The Leap
"Você é de planejar as coisas?" perguntou Bill, em um sábado qualquer de primavera, enquanto caminhavam no parque. As crianças (trouxas) corriam e brincavam com suas bolas e bonecas, mas não os incomodava nem um pouco; os dois adoravam crianças, na verdade.
A loira moveu a cabeça para os dois lados, em duvida, e o movimento casual foi o suficiente para todos os homens em volta olharem para ela boquiabertos. Bill reparou, mas não deu muita atenção: precisava acostumar-se.
"Mans orr menes. Eu gosto de saberr o que vou fazerr, mas non fico planejando cada detalhe, porr quê?"
O ruivo deus os ombros, sorrindo para ela, que sorriu de volta. Os olhos de Fleur brilhavam sempre que olhavam para ele - como se não acreditasse em sua sorte; e aquilo fazia seu estomago se contrair: ele de fato não acreditava em sua sorte. Não porque ela era linda e seu charme veela fazia impossível não repará-la, mas porque era mais que uma garota fútil como tantas outras, sabia conversar, tinha gostos refinados, era inteligente e sempre disposta a tentar coisas novas - ainda que apenas para dizer como era melhor na França. Era um jogo dos dois, comparar tudo que faziam ali com como era feito na França e no Egito
"Eu sou um cara que gosta de planejar. Cada mínimo detalhe, e repassar várias vezes, até que tenha certeza que vai sair perfeito."
"Non parrece com você." ela disse, sorrindo.
"O segredo da coisa é fazer tudo parecer casual" respondeu, sorrindo. Ele pegou a mão da namorada, andando com ela em direção a ponte que cruzava o lago mais próximo. "Eu gosto de viver o momento, mas para fazer isso, preciso ter certeza que ele será da forma como eu imaginei. Sabe, ajudava muito no Egito. Ter um plano geralmente é a melhor forma de conseguir realmente entrar nas pirâmides, quanto mais informações e detalhes você tem, maior sua chance de sucesso. Claro, você também precisa pensar rápido, porque invariavelmente alguma coisa dá errado, mas nunca te pega realmente de surpresa, porque você está o tempo inteiro preparado."
"É ton sexy quando você fala sobre o Egito" falou, dando risadinhas.
Os dois deram alguns passos para frente, em silêncio, apenas sorrindo um para o outro, até que Bill parou, no meio da ponte e olhou através da brecha das árvores para o lugar onde o sol descia no horizonte.
"Só mais uns segundos", murmurou para si mesmo, e quase atendendo ao seu pedido, a luz foi tomada por matizes de laranja e vermelho, típicas do pôr do sol.
"Eu quero ser mais do que sexy, Fleur" ele falou então, a voz firme e determinada. "Eu quero ser carinhoso, e amigável, e companheiro..."
"Mas você é!" ela respondeu, confusa, e ele fez um gesto para ela esperar.
"Mais do que isso, eu quero ser isso tudo sempre. Quando a gente sai, e o fim da tarde chega, e o sol bate nos seus cabelos e nos meus, eu consigo ver a cor que teriam nos nossos filhos. Eu quero o para sempre, Fleur" ele falou, respirando fundo, e só então reparou que - exatamente como o planejado, um quarteto de cordas tocava, as notas reverberando como um fundo suave para o momento. Teria sorriso para si mesmo, se não fosse o nervosismo. "Com você. É por isso que eu estou aqui... Me declarando para você e perguntando, a pergunta que eu passei a vida inteira me perguntando como fazer. Você quer casar comigo?"
Sabia o que sua mãe diria - que estava se apressando. Sabia o que seu pai diria - para ter cautela, mesmo agora. Mas o único conselho que daria ouvidos agora era o de Charlie: faça o impossível. Faça tudo. Aposte todas as suas fichas, se você tem certeza. E era tão difícil saber o que fazer com Fleur, porque ela era o tipo de garota que sempre fora bajulada, mas precisava ter confiança de que ela sabia que eram mais que palavras: era verdade.
"Oh, Bill..." a voz dela era suave, e emocionada, olhando para ele e não para a caixa aberta em suas mãos. "Sin! Ah, Sin! Clarro que eu querro casar com você!"
Quase saltitando de animação, ela aproximou-se dele, ignorando completamente o anel e beijando-o na boca com toda sua vontade.
"Te amar e honrar, até que a morte nos separe", ele disse, colocando o anel na mão direita da garota, e ela apenas sorriu, os olhos brilhando de alegria.
"Parra sempre, William. Parra sempre."
E como se prevendo o futuro dos dois, risos de crianças cortaram o ar enquanto se beijavam mais uma vez.
