9. Crise

— O que está aprontando? – perguntei, receosa, ao andar ao lado de Jacob para o nada.

— Nenhum lugar específico. – disse ele, dando de ombros.

— Ah, então podemos parar aqui mesmo. – sugeri, com um sorriso. Fiquei feliz que minha voz não tinha soado ultrajada, como eu me sentia.

Afinal, a luz da rua já começava a se perder nas pedra, e eu não queria ser a garota que fica no escuro com o garoto.

Sentamos em uma pedra qualquer, lado a lado. Qual era mesmo o propósito disso tudo? Me lembrei de mais cedo, do jeito que a conversa fluía naturalmente com Edward.

Parecia que com Jacob era impossível conversar. É claro que eu tinha bons momentos com ele, mas não era a mesma coisa. Bem, na verdade, eu conversava com Jacob. Só que nos falávamos por dois minutos, e passávamos o resto do tempo nos beijando.

Jacob me beijava enquanto eu pensava isso. Foi então que percebi. O choque foi tão grande que eu estaquei por um segundo, e depois me afastei dele, com os olhos arregalados e a boca aberta.

Eu estava comparando Jacob – um garoto que eu beijara – com Edward, o garoto que eu... bem, na maior parte do tempo, odeio.

— O que foi? – perguntou Jacob, confuso.

De verdade, senti náuseas. Meu estômago se revirou tão bruscamente que eu me levantei e pus automaticamente a mão cobrindo a boca.

Urgh!

— Você está bem? – estranhou Jacob. Parecia ter perdido algo muito importante no meu decote. Desejei socá-lo.

— Pode me levar pra casa? – falei, rude.

Ele levantou os olhos.

— Eu alguma coisa que te...?

— Não. – respondi, com ironia contida. Você só me trouxe para um lugar escuro e não olhou em meus olhos nem por um segundo, completei mentalmente.

Andei para o carro sem olhar para trás. Jacob brotou no banco do motorista e ligou o carro, dando ré e saindo dali.

— Você está bem? – perguntou ele, casualmente.

— Acho que vou vomitar. – sussurrei.

Jacob parou o carro do nada, e eu bati a cabeça no painel do carro. Meu estômago se revirou ainda mais. Ele se inclinou sobre mim, do mesmo modo que Edward fez, e abriu a porta do carro. URGH! Porque eu não paro de pensar em Edward?

— Melhor fazer isso lá fora. – disse ele, assustado.

Aquele encontro poderia piorar mais? Grunhindo qualquer coisa, comecei a andar em direção da estrada. Será que ele não percebeu que eu estava, hum, exagerando um pouco?

É claro que eu não ia vomitar. Quer dizer, foi bem estranho pensar em Edward e tal, mas nem tanto!

E, além do mais, eu nem tinha nada no estômago para vomitar. Saí andando, nervosa, sem me importar que eram cerca de vinte quilômetros até a minha casa.

Eu só queria ficar sozinha.

Depois de um minuto ou dois andando, ouvi um carro vindo atrás de mim, devagar. Virei, e era Jacob.

— O que você está fazendo aí? – ele perguntou, assustado.

Okay, agora ele pensa que eu sou louca, ótimo.

— Indo pra casa. – respondi simplesmente, olhando para frente.

— Eu te levo! – fez ele, confuso.

— O carro balançando é que está me dando enjoo. Tudo bem, eu vou à pé. – falei, com um sorriso meio falso.

— Tem certeza?

— Claro.

E então ele saiu. Xinguei baixo e peguei meu celular, geralmente sem utilidade alguma, no bolso. Liguei para Alice.

Alô? – Edward atendeu. Ah, claro.

— Hmm, Edward... Posso falar com a Alice? – perguntei, mordendo os lábios.

Ela não está. – ele respondeu.

Gemi, derrotada. Ia ter que andar mesmo.

Hmm... Existe algo que eu possa fazer? – fez Edward, provavelmente por educação. Achei que meu lamento tinha sido baixo, mas pelo jeito Edward havia escutado.

— Não. – respondi rápido, sem graça.

Tem certeza? – ele insistiu. – Para o que você estava ligando pra ela?

Sem querer, soltei.

— Eu ia pedir para ela vir me buscar e levar para casa. – falei.

E isso é algo que eu não tenha capacidade para fazer. – ele constatou, rindo.

— N-não é isso, é que...

Onde você está? – ele perguntou, ainda meio rindo.

— N-não precisa. – falei, gaguejando. – Sério, estou bem.

Isabella... Orgulho não faz bem a ninguém. – disse Edward, com um certo tom de repreensão.

Mordi o lábio. Edward suspirou.

Onde você está? – ele perguntou de novo, calmamente.

— Em algum ponto da rodovia entre La Push e Forks. Ainda em La Push, acredito. – respondi.

O que você está fazendo aí? – ele estranhou.

— Longa história. – respondi simplesmente.

Você está sozinha?

A indignação em sua voz me fez rir.

— Olha, sério. Eu estou bem. Quer saber, não venha. Estou indo pra casa. – falei, pronta para desligar.

Não, espera. Eu chego aí em dez minutos. – fez ele.

— Você que sabe. – murmurei.

Ele desligou e eu fechei o aparelho. Aahh, que ótimo. Edward vindo me buscar.

Não demorou nem dez minutos. Ele com certeza estava voando com o carro. Impossível chegar tão rápido.

