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Capítulo 13:
Epílogo
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"Eu vou ficar aqui nas sombras
À espera de um sinal, como a maré cresce
Mais alto, mais alto e mais alto
E quando as noites são longas
Todas as estrelas recordam seu adeus, seu adeus
E durante a noite, você vai me ouvir chamando, você vai me ouvir chamando
E, em seus sonhos, você vai nos ver caindo, caindo
Inspire a luz e diga adeus"
— M83, Oblivion
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Os fios do destino de cada indivíduo possui um começo, meio e fim já decretado de uma pessoa. O final de cada fio é inevitável, sendo algo que no geral as pessoas param um momento para pensar sobre isso. Mas isso importa? Nas questões geral da vida, não. Pois o importante no final das contas é viver a vida sem arrependimentos e aproveitar o máximo do momento.
No final, não são os mortos que vão com arrependimentos. São os vivos que ficam com elas, com a dor da saudade lembrando do vazio que é deixado por aqueles que amaram.
E era esses arrependimentos que comiam Lucerys por dentro.
Após acordar três dias depois num hospital, sedado e sem um olho a menos, fez Luke sentir que tinha perdido algo, mas com a mente drogada pelos medicamentos, ele não entendia o sentimento.
Não até que conseguiu clarear a mente para entender o que passava na pequena televisão colorida no outro lado da sala que ele foi internado.
Quando finalmente conseguiu focar seus olhos na televisão ligada, ele simplesmente ficou lá, deitado enquanto via as imagens passar. Quando ele sentiu que podia levantar e chamar um enfermeiro, Luke congelou enquanto via imagens da família dele passando no noticiário da televisão muda. Mas o que o devastou foram a legenda da notícia.
NOTÍCIA: TODA FAMÍLIA TARGARYEN MORTA NOS ATENTADOS E A QUEDA DA DINASTIA TARGARYEN
Desespero e angústia começaram a dominar o corpo ferido de Luke, fazendo o mais jovem abrir a boca e olhar trêmulo e devastado para a televisão. As memórias das últimas semanas começaram a surgir como um pesadelo se tornando realidade.
"Não...! Não!" Murmurou Luke angustiado, colocando as mãos na cabeça e puxando os cachos em desespero.
Ignorando a dor na raiz capilar do cabelo, Luke sente a bandagem ao redor da cabeça, onde ele percebe que cobria o lado do rosto onde Larys atirou em seu rosto.
Angustiado, Luke começou a puxar as bandagens, desesperado para tirar o que cobria seu rosto e cabeça. No entanto, o movimento rápido e apressado fez a cabeça de Luke doer uma dor surda e tensa, fazendo Luke sentir tontura e choramingar quando percebe que tudo girava em seu campo de visão.
Sentindo que iria desmaiar, Luke tentou pedir ajuda, mas a tontura o fez balançar de lado, assim esbarrando no poste de soro conectado nele, o fazendo perder o equilíbrio e caindo da cama junto com o poste.
Luke engasgou de dor e tontura, com o poste de soro caindo ao lado dele com o som alto de ferro batendo no chão. Com a dor forte demais o dominando, Luke sentiu a escuridão o puxando mais uma vez.
E no meio de desmaiar de dor, Luke percebe Aemond abrindo a porta do quarto e gritar o nome dele, correndo em direção a ele com um médico atrás. Luke não entendeu as próximas palavras de Aemond, tendo desmaiado e caído na escuridão.
O segundo despertar de Luke foi mais tranquilo, mas não menos doloroso ao mundo dos vivos. Com medo de sentir tontura e a dor insuportável, ele permaneceu de olhos fechados, ouvindo zumbidos da máquina cardiovascular e vozes.
Se concentrando, Luke percebe que a vozes eram desconhecidas para ele.
"Eu estou te falando, Melilla. Eles irão sumir com esse menino para colocar aquele caolho bonito no Trono de Ferro." Disse uma voz desconfiada e preocupada.
"Não seja ridícula, Danny. Se eles quisessem esse menino morto, ele já estaria á muito tempo." Respondeu uma voz sarcástica, mas com tons tensos no final.
"Mas, Melilla... Todos estão fofocando que o capitão Aemond e os acionistas da empresa Targaryen chegaram num acordo para manter a Casa do Dragão ainda de pé no poder." Comentou Danny com uma voz apreensiva. "Se o Capitão Aemond casar com a filha mais velha dos Baratheon, a facção Verde irá matar tanto esse garoto como o pobre do irmãozinho bebê dele..."
"E isso não é da nossa conta, Danny. O único trabalho que temos que nos preocupar é cuidar desse garoto até ele está bem o bastante para ir embora." Repreendeu Melilla com uma voz dura e finalista.
Passos foram ouvidos saindo da sala enquanto a outra mulher suspirou em decepção. Quando ela estava prestes a levar os panos e baldes para fora da sala, a voz do paciente a para em seu caminho.
"Isso... é verdade?" Sussurrou Luke, fazendo uma careta de incomodado pela garganta seca.
Assustada, a enfermeira se virou para o jovem Velaryon.
"V-Vou chamar o médico para te examinar, com licença-"
"Meu tio... irá se casar com uma Baratheon...?" Perguntou Luke com uma voz baixa, mas assustado ao acordar nessa nova realidade.
Sentindo pena do menino, a enfermeira se vira e se aproxima de Luke. Ela olha para trás por um momento para ver se a enfermeira Melilla apareceria no quarto, mas vendo nada além do silêncio, Danny volta seu olhar para o paciente acamado.
"Pelas notícias que vazaram da imprensa, seu tio aceitou um acordo político para se casar com Marys Baratheon em troca de ter o voto deles." Informou a enfermeira, tensa.
Ignorando a dor no peito que aumentava, Luke engole em seco e olha para a enfermeira.
"V-Votos para o quê?" Gaguejou Luke, sentindo o incômodo da garganta seca piorar sua voz.
Desviando o olhar por um momento, a enfermeira suspira e volta a olhá-lo.
Mas o que Luke vê era algo que ele não estava acostumado a ver.
Era pena.
