4. Propostas

Bella's PoV

HAHAHAHAHAHAHAHA.

Alice me fez "prometer" que iria pedir desculpas para Edward hoje, maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaas...

Ela esqueceu um pequeno detalhe.

HOJE É SÁBADO!!!!

Vou passar o dia todo em casa, fazendo os deveres. Graças a Deus.

Até segunda, eu talvez peça desculpas a ele, mas por enquanto... NEM EM SONHO!!

Levantei lentamente, me espreguiçando com um sorriso no rosto e desci de dois em dois degraus.

— Você parece animada. – comentou Charlie.

Eu dei de ombros, rindo.

— É sábado. – justifiquei.

Tomamos café sem mais comentários, e Charlie foi para La Push, pescar com seu novo amigo, que por acaso era amigo de seu melhor amigo, Harry (n/a: o Billy é o amigo novo, depois vcs vão entender pq ;D). Fiquei na sala à toa, e então o telefone tocou. Me levantei e quase corri para atender.

— Alô? – atendi, rindo.

Hm, oi. – disse Edward, meio desconfortável.

— Hmm... é. – fiz eu, sem graça.

Droga, eu queria adiar um pouco mais isso. Pelo jeito, alguém lá em cima realmente não gosta de mim.

Nós precisamos conversar, não acha? – ele falou, claramente sem graça.

— É... Olha, sobre ontem... – comecei.

Relaxa. Eu não liguei para te encher.

Respirei fundo, tomando coragem.

— Mas... – insisti. – Sério, eu... falei muitas coisas que não são verdade. Me desculpe, de verdade. – admiti, mordendo o lábio.

Hm, tá. Tudo bem. – respondeu ele, meio constrangido.

— Então... Er... – pigarreei. – Você tem alguma ideia sobre o tema?

Na verdade, eu tenho algo a propor. – ele falou rapidamente, e me esforcei para entender.

— Pode mandar. – respondi.

Nós dois temos que fazer esse trabalho. E, ao contrário do que você pensa, eu também vou me esforçar.

— Claro.

Estou falando sério! – insistiu ele, um pouco alterado.

— E-eu sei! – garanti, surpresa pela intensidade dele. – Não estou dizendo que não vai!

Ele respirou fundo.

Me desculpe. Achei que você estava ironizando. – ele justificou, com um tom rude, mas não exatamente mal educado.

— Não, eu não estou. – afirmei, respirando fundo também. – Diga, o que você quer propor?

Um acordo. – ele falou, a voz soando insegura.

— Entre... nós? – arrisquei, meio confusa.

Obviamente.

— Ou não. – dei de ombros.

O que quer dizer? – reclamou ele.

— Não é necessariamente óbvio. – expliquei, suspirando, cansada.

É sim. – rebateu ele, meio grunhindo. Imaginei-o cerrando os dentes.

— Não é. – teimei, rindo.

Estou te ligando para falar sobre criar um acordo. Acordo entre mim e o papa, claro. – ele ironizou.

— Vai saber, Edward... – Não resisti a brincar. Ri levemente.

Argh, Isabella. Não se faça de burra, isso você não é.

— Não sou burra? Oh, obrigada. Acho que isso era pra ser um elogio, não?

Voltando ao acordo... – ele grunhiu.

Gargalhei.

— Okay, okay. Diga-me.

Sem brigas enquanto tivermos que trabalhar juntos. – ele propôs.

Gargalhei novamente.

— Sem brigas? Ah, qual é! Isso é absurdamente utópico!

Bella... – ele pediu. – Por favor. Não leve isso na brincadeira.

— Bella? Achei que era só Isabella pra você! – provoquei, sem segurar o riso.

Sinceramente, qual é a diversão em me atormentar? – fez ele, sério. Abafei um riso, tossindo. – Eu te ligo duas vezes para tentar tomar alguma providência sobre NOSSO trabalho e primeiro você me trata... digamos, nada dignamente... e depois fica o tempo todo rindo da minha cara.

— Edward... – comecei, mordendo o lábio para não rir, o que tornou minha voz meio estranha.

Eu esperava mais de você. – disse ele, sério.

