Capítulo 08 – Flashback

Sam bebeu o sangue avidamente, deliciando-se com o gosto. Parecia néctar dos deuses, algo tão perfeito que o fazia querer mais a cada segundo. Lúcifer ficou vendo o humano em êxtase e quando achou que era o suficiente, tirou o punho da boca de Sam.

-Chega... –disse mansamente. –Agora o demônio que habita dentro de você irá se libertar.

Quase que instantaneamente, o caçador sentiu uma dor muito forte no peito. Havia algo dentro que fazia força para sair e isso doía muito. Percebeu que adquiriu novamente o poder sobre seu próprio corpo, com isso, sentou-se na cama, tentando respirar.

Era como se algo estivesse comprimindo os pulmões e o coração, impedindo-o de pensar com clareza. Enquanto a dor se intensifica, a ânsia de vômito se fez presente e regurgitou ali mesmo na cama.

Mesmo assim, a dor permanecia e sua garganta ardia e um gosto amargo tomava conta do paladar. Ele não fazia a mínima idéia do que poderia estar acontecendo, mas sabia eu não queria ficar naquele estado.

Antes que pudesse falar alguma coisa, seu corpo inteiro se tencionou e Sam deitou novamente na cama, sem desejar. Todos os seus músculos estavam muito rígidos e começava a sentir dor em alguns pontos, principalmente na mandíbula.

-Calma... –Lúcifer pediu, olhando calmamente para o humano, que agora começava a se debater e babar. –Se você deixar sua verdadeira natureza tomar conta, vai ser menos doloroso.

Neste momento, Sam perdeu a consciência e mergulhou bem fundo, dentro de sua mente. Assistiu a todos os acontecimentos mais marcantes que lhe ocorreram até ali, como um filme. Sentiu uma raiva descontrolada quando viu Azazel entrando em seu quarto, quando Sam era apenas um bebê.

Depois que o demônio sangrou em sua boca, os anos passaram voando e voltou ao dia em que infelizmente encontrou Mephisto. Naquele momento, ele e Dean foram enganados, seu irmão ainda teria que pagar pelo contrato que fez.

E agora ele estava lá, no inferno, completamente sozinho. O loiro não fazia a mínima idéia de onde ele foi parar. Sentiu-se sozinho e lágrimas escorreram pelo seu rosto. Não poderia passar o resto de sua vida dependendo do mais velho.

Teria que fazer alguma coisa, ou ficaria preso no inferno para sempre. Foi assim, pensando em Dean que Sam sentiu uma força muito grande crescendo dentro de si, algo que nunca experimentou antes. Sentia que era capaz de qualquer coisa.

Ele abriu os olhos lentamente, ainda zonzo. Virou o rosto e seu olhar cruzou com Lúcifer, que continuava encarando-o.

-É... –o anjo esboçou um leve sorriso. –Estive enganado esse tempo todo.

-Como assim? –ele franziu as sobrancelhas, sem entender.

-Sua natureza é má, você nasceu completamente oposto ao seu irmão. –Lúcifer levantou-se da cabeceira da cama, ficando de pé. –Mas é o amor que você sente por ele que o impede de ceder à escuridão que habita seu ser.

-O que quer dizer com isso? –Sam sentou-se, ainda fraco.

-Você não sucumbiu ao meu sangue, nem sequer se aproximou da transformação! –de alguma maneira, ele parecia chateado, apesar de seu rosto não denotar nenhuma emoção.

-Você queria que isso acontecesse?

-Mas é claro! –o anjo sorriu, abrindo os braços. –Queria que você reinasse ao meu lado.

-Eu nunca faria isso! –Sam levantou-se, tentando usar seu tamanho para intimidar. –Nunca!

Ao ouvir essa declaração, Lúcifer soltou uma risada curta e irônica pelo nariz, balançando negativamente a cabeça.

-Vocês mortais são realmente engraçados... –passou as mãos cobertas pelas luvas através dos fios de seu cabelo negro. –Nenhuma coisa neste mundo dura para sempre. Vocês possuem uma vida tão curta, que chega a ser blasfêmia falar "nunca".

-Foda-se você e sua hipocrisia! –Sam estava começando a fica irritado.

O anjo caído arregalou seus olhos azuis e seu semblante tornou-se furioso. Sam foi apenas capaz de enxergar um borrão branco no lugar onde estaria o braço direito. Lúcifer moveu-se rapidamente, segurando o rosto do humano entre o polegar e os outros dedos, apertando a bochecha.

