11. Mal intencionado
Eu andei com Edward e a inspetora que nos delatou até a secretaria. Assinamos o livro da detenção e quase já estávamos indo para a sala de castigo, quando a srta. Cope gritou.
— Cullen! Swan!
Eu me encolhi. Edward apertou a minha mão e nós dois viramos ao mesmo tempo. Ela levantou um papel, como se quisesse que nós dois pegássemos. Nos aproximamos de volta e eu li – na caligrafia elegante da srta. Hathaway – palavras que me fizeram tremer.
"Se Edward Cullen e/ou Isabella Swan aprontarem alguma e forem para a detenção, mande-os IMEDIATAMENTE" – assim mesmo, em letras enormes – "para a minha sala.
Katherine Hathaway
Diretora da Forks High School"
E ela ainda assinou em baixo. Juro pra você.
— Já sabem. – disse a maquiavélica deduradora de boladores de aula.
Engoli em seco e Edward suspirou. Nós dois fomos indo para a sala da diretora em silêncio.
— Culpa minha. – murmurei baixo.
Edward soltou a minha mão e agarrou meu braço com tanta força que eu cambaleei.
— Tá brincando? – disse ele, sem acreditar.
— Brincando sobre o quê? – estranhei.
— É claro que não é culpa sua. Fui eu que pedi para você me contar tudo. Eu tomei seu tempo todo. – fez ele, como se...
Bem, como se, além de sentir culpa, ele estivesse magoado em ter me feito ir para a detenção. O que, claro, seria – NO MÍNIMO – incomum.
Fiquei olhando para ele.
E, de repente, eu atinei. Eu já devia ter percebido isso há dias – ou, se eu fosse menos rabugenta, semanas. Talvez até meses! Quem sabe não anos??
Foi mais forte que eu. Estava entalado na garganta.
— Você é tão fofo. – fiz eu, uma ênfase surpresa no tão.
Ele me olhou, um pouco surpreso, um pouco confuso e um pouco achando graça.
— Por que está me dizendo isso? – perguntou.
— Não sei. Eu só precisava dizer. – dei de ombros.
— Você é meio louquinha. – ele murmurou, rindo.
Eu o ignorei.
— Vamos logo ver a srta. H, sim? – sugeri.
— Vamos lá. – murmurou e, deliberadamente pegou minha mão.
Eu me aproximei de Edward e deixei nossos braços se encostando. Eu queria que ele me abraçasse como tinha feito lá fora e antes, no carro dele, mas não diria isso em voz alta. Me contentei em entrelaçar meus dedos com os deles, me deliciando da surpresa óbvia em seu rosto.
Abaixei o rosto para esconder o riso, e minha bochecha estava encostando no braço de Edward. Seu casaco era confortável e eu continuei na mesma posição.
Daquele modo, não parecia mais tão terrível ter um encontro com a diretora na sala dela.
Ouvi um pigarro atrás de mim e virei o rosto para ver quem era. Parei de andar, me afastei de Edward e virei para a pessoa que nos encarava com um olhar assassino.
— O que você está fazendo aqui? – disse Edward.
O que era uma boa pergunta, realmente. Mas, pela acidez na voz dele, eu não tive vontade de rir – senti mais medo do que outra coisa.
— O que você estava fazendo abraçado com a minha namorada? – rebateu Jacob.
— Nós não estávamos abraçados. – corrigi idiotamente. Porque, pior, estávamos de mãos dadas. – E... Eu sou sua namorada? Quero dizer, eu não sou sua namorada!
Eu meio que soltei uma risada, um pouco surpresa. Jacob deu um passo à frente, os olhos vidrados em Edward. Tive a impressão de que ele nem me ouviu.
— Ei, ei, ei. – fiz eu, ficando na frente de Edward para me posicionar entre os dois. – Podem parar com isso. Nem pensem em uma "revanche". – grunhi desenhando aspas no ar, meus olhos indo de Jacob para Edward e de Edward para Jacob.
Reparei que os dois estavam olhando apenas um para o outro. Cerrei os dentes, percebendo que eles não tinham me ouvido. Edward deu um passo à frente, e eu estava praticamente virando um sanduíche entre os dois.
— Você – apontei para Jacob, chamando a atenção dele – vai voltar para a sala de aula como um bom menino. E você – falei para Edward – vai ignorá-lo e ir para a porcaria da saca da Senhora Hathaway comigo.
— Senhorita. – ouvi. Me virei devagar, corando. - Swan, você tem um dom. Devia trabalhar apartando brigas.
Se fosse outra pessoa eu teria revirado os olhos ou bufado. Mas era ela, e eu não ia me atrever a isso.
— Black, vá para a sua sala. Aliás, o que é que o senhor está fazendo aqui?
