2. Castigo

EPoV

Andei devagar até a porta, com Bella atrás de mim – todos os vestígios do humor inexistentes agora.

— Boa sorte! – desejou Alice. Eu bufei, sem nem me dar ao trabalho de virar.

Bella tinha as pernas mais curtas que as minhas, então dava pequenas corridinhas para me acompanhar frequentemente. Quando parei na frente da sala onde existia uma placa – "Srta. Hathaway" –, respirei fundo. Bella agarrou meu pulso, demonstrando todo o medo que sentia.

Eu me assustei com isso, e me virei para encará-la com curiosidade. Ela estava mordendo os lábios de ansiedade e medo, mas quando viu meu olhar, sorriu. Um sorriso hesitante, mas ainda um sorriso.

— Você está mesmo sorrindo para mim ou estou sonhando? – brinquei.

— É melhor aproveitar. Edição limitada! – ela sorriu mais abertamente ao dizer isso, e então bateu na porta duas vezes, entrando em seguida.

Entramos devagar e logo vimos o nosso medo se concretizar: Havia um telefone na mesa da diretora. Olhei para Bella, indicando levemente com a cabeça e ela tremeu.

— Bom dia? – cumprimentou Bella, hesitante.

— Bom dia, Isabella. – disse a diretora, calmamente. – Bom dia, Edward.

Cinicamente, ela sorriu. Eu e Bella nos olhamos desconfiadamente.

— Sentem-se. – ela convidou.

Nos sentamos, hesitantes. O que raios aquela mulher queria com nós dois?

— Bem, já devem saber por que estão aqui. – ela começou.

— Hm, na verdade não. – Bella arriscou.

— Essa é a quarta vez que vocês vão para a detenção... essa semana.

— Na verdade, é a terceira. – corrigi, sorrindo torto.

— A questão é que vocês perdem no mínimo uma aula por dia na detenção... E sempre, os dois juntos. – Srta. Hathaway explicou, indicando nós dois.

— É que existe algo entre nós que ninguém pode separar. – expliquei, sorrindo e pegando a mão de Bella.

Ela me olhou ultrajada e soltou a minha mão rapidamente, murmurando qualquer coisa.

— Desculpe, é que ela não quer assumir em público. – pisquei para a diretora e peguei a mão de Bella novamente.

— Por que você é tão idiota? – ela reclamou, se esquivando.

— Por que você é tão infantil? – rebati.

— Ridículo. – reclamou Bella, bufando.

— Amém! Ela aumentou o vocabulário! – levantei a mão, agradecendo a Deus.

— Quer calar a boca, Edward? – reclamou a Infantil Mor, balançando o cabelo e puxando para trás.

— Eca... – reclamei, torcendo o nariz, quando o cheiro me atingiu. – Por que você não muda de shampoo?

— O que você tem a ver com o shampoo que eu uso? Se não quer sentir o cheiro, fiquei longe de mim. – ela simplificou, satisfeita, e mexeu no cabelo de novo.

— Urgh. – gemi.

Só então nós dois reparamos que, fora da nossa bolha bélica particular, a diretora nos encarava, boquiaberta. Bella corou e eu abaixei a cabeça.

— Desculpe. – murmuramos ao mesmo tempo.

— Já que vocês dois tem tanta... interação entre si... eu tenho uma sugestão a vocês. – Srta. Hathaway disse calmamente.

— E nós temos escolha?! – murmurei, dando de ombros.

— Como eu disse, vocês dois perderam muitas aulas por causa do tempo na detenção... E, para compensar essas faltas, terão que fazer um trabalho. – explicou calmamente.

— Que tipo de trabalho? – perguntou Bella, se inclinando ligeiramente para a mesa grande.

— Terá que ser bem elaborado e complexo. Será apresentado no final do semestre para a escola. – explicou.

— Mas faltam duas semanas! – Bella abriu a boca, chocada.

— Tudo bem, qual é o meu tema? – questionei, indo direto ao ponto.

— O tema de vocês será escolhido à vontade. E sim, o prazo máximo é daqui a duas semanas.

— Ótimo, vou fazer sobre um filme. – concluí.

— Espera... A senhorita disse... vocês? – Bella arfou.

— Sim, é claro. É um trabalho em dupla. – a diretora sorriu.

— Não. – Bella foi firme.

— Nem ferrando. – confirmei.

— Sem chances. – ela revirou os olhos.