-Não fale comigo nesse tom, sua criatura insolente! –suas sobrancelhas se franziram e a testa enrugou-se. –Me entendeu?

Sam balançou positivamente a cabeça, sentindo gotículas de sangue saindo das bochechas, pois seus dentes pressionavam e machucavam o interior da boca. Lúcifer soltou-o, largando de joelhos no chão.

-Como eu estava dizendo... –virou-se de costas e passou a andar pelo quarto luxuoso. -O amor que você sente pelo seu irmão te impede de revelar sua natureza, agindo como um selo. Mas sabe o que é mais estranho?

-O que? –respondeu entre os dentes, enquanto massageava o rosto dolorido.

-Não é amor fraternal. –o anjo voltou a encarar o humano. –Você o deseja mais do que um irmão poderia.

-Tem algo contra isso? –levantou uma das sobrancelhas, sem paciência.

-Claro que não! Acredito que todas as forças de amor são válidas. –Lúcifer se abaixou, ficando da altura de Sam. –Só tome cuidado, Winchester. Se esse amor se corromper, você vai se tornar o pior demônio que o mundo já ouviu falar.

O caçador ficou encarando-o sem saber o que dizer. Acabou descobrindo que era mais depende de Dean do que pensava. Precisava dele mais do que nunca para manter sua sanidade e não sucumbir ao seu lado negro.

-Seu amado irmão está aqui para resgatá-lo. –ele sorriu, parecendo realmente feliz. –Mas vou ter que testar esse amor tão grande que sente por ele, preciso saber se é real.

Lúcifer tirou a luva da mão esquerda e um pouco antes de encostar os dedos indicador e médio na testa de Sam, disse:

-Se você conseguir reaver sua memória e provar que o amor que sente por ele é verdadeiro, vocês estão livres do meu reino. Crave a adaga no chão para voltar à Terra.

No instante em que a pele de Lúcifer entrou em contato com a pele da testa de Sam, as memórias do humano se apagaram completamente.

—X—

Sam e Dean se entreolharam, não conseguindo parar de sorrir. Apesar de todas as dificuldades que enfrentaram, estavam juntos mais uma vez. Agora nunca mais iriam se separar.

Eles procuraram Bob pelo cemitério. Encontraram-no perto do mausoléu, com antigo livro de magia, segurando o portal para que este se mantesse aberto. O feitiço que ele usou, fez com que nenhum demônio saísse, mas que todos aqueles que entrassem ficassem presos lá dentro, tirando os irmãos Winchester.

-SAM! DEAN! –o senhor de meia idade berrou de felicidade ao ver seus meninos bem. –Puta que pariu, nunca mais façam nenhuma besteira!

-Eu também adoro você, Bobby. –Dean abraçou o barbudo, tirando seu boné e bagunçando seus cabelos.

-Bobby, obrigado por tudo... –Sam também abraçou o amigo, levantando-o do chão.

-Ok, chega de melação! –ele protestou, pegando seu boné de volta. –Vamos logo embora daqui.

Bob fechou cuidadosamente o portal, colocando outro selo criado especialmente para que evitasse que demônios saíssem. Os irmãos seguiram para o bar mais próximo no Impala, enquanto o senhor de meia idade foi em seu próprio carro.

Enquanto comiam, Sam não conseguiu deixar de ficar encarando o irmão. Ele ria, com a boca aberta cheia de chesseburger, contando piadas para Bob. Não teria coragem de confessar o irmão a conversa que teve com Lúcifer.

Será que um dia poderia finalmente mostrar seus reais sentimentos para Dean? Seria rejeitado? Apenas o tempo poderia responder as milhões de perguntas que invadiam a mente de Sam.

Mas de uma coisa ele tinha certeza: não desejava ter mais ninguém ao seu lado. Apenas Dean o completava e isso nunca mudaria.

~FIM~

Nota: obrigada a todos os leitores que acompanharam a fic! Infelizmente ela chegou ao final, mas espero que tenham gostado! Peço desculpas pelos inúmeros problemas que tive durante a publicação.

Graças ao incentivo de vocês, continuei escrevendo e aqui estamos... OBRIGADA! Até a próxima fic... Deixo um convite para vocês também conheçam minhas outras fics, além das que publiquei de Supernatural. E não deixem de fazer sua review!

Agradecimentos especiais para: Grazi e a minha maninha Mary.