— Hey. – disse ele, ainda meio confuso e hesitando.

Quer dizer, imaginei que não era todo dia que pediam para ele vir buscar uma garota, à noite, que está sozinha no meio da estrada. Suspirei e não respondi, apenas entrei no carro quando ele abriu a porta pra mim.

— Obrigada por vir. – murmurei baixo, sem nem olhar para ele.

Coloquei o cinto de segurança e apoiei os braços na perna, escondendo o rosto. Por que eu tinha sido tão idiota? Quer dizer, eu não devia ter deixado Jacob me beijar no nosso primeiro encontro.

Eu sempre soube que aquilo não ia dar certo. Tão rápido!

Bufei pra mim mesma.

— Chegamos. – disse Edward, falando baixo. Eu assenti, mas ainda não estava pronta para levantar o rosto e sair.

— O que você tem, Bella? – ele perguntou devagar.

— Nada. – respondi prontamente. – Obrigado. – e comecei a sair do carro.

— Ei, espera. – fez ele, pondo a mão em meu braço para que eu parasse. – Olha, eu sei que nós temos nossas diferenças, e sei que você não gosta da maioria das coisas que eu faço... Mas, Bella... Para o que você precisar, eu estou aqui.

E ele falou isso de um jeito tão, tão preocupado que eu não consegui segurar. Solucei e deixei que uma lágrima caísse de meus olhos. Sem poder deixar que Edward me visse daquele jeito, saí correndo do carro.

Meu Deus! Não acredito que ele me viu chorar!

Eu sabia que ele iria tentar me consolar se eu continuasse no carro, e isso era, definitivamente, algo que eu poderia evitar. Saindo do carro, dei a chance perfeita para que ele fosse embora com a consciência limpa.

Mas eu ouvi Edward saindo do carro, e ele me segurou pela cintura antes que eu pudesse chegar em casa. Na verdade, eu mal tinha chegado na calçada.

— Calma, Bella. – fez ele, em meu ouvido.

Respirei fundo. As lágrimas saíam sem controle, então não virei para ele de volta.

— O que está te afligindo, Bella?

— Eu não quero falar sobre isso! – reclamei, me debatendo.

— Escuta! – fez ele, mais alto. Parei de me mexer. – Se você entrar nesse estado, vai ter que dar uma explicação.

Tive que concordar.

— E qual é a sua saída para isso, supergênio?

— Vem aqui. – disse ele, calmamente, e me puxou de volta para o carro.

Entramos pela porta de trás e ele me sentou no banco.

— Relaxa. Chore e ponha tudo para fora, e depois você entra. – sugeriu.

Respirei fundo e assenti, mas não chorei. Não como eu pretendia chorar em casa, pelo menos – só derramei mais uma ou duas lágrimas. Depois, fiquei parada por uns minutos, inspirando e respirando fundo.

— Estou bem. – falei, por fim. E, sem graça, acrescentei: – Obrigada.

— Disponha. – respondeu Edward, num tom leve.

Eu suspirei e dei de ombros. Só então percebi o braço de Edward me enlaçando protetoramente. Franzi o cenho sem pensar, e ele entendeu errado, se afastando. Não liguei realmente.

De verdade. Poderia ter ido embora. – insisti. – Você foi muito bonzinho; eu não sei se merecia isso.

Ele riu.

— Se isso te faz feliz, vou te cobrar o favor de volta um dia. – dando de ombros, riu de novo.

Revirei os olhos devagar, para que ele visse mesmo no escuro.

— Estou bem. – repeti. – Tenha uma boa noite, Edward. – falei casualmente e me virei para sair.

— Você nunca cumprimenta as pessoas mesmo ou é pessoal? – fez ele, segurando meu braço de leve e me puxando de volta e beijando meu rosto.

O estalo audível me fez corar, e sua respiração em minha bochecha me deixou novamente retardada. Me perguntei se isso iria se tornar um hábito, e deduzi que sim – quer dizer, os beijos no rosto; e não eu ficar retardada quando ele me toca. Soltei um riso trêmulo e envergonhado antes de sair do carro e entrar em casa.

Acenei levemente para Edward enquanto ele saía e entrava novamente no carro sorrindo. Entrei em casa e me deparei com Charlie me encarando curiosamente.

— Quem era lá fora? – ele perguntou.

Me virei para a escada para que ele não visse meu rosto corado.

— Alice. – menti de leve.

— Só depois de engolir muitos vidros de fermento... – ele gargalhou.

Corei ainda mais e corri um pouquinho, subindo de dois em dois degraus.

— Ei, espera! Jacob te ligou.

Franzi o cenho e dei de ombros. Continuei subindo.

— Não vai ligar de volta?

Amanhã. – gritei em resposta. – Boa noite, pai.

E me tranquei no quarto.

Terça-feira, 1º de junho de 2006

Eu acho que provavelmente vou me arrepender de ter anotado isso, mas tenho que registrar minhas conclusões de hoje.

- Edward é super fofo. Além de me abraçar quando eu estava chorando na minha crise ridícula, ele foi até o fim do mundo para me buscar e levar em casa.

- Jacob quer. Eu digo isso porque, por qual outra razão ele me levaria para a praia? Quer dizer... Não sei. Mas se for mesmo isso, ele vai esperar sentado.


Presentinho de natal pra vocês! Pequeno, mas de coração :P
Obrigada pelas reviews!
Beijos,
*Bree