E, cara, vou te contar. Isso doeu. Você sabe, o fato de ele ligar, sem estar com raiva de mim depois do que eu fiz, e agora eu o havia decepcionado. Me senti terrivelmente imprestável.

Respirei fundo e tentei recuperar a seriedade. Pensando bem, eu devia muito mais que desculpas a ele.

— Olha... Tudo bem. – respirei fundo de novo. – Vamos fazer o acordo.

Tá. – fez ele, desacreditando.

— Não... A sério. – insisti. – Nada de atormentar um ao outro, nem dizer coisas idiotas. E... sobre o trabalho, bem... Como você comentou sobre o filme, bem, acho que podemos fazer sobre alguma história realmente... Porque eu acho sinceramente que seria bem... legal, eu acho. – falei, de uma vez só.

Eu estive pensando sobre isso também. – foi a resposta que recebi.

Nem um "que coisa ridícula", ou afins. Ele disse como se realmente concordasse com o que eu falei.

Você tem alguma ideia de livro? – ele perguntou, um tom estranho de insegurança tomando conta de sua voz.

Pelo que eu o conhecia, ele estava tentando ser objetivo, mas achei que ele tinha uma ideia. Eu tinha alguns livros na cabeça, mas preferi não comentar.

— Nenhuma. Você? – pedi.

Bem... – ele enrolou.

— Tudo bem, acho que devemos abrir uma nova cláusula no acordo. – cortei-o. – Nós precisamos... confiar... mais... um no outro.

Onde está querendo chegar?

— Eu tenho sido bem chata em relação à sua opinião. Não vou fazer isso de novo, prometo.

E...?

— Pode falar no que você está pensando. Sério. Não vou rir, nem criticar. Vou ouvir.

Ele hesitou por um momento, balbuciando algumas coisas.

Bem... – fez ele novamente. – Eu comecei a ler um livro. Estou acabando, quase... E... Ele é muito bom, sabe? Eu achei que talvez... Bem...

Eu sorri.

— Qual é o nome do livro? – perguntei, o sorriso evidente em minha voz.

É um livro de romance, quer dizer, não exatamente romance, mas...

— Edward, relaxa. – pedi. – Sério. Vou me comportar.

Ele riu, embaraçado.

Sabe o que eu estava pensando também? Ela disse que era um trabalho, mas não precisa ser exatamente uma monografia... Então, talvez, nós possamos também, quem sabe, algo como um clube do livro também seria interessante para a escola, e...

Suspirei.

— Edward. – chamei calmamente, quase até carinhosamente. – Por favor. Qual é o nome do livro?

O Morro dos Ventos Uivantes. Emily Brönte. – ele disse, meio suspirando, com um ar sem graça e cansado.

Okay, eu admito. Edward me surpreendeu muito com a escolha desse livro. Quer dizer, além do fato de ser um clássico – tipo de coisa que eu pensei que nunca passaria pelas mãos dele -, era um livro maravilhoso, que, aliás, falava de amor.

Mais de ódio do que de amor, mas os personagens "principais" se amavam, então, digamos que era um livro de amor.

De modo que, de tão surpresa, eu não falei nada. Abri a boca para pelo menos soltar um "ahn", mas ela parecia meio seca. Simplesmente fiquei quieta.

Bella? – fez ele, inseguro.

— Hmmmm... – respondi, meio gemendo. Soltei um riso baixo, de pura surpresa.

Você... não vai... dizer nada? – perguntou Edward, definitivamente com medo.

— Hm. Ah. Er. – fiz eu, me xingando por não conseguir formular algo decente.

Respirei fundo e balancei a cabeça, meio rindo.

— Bem... O que quer que eu diga? – perguntei, sorrindo meio boba.

Porque, além de um livro maravilhoso, aquele era o meu livro preferido. Provavelmente o livro que eu mais li na vida – com exceção dos livros didáticos, obviamente.

Um livro que eu tinha guardada uma edição especial, que ninguém mexia, e outra, que eu lia sempre.