"Para o Capitão Targaryen se tornar o novo 'Rei' de Westeros." Informou a enfermeira com um olhar preocupado para o canto do quarto, onde está a televisão que Luke viu antes ligada. "A votação está ocorrendo hoje, e com a balança do público igual como dos filhos dos senhores que morreram na comitiva, está tudo a favor de daqui a poucos minutos, estejam apresentando seu tio na Cadeira de Ferro."
Se sentindo sufocado de repente, Luke começa a puxar a respiração em seus pulmões enquanto suas mãos começam a tremer e a única coisa que ele ouve, são os vasos sanguíneos em sua cabeça correr rapidamente.
Ele estava tendo um ataque de pânico.
E a enfermeira parece que percebeu antes dele, pois falava palavras que Luke não conseguia compreender em meio ao pânico, mas conseguiu observar como a enfermeira gritava enquanto pegava uma seringa da enfermeira que entrou logo no quarto alarmada.
Luke só viu a enfermeira enfiando a seringa na bolsa de soro conectada a ele, antes de tudo escurecer mais uma vez.
A próxima vez que ele acordou, foi por conta de alguém batendo ao lado dele rudemente, tentando acordá-lo abruptamente. Luke resmunga meio desacordado, forçando seu olho cansados abrir para ver o que está acontecendo. A primeira coisa que ele percebe são as dores da falta de uso dos membros do corpo, como também a falta de um. Uma dor silenciosa, como uma alfinetada em seu lado do rosto, faz Luke tentar abrir os dois olhos, mas ele percebe rapidamente que consegue mover só um olho, enquanto o outro parecia que levantava mais dor ao tentar acionar movimento nos nervos do olho que ele rapidamente percebe que não tem mais.
Um barulho reclamando foi ouvido acima de Luke, assustando o acamado ao sentir ser batido no ombro por algo pequeno. Abrindo o olho e se acostumando com a iluminação, Luke percebe que pela iluminação ao redor, já era dia. A próxima coisa que pega foco em seu único olho é uma pequena criança de não mais de dois anos de idade com cabelos pequenos; loiro-prateado Targaryen, o olhando com olhos curiosos.
A respiração de Luke para por um momento, como se a visão a sua frente fizesse a mente dele parar por um momento antes que ele pudesse processar o menino e tudo que aconteceu antes.
"Lu... Luke!" Resmungou a criança, soltando uma risadinha ao que conseguiu a atenção do jovem acamado. Ele colocou um punho na boca, ainda sorrindo com o brilho de inocência em seus olhos lilases.
Os mesmos olhos que lembra Luke de sua mãe.
Um barulho alto é ouvido ao lado de Luke, do aparelho cardiovascular apitando alto o aumento dos batimentos cardíaco do acamado.
"Aegon!" Suspirou Luke com uma voz aguada e triste.
Ignorando o barulho, Luke se levantou ainda sentindo fraqueza no corpo em favor de olhar para seu agora único irmãozinho vivo em busca de ferimentos.
Sentindo Luke colocar uma mão em sua cabeça e vendo a preocupação no olho visível do mais velho, o pequeno Aegon solta mais uma risadinha e estende os braços, querendo ser segurado.
Quando Luke iria pegar Aegon em seus próprios braços, a porta do quarto se abriu, fazendo Luke olha para a direção e ver uma mulher vestida com um vestido marrom formal aparecer na porta.
"Lucerys! Graças aos sete, você acordou bem!" Respondeu Alicent com alívio em sua voz.
Engolindo em seco, Luke olha por um momento em volta, percebendo que não estava mais no hospital pela paredes vermelha decorando ao redor e móveis de luxo à vista. Voltando seu olhar para a mulher, Luke percebe que ela está olhando cansada para o pequeno Aegon. Isso faz Luke pegar seu irmãozinho e escondê-lo da visão da mulher.
"Onde estamos?!" Perguntou Luke, desconfiado e tenso.
Passando as mãos rapidamente na frente de seu vestido para limpar o suor de suas mãos feridas, Alicent anda para dentro da sala, escolhendo ignorar como sua presença fazia Luke esconder Aegon atrás dele e simplesmente sentou na poltrona ao lado da cama.
Olhando com um olhar sério e sem emoção, Alicent o responde.
"Você está em um dos quartos da cobertura da empresa Targaryen Corporação, A Muralha Vermelha."
"E por que estou aqui?" Perguntou Luke tenso, mas logo suas emoções começaram a dominá-lo. "Por que não estou com a... minha... família..."
Olhando perdido, Luke percebe rapidamente que as memórias dele acordando anteriormente no hospital não era um pesadelo.
Era real.
E o medo e pânico começaram a dominar ele por dentro.
Não. Sua família não pode está toda...
"V-Você não se lembra...?" Perguntou Alicent com pena em seus olhos fundos. Por um momento, Luke percebe que a mulher parecia que envelheceu anos desde a última vez que a viu. "Você teve alguns colapsos no hospital só de lembrar de tudo. Os médicos acharam que seria melhor manter você no hospital, mas Aemond não queria deixar você em um lugar que qualquer inimigo pode parecer pra te matar. Então, pedimos a sua transferência para um lugar mais seguro e tranquilo para você."
Piscando várias vezes, Luke só volta a sua atenção para o momento quando Aegon bate seus pequenos punhos na coxa de Luke, exigindo ser solto. Soltando um suspiro de derrota, Luke abre os braços e deixa Aegon brincar com a coberta.
"E os meus pais? Meus irmãos e irmã?" Perguntou Luke, com a mandíbula tensa.
Cutucando as bandagens ao redor de seus dedos feridos, Alicent olha culpada para Luke.
"Eu... Eu sinto muito. Eles faleceram e... eu não pude fazer nada. Eu..."
Escondendo seu rosto em suas mãos feridas, Alicent solta suspiros e soluços enquanto chora sua dor. Seus ombros logo começaram a tremer com a força do luto e saudade que a dominava.
"Deuses... Por quê eu tive que perdê-los quando finalmente encontrei paz? Por quê..."
Sentindo um caroço prender em sua garganta enquanto lágrimas borravam seu olho, Luke solta um suspiro trêmulo e fecha o olho, tentando segurar suas lágrimas com toda a pouco força que tinha.
Isso não pode ser verdade.
Mas...
"Onde... Onde eles foram enterrados?" Perguntou Luke, com uma voz vulnerável.