— Jessica Stanley disse que Bella e Edward estavam se agarrando. – ele disse.
Eu e Edward engasgamos.
— O quê? – perguntamos juntos.
Olhei para ele com o cenho franzido de indignação e ele estava com o olhar idêntico ao meu.
Srta. H. nos ignorou.
— E, se estivesse, o que você teria com isso? – perguntou, num tom meio crítico.
Edward abafou uma risada com uma tosse falsa e, apesar de estar com os lábios apertados para segurar um gargalhada, eu o fuzilei com o olhar.
— Bella é minha namorada. – disse Jacob para a doutora.
— Jake, eu não sou sua namorada. – falei, um tanto devagar para ver se ele entendia dessa vez.
— Mas nós estamos saindo. – ele emendou, como se isso resolvesse.
— O que eu não é a mesma coisa, nem de longe. – completei.
— Qual é a diferença? – ele insistiu, meio confuso.
— Namorar é sério. E exige um pedido. – expliquei, entediada.
— Então...
— JAKE. – falei, séria.
Eu estava constrangida por discutir minha vida (não) amorosa com mais duas pessoas presentes. Edward estava absurdamente vermelho e seus ombros tremiam em uma risada silenciosa que ele não podia soltar.
— Vá para a sua sala. – disse ela, por fim.
Jacob saiu e Edward soltou um riso baixo, abafado pela mão, como se ele estivesse tossindo.
— Está se sentindo bem, Cullen? – perguntou uma preocupada diretora.
Eu trinquei os dentes. Não ria, não ria...
— Perfeitamente, srta. Hathaway.
— Agora, vocês dois... Creio que estavam indo para a minha sala, não? – fez ela, calmamente.
Nós dois assentimos e começamos a andar atrás dela. Edward soltava uma risada baixa a curtos intervalos e eu acabava acompanhando-o. Chegamos na temível sala e entramos. Edward fechou a porta atrás de si.
— E então, onde está a minha prévia escrita?
Eu olhei para Edward, surpresa. Estacamos.
— Dentro da minha mochila. – Edward falou, hesitando.
— Então peguem por favor. Tomem aqui. – ela escreveu passes para nós dois e nos entregou.
Roubei o passe da mão de Edward e o entreguei para a diretora.
— Ele não vai precisar disso, eu posso ir sozinha. – falei rápido, já virando e saindo da sala.
— Swan!
Eu me encolhi.
— Tem certeza?
— Absoluta, srta. Hathaway. – respondi, sem me virar. Girei a maçaneta.
— Achei que tivessem superado essa aversão entre vocês.
Senti a necessidade de responder.
— Eu superei. Meio. Acho. – soltei, um pouco confusa. – Quer dizer... Não é nada pessoal, mas eu não quero ir para a enfermaria de novo.
Só Edward entendeu. Sua resposta fez meus olhos brilharem.
— Eu já te pedi desculpas por aquela vez, não pedi? Se não, desculpe. E, pra você saber, não vou bater em Jacob. – disse ele, com certo humor.
— Não? – ecoei.
— Não. – e, apesar do humor, havia uma seriedade em seus olhos.
— Tudo bem, então você pode vir comigo. – permiti.
Senhorita Hathaway estava com os olhos em fendas quando entregou o passe a Edward. Mas, de algum modo, ela parecia mais achar graça na situação do que estar nervosa.
Eu e Edward fomos em direção à nossa sala de literatura – dessa vez, nada de mãos dadas.
— Não vai mesmo brigar com Jacob, não é? – me certifiquei.
— Não, é claro que não. – fez ele, rindo.
Eu estranhei.
— Por que não?
— Você quer que eu bata nele? – perguntou Edward, surpreso.
Arfei alto.
— É claro que não! Só estou estranhando você não querer.
Ele riu, balançando a cabeça.
— Eu estava com vontade de dar o troco por aquela vez que ele te bateu, mas já tive uma satisfação maior ainda hoje. – disse.
— Qual satisfação? – perguntei.
— Você tem ideiado quanto eu segurei lágrimas de riso quando você disse a ele que não era namorada dele? Foi muito melhor do que vê-lo com o olho roxo por meses!! – Edward finalizou gargalhando.
Senti pena de Jacob, pensando desse modo. Mas-
— Foi Jacob que me bateu? – fiz eu, meu rosto começando a queimar.
Edward hesitou.
— Achei que já soubesse. – fez ele.
— Argh. Tanto faz. – falei.
Chegamos a nossa sala e entramos, sorrindo de leve para o professor enquanto explicávamos rapidamente nossa ausência e mostrávamos os passes.
