhando pelo corpo.
-Você deve percorrer o caminho que lhe foi dado e o seu irmão o dele. –o anjo tirou as luvas lentamente, não deixando de encarar o humano a sua frente. –Vou libertar o demônio que existe dentro de você.
Com uma velocidade surpreendente, Lúcifer encostou a mão no rosto de Sam. Um forte clarão tomou conta da sala e tudo ficou branco.
Apesar de estar com os olhos fechados, Sam sentia que não estava mais na sala luxuosa, porque seus cabelos movimentavam-se por causa de uma brisa suave. Assim que abriu os olhos, notou que estava em um quarto.
O cômodo seguia a mesma linha de decoração da sala. Uma cama enorme jazia no meio do quarto, com cobertas de tecido fino e travesseiros forrados com pena de ganso. As cortinas de seda esvoaçavam embaladas pela mesma brisa que brincava com cabelos de Sam.
-Onde estamos? –perguntou, sentindo a garganta seca.
-Nos meus domínios, é tudo que precisa saber por enquanto. –o outro respondeu, ficando no campo de visão de Sam. –Como eu te disse, vou libertar o demônio que existe dentro de você, assim poderá viver com a paz interior que tanto deseja.
-E como descobriu que desejo paz interior?
-Vocês humanos são criações simplórias e previsíveis demais aos meus olhos. –Lúcifer comentou, como se fosse natural. –Por mais que tentem se saciar, nunca conseguem o que tanto procuram...
O anjo ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha e levantou seu olhar para Sam.
-Está na hora.
De repente, Sam sentiu-se dominado por uma força estranha. Era como se algo tivesse entrado em seu corpo e tomado o controle. Andou até a cama e deitou-se contra sua vontade, por mais que desejasse outra coisa. De alguma maneira, estava preso à cama e não conseguia se levantar, mesmo fazendo muito esforço.
Lúcifer se aproximou da cama, sentando-se na cabeceira. Em uma de suas mãos havia um punhal ritualístico bem antigo, com inscrições que eram desconhecidas para o humano. Parecia ser a língua dos anjos.
-Está sentindo aquela sede novamente, não é? –perguntou, seu rosto ficando cada vez mais perto do caçador. –Crescendo dentro de você e não te deixando opção...
Conforme Lúcifer falava, suas palavras penetravam pelo ouvido de Sam e a reação foi instantânea. A sede enlouquecedora que havia sentido na casa de Bob voltou com toda sua força. Todo o corpo parecia suplicar por qualquer liquido. Nem mesmo a saliva era suficiente para manter a boca úmida.
-É horrível sentir isso... –ele continuou falando mansamente. –Sentir que não tem controle sobre suas ações, que essa sede lhe domina e o faz irracional.
Quanto mais ele falava, mais a sede aumentava e Sam sentia que teria um ataque de fúria a qualquer momento. O suor escorria pelo seu rosto, os olhos arregalados e famintos, a língua molhando os lábios repetidamente, o coração batendo acelerado...
-Vou dar um fim a isso tudo, você quer? –Lúcifer possuía um leve sorriso escondido nos lábios.
Sam não falou, apenas acenou positivamente com a cabeça. Não saberia até quando agüentaria aquela situação, estava fugindo do seu controle.
Depois do consentimento do humano, o anjo levantou o punhal e cortou seu braço. Esperou que a ferida tivesse bastante sangue acumulado e encostou o liquido nos lábios de Sam.
Somente o cheiro do sangue seria suficiente para aplacar a sede que o caçador sentia. Mas ainda sim seria muito pouco. Por isso, sorveu a ferida com toda voracidade que tinha, deliciando-se ao sentir o sangue escorrendo pela sua boca até a garganta.
Quando mais bebia, mais o prazer se fazia presente.
O que ele mal desconfiava era que esse caminho não tinha mais volta.