Sugando o choro, Alicent limpa o rosto da melhor forma possível com as mãos embaladas e levanta o rosto, tentando se recompor com seus olhos vermelhos injetados de dor e inchado pelo choro.
"No cemitério da família. No Monte de Rhaenys, atrás da mansão Muralha Vermelha. Achamos... adequando... enterrar junto com os ancestrais da família Targaryen."
"O que aconteceu... com os culpados?" Perguntou Luke com dificuldade, não suportando falar o nome de Larys em sua língua.
"A maioria estão mortos, mas aqueles envolvidos indiretamente e diretamente vivos foram caçados e encontrados. As casas nobres, o povo de Westeros exigiram justiça, e assim foi feita." Informou Alicent com um olhar angustiado, perdido em um ponto distante. "Larys foi preso e condenado à execução do mais alto grau de crime já cometido. Tendo... deuses, não suporto falar mais de um terrorista maníaco como ele. Não depois de tudo de ruim que foi feito a nós..."
Estremecendo de desconforto ao lembrar do homem que matou quase toda a família dela, Alicent continua.
"Saiba que ele já foi condenado e morto."
"Você foi?"
"O que?" Perguntou Alicent, confusa.
"Você foi na execução dele?" Perguntou Luke, voltando o único olho com uma expressão de aço para a mulher mais velha. Vendo ela acenando em concordância, Luke continua. "Você se sentiu vingada vendo a morte dele? Daquele que foi seu cúmplice e escolheu te descartar também."
O som de uma cadeira caindo é ouvida, com uma Alicent levantando apressadamente e se afastando da cama em passos lentos e trêmulo, com horror e desespero em seu rosto devastado enquanto negava com a cabeça.
"Não, eu... eu não fui cúmplice! Eu só defendi meus filhos!" Gritou Alicent em negação, desesperada para fazer o jovem acamado entender. "Eu fui usada por todos a minha volta em troca de proteger meus filhos, Lucerys! E-Eu..."
Sentindo uma dor de cabeça começando a subir pela dor surda em seu olho perdido, Luke olha cansado para Alicent.
"Eu lembro que quando eu cortei o rosto de Aemond por acidente na infância, você exigiu meu olho como compensação pela perda." Lembrou Luke com um olhar distante e assustado. "Você deve está satisfeita agora que Larys conseguiu o meu olho para você no final das contas."
Em movimentos rápidos, Alicent se aproximou da cama e se ajoelha ao lado de Luke com olhos aflitos e amedrontados.
"Não! Eu... Isso era o calor do momento! Meu filho estava ferido e ninguém estava do nosso lado! Eu estava desesperada e com medo!" Explicou Alicent com mãos trêmulas juntas, como se ela estivesse rezando por misericórdia para Luke. "Eu só queria proteger meus filhos! Eu não pedi nada a Larys! Eu juro, Lucerys! Por favor!"
Se sentindo vazio e cansado por dentro, Luke passa uma mão pelos olhos, tentando limpar as lágrima que escaparam de seus olhos feridos. Sentindo uma umidade saindo no lugar do olho costurado, Luke percebe que seu canal lacrimejante ainda funcionava mesmo com a perda do olho.
"E por que você está aqui? Até onde lembro, a senhora nunca gostou de mim." Sussurrou Luke, alto bastante para a mulher ajoelhada ao lado o escute.
Apertando as mãos trêmulas para conseguir um pouco de conforto, Alicent desvia os olhos para as mãos, como se estivesse elaborando seus pensamentos.
"Antes de sair do Fosso, eu conversei com sua mãe. Ela..." Um soluço saiu dos lábios trêmulos de Alicent, enquanto ela fechava os olhos com força para segurar sua própria dor por dentro. "Ela me perdoou e eu a perdoei. Se eu soubesse que tudo era tarde demais, eu teria conseguido força para fazer isso mais cedo. Mesmo com nossas diferenças, éramos no final das contas as mesmas meninas que éramos quando crianças. Com sonhos e expectativas de viver juntas para sempre..."
Lágrimas começaram a cair do rosto de Alicent, com a dor transbordando de sua alma pela perda de tudo que ela aguentou em toda a sua vida.
"Eu... eu a amava, Luke. Eu imaginava que se ela fosse homem, eu enfrentaria tudo e todos para me casar com ela. Só mais tarde que eu percebi que não importava as crenças dos Sete, ou os objetivos e manipulações que meu pai e família tinha sobre mim e minha vida, eu sempre amaria sua mãe, ela sendo mulher ou homem ou o que for." Confessou Alicent com um olhar vulnerável e desolado. "Eu só queria ser feliz com a mulher que eu amava, mesmo que seja amando ela de longe. Mas eu tinha esquecido de algo importante, sobre a história dos descendentes Targaryen viveram e foi relatado ao decorrer da história."
Levantando os olhos para Luke, Alicent olha com dor e tristeza.
"Targaryen não foram feitos para serem felizes."
Olhando perdido e desolado para Alicent, Luke reflete por um momento e percebe que era verdade. Nenhum dos seus ancestrais que ele leu as histórias deles nos livros não viveu o bastante para serem felizes, sempre presos e acorrentados pelo dever e política. E morrendo abruptamente por algum inimigo ou fome do povo em mudar de soberano.
"Talvez seja por isso que a vida é mais valiosa. Por que vivemos o momento com intensão de não morrer com arrependimentos." Observou Luke com um olhar determinado. "Por que se prender em riqueza e poder se iremos viver pouco para apreciá-los?"
Por um momento, Alicent abriu a boca como se quisesse discutir sobre isso, mas ela sabiamente escolhe fechar os lábios e acenar concordando.
Isso fez Luke se sentir alarmado, como se ela estivesse escondendo algo.
"Onde está Aemond?" Perguntou Luke, olhando estreito para Alicent.
Soltando as mãos e se levantando, Alicent olha para a direção do pequeno Aegon, fazendo Luke olhar para o irmãozinho e perceber que ele está dormindo no canto da cama. Alicent não perde tempo e pega Aegon em seu braços, fazendo Luke se sentir alarmado.
Voltando seu olhar para Luke, Alicent olha por um momento com um olhar culpado.
"Ele está... ocupado no momento."
