O de sempre: Não, não vou parar com essa fic. E desculpem pela demora absurda. .

5. Briga

BPoV

Durante o sábado, eu havia quicado no sofá, esperando Charlie chegar para que eu pudesse abrir o tal "presente". Aproveitei e perguntei a ele se, por acaso, conhecia Jacob.

— Ah, ele é um bom menino. – foi a resposta que recebi.

Ele é um bom menino? Eu merecia pelo menos um "ele é filho do fulando, chegou em Forks há uma semana", não? Quando argumentei, ele apenas disse que o conhecia há pouco tempo, e que não tinha nada para dizer.

Mas as fotos valeram a pena. Ver Charlie com 17 anos me fez entender – um pouco, só um pouco; ainda acho loucura – porque minha mãe havia casado com ele com tanta pressa, logo depois do fim do ensino médio.

Eu tinha que admitir que ele era muito fofo, e seu sorriso era ainda mais encantadoramente simpático naquele corpo vinte anos mais novo.

Brinquei com ele sobre isso e ele corou. Mais uma vez tive certeza de que eu era uma total cópia dele – exceto pela parte da loucura, claro; eu nunca me casaria com 19 anos.

Enquanto me arrumava para ir para escola na segunda, pude sentir um buraco no estômago – nada relacionado à fome, diga-se de passagem –, como se algo estivesse se remexendo lá.

Me senti insegura quanto a ver Edward, e isso me fez ficar terrivelmente inquieta. Os minutos passaram mais rápidos do que eu gostaria, e logo estava saindo de casa, após me despedir de Charlie.

Cheguei na escola e fui direto para a sala – aula de inglês. As pessoas foram chegando, e eu vi Alice e Edward entrando juntos. Nesse ponto eu já estava tendo um ataque cardíaco de tanta ansiedade.

— Bella! – gritou Alice, andando até mim com os braços abertos.

Sorri para ela.

— Olá, Alice. – cumprimentei, me erguendo um pouco para abraçá-la.

Ela me apertou, como se fosse um abraço de despedida e eu ri. Edward revirou os olhos sorrindo e acenou com a cabeça para mim. Forcei um meio sorriso – que eu rezei para que parecesse autêntico – para ele e me sentei de volta. Por alguma bondade divina, Alice resolveu trocar de lugar com Edward, sentando-se ao meu lado.

— Obrigada. – sussurrei para ela, e ela apenas revirou os olhos.

O professor estava falando sobre temas que eu já conhecia, então não estava prestando muita atenção. Alguém cutucou meu ombro e eu pulei, assustada. Me virei pra trás e Edward estava segurando o riso. Lancei-lhe um olhar maligno.

— Não morra, não, Isabella. Não vou ter quem atormentar. – ele falou, com aquele sorriso torto debochado.

Revirei os olhos e ele me entregou um papel dobrado. Virei para frente de volta e abri a folha no meu colo.

Às 4h na minha casa, estava escrito, a caligrafia caprichada dele com um pingo no "i" em formato de coração. Fiz um som de nojo.

Tudo bem. (isso foi irônico), respondi, desenhando uma cruz no "t".

Por que você nunca facilita as coisas?

1) eu nem sei onde é a sua casa. 2) você acha mesmo que eu vou ficar sozinha com você???

Alice. – ele respondeu simplesmente.

Nesse momento, como se eu tivesse a chamado, Alice se inclinou e leu a pequena conversa.

Ok. – ela escreveu.

Joguei o papel pra trás, revirando os olhos.

Ótimo. Não se atrase.

Soquei o papel dentro da bolsa, sem me dar ao trabalho de responder.

— Vocês têm toda essa tensão sexual e ainda querem dizer que não se gostam? – murmurou Alice para mim.

Eu me engasguei.

Como é? Tensão de quê?? – sibilei.

— Você sabe... Essa coisa toda de "eu te odeio", "ah, eu te odeio também". Você sabe que não é bem isso. – ela disse, com um sorrisinho maldoso.

Eu me virei para ela com a boca aberta e os olhos arregalados.

— Você. É. Mais. Doida. Do. Que. Eu. Pensava! – falei, em choque.

Ela soltou um riso baixo e não falou mais nada.

No horário do almoço eu segui sozinha até o refeitório, como sempre. Mas quando cheguei lá, Alice acenou para mim. Olhei para ela, confusa, e depois olhei para trás, procurando alguém que ela conhecesse.

Ouvi a risada de Edward e me virei de volta. Percebi que os dois estavam olhando pra mim, e arrisquei um passo naquela direção. Só que, distraída como estava, trombei em alguém.

— Opa, garota!

Reconheci imediatamente a voz de Jacob e sorri enquanto ele ria.

— Olá. – falei.

— Cuidado por onde anda, Bells. – ele disse, rindo ainda.

Revirei os olhos.

— Claro, claro. – concordei, meio irônica.

— O que seu pai falou das fotos? – ele perguntou.

— Eu me diverti muito mais que ele. Meu pai jovem era muito fofo. – brinquei, fazendo um biquinho.

Jacob riu.

— E então, onde você vai se sentar? – ele perguntou, ainda com um sorriso no rosto.