— Onde estão as suspensões? Não vai ligar para nossos pais e fazer um escândalo? Dizer que somos vagabundos e inúteis, analfabetos funcionais, e similares? – estranhei.

— Vocês dois são ótimos alunos. Não posso fazer isso com vocês. – ela sorriu, quase encarecida. – Vocês merecem uma segunda chance para redimir a baderna que fizeram, e estou dando a vocês.

Eu abri a boca, surpreso, mas não disse nada.

— Eu preferia a suspensão. – Bella murmurou.

— Eu preferia que você não existisse. – respondi, também falando baixo.

— Você não tem mesmo criatividade, hein? Pare de copiar as minhas orações. – Bella reclamou. Sorri.

— Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo... Amém. – ri baixo. – Essa foi totalmente única.

— E totalmente idiota.

— Ah, você riu. – acusei.

— Não.

— Riu sim.

— Não ri.

— Riu.

— Não ri.

— Edward e Isabella. – repreendeu-nos a srta. Hathaway. – O prazo final da entrega é daqui a duas semanas. Quero uma prévia escrita na quarta-feira, e um anteprojeto na sexta.

Nós dois entramos em choque.

— Caramba. – murmurei.

— E se nós não fizermos esse trabalho? – conjecturou Bella.

— Todas as faltas serão computadas e provavelmente vocês ficaram retidos. – explicou a diretora, indiferente.

— Retidos? – repeti, desesperado.

— Sim, Edward. – ela confirmou.

— Vou morrer. – sussurrei, pensando alto.

— Eu já estou morta. – ponderou Bella.

E ela tinha razão, nós dois estávamos mortinhos.

— Vocês estão dispensados. – avisou a diretora.

Assenti, sem dizer nada e saí da sala. Eu não estava com cabeça para ficar agüentando Alice e suas bobeiras, então parti para meu carro.

Também não queria ouvir ninguém me cobrando, então dei a partida e fiquei andando pela cidade. A pequena cidade de Forks não era nada comparada a Phoenix, minha cidade natal – lá haviam pessoas na rua, e sol. Ah, sim, o sol... Nem me lembro mais qual foi o último dia em que vi o sol.

Passando na frente da biblioteca, decidi entrar. Quem sabe eu poderia encontrar algo sobre... sobre o quê mesmo?

BPoV

Eu. Não. Acredito.

Eu não acredito que aquele idiota, boçal, repugnante ser invertebrado e quadrúpede pôde fazer isso! Agora a minha conclusão do ensino médio dependia dele! E se ele simplesmente... não fizesse nada?

Eu iria me matar para fazer esse maldito trabalho sozinha e ele ia ser aprovado?! Mas que droga! Isso não é nada justo!

— Isabella... – alcançou-me a diretora, falando seriamente.

Tive a impressão de que enquanto estávamos em sua sala, ela havia abaixado a guarda. Agora, ela já era a Senhorita Hathaway, temida e respeitada.

— Sim? – virei-me para ela devagar. Sua expressão não era das melhores.

— Se eu perceber que vocês não fizeram esse trabalho juntos, você vai ter o primeiro zero da sua vida, não importando a qualidade do trabalho. – ela avisou.

Suspirei, derrotada.

— Senhora... – comecei.

— Senhorita. – ela corrigiu, afetada.

— Perdão, senhorita Hathaway... Mas, por favor... Nos dê castigos separados. Isso não vai dar certo e...

— É justamente por isso, Isabella. Se eu desse um castigo separado a vocês, o que iriam fazer?

— Ficar a quilômetros de distância, cada um se concentrando em sua vida e sua própria conclusão do trabalho. – expliquei.

— Exato. E então, no próximo semestre, brigariam novamente, e novamente, e novamen-

— Nós nos formaremos no fim do semestre. Não vamos nos ver de novo. – rebati.

— Então será sempre assim? – ela desafiou. – Toda vez que você não se der bem com alguém irá fugir?

— Quem está falando sobre fuga? – respondi, nervosa, e esquecendo por um segundo que ela era a diretora.

Agora ela era apenas alguém insignificante que não me conhecia e queria fazer julgamentos sobre minhas decisões.

— Na verdade, senhorita, eu não estou fugindo. Se não percebeu, tudo o que eu tenho feito é evita-lo para o meu próprio bem e o bem da escola. Sem contar que, quando não consigo isso, eu o enfrento, rebatendo com o que ele merece. – falei, num fôlego só. – Isso não se parece uma fuga para mim.