Sentindo sua garganta doer e seu estômago cair em apreensão, Luke se lembra da fofoca no hospital.
"Ocupado com o quê? Casamento?" Perguntou Luke, tenso.
Olhando com olhos arregalados, Alicent aperta Aegon mais perto dela sem perceber, fazendo o menino acordar e começar a chorar.
"Eu preciso cuidar do Aegon. Você deve descansar por agora." Disse Alicent, ignorando a pergunta de Luke e se afastando até a porta do quarto. "Irei te acordar quando o médico chegar para te checar."
"Alicent, me responda! Por que estou aqui?!" Gritou Luke, sentindo lágrimas surgir em seus olhos com a irritação de gritar em sua garganta seca. "Onde está Aemond?!"
Parando na porta, Alicent olha por cima do ombro para Luke com um olhar culpado.
"Eu prometi a sua mãe que cuidaria de você e seu irmão. Não irei decepcionar Rhaenyra com a última promessa que fiz a ela." Informou Alicent, saindo e fechando a porta do quarto sem olhar pra trás.
Soltando um suspiro cansado e trêmulo, Luke olhou ao redor do quarto, tentando colocar seus pensamentos em algo. Ele não conseguia acreditar nas palavras de Alicent, pois nunca teve motivo para confiar na mulher antes.
Ou uma parte dele estava em negação, um último escape desesperado antes de tudo desmoronar.
Ignorando os pensamentos deprimentes surgindo, Luke percebe seu celular e carteira em cima do criado-mudo ao lado da cama. Pegando o celular, Luke sente uma pontada de dor na mão, percebendo a agulha do tubo do soro preso nela. Sem pensar duas vezes, Luke retira a agulha do soro e ignora o sangue subindo da pontada onde estava conectado ao soro em sua mão.
Ele pega o celular e abre na aba de contatos, percebendo com um frio tenso que os nomes de seus pais e irmãos não estão mais na lista.
Alguém pegou e mexeu no celular de Luke.
Suspirando cansado, Luke imagina que seja alguma pegadinha de Joffrey ou Jace tentando brincar com ele. Ou seja suas irmãs-primas tentando fazer Luke ir se encontrar com elas, mesmo para repreender a brincadeira de mal gosto.
Olhando para a porta por um momento, Luke espera que sua mãe Rhaenyra apareça na porta para mima-lo como sempre faz. Os deuses sabem que ele sempre será o doce filhinho dela, nascido frágil o bastante para crescer com pais e irmãos superprotetores. Seu padrasto Daemon não estaria muito atrás de sua mãe, tendo criado Luke como seu próprio filho e ensinado ser forte para a vida.
O caroço na garganta de Luke aumenta, como se quisesse sufocar ele com a realidade.
Voltando seu olhar para o celular e sua carteira, Luke toma uma decisão. Ele precisa se encontrar com seus pais e irmãos. Precisa... ele precisa...
Limpando o rosto às pressas, Luke levanta da cama com cuidado, pega um par de chinelos em baixo da cama. Após ver que conseguia se manter de pé com as dores e incômodos em seu corpo pode ser administrado, ele se vira para o criado mudo e pega seu celular e carteira.
Ele precisava ver com seus próprios olhos, precisava ver que Alicent mentiu para ele. E com essa determinação, Luke sai porta á fora do quarto.
Ele solta um suspiro de alívio ao ver que Alicent estava ocupada com as empregadas na cozinha. Pegando a oportunidade, Luke saiu pelo corredor até a saída da suíte. Digitando a data de nascimento de sua mãe, Luke sente seu coração disparar de ansiedade e antecipação ao perceber que Alicent não mudou a senha mesmo tendo morado por um tempo no lugar.
Entrando no corredor do andar, Luke vai até o elevador e aperta no botão para chama o elevador.
Batendo os pés no chão em impaciência e ansiedade, Luke percebe um barulho alto atrás dele, dentro da suíte.
Alicent percebeu que Luke não estava no quarto.
Ele morde o lábio com mais força e aperta repetidamente e agressivo o botão para chamar o elevador, sabendo que ele tinha pouco tempo para conseguir fugir dela.
O elevador se abriu, fazendo Luke abaixar seus ombros em alívio, mas rapidamente ele fica tenso ao perceber que um homem de paletó branco estava dentro do elevador.
O novo médico de Alicent.
"Bom dia." Cumprimentou o médico com um sorriso educado, saindo do elevador.
"Com licença." Pediu Luke com pressa, antes que o médico percebesse quem ele era.
No entanto, ao entrar no elevador e aperta o botão do Térreo, o médico se vira para trás para olhar Luke direito, percebendo a roupa verde de paciente de hospital que o mais jovem usava.
"Espera, você é o Velaryon-"
"Luke!" Gritou Alicent abrindo a porta do apartamento e se virando para o médico no corredor e Luke no elevador. "Pare o elevador!"
Antes que o médico se virasse para Luke e interceptasse o elevador, as portas se fecharam, fazendo Luke soltar um suspiro trêmulo enquanto seu coração batia rápido.
"Essa foi por pouco..." Murmurou Luke apreensivo, limpando o suor da testa com um braço.
Luke pulou de susto ao sentir algo vibrando no bolso da calça, percebendo rapidamente que era seu celular. Pegando o aparelho, Luke percebe o nome de Aemond na tela enquanto ligava para o mais jovem.
Engolindo a dor e apreensão que subiu em seu corpo, Luke escolhe atender o celular.
"Onde você está?!" Perguntou Aemond, perturbado.
"Estou indo atrás dos meus pais, por quê a pergunta?" Perguntou Luke com um olhar tenso para as portas do elevador.
"Fique onde está, irei encontrar você." Ordenou Aemond com pouco fôlego, como se estivesse correndo.
"Eu não quero ver você ou a sua noiva! Eu só quero a minha família!" Reclamou Luke tentando engolir o ciúme que apertava seu peito.
"Como você ficou sabendo disso?!" Perguntou Aemond com uma voz tensa. "Isso... Droga!... Taoba, eu posso explicar! Fique aí que eu irei te encontrar-"
"Eu não quero suas desculpas esfarrapadas! Você é igual ao seu avô Otto! Escolhendo o poder e riqueza ao invés da família! Eu acreditei em você, Aemond!"
