6. O encontro
Exatamente às seis horas eu ouvi um carro estacionando na frente de casa. Olhei para Charlie, que devorava ferozmente seu prato de macarronada.
— Hmm... pai? – chamei, como se estivesse desinteressada.
Ele levantou os olhos e balançou a cabeça, assentindo para que eu prosseguisse. A frase saiu mal formulada e estranha. Eu não queria que parecesse um pedido, mas ao mesmo tempo não tinha a intenção de desrespeitá-lo.
— Hoje eu vou sair com um amigo meu... Se não ligar, claro.
— Hoje? Agora? Mas é segunda-feira! – disse ele, de boca cheia, saindo algo como "hochê? Acora? Mash ê xogundha-foira!"
Abafei um riso com uma tosse.
— Só uma voltinha. – expliquei. – Volto cedo, ainda tenho que revisar algumas coisas para as provas finais.
— É bom mesmo que volte. – confirmou ele, mas pude distinguir um sorriso em sua voz.
Sorri para ele, me levantando às pressas. Andei até a porta e a abri no segundo em que Jacob ia bater.
— Timming perfeito. – ele disse, sorrindo.
— Olá! – falei, rindo.
Sorrimos um para o outro por um segundo.
— O que seu pai disse? – perguntou Jake, com expectativas óbvias em seus olhos.
— Não posso demorar. – alertei, séria. Jacob deu-me seu sorriso de sempre: espontâneo e contagiante.
— Sim, senhora. – ele bateu continência, solene. – Vamos?
— Claro. – respondi, rindo.
Mas dei um passo para trás, para gritar uma despedida rápida a Charlie.
— Estou saindo, pai. – falei, ao mesmo tempo que ele perguntou "Mas com quem é que você vai sair?"
Ele veio até a sala quase num passo só e nos viu na porta. Estou doida? Eu vi um desapontamento no olhar de Charlie?
— Olá, Jacob. – disse ele, feliz, mas formal.
— Boa noite, Chefe Swan. – disse Jake, educadinho. Não agüentei segurar um riso baixo.
— Até mais tarde, pai. – o cortei, antes mesmo que ele começasse com as perguntas.
— Não volte tarde! – repetiu, soando mandão.
— Sim, senhor! – respondi, saindo com um sorriso.
Jacob passou o braço por cima do meu ombro distraidamente e depois escorregou para minha cintura. Eu ri.
— Muito sutil. – elogiei, meio irônica.
— Desculpe, Senhorita Perceptiva! – retrucou ele, rindo, mas sem tirar o braço em volta de mim.
Andamos até o carro dele e eu parei.
— Aonde vamos? – questionei. – Tenho que voltar cedo.
— Como prometi, só uma volta. – insistiu. – Quero te levar a um lugar.
— Hmm... – fiz eu, desconfiada.
Dei mais um passo a frente, mas ele me impediu.
— Vamos andando. – avisou.
— Ah. – falei. – Certo.
E então começamos a andar pela calçada, na rua silenciosa.
— O que a Srta. Hathaway disse a vocês hoje? – perguntei, distraída.
Jacob fez um som de repulsa.
— Uma semana de detenção. – disse ele, revirando os olhos. – E mais algumas horas de trabalho voluntário nas férias, também.
— Bem, pelo menos você não teve que fazer um trabalho com ele. – suspirei, soltando um muxoxo.
— Mas você vai conseguir, tenho certeza. São só duas semanas, certo? – assenti para ele. – Acho que pode aguentar.
— Eu não acho. – reclamei.
— Aliás, eu sei que ela é sua amiga e coisa e tal, mas... O que aquela garota, Alice, tem? – perguntou Jake, virando-se um pouco para mim, enfatizando a pergunta com seu olhar confuso.
— Ahh, não vai querer saber. – falei.
— Ela me odeia ou algo assim? – ele chutou.
Ri sozinha.
— Não, não é isso. É só que ela acha... ela... argh. – balancei a cabeça, fazendo uma careta.
— O que ela acha? – insistiu Jake.
— Ela cismou comigo e Edward. Diz que tudo o que nós fazemos é brigar para disfarçar nossa "tórrida paixão". – expliquei, desenhando aspas no ar e revirando os olhos com exagero.
Jacob ficou em silêncio por um segundo.
— E isso que ela pensa é verdade? – perguntou.
Eu o encarei, a boca escancarada e os olhos arregalados.
— Meu Deus. – murmurei. – Não acredito que você pensou na possibilidade de isso ser real!
Ele não pareceu achar tão absurdo assim.
— Eu não sei... Vocês tem essa coisa tão intensa entre vocês...
— Uuuuurrrgh!!! – gemi, fazendo uma careta. – Pelo amor de Deus!!! Se Edward fosse meu amigo, e dissessem alguma coisa dessas, eu riria, mas... urrrgh! Isso é nojentamente absurdo!
Jacob riu e diminuiu o passo, me fazendo atravessar a rua. Eu não tinha olhado, mas havia uma pequena praça ali. Eu me lembrava desse lugar – costumava brincar lá, quando mais nova. Me arrastei até o gira-gira e sentei com ele ao meu lado sorrindo.
— Super maduro. – falei, apontando para onde estávamos sentados.
— Claro, claro. – disse, rindo.
Ficamos um minuto num silêncio confortável. Ao passar do tempo, fui me sentindo estranha. Algo na postura de Jake me deixou... nervosa. Como se ele fosse me beijar a qualquer momento.
Pois é. Não errei.
Mas não foi repentinamente, não. Não mesmo.
Ele começou a se aproximar devagar, muito devagar. Mordi o interior da minha bochecha, fazendo um biquinho estranho de nervosismo. Não acho que ele tenha percebido, porém.
Quando já estava quase tão perto que eu podia sentir sua respiração batendo em minha bochecha – uma sensação bem agradável, na verdade –, ele pôs a mão em meu pescoço, delicadamente.
E então, ele já estava me beijando e não havia mais como escapar.
Eu nem queria.
Hesitante, espelhei o movimento dele. Na verdade, eu estava meio confusa. E toda aquela coisa de fogos de artifício por dentro? A vontade de nunca mais parar, apenas se perder por ali mesmo? Quem sabe... um arrepio?
Não que não estivesse sendo bom, mas... Idiotamente, faltava alguma coisa. E também não que eu tivesse outra experiência para comparar com aquela, mas, novamente, faltava alguma coisa.
Talvez Jake também estivesse procurando essa coisa – pelo menos pelo jeito que ele estava explorando minha boca.
E então, acabou.
Simples assim: Num segundo ele me agarra e então, pufft, ele já está longe.
Fiquei o encarando, surpresa demais para pensar em outra coisa que não fosse "wow, o que exatamente foi isso?". Minha expressão não devia estar das melhores porque ele me lançou um sorriso triste e murmurou alguma coisa.
— Como é? – pedi, encontrando minha voz.
— Rápido demais?
Eu pensei antes de responder. Havia sido rápido demais? O beijo, não – quis responder.
Achei que entendia a situação. Jake havia chegado nesse ponto rápido demais, realmente. Mas era isso que ele estava me perguntando?
Indecisa, balancei a cabeça, negando.
— Eu só... fiquei surpresa. – falei. Surpresa é um eufemismo absurdo comparado a como eu fiquei, mas tudo bem.
— Ah. – disse ele, e então me beijou de novo...
... como se fosse algo normal.
Como se nós fôssemos, sei lá, namorados. Sem nem pedir autorização e nem sequer me deixar perceber que ele ia fazer isso. Depois dizem que as garotas é que são confusas!
Já estávamos lá há mais de uma hora, e eu sabia que tinha que voltar. Eu só não conseguia me obrigar a quebrar o ritual um beijo, um diálogo. Mas eu precisava, obviamente.
— Tenho que ir. – falei, lá pelo milésimo diálogo.
— Tão cedo? – ele murmurou. Assenti. – Então vamos.
E nos levantamos para ir embora. O caminho de volta foi mais descontraído – nós passamos praticamente o tempo todo rindo. Rindo de professores, rindo da escola, rindo de causos...
Só quando já estava perto de casa o suficiente para ouvir o narrador do jogo de baseball, foi que eu vi o Volvo prata. Estaquei.
— O que foi? – perguntou Jake, percebendo meu desconforto.
— Ainda não são nem nove horas, não é? – murmurei.
— Não. Ainda é bem cedo. – disse ele. – O que está acontecendo, Bella?
Fiz uma careta e um barulho estranho, meio bufando, meio gemendo.
— Acho que Edward está aqui. – expliquei, suspirando. – Ou Alice. – emendei.
— Ah. – fez ele. – Ah. Eu devo ir, então.
Mordi o lábio.
— Eu não gostaria que você fosse só porque ele está aqui, mas... Eu acho que é melhor ir, mesmo. – falei.
— Vou te ver de novo fora da escola? – disse ele, flertando com o olhar. Eu soltei um riso baixo.
— Desde que não seja uma segunda-feira... – dei de ombros.
— Amanhã é terça. – disse ele, levantando uma sobrancelha sugestivamente.
Ri de novo, um pouco mais alto.
— Certo. Até amanhã, então. – falei, me virando para ir embora.
— Ei! – ele me chamou, puxando meu braço levemente para que eu voltasse até onde ele estava.
Não houve aviso, mas eu já sabia que ele ia me beijar. Jacob nunca fora tão grande. Meu pescoço começou a doer em poucos segundos e eu me afastei.
— Até. – repeti, indo para a entrada de casa.
— Boa noite. – disse ele, antes de entrar no carro e sair.
Observei seu carro até sumir na esquina e então suspirei, criando coragem para entrar em casa.
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Esse capítulo demorou demais pra tão pouco, eu sei. Na verdade, ele já estava pronto há quase uma semana, mas eu JURAVA³ que já tinha postado. Só reparei que não tinha, hoje.
Todo mundo sabe o que é um gira-gira, né? hauhauhauhaha'
Bem, é isso.
Um obrigada especial pra quem deixou review:
Gaby J', babiengelmann, bruh prongs, Meg Stewart, Alicinha Cullen, reh, Valentyna Black, Bee Stream, Cecilia23, **Mary Masen Cullen-96, Nessa Clearwater, HelenEmilyRPM, Manuuu, Ingrid F., Rafinhaa, LaraBM, Maarii, Adriana Paiva, Tata Black, Gabytenorio, Luiiza.
Até o proximo! :*
*Bree