Eu olhei para a mesa dos Cullen e vi Edward se levantando com uma expressão nada feliz e vindo na minha direção.

— Alice me chamou. – falei, meio em tom de desculpas.

— Ah, certo. – disse Jacob, seu sorriso diminuindo só um pouco.

— Bella, Alice disse para você vir logo. – fez Edward, um tanto roboticamente.

— Bella? – ecoei, surpresa.

— Argh. Não comece, por favor. – falou Edward, revirando os olhos.

Whoa! – falei. – Calminha! Não fiz por mal, eu juro!

Estiquei minhas mãos com as palmas viradas para a frente, me rendendo.

— Certo, então vá para lá. – Edward disse, rude.

Olhei para ele, definitivamente surpresa.

— Alguém está de mau humor. – comentei.

Me virei para Jacob com um sorriso meio sem graça pela cena que ele havia presenciado, mas Jacob não estava olhando para mim – ele encarava Edward, com um misto de confusão e indignação.

— Isso não é modo que se trata uma dama. – disse Jacob, e eu revirei os olhos.

— Obrigada, mas você realmente não precisa fazer isso. – falei.

Algo no olhar de resposta de Edward me assustou. Por um segundo, pareceu-me que os dois iam simplesmente começar a se bater no meio do refeitório.

— Não se meta nisso. – disse Edward para Jake. – E, para sua informação, eu sei muito bem como se trata uma dama, o fato é que Bella não se encaixa nesse tipo.

Eu olhei para ele, ultrajada.

— Ei! Eu estou bem aqui, viu? – reclamei, trincando os dentes por alguma razão.

— As damas são só as que se atiram pra cima de você, então? – disse Jacob, calmo, mas ofendido.

Eles estavam se encarando, e Jacob estava falando. E então, de repente – não mais que de repente –, o punho de Edward estava no rosto de Jacob.

— EDWARD! – gritei, chocada.

Percebi vagamente que todos tinha parado para olhar os dois, mas antes que eu pudesse registrar os comentários idiotas, Jacob voou para cima de Edward. Não literalmente, claro, mas ele deu um belo soco.

Em outra situação, eu teria sorrido ao ver aquela cena.

Mas naquela hora não.

Eu fiquei em choque por apenas um segundo e então dei um passo para frente no momento em que os dois começaram a se socar loucamente.

— Não sejam ridículos! Parem com isso agor...

Só que eu não terminei a frase. E não foi por um susto, mas sim por que algo me atingiu. Eu levei um tapa. Ou um soco, que seja. O que eu sei é que doeu. Realmente doeu. E foi tão forte que eu não consegui ficar de pé.

Num momento eu estava falando, irritada, e no outro estava deslizando de costas no chão depois de ter sido agredida e jogada longe.

— Aii... – murmurei, fechando os olhos.

Minha cabeça girou e de repente haviam pessoas ao meu redor. Eu não conseguia entender porque elas estavam tão preocupadas. Alice foi a primeira a se dirigir diretamente a mim.

— Oh, meu Deus, Bella! – ela gritou. Continuei de olhos fechados, sem dizer nada nem me mexer.

Por mais que eu tenha sido atingida no rosto, eu sentia como se meu corpo inteiro estivesse anestesiado por um segundo. Eu respirei forte e entendi tudo.

Ah, merda.

O cheiro de sangue invadiu minhas narinas e eu arfei involuntariamente, piorando a situação. Senti alguém me levantando, mas não protestei. Eu não tinha certeza se poderia abrir a boca sem vomitar.

As exclamações se tornaram cada vez mais caóticas, e de repente tudo ficou calmo. Silencioso.

— Ah, meu Deus! – arfou a enfermeira. – O que aconteceu com ela?

— Houve uma briga no refeitório e ela tentou separar e...

Edward, seu filho da- grunhi, sem forças.

— Shhh... – ele falou, colocando o dedo em meus lábios.

Virei o rosto e abri os olhos a tempo de ver a preocupação de Edward ao me deixar deitada na cama.

— Ah, seu idiota! – reclamei, não mais alto que um sussurro. Meu nariz doía, mas não estava quebrado, pois já tinha sentido dor pior e sabia que sangramentos no nariz são fáceis de se conseguir.

— Desculpe, Bella. – ele falou, realmente preocupado.

— Poupe suas desculpas para alguém que acredite nelas. – grunhi. – Que tal uma dama?

— Bella...

— Não me venha com "Bella". – reclamei. – Isso está doendo, droga!

A enfermeira voltou com uma compressa de gelo e eu coloquei no rosto.

— Ah, mas que droga... – gemi, soluçando infantilmente e fechando os olhos de novo.

— Deixe-me ver, querida... – pediu a enfermeira.

— Eu estou bem. – teimei.

O sangramento já tinha parado no meio do caminho, e a dor começava a diminuir. Mas a minha fúria... ahh, ela ainda estava começando a aparecer.

— Eu te odeio. – falei, minha voz um pouco mais clara. – Eu realmente te odeio, Cullen. Se eu tiver que refazer o ensino médio vinte vezes, eu farei. Não vou passar nem mais um minuto do seu lado por espontânea vontade.