"Lucerys, você não sabe de nada-"
"Sei que você prefere se casar com uma Baratheon para conseguir sentar naquela maldita cadeira de ferro! Eu achei que você me amava! Eu-"
Um soluço saiu dos lábios de Luke, fazendo ele fechar os olhos com força para não desmoronar ali mesmo.
"Mas eu te amo! Luke, por favor, me deixa explicar-"
"Não! Primeiro foi Alys e o filho que você rejeitou e agora eu! Você nunca está satisfeito com ninguém que não tenha algo para te beneficiar, não é?!" Perguntou Luke com amargura e decepção. "Eu acreditei em você, Aemond! Minha mãe também! Como você pôde sentar naquela maldita cadeira não tendo dias que meus pais..."
Luke não pôde terminar de falar, sentindo algo rachar dentro dele. Ele teme que seja sua mente ao invés do coração. Seus pais estão esperando por eles, e Luke precisa ajudar a sua mãe como a nova Líder da casa Targaryen.
Eles não faleceram. Luke se recusa a imaginar esse destino à eles.
Vendo as portas do elevador se abrirem a sua frente, Luke volta a pensar no agora.
Ignorando a voz de seu tio e amante atrás da linha, Luke encerra a chamada, coloca o celular no silencioso e o guarda no bolso da calça.
Luke saiu correndo, passando por trabalhadores de ternos que encaravam o garoto com roupas de paciente de hospital passar por eles. Quando ele estava se aproximando da saída, Luke percebe um dos seguranças baixando a mão do aparelho de escuta na orelha e colocando seus olhos nele.
"Ei! Parem ele!" Gritou o segurança, apontando para Luke.
Merda!
Sem perder tempo, Luke passa pelos portões da empresa com os seguranças correndo atrás dele. Olhando ao longe na pressa, ele percebe um táxi passando na esquina e sem demoras, corre pela avenida, passando por carros e motos que buzinavam ou amaldiçoava ele pelo caminho. Sentindo uma dor surda ao lado ao sentir um carro pegando ele de raspão, Luke se equilibra e volta a correr, sem olhar para trás.
"Espera!" Gritou uma voz familiar, mas a adrenalina e desespero fez Luke ignorar e chegar até o meio fio da esquina.
Acenando para o Taxi parar, Luke entra rapidamente.
"Por favor, me tire daqui!" Pediu Luke, desesperado.
O Taxista iria abrir a boca para falar, mas quando ele viu o retrovisor do carro, percebendo alguns homens de terno correndo em direção ao seu carro, o Taxista não perdeu tempo, pisando no acelerador e saindo rapidamente da avenida.
Luke olhou para trás para ver os seguranças parando em seus caminhos, mas o que faz o mais jovem segurar o fôlego não foi visão de um homem vestido o uniforme completo preto e dourado dos Mantos Dourados, e sim seus cabelos curtos loiro-prateado, amarrado atrás por um tapa-olho, correndo as pressas para a garagem da empresa enquanto corria pela avenida.
O peito de Luke dói ao ver a visão de Aemond.
É surpreendente ver Aemond no uniforme Mantos Dourados, sendo ele líder do regime Guarda Real.
Um calafrio sobe em seu pescoço, como um presságio das mudanças que ocorreram enquanto ele estava se recuperando.
Seus pais estavam bem... não é...?
"Para onde devo levar você?" Perguntou o Taxista, distante.
Saindo de seus pensamentos perturbados, Luke vira seu olhar para a horizonte além da janela do carro.
"Me leve para a Mansão Muralha Vermelha, por favor."
Chegando no terreno familiar que Luke cresceu na infância, o lugar estava em reforma com vários trabalhadores e engenheiros ao redor do terreno organizando a reconstrução da mansão. Depois da explosão, o lugar desabou em fogo e cinzas, com as áreas e paredes que suportaram a queda tendo continuado em pé, mas agora marcada por queimaduras e cinzas que mostrava a qualquer um as marcas do trágico acontecimento que ocorreu lá.
Várias pessoas, desde funcionários até parentes que viviam ali foram mortos na explosão e fogo que se seguiu. Depois de dias procurando restos mortais em meio aos entulhos e cinzas, os Targaryen e Hightower restantes, juntos com os acionistas, chegaram na conclusão de limpar o terreno do desastre e reconstruir a herança Targaryen do zero no terreno, construindo mais uma vez a Mansão Muralha Vermelha.
E a visão da mansão destruída e trabalhadores respirando os entulhos, fez algo dentro de Luke voltar a começar a rachar, como se vendo com os próprios olhos fossem um balde de água fria para a realidade que o esperava.
Lágrimas começaram a cair de seus olhos, enquanto sentia suas mãos tremerem.
"Isso é a mansão da família...?" Murmurou Luke com um olhar assombrado.
"Você está bem? Quer que eu te leve para o hospital?" Perguntou o Taxista com uma voz hesitante.
Sentindo dificuldades para respirar, Luke ignorou o Taxista, pegou sua carteira e tirou um maço de notas, sem se importar se estava dando mais dinheiro para pagar.
"Espere, isso é o dobro-"
Sem perder tempo, Luke sai do carro e começa a correr ao redor do enorme muro vermelho do terreno. Ele precisava chegar ao monte de Rhaenys, ele precisa ver que Alicent estava mentindo, que sua mãe deve estar em um lugar seguro com seus irmãos e seu pai estava com ela para deixa-la segura, ele precisa...
Ele precisa...
Quando Luke finalmente chega no topo do monte, ele estava sem fôlego, com o céu acima nublado e escuro, como se sentisse o humor sombrio que Luke se sentia por dentro.
Recuperando brevemente o fôlego, Luke se aproximou da cerca do cemitério da família e abriu a porta, fazendo um ruído assustador saísse da cerca de ferro velho. Deixando o portão aberto, Luke entra e começa a andar pelo terreno, olhando para as lápides.
Procurando por algo.
Seus olhos começaram a se encher de lágrimas, mas Luke ignorou, tentando olhar todas as lápides. Com as mãos trêmulas, Luke se aproxima da fonte no meio do cemitério, uma feita de mármore com formato de cabeça de Dragões chorando, com suas lágrimas voltando para dentro da fonte.