Era um livro que eu sabia inúmeros trechos de cor, mas que mesmo assim chorava toda vez que lia o "fora" que Heathcliff dá em Isabel, quando está falando com a Nelly sobre ela, assim que eles voltam, depois de ele tê-la enganado ligeiramente, para que eles fugissem juntos.

Você poderia dizer... que... odiou a ideia? – perguntou ele.

— Odiar? – ecoei. – Não, eu não odiei.

Então pode dizer a sua opinião, por favor? – ele pediu.

— Ahn... Na verdade, eu gostei. – sussurrei, meio tímida.

Era estranho o fato de admitir que eu concordava com ele. Soava como se algo estivesse errado.

— Tudo bem, então. Vou ser sincera. – respirei fundo e soltei tudo num jato. – Eu adoro esse livro. É meu livro preferido, e um livro lindo, bem escrito e tão... cativante! Eu adoraria fazer o trabalho sobre ele.

E foi a vez de Edward ficar quieto. Nenhum "nossa", ou quem sabe "que legal". Nadinha. Necas de coisa alguma.

Hm. – ele disse.

— Hm? – ecoei.

É. Hm. Estou me recuperando psicologicamente ainda. – fez ele, rindo.

Não pude evitar uma risada.

— Acho que nós dois temos idéias pré concebidas bem... equivocadas. – comentei.

Talvez. – fez ele, meio rindo ainda. – Quer dizer que você gosta de clássicos?

Parei por um segundo. Não brigar não significava que nós íamos ser, tipo, amigos. Fiz uma careta e não respondi.

— Eu tenho mais coisas pra fazer. – falei rápido. – Até mais.

E desliguei.

Afinal, Deus do céu, puxar papo era o fim. Eu não ia simplesmente, "ah, oi Edward, como foi seu fim de semana?". Aí já era demais pra mim. Falar com ele como se eu não o achasse o cara mais idiota da escola não fazia parte do contrato. Não mesmo.

Limpei a casa sem muito ânimo e coloquei uma porção de lasanha para rodar no microondas. Comi devagar, pensando na vida. Decidi ligar o computador e checar meu e-mails.

Obviamente tinha um de Renée. Suspirei e respondi o e-mail com todo o carinho do mundo, falando sobre algumas coisas da minha semana – menos a detenção, mas sobre o trabalho com Edward e sobre conhecer Alice e Jacob.

Okay, eu já conhecia Alice, eu apenas nunca havia falado com ela – afinal, ela se vestia com roupas de grife, daquelas que uma peça custava mais que minha renda mensal.

E o mais engraçado, é que ela era uma boa aluna. Do tipo que nem precisava ser nerd para tirar notas boas, sabe? Ela só havia ido para a detenção por causa de bilhetinhos trocados na aula.

Quando perguntei com quem ela trocava os bilhetinhos, ela corou. Ri baixo, sem conseguir evitar. Jacob explicou que quando Alice viu que a professora estava vindo, ela jogou o papel para trás e caiu na mesa dele. Ele abriu o papel, sem entender, e a professora arrancou da mão dele, mandando os dois para a detenção.

Pensando agora, devia ter sido uma cena bem hilária, principalmente para Jasper – o garoto que estava trocando bilhetinhos com Alice de verdade.

.

Eu até queria fazer uma pesquisa mais aprofundado sobre Emily Bronte, mas o computador não quis cooperar, então fui obrigada a pegar meus cadernos para estudar para as provas finais.

O telefone tocou e eu corri para atendê-lo.

— Alô? – falei, meio sem fôlego.

Oi, Bella! Fico feliz que você tenha se acertado com Edward!

— Hm... Acertado? – repeti, confusa.

Ah, toda a história do acordo de vocês... Ele acabou de me contar. – explicou Alice.

Suspirei. Bom, se Alice estava feliz, isso significava que Edward também estava feliz, huh? Talvez ele não tivesse levado aquele "tenho mais o que fazer" para o lado pessoal.

Me senti estranhamente aliviada por isso.

— Ah, sim, claro. É. – respondi, meio aérea.

E então, eu estava pensando em fazer compras hoje, e queria que você fosse comigo, e...

Antes que Alice terminasse, ouvi uma gargalhada que não devia ser tão familiar para mim.