— Bella, foi um acidente... Não...

— Quer saber? Minha cabeça está estourando, então cale a boca, por favor. – reclamei.

Ele ficou quieto.

— E a droga do acordo? O que foi aquilo na frente de Jake? – perguntei.

— Não foi com você que eu falei. – ele justificou.

— Você vai ficar um mês de detenção, Edward! – gritou Alice, entrando na enfermaria.

Eu gemi e coloquei a mãos nos ouvidos.

— Eu sei, Alice. – disse Edward.

Nunca vai estar em casa às 4h! – ela reclamou.

— Onde está a enfermeira? – gemi.

— Ela foi chamar a diretora, provavelmente. – fez Edward, suspirando.

— Então se vire, Edward. – falei, pulando de pé e saindo da enfermaria depois de jogar a compressa de gelo em algum lugar.

Passei a mão pelo rosto, puxando o cabelo todo para trás. Respirei devagar e fui até o banheiro lavar o rosto.

— Wow. Estou medonha! – falei, ao me ver no espelho.

Depois de quase decente, saí de lá com a cabeça baixa. Meu Deus do céu, eu ia matar lentamente Edward Cullen. Na verdade, morrer era pouco para ele, definitivamente.

Distraída como sempre, trombei em alguém. Nem me dei ao trabalho de pedir desculpas, apenas desviei sem olhar.

— Bella! – disse Jacob, preocupado. – Me desculpe pelo que aconteceu lá, meu Deus do céu, quando eu vi você no chão eu...

— Tá tudo bem, Jake. – falei, levantando o rosto e me esforçando para sorrir. – Sério.

— E-eu... eu... Meu Deus... – ele balbuciou.

Não pude evitar uma riso baixo. Ele parecia tão preocupado em dizer alguma coisa, que acabou não dizendo nada.

— Eu estou bem, relaxa. – falei, dando de ombros.

Ele sorriu triste, e quando abriu a boca para falar alguma coisa, seu olhar se focalizou em algo atrás de mim. Eu já sabia, mas mesmo assim olhei para trás e vi Edward saindo da enfermaria.

Só então reparei que seu suéter estava ligeiramente arruinado por causa do meu sangramento. Não consegui reprimir um sorriso maldoso.

— Belo suéter. – falei, com os dentes meio cerrados.

Edward apenas revirou os olhos e lançou um último olhar de ódio a Jacob antes de passar por nós.

Alice me encarou com os olhos quase pegando fogo.

— Quero falar com você depois. – ela exigiu, sibilando.

— Sim, senhora. – brinquei.

Ela cerrou os olhos e saiu também. Suspirei.

— Não se incomode, é sempre assim. – falei, reparando no olhar meio surpreso de Jake.

— Ah. – fez ele, ainda confuso. – Bem... Eu acho que estou te devendo uma, por causa de toda essa confusão de hoje.

Eu ri.

— Já disse, sem problemas. – insisti, dando de ombros novamente. – Eu nem preciso de outras pessoas pra me machucar.

Ele me olhou preocupado por um segundo.

— Eu ainda acho que...

Revirei os olhos sorrindo e coloquei a mão no ombro dele.

— Estou ótima. Sério. – falei. – Não foi culpa sua. Quer dizer, não foi você que começou.

— Mas eu não devia ter continuado! – ele insistiu.

— Meu Deus, Jake... – bufei, rindo. – O quê eu preciso fazer para você entender que eu não estou chateada ou algo assim?!

Ele sorriu.

— Saia comigo hoje.

Eu dei um riso meio nervoso e tirei a mão dele.

— Mas hoje é segunda. – falei.

— Só uma volta. – seu sorriso aumentou.

Mordi o lábio.

— Eu nem sei se eu tenho permissão para sair no meio da semana. – falei.

Jake riu levemente.

— Não vai saber se não perguntar. – fez ele.

Eu o encarei, um sorriso ameaçando a aparecer em meu rosto.

— Certo. – falei. O sorriso dele faiscou. – Que horas?

— Lá pelas seis, ok?

— Bom. Eu tenho mesmo que voltar cedo. – sorri. – Agora eu vou até a secretaria, então... Boa sorte com a srta. Hathaway.

Ele suspirou.

— É. Até mais tarde.

— Uhum. – falei, saindo.

Certo. Então agora eu tenho um encontro. Olha só, que ironia do destino. Respira, inspira. Vamos lá, então.

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Se eu disser que esse capítulo ficou um lixo, isso não passa nem perto da realidade. Rs.
Eu imaginei de outro jeito, mas
enfim.
Obrigadinha a vocês todas, por esperarem .

Especialmente a:
Reh, , Dada Cullen, CullenB, HelenEmilyRPM, Rafinhaa, Alicinha Cullen, Igreid F., Ana Carolina, Cecilia23, Maarii, Luiiza, lais h., Joyce Flexa, Nessa Clearwater, rafa, Tata Black, Marina, Bee Stream, Gabi-b.

Adorei todas as reviews! *-*
Obrigadinhaa!! ^^
Um beijo!