Luke sempre teve receio de se aproximar desse cemitério.
Afinal, foi na frente dessa fonte que Luke cortou o olho fora de Aemond.
Numa briga que se tornou fora de controle em segundos.
É estranho pensar que o carma chegou para ele, agora que Luke não possuía um olho como Aemond.
Voltando seu olhar para a lápides atrás da fonte, Luke se aproxima e congela, sentindo seu coração parar por um momento.
Um som destruído começa a sair da boca de Luke, sentindo suas pernas fracas demais. Caindo de joelhos, Luke sente suas lágrimas caírem de seu rosto, manchando o lado do olho perdido enfaixado de lágrimas e sangue. Ignorando a dor física, Luke sentiu seu mundo desmoronando. A verdade finalmente caiu sobre seus ombros ao se deparar com as lápides com o nome de seus pais e irmãos.
"Não! Deuses! Por favor, não!" Implorava Luke, devastado.
Luke se arrastou até a lápide á sua frente, passando os dedos trêmulos ao redor do nome de sua mãe, Rhaenyra Targaryen. Ao lado, estava a lápide de seu padrasto, Daemon Targaryen e os de seus irmãos e irmãs.
O que Luke mais temia, aconteceu. Muitos tinham expectativas dele herdar as empresas Velaryon e Targaryen algum dia. Mas Luke sempre odiou quando o lembravam disso. Pois se ele fosse o único no controle de tudo, seria porque não teria mais ninguém para o fardo. Que todos estariam mortos para que isso ocorra. Ele temia que esse dia chegaria.
Ele nunca quis poder ou riquezas.
Luke só queria sua família e ser amado por eles, independente de ele ser legítimo ou não.
E agora, ele tem a herança em seus ombros, mas não tem mais sua família para onde voltar.
A chuva começou a cair em seu corpo devastado pela dor e tristeza, com as gotas se juntando as lágrimas de Luke. Sem se importar com sua pessoa encharcada de chuva, Luke abraçou a lápide, tentando desesperadamente conseguir um último consolo de sua mãe.
"N-Não me deixem! Por favor!" Engasgou Luke em tristeza e desespero. "Eu sinto muito! Por favor!"
Sentindo o frio forte emanando da lápide que ele abraçava, Luke pula de susto ao sentir um sobretudo cair em sua figura para escondê-lo da chuva, com braços passando ao redor dele para segurá-lo.
"O que-"
"Shh... está tudo bem. Vai ficar tudo bem agora, Lucerys." Disse uma voz rouca familiar, tentando reconforta-lo enquanto puxava Luke para ele.
Colocando a cabeça em um ombro forte, enquanto é embalado por braços fortes e reconfortante, Luke percebe o cabelo loiro-prateado de Aemond tocando sua bochecha.
"Aemond..." Murmurou Luke com uma voz fraca e vulnerável.
"Sim, sou eu. Você não está sozinho, estou aqui com você, amor." Informou Aemond com uma voz suave e triste, como se estivesse segurando seu tesouro mais frágil em seus braços.
Sentindo conforto no calor de Aemond, Luke se derrete contra ele, respirando profundamente o perfume natural de seu amado tio. Protegidos dentro do sobretudo de Aemond, os dois se mantiveram nos braços um do outro, ouvindo o som da chuva forte caindo fora do manto que os protegiam.
Luke conseguiu se acalmar o suficiente para respirar melhor, com suas lágrimas secas o suficiente para abrir seu único olho.
Eles terão que seguir em frente. Só que Luke não sabe se conseguirá sozinho. Ele fez tantas promessas a sua mãe, a seus irmãos, a seus tios...
A sua tia Alys.
"Aemond, o que aconteceu com Alys?" Perguntou Luke tenso e preocupado.
Uma pausa se seguiu antes que Aemond soltasse um suspiro ao lado da cabeça cheia de cachos castanhos molhados.
"Ela não resistiu ao ferimentos e morreu na sala de cirurgia." Informou Aemond com uma voz tensa e afetada.
Tristeza e culpa se apoderam de Luke. Graças a sua tia, Luke não morreu assassinado nas mãos do subornado de Larys no jato.
Luke se afastou do abraço de Aemond para olhá-lo nos olhos.
"E a criança...?"
"Eles tiveram que abrir e tirarem a criança, fazendo ela nascer prematura. Atualmente, o menino está na incubadora ainda em observação." Informou Aemond com um olhar de culpa e distante. "Com o casamento e jornalistas em cima, não tive tempo para ver a criança ainda."
Algo escuro e implacáveis começou a comer Luke por dentro, traição e ciúmes puxando seu coração despedaçado com a confirmação saindo da boca de Aemond.
"Então você irá se casar mesmo com uma Baratheon?" Perguntou Luke com uma voz vulnerável, enquanto tenta afastar os braços de Aemond dele.
"Não, irei me casar com você." Disse Aemond enquanto apertava seu aperto em Luke.
Surpreso e confuso, Luke volta seu olhar para o rosto presunçoso de seu tio e amante.
"O quê...? Mas a notícia-"
"O boato que se espalhou era só uma forma de tirar a atenção do público e jornalistas de nós. Quando nos casarmos, será tarde demais para eles tentarem nos impedir." Informou Aemond se aproximando de Luke e beijando o canto do olho e sobrancelha do mais jovem.
Esse carinho fez Luke lembrar de sua mãe, fazendo o mais jovem morder o lábio com força para evitar soluçar de tristeza.
Dedos finos e fortes levantaram o queixo de Luke, fazendo o mais jovem olhar nos olhos do mais velho. Luke sentiu seu coração bater rapidamente por esse homem que olhava para ele com amor.
"Então, eu te pergunto aqui e agora. Lucerys Velaryon, você aceita se casar comigo?" Perguntou Aemond suavemente, com lábios macios beijando deu rosto, deixando rastros de cada palavra enquanto descia de seu olho até sua boca.
Se sentindo impaciente com o coração batendo forte em seu peito em antecipação, Luke pega um punhado de cabelo loiro-prateado e puxa Aemond para ele, se encontrando em um beijo aberto com língua, enquanto lutam pelo domínio nessa dança apaixonante que os dois se encontravam.
Talvez ainda tenham um futuro para seguir em frente. Um que eles podem seguir juntos.