Já, Alice? Coitada da garota... – Edward gritou, rindo.

— Não acho que seja uma boa ideia. – cortei, antes que ela dissesse mais alguma coisa.

Por que não? É uma ideia maravilhosa! E além do mais, hoje vai ter uma festa na casa da Rosalie e...

Fiz um barulho de desgosto.

— Eu não vou às festas. E não gosto de compras. – simplifiquei.

Por que não? Ah, se você não gosta de festas, vai aprender a gostar, porque...

— Alice. Eu não sou o tipo que é convidada para festas. E além do mais, não, eu simplesmente não gosto de festas. E não vou aprender a gostar. – avisei.

Antes que Alice dissesse mais alguma coisa, ouvi alguém na porta.

— Tem alguém chamando, nos falamos depois. – escapei. – Até segunda.

E desliguei, indo para a porta. Nem olhei quem era, simplesmente abri a porta e encarei o visitante.

— Bella?

— Jacob?

Nós dois nos olhamos, confusos e ele deu uma risada. Acabei rindo também, ao perceber a situação. Ele segurava um pacote embalado de forma simples, com papel pardo.

— Hmm... – eu ri de novo. – Você quer... entrar?

— Ahn... eu acho que eu errei. – ele olhou para o número ao lado da porta e depois para o pacote. – Você conhece... hm... Charlie Swan?

— É meu pai. – expliquei, olhando o com curiosidade.

— Oh. – fez ele.

— E então...? – perguntei, apontando o pacote. – Você vai entrar?

Ele riu levemente.

— Não, eu estou só de passagem. – ele sorriu serenamente. – Bom... você pode entregar isso para o seu pai?

Eu peguei o pacote, ainda meio hesitante.

— O que é? – questionei, curiosa.

— Meu pai pediu para entregar para o seu, mas na verdade isso veio de Harry Clearwatter. Algo como fotos de quando eles eram jovens... - ele explicou.

— Hmm... Tá. – murmurei.

— E então... Nos vemos por aí? – ele disse, piscando.

Eu ri.

— Claro, claro.

Só então reparei no que eu havia dito. Meio indiretamente – mas não tão discretamente – ele havia mencionado a possibilidade de sairmos juntos. Ou talvez eu só estivesse sendo paranóica, mas foi o que me pareceu. Soltei um riso nervoso, tentando sorrir. Ele riu também e se afastou.

— Tchau, Bells. – ele acenou.

— Tchau. – respondi.

Entrei em casa, meio confusa. O fim de semana passou rápido, e eu consegui escapar de Alice e seus planos mirabolantes – com a ajuda inconsciente de Charlie, que disse que era melhor eu estudar para as provas finais, do que sair.

Passei praticamente o sábado todo e o domingo inteiro relendo O Morro dos Ventos Uivantes, só por diversão. E então, mais rápido do que eu gostaria, a segunda-feira chegou.

Agora era a hora de honrar o acordo.

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Demorei, mas cheguei! lol
Desculpem-me pela demora, sério. É que eu estou tendo que fazer muitos, muitos, muitos
mesmo, muitoos trabalhos... E então tá difícil =/
Amei todas as reviews! *-*
Foram 24, e eu adoreei todaas!!

Um beijão especial para:
rafa (calma, que assim que vc mandou a review eu já postei *o*),
Dada Cullen, Mari Pattinson Br, Vivi LeBeau, Lis Swan, Mimy Cullen, Tata Black (eu sei! sou super baixinha também, tenho menos de 1,60, todo mundo me zoa .), Cecilia23, Cris, Miny'h, Kah Reche (pode ter certeza que tem MUITAS que querem o Edward ;D), Ingrid F., Luiiza, bgsmeinterfona, Ise Cullen, Maarii, Gabi-b, Alline Viana, Tatianne Beward, Alicinhaa Cullen :9, Bee Stream (hauhahuahauah, pode deixar, eles vão se matar no final ;D), Nessa Clearwatter.

Obrigadaaa! *-*
Prometo que não vou demorar mais de uma semana pra postar o próximo se eu tiver 25 reviews ou mais ;)
Beijão! :*

*Bree