Me sentei no meu lugar para pegar a nossa conclusão que estava comigo, e lancei um olhar irritado à Jessica.
— Não entendo você. – ela me cortou, assim que abri a boca. – Você tem Jacob Black e Edward Cullen caídos por você e não toma atitudes inteligentes!
Eu a olhei, rindo.
— Jacob... Bem, que seja. Mas Edward? Edward não é "caído" por mim. – falei, desenhando aspas no ar.
Olhei para trás e vi Edward ainda juntando as coisas. Me lembrei.
— Por que disse a Jacob que eu e Edward estávamos nos agarrando??
— E vocês não estavam? Quer dizer, eu vi você indo lá pra fora e ele foi logo atrás...!
— É claro que não estávamos nos agarrando! – garanti.
— Vamos? – Edward falou, brotando ao meu lado. Me levantei com a folha na mão.
— Jacob ficou te encarando. – disse Edward, quando saímos da sala. – Te olhava como se quisesse TE bater.
Dei de ombros.
— Se ele... – começou Edward, mas eu o cortei.
— Hoje eu vou estar com cólica e nem vou poder conversar. – garanti, com um sorriso maldoso.
— Mas uma coisa não está ligada à outra. Se você dissesse que não podia andar, então...
— E dar a chance de ele ficar em casa comigo? Não, obrigada. – falei.
Ele revirou os olhos.
— E, só pra você saber, ninguém pergunta sobre cólica. É um terreno desconhecido para os garotos. – segredei.
Não que eu tivesse alguma experiência com garotos, mas pelo menos Charlie não perguntava nada – nunca.
— Você é uma pessoa confusa. Como pode ser pertinaz e instável? – ele divagou.
Franzi o cenho e desejei ter tido a chance de procurar no dicionário aquela palavra. Eu bati na porta da senhorita H. e entrei, Edward atrás de mim.
— Com licença. – falei, por costume. Edward riu baixo e eu o cotovelei.
— Então é isso? – perguntou ela, quando entregamos o trabalho. – Fizeram juntos? Se eu perguntar separadamente sobre o que é, os dois vão saber responder?
— Sim, senhorita. – fez Edward, e eu assenti, com um sorriso orgulhoso.
Ela indicou as cadeiras e nós dois sentamos.
— Bem... E foi difícil?
Franzi os lábios e não respondi. Não tive coragem de olhar para Edward.
— Eu mandei vocês dois fazerem esse trabalho juntos porque sabia que tinham capacidade para isso. Eu espero não ter me enganado. – ela disse, séria. – O sinal para a próxima aula já vai soar, até lá, fiquei no pátio. Não se esqueçam que sexta-feira eu quero a prévia da apresentação de vocês.
Eu assenti e ela indicou a porta. Lá fora, eu suspirei.
— Isso foi tenso. – murmurei.
Edward apenas riu e passou os braços em torno dos meus ombros, num quase abraço.
— Relaxa, ela nos ama. – ele piscou para mim e eu revirei os olhos.
E então, antes que eu pensasse que não, estava indo para o carro.
— Bella! – ouvi Jacob chamar. Suspirei.
— Oi, Jake. – falei, virando para ele.
— É verdade o que está dizendo? – ele perguntou, sua expressão triste e confusa.
— Que eu estou namorando com Edward? NÃO. – respondi, com uma careta.
Acontece que, quando chegamos ao pátio, Edward começou a me fazer cócegas. Eu disse que o odiava – sem conseguir parar de rir – e ele disse que amava me perturbar. Falei que ele era um idiota e ele insistiu que eu amava.
Conclusão: Ele decidiu que só ia parar de me fazer cócegas quando eu admitisse que eu o amava.
Eu realmente tentei. Não dizer, no caso. Mas não deu. Eu estava a ponto de fazer nas calças, de tanto rir. Falei para ele que o amava ou, numa versão mais verdadeira, gritei para ele.
Só que as salas já haviam sido dispensadas para trocar de sala, então o pátio estava cheio de gente – gente que eu ouviu eu gritando que o amava.
"Acho que eles descobriram nosso caso secreto de amor" – Edward tinha dito, só para me provocar.
"Te odeio!"
"Não foi o que você acabou de dizer..."
E eu só rosnei para ele.
— Lauren Mallory* disse que ouviu você dizendo que o amava. – lembrou-me Jacob.
(N/A: É Mallory mesmo? Eu esqueci completamente o sobrenome dela, não tenho certeza se é esse... hahah)
— Foi sob tortura. – expliquei. – Literalmente. E além do mais, não foi desse jeito. Estávamos discutindo sobre amor de amizade, pelo amor de Deus!
— Bella, eu...