E com essa esperança, Luke se afasta do beijo, sendo seguido por Aemond que ansiava por seu amado sobrinho.
"Eu aceito com uma condição." Informou Luke sem fôlego.
Aemond congelou em sua aproximação, esperando que Luke elaborasse. Ele sabe que faria qualquer coisa para ter seu amado sobrinho com ele.
E mais um sacrifício pra isso não seria nada.
Ou era isso que ele pensava.
...
Dois anos depois...
...
A mansão Muralha Vermelha estava lotada de senhores e senhoras nobres de todas as casas de Westeros, com vários garçons e garçonetes passavam oferecendo vinhos entre outras bebidas. Várias pessoas se encontravam conversando em grupos enquanto andavam pelos salões da mansão que foi aberta para o público, com várias pessoas parando em frente aos quadros da exposição que a família Targaryen abriu com intuito de vender as maiorias dos quadros em lances. O dinheiro arrecadado na exposição seria enviado como doação para os orfanatos do bairro das Pulgas e na reconstrução de Harrenhal.
Com a maioria admirando os quadros desenhados por ninguém menos pelo artista Lucerys Velaryon. Apreciando a linda arquitetura da nova mansão Muralha Vermelha com desenhos de Dragões e fotografia das famílias que morou na mansão nas gerações anteriores, os visitantes não perceberam três crianças correndo pelos corredores, brincando de pega a pega enquanto quase atropelam os convidados e funcionários.
"Jaehaera, espera o Aenys!" Pediu o pequeno Aegon que seguravam a mãozinha da criança de dois anos atrás dele.
"Vamos! Temos que achar o Luke!" Gritou Jaehaera voltando a correr ao redor dos visitantes.
Suspirando em aborrecimento, Aegon segura a mão de Aenys com mais firmeza.
"Venha, Aenys. Se não iremos ficar sem sorvete hoje." Disse Aegon enquanto puxava o mais jovem prateado com ele.
"Sorvete!" Balbuciou Aenys com olhos brilhantes.
Passando por algumas pessoas, Jaehaera acaba se esbarrando em alguém.
"Cuidado, Crianças! Vocês irão se machucar!" Repreendeu um homem mais velho num terno elegante azul petróleo.
Vendo em quem tropeçou, Jaehaera dá um olhar tímido. Aegon e Aenys se encontram com eles.
"Desculpe, Senhor Velaryon." Se desculpou Jaehaera.
Com um sorriso pequeno, Corlys Velaryon se agachou com dificuldade para olhar para as crianças. Mesmo com a idade avançada e perdas que enfrentou, ele ainda continuou forte e erguido para ajudar a família restante dele.
Que essas três adoráveis crianças também fazia parte.
"Está tudo bem, querida. Só tomem mais cuidado em correr em lugar cheio como esse." Disse Corlys com uma voz gentil. "E eu já não falei para vocês me chamarem de vovô Corlys?"
Acenando e concordância, Aegon olha para Corlys com dúvida.
"Você viu meu pai, vovô?" Perguntou Aegon com esperança.
"Seu pai?" Perguntou Corlys, confuso.
Isso surpreende Corlys. Até onde ele saiba, Daemon Targaryen faleceu a mais de dois anos.
Aegon olha para Corlys confuso, mas em seguida ele olha assustado ao ver o deslize que ele disse.
"E-Eu quero dizer o meu irmão." Disse Aegon desconfortável.
"Pai!" Balbuciou Aenys com inocência.
"Sim, você viu onde tio Luke está?" Perguntou Jaehaera com um sorriso animado.
Dando um sorriso gentil a eles, Corlys acenou em concordância e se levantou.
"Vamos, irei levar vocês até ele." Disse Corlys, pegando uma mão de Aegon e da Jaehaera.
"Vovô Corlys, você comprou um dos quadros?" Perguntou Jaehaera animada.
"Vovô, você viu os desenhos maravilhosos que Luke fez?! Ele desenhou um dragão me representando!" Disse Aegon rapidamente, quase embolando as palavras em sua empolgação.
"Ele fez o meu também!" Disse Jaehaera em admiração.
"Eu!" Aenys balbuciou, feliz com clima contagiante.
"Sim, ele fez de Aenys também." Disse Corlys com uma risada divertida. "Na verdade, ele fez de toda a família. Eu vi o quadro mais cedo."
"Luke acredita que todos nós Dragões estamos conectados! E que temos que está juntos, por isso ele desenhos toda a família como dragões!" Disse Aegon animado, mas uma melancolia começou a aparecer no canto dos olhos do garoto. "Eu queria me lembrar deles, de toda a nossa família reunida."
Sentindo a melancolia e saudade, como uma velha companheira que ele recebeu depois da morte de sua esposa e filhos, Corlys entendia que sempre sentirão a perda do que tinham. Os anos ajuda a seguir em frente e encontrar novos propósitos, como os que ele segurava as mãos no momentos de seus futuros herdeiros. Mas ainda sempre terá aquela parte que sempre o lembrará o que amou e perdeu nesta vida.
Quando Corlys iria tentar reconfortar Aegon, Jaehaera solta um grito agudo e feliz.
"Luke!"
Ouvindo alguém o chamando, Luke se despede de um convidado e volta seu olhar para onde veio o grito, vendo com felicidade e calor que suas crianças vieram a tempo da escola para a exposição.
Com um tapa-olho cobrindo o olho perdido, Luke se encontrava encantador em seu terno azul e vermelho, com desenhos de Dragões e cavalos marinhos decorado o belo terno.
Abrindo os braços, as crianças não perderam tempo e correram até se juntarem no calor dos braços do homem que se tornou irmão, pai e guardião deles.
"Olá, meus pequenos dragões! Como foi o dia de vocês?" Perguntou Luke com carinho.
As três crianças começaram a falar ao mesmo tempo, fazendo várias cabeças se virarem para a cena que encontravam. Luke tentava responder as três crianças quando perguntavam algo para ele, com um sorriso doce em seus lábios enquanto se divertia com as crianças.
"Pai...! Sorvete!" Resmungou Aenys com um olhar de cachorrinho.
Depois que Luke pediu a guarda do filho de Alys, com o apoio de Aemond, eles conseguiram a guarda com um teste de DNA que comprovava que o pequeno bebê era filho biológico de Aemond. Lutando para provar que eram aptos para criar uma criança, Luke e Aemond recorreram após se casarem e conseguiram a guarda do pequeno Aenys por completo.
Foi uma luta que Luke sentiu que cumpriu a promessa que fez a Alys. Ele espera não decepcionar ela onde quer que ela estivesse.
Amar a criança veio no momento que eles colocaram os olhos nele.
"Vocês já jantaram?" Perguntou Luke, desconfiado.
Os três se entreolharam e em seguida olharam para Luke com sorrisos com dentes faltando.
"Sim!" Gritou o trio, feliz.
"Então acho que posso levar as crianças daqui." Disse Corlys com um olhar orgulhoso para Luke, que logo virou para um ponto próximo do castanho. "Pois acho que você estará ocupado no momento."
Voltando seu olhar para onde seu avô Corlys olhava, Luke percebe Aemond se aproximando deles, com os olhos fixos em Luke.
As crianças vaiaram em decepção, mas Corlys rapidamente conseguiu a atenção das crianças.
"Vocês já comeram Sorvete em formato de cavalo-marinho? É o sorvete mais grande do mundo!" Disse Corlys divertido, pegando Aenys no colo enquanto levava Aegon e Jaehaera com ele.
Vendo que todos balançaram a cabeça negando enquanto olhava admirado para Corlys, ele continuou.
"Em Derivamarca, o sorvete cavalo-marinho é o mais delicioso e popular da ilha..."
Vendo que Corlys levou as crianças com ele, Luke se vira para Aemond que se encontrava parado ao lado dele, olhando admirado para o grande quadro que preenchia a parede á frente deles.
"Você nunca deixa de me surpreender. Esse quadro parece tão..."
"Incrível?" Perguntou Luke com um sorriso amoroso para o marido.
"Nostálgico. Me lembra toda a nossa família." Disse Aemond com um olhar de saudade se voltando para Luke.
Luke entende o que seu marido quer dizer. Quando ele o desenhou, imaginou como seus pais, irmãos e tios seriam se tivessem nascido dragões. Essa ideia foi como um escape para o luto e saudade. Luke desenhou vários Dragões caricatos aos seus parentes. O quadro que demorou três meses para está finalizado se encontra como o quadro principal da exposição, com vários Dragões voando ao redor na pintura.
No final da pintura, está o nome do quadro que ele deu.
A dança dos Dragões.
Luke sabe que ver esse quadro na sala da mansão sempre o fará lembrar de sua família falecida. Mas também o lembrará aqueles que ele amou com tudo que tinha. Aqueles que fizeram dele o homem que ele é hoje.
"Você acha que eles estariam orgulhosos de nós? O que nos tornamos e cuidamos de Westeros?" Perguntou Luke, olhando intensamente para Aemond.
Após o casamento, sendo o herdeiro mais velho da Herdeira Rhaenyra, Luke acabou sendo votado e escolhido para ser o novo herdeiro da Casa Targaryen. Com seu avô Corlys ainda vivo e o apoiando, a Casa Velaryon continuou prosperando em seu regime. No entanto, Luke era seu herdeiro prometido, e sendo o último herdeiro Velaryon vivo, o jovem rei de Westeros prometeu dar a cadeira de ferro e a herança da Casa Targaryen para seu irmãozinho mais novo, Aegon IV, quando o mesmo completasse idade adulta para tomar as responsabilidades e deveres.
Aemond escolheu juntar os dois regimes, Guarda Real e Mantos Dourados, se tornando o diretor principal do regime policial de Porto Real. Aemond não quer que os atentados que a Casa Targaryen sofreu ocorra novamente, não com o poder e controle policial e militar em suas mãos.
"Eu acho que eles estariam como a minha mãe. Surpresa com o nosso casamento, mas com o tempo aceitando tudo como deveria ser." Observou Aemond com um sorriso gentil. "Eu não me arrependo de te escolher todos os dias para amar."
Com um sorriso amoroso, Luke se aproxima e beija os lábios de Aemond com amor. Foi só um selinho, mas que continha seu amor e carinho por esse homem forte e determinado.
"Eu também não me arrependo." Sussurrou Luke afetado, sentindo Aemond o pegar e aprofundar o beijo.
Antes que eles pudessem ir mais longe em público, alguém grita Aemond de longe.
"Aemond, é hora da apresentação!" Gritou Alicent enquanto procurava o filho na multidão.
Soltando um suspiro impaciente, Aemond se afastou de Luke, estendendo a mão para o mais jovem.
"Temos que ir. O dever nos chama." Informou Aemond, exasperado.
Soltando uma risada divertida, Luke pega a mão estendida de Aemond, enquanto o mais velho o beija pela última vez antes de levar os dois para o palco de apresentação.
Perdemos muitas coisas pelo caminho, mas pelo menos estamos juntos enquanto ainda lutamos pela família.
Afinal, até o pesadelo é uma forma de enfrentamos nossos medos. E quando finalmente os enfrentamos, vemos ao acordar que tudo passa.
E isso é tudo que importa para esse futuro melhor.
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fim.
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Notas Finais
Obrigada á todos por chegarem até aqui! Nem acredito que consegui terminar essa história á tempo. Quero agradecer à todos que me apoiaram e me fizeram escrever essa enorme história até o final. Eu pensei em escrever pouco e indo postando aos poucos quando pensei em escrevê-la, mas fiquei com medo de perder a inspiração e deixar ela sem um final. Ainda bem que escolhi escrever ela uma vez por semana até aqui.
Se tiverem dúvidas ou perguntas sobre a história, não deixem de comentar que estarei respondendo todas as perguntas.
Eu não lembro se comentei antes, mas esse enredo me veio a cabeça como um pesadelo uma semana depois que vi a série House of the Dragon e peguei alguns spoiler do livro Fogo e Sangue. É triste saber que os personagens tão complexos e humanos na história de Martins tem um final trágico, como um espelho da realidade da época Medieval. Ainda não engoli o final do série de Game of Thrones, mas você entende o que levou a história naquele final trágico.
A vida é uma tragédia, mas não podemos deixar de viver com tudo que temos.
Até o próximo projeto!