A diretora me encarou, atônita. Continuei com o rosto firme, sem demonstrar o medo que eu sentia. Parecia que a qualquer momento ela iria se virar para mim e me matar. Ou bater. Ou xingar. Ou quem sabe me expulsar da escola – o que, na verdade, seria uma bênção, a não ser pelo fato de que eu teria que mudar de cidade.

— Pode voltar para a sala de detenção, Isabella. – ela mandou.

Abaixei a cabeça e saí andando rápido. Alcancei a sala que estive antes em menos de um minuto, mas cheguei lá com os olhos vermelhos – segurando as lágrimas de ódio -, e o rosto pegando fogo.

— Bella? O que aconteceu? – perguntou Alice.

Eu suspirei, negando com a cabeça.

— Onde está o meu irmão? – ela questionou.

— Infelizmente, ainda vivo em alguma parte do mundo. – reclamei, com a voz falhando.

Jacob se aproximou um pouco mais de mim no banco.

— O que aconteceu? – ele perguntou, sorrindo serenamente.

— Eu tenho um problema. – respondi, respirando fundo.

— Que tipo de problema? – perguntou Alice.

— Do tipo grande. – afirmei, gesticulando com as mãos. – Do tipo que tem nome.

— Qual é o nome? – questionou Jacob, passando deliberadamente a mão por cima do meu ombro e me puxando um pouco mais para perto.

Edward Cullen. – grunhi. – Ele ultrapassou George W. Bush na minha lista negra!

— Calma, Bella... – pediu Alice. – O que ele fez dessa vez?

— O que ele fez? – repeti, cerrando os dentes. – Ele simplesmente arruinou a minha vida!

— O que aconteceu, Bells? – Jacob perguntou, afagando meu ombro.

Suspirei, derrotada, e deixei as lágrimas caírem. Alice estava do meu outro lado num segundo, e no nano segundo seguinte, Jacob começou a secar as minhas lágrimas carinhosamente com os dedos.

— Eu tenho... – comecei, sendo interrompida por um soluço de choro. Alice apertou minha mão e Jacob se aproximou ainda mais. – Que fazer... um trabalho. – expliquei.

— Essa é sua punição? – estranhou Alice. – Mas, Bella, você é incrível! Vai conseguir fazer um trabalho perfeito!

— N-não... – minha voz tremeu. – Eu preciso fazer um trabalho que seja perfeito... E minha aprovação ou não para a conclusão do ensino médio se baseará nele... – expliquei, fungando.

— Bella. – Alice chamou, sorrindo para mim. – Você é demais. Vai conseguir, será aprovada com honras!

— Esse não é o problema! – reclamei, minha voz mais aguda e lágrimas teimando em sair. – Esse trabalho de conclusão vai ser em dupla! – gemi, as lágrimas correndo sem parar.

Jacob fechou meus olhos com os dedos delicadamente e passou a mão em meu rosto, apagando os vestígios.

— Calma, Bella. – ele começou. – Vai dar tudo certo.

— Não! Não vai! Eu tenho que fazer o trabalho com Edward! Acha que ele se importa se eu for retida? – choraminguei.

— Bella... Você pode dizer que ele é um idiota e que você o odeia, mas eu o conheço. Se existe alguma qualidade nele, é a responsabilidade. – Alice ponderou.

— Sim, sim, claro. Só que responsabilidade vem junto com maturidade, que é uma coisa que falta muito nele! – redargúi.

— Bella, ele não vai fazer essa idiotice de ser reprovado. – Alice garantiu. Bufei. – É sério. Ele vai fazer esse trabalho com você.

— Mas eu não quero que ele faça! – expliquei. – Tudo o que eu quero é que ele me deixe em paz!!

— Se fosse para você fazer sozinha, a Srta. Hathaway teria dito. – Alice ponderou. – Acalme-se. Qualquer coisa, eu dou uns tapas nele. – ela piscou pra mim, e acabou me fazendo rir.

— Obrigada, Alice. – sorri para ela, feliz. – Obrigada, Jake. – enterrei meu rosto em seu ombro, rindo.

— Disponha. – ele respondeu, beijando o topo da minha cabeça.

Logo o sinal tocou, e fomos para nossas respectivas próximas aulas. O dia passou devagar, e cheguei em casa cansada.

— Bells? – chamou Charlie, vindo da cozinha.

— Hey, pai. – sorri ligeiramente.

Sentei no sofá, jogando a mochila num canto. Ele me olhou desconfiado – eu geralmente levava minhas coisas para o quarto, no mínimo.

— Estou exausta. – reclamei, escondendo o rosto nas mãos.

— Eu falei com a Srta. Hathaway e ela me disse...

— Ai... – gemi, interrompendo-o.

— O que foi? – ele estranhou.

— O que ela disse?

— Que sortearam duplas para um trabalho para o fim do semestre, e você ficou muito insatisfeita. – ele respondeu.

Eu o encarei, atônita. Por que ela havia dito isso? Ela não podia simplesmente dizer que eu era uma irresponsável que ia para a detenção quase todo dia?

— Mas parece que insatisfeita é pouco. – comentou Charlie, sorrindo.

— Urgh. – fiz uma careta. – Vou fazer meu trabalho com Edward Cullen. – reclamei.

Charlie começou a dar gargalhadas.

— É claro que ele tinha a ver com isso... – cantarolou ele.

— Como assim?

— Para você ser tirada do sério, ou alguém te julga, ou é Edward Cullen.

Wow. Eu não sabia que meu pai era tão observador.

— Fico imaginando como deve ser quando Edward te julga... – ele comentou, risonho. Atirei uma almofada em suas costas.

— Nem queira saber! – gargalhei.

— E então, ele virá aqui? – perguntou Charlie.

— Er, não sei. Ainda não acertamos nada. – respondi, hesitando.

— Brigaram?

— Há, há. Como se isso fosse novidade... – comentei. – É claro que brigamos, ele veio com uma de fazer sobre um filme!!

— Seja paciente, Bells.

— Sempre sou. – pisquei para ele. – Vou para o quarto.

Peguei minhas coisas e subi. Hora de escrever no diário o dia complicado.

Sexta-feira, 28 de maio de 2006

Hoje foi o pior dia do ano – sem nem pensar, diria que o pior da minha vida. Fui sentenciada a fazer um trabalho de conclusão do ensino médio com Edward Cullen. Me matarei trinta vezes. Ah, não. Primeiro preciso matar Edward, por que, sem ele, eu não teria sido castigado.

Estava tudo ótimo em Forks até que ele apareceu – o garoto lindo e dedicado, filho do médico experiente. Mas que saco! Como eu odeio aquele garoto!

O pior é que ainda precisamos discutir o tema do trabalho, e temos que apresentar pelo menos um começo na quarta-feira. Isso vai ser horrível.

Pelo menos Alice, a irmã dele, me apóia. Ela disse que vai dar uns tapas nele – haha. Engraçado como os dois são tão diferentes! Sempre achei que Alice fosse metida e boba, como ele.

Mas não, pelo contrário. Ela é engraçada, divertida e esperta. Além de bem sapeca – afinal, nos conhecemos na detenção!

Ah, e tem Jacob também. Ele é muito legal. Gostei dele, apesar de ter sido meio... estranho... ele ter me abraçado. Não costumo ter muito contato físico com meus amigos... Quer dizer, bem, enfim. Ele é uma ótima pessoa, definitivamente.

E então agora eu vou pesquisar um pouco sobre algum tema qualquer. Daqui a uma meia hora meu computador ligará. Ai! O telefone! Escrevo mais depois.

Um beijo.

Bella

Corri para o telefone assim que Charlie gritou que era pra mim e atendi imediatamente, sem perguntar ao meu pai quem era.

— Alô?

Bella? – perguntou uma voz terrivelmente conhecida.

Ah, não...

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Olá, garotas!

Muito obrigada mesmo por todos que estão lendo! *-*

Agradecimentos especiais:

Giu, tatianne beward, Dada Cullen, Nina :*, Molie, Mackie Cullen, Mimy Cullen (eu justamente invertí a situação, praticamente todo o passado da Bella original é do Edward daqui...), Priscila Moura, Carol, Ingrid F. (nossa! Vc odeia? Comoo? =O'), Nath Tsubasa Evans, Alline Viana, Layra Cullen, Bee Stream (isso é só fachada, calma! Haha), Gabi-b, Pimentinha M Black, Alice, Anne Lima, Jess Cullen, Luiiza, Ise Cullen, JehBar, Ananda Felton ;D*, Nane!, Amaanda Rolim, Alicinhaa Cullen, Natss.

Agradeço os incentivos – principalmente os "ri demais" e derivados... :D

Um beijo...!