— Olha, Jake... Eu estou morrendo de cólica e tudo o que eu quero é ir para casa deitar. Será que não podemos conversar amanhã cedo? Obrigada. – falei, já entrando no carro.
Ele hesitou.
— Posso passar na sua casa mais tarde?
— Eu estarei dormindo. – garanti.
— Então agora? Só quero conversar com você fora da escola. – insistiu ele.
— Você não teria que estar na detenção?
— Dane-se a detenção. – ele revirou os olhos. – Por favor, Bella.
— Tudo bem. – cedi, suspirando e entrando na minha velha Chevy sem ânimo nenhum.
Dirigi para casa o mais devagar que pude, mas não pude adiar muito. Saí do meu carro e Jacob do dele.
— Tudo bem, vamos conversar. – falei, cruzando os braços.
Era meio idiota, mas eu não queria convidá-lo para entrar.
— Vem aqui. – disse Jacob, me puxando para seu carro.
Eu me lembrei de como eu me senti segura e calma no carro de Edward, mesmo com ele me abraçando. Com Jacob, eu me sentia sem ar. E não de um jeito bom.
Como, em tão poucos dias, eu pude mudar tanto minha opinião? Quer dizer, menos de uma semana atrás – meu Deus, TRÊS DIAS!!! – eu odiava Edward com todas as minhas forças e achava que Jacob era o garoto mais fofo que eu conhecia.
E agora eu estava quase – QUASE – a ponto de trocar as descrições dos dois – Jacob conseguira me deixar nervosas com coisas bobas, enquanto Edward estava sendo fofo demais para a minha sanidade.
— Você não está com Edward, está? – foi a primeira coisa que Jacob disse, e eu quis socá-lo.
— Não, Jake. – respondi, entediada, e foi quando ele me beijou.
Eu recuei, surpresa, mas ele passou o braço em torno do meu pescoço. Apesar da hesitação, eu meio que acho que correspondi o beijo dele. Jacob passou o outro braço ao redor da minha cintura, e eu tive a impressão de que ele estava se inclinando por cima de mim. Apoiei as mãos em seus ombros, mantendo-o a uma distância mais razoável.
Fui sentindo seu corpo mais e mais perto do meu, e meus protestos corporais já não tinham mais efeito.
— Jake. – grunhi, empurrando-o com toda a força que eu tinha.
— Relaxa, Bella... – ele disse, sorrindo.
Não respondi, apenas continuei empurrando.
— Jacob, pare. – ordenei, mas ele não respondeu, os lábios ocupados em meu pescoço.
Eu trinquei os dentes, empurrando-o. Minha paciência foi totalmente para o espaço quando senti suas mãos em minhas costas, por baixo da blusa.
— Jacob Black, saia de cima de mim!! – eu praticamente gritei, empurrando-o.
Ele se afastou um pouco e eu o empurrei mais, ficando sentada.
— Isso não vai funcionar. – falei.
— O quê? Por quê? – fez ele, se aproximando de mim de novo.
Corei violentamente enquanto esticava o braço para deixá-lo longe de mim.
— Você não acha mesmo que eu faria isso dentro de um carro, acha? – perguntei.
— Então vamos subir. – ele propôs, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Percebi que não tinha deixado as coisas suficientemente claras para ele.
— Sem chances! Eu não cederia à alguém que não estivesse no mínimo namorando! – soltei.
— Quer namorar comigo? – perguntou Jacob.
Não agüentei. Minha mão criou vida e dei um tapa na cara dele. Tive a felicidade de perceber que ele se assustou.
— Não é assim que funciona, Jacob. Não comigo. – falei, meio gritando e saindo do carro.
— Bella! – ele chamou, indo atrás de mim.
Me virei para ele lentamente, com os olhos em chamas.
— Olha, nunca daria certo, okay? Nós temos idéias e ideais totalmente diferentes. – falei, séria. – Então, acho melhor deixar isso pra lá de uma vez. Amigos?
Ele fez uma careta para minha mão estendida. Não me importei.
— Ótimo. – falei, virando as costas e entrando em casa.
Suspirei, me jogando no sofá. Eu liguei a televisão e assisti um programa de culinária, mas eu queria mesmo era conversar com alguém. Já passavam das quatro da tarde, e eu sabia que se ligasse para Alice ela não estaria, Edward atenderia e...
Hummm...
Peguei o telefone e disquei o número.
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Oiii, meninas!
Desculpe a demora.
Obrigadaaa³ por todas as reviews que mandaram, mas não vou poder agradecer uma por uma, só estou passando aqui rapidinho.
Alguém chuta pra quem ela vai ligar? (hoho)'
Fiquem atentar para o próximo capítulo! Altas revelações sobre os dois – e sobre seus sentimentos também.
Um beijo!
